20070708

Caminhos de Ferro

Seguindo com atenção a discussão sobre mobilidade e caminhos de ferro que tem-se desenvolvido neste blogue, destaco o último post do José Silva.

Buffet costuma estar à frente de toda a gente no que toca a "ler o mercado de oportunidades bolsistas". Mas no caso dos EUA, parece-me que existe um detalhe muito importante a reter e a valorizar;

Ao que parece, nos EUA os caminhos de ferro não são estatais, não existem monopólios, pelo contrário, a concorrência é forte e valorizada em bolsa.

No caso luso, temos um monopólio que foi dividido para que em termos de contabilidade podessemos ter "entradas e saídas" entre o mesmo grupo empresarial. Dividir para reinar!

Será que alguém esqueceu a dança de cadeiras de directores da CP para a Refer ou vice-versa?A máquina partidária não pode nem consegue esperar!

Mas o ponto fundamental a reter do panorama ferroviáro nacional, tem que ver com a satisfação de necessidades por parte de um operador público.

Tudo o que é estatal é racionado. Saúde, ensino, transportes e particularmente caminhos de ferro.

Ao contrário, jamais se ouviu falar de serviços privados racionados. É este o ponto essencial. Enquanto estivermos a operar numa lógica estatal de prestação de serviços ferroviários, temos que ter bem presente que o mercado não existe. Este é o melhor averiguador e garante da qualidade de serviços.

A solução só pode passar por desmembrar, privatizar e abrir à concorrência.

4 comentários:

Salem disse...

Fala-se que a Mota-engil quer concessionar a actual ligação entre Lisboa e Madrid e criar uma ligação Lisboa - Valencia.

Entretanto continuamos a ler noticias como esta, onde ficamos a saber que a linha do Tua não abre tão cedo.

http://jn.sapo.pt/2007/07/08/norte/camara_quer_municipios_numa_rede_ala.html

sergio costa disse...

Como??
Usar o exemplo dos caminhos de ferro norte-americanos para justificar a liberalização do sector ferroviário em Portugal só pode ser uma anedota.
1º - A AMTRAK é uma empresa pública norte-americana.
É verdade, elas também existem lá nos States.
Os directores deste operador são nomeados pelo Presidente Norte-Americano e confirmados pelo Senado.

2º - A AMTRAK é practicamente uma empresa monopolista no que concerne ao transporte ferroviário de passageiros de médio/longo curso nos E.U.A.

3º - Os caminhos de ferro norte-americanos não são exemplo para ninguém.
O único troço de "alta velocidade" na América do Norte é percorrido pelo Acela Express (da Amtrak...) a uma velocidade média que empalideceria face ao nosso alfa pendular, que atravessa o país de Braga a Faro.

A Fertagus é privada, o metro do Porto é explorado por um operador privado: Transdev.
Já existe separação entre o operador ferroviário:Refer e a principal empresa operadora de comboios em Portugal:CP

Benjamin Sardo disse...

Eu gostava apenas de lembrar o exemplo alemão. A empresa ferroviária (Deutsch Bahn) alemã é ainda controlada pelo estado, mas isso não a impede de se destacar como um dos melhores serviços ferroviários do mundo. Além do mais, não tem concorrência e coopera, nos estados fronteiriços com as outras companhias estrangeiras... veja-se o caso do Eurocity.
Em relação ao mercado, parece-me que é um ciclo vicioso: como o serviço é pouco eficaz e incompensável, as pessoas não o usam regularmente. Na Alemanha e nos outros países da Europa Central, não é raro ser mais rápido fazer uma viagem de comboio do que de carro. Isto contribui valiosamente para a decisão de usar o comboio.
Se se quer que as pessoas usem o comboio por causa do ambiente, acho que é pedir muito.
No caso das mercadorias acho que se aplica o mesmo. Se os caminhos de ferro não chegam às industrias, como é que querem que estas os usem? Falta, sem dúvida, infraestruturas nesse campo.
Por outro lado, acredito que a concorrência venha a trazer mais competitividade a este serviço, mas é importante ver que não é a única solução.

Pedro Menezes Simoes disse...

Acho que a solução passa por liberalizar, e contratualizar o serviço publico.

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