20070714

Regionalizar por onde?

Mais uma vez, parece ser de todo o interesse não deixar esmorecer o tema da regionalização. É o desenvolvimento político, social, cultural e económico que está em causa, de uma região que se sente cada vez mais defraudada, pilhada e espezinhada pelo centralismo egocêntrico do governo e de Lisboa.
Mas, por mais vontades e esforços colocados a Norte na defesa legítima e válida da regionalização, há factores externos de peso que condicionam o sucesso da “batalha”.
E o resto do país?! Mais dividido entre Litoral e Interior do que propriamente entre Norte e Sul.
Há, por isso, a percepção de uma realidade prática de que o projecto da regionalização que está em curso e previsto pelo governo, coloca outras regiões num situação de indefinição, de dúvida e de oposição, inviabilizando a mesma.
É, por exemplo, o caso de Aveiro, em que muitos são os oposicionistas a esta regionalização. Isto porque, no quadro em que ela é proposta, desvaloriza e aniquila uma região e todas as suas potencialidades: a influência da Universidade de Aveiro no panorama científico e intelectual do país; a influência no eixo IP 5 que a plataforma logística com ligação ao Porto de Aveiro vai reforçar e que o “sonho” de uma ligação de alta velocidade à vizinha Espanha ainda não esmoreceu; os parques industriais a norte e a sul da região e o desenvolvimento tecnológico e o turismo assente nas potencialidades da Ria de Aveiro, do Rio Vouga, do Mar e da Serra.
Porque o sentimento que o Norte vive em relação ao centralismo e ao poder acéfalo de Lisboa, vive Aveiro em relação a Coimbra que, mais forte politicamente junto do “poder Estado”, consegue transformar a realidade estrutural e a importância regional de Aveiro numa mera subserviência aos seus interesses e peso político.Mas aqui, o Norte também tem culpa.
Porque ainda não soube encontrar forma de “cativar” e “chamar à sua causa” uma região que em muito a pode valorizar.
A regionalização tem de ser encarada de forma mais abrangente, numa dimensão mais alargada, numa perspectiva clara de Norte-Sul, onde as identidades são mais próximas, mais históricas e alicerçadas. Para que a mesma tenha resultados positivos e sustentáveis e garantam um futuro consistente.
Portugal tem uma dimensão geográfica reduzida da qual nada beneficiam algumas regiões que o projecto quer implementar, pelo facto de os seus sectores político, económico e social não acreditarem no sucesso e temerem um maior empobrecimento e subdesenvolvimento.
É certo que existirá sempre a fundamentação radical do paroquianismo e tacanhez. Mas é aqui que o Norte tem que saber conquistar espaço e terreno, para o bem de todos, entre o Mar e a Serra e o Douro e o Vouga. Ou então muito dificilmente teremos regionalização ou uma eficaz regionalização.
E já agora… deveria assentar muito mais numa autonomia regional do que propriamente numa descentralização, que na prática se traduz numa continuada subserviência governativa, sem ganhos reais.

11 comentários:

Jose Silva disse...

Miguel,

Aveiro deveria fazer parte da região Norte. Exemplos: CPorto, AURN, EGP, AMPorto engloba o distrito de Aveiro, etc.

PS: Não sabia que tinha laços familiares a Norte; Convidei-o porque queria ter alguém de Aveiro e concordei com algumas das suas opiniões no seu blogue.

migas (miguel araújo) disse...

Caro José Silva
Por mim devia. Mas existe sempre o velho complexo da perda de alguma autonomia ou, se quizermos, o complexo de inferioridade.
É certo que a AMPorto tem uma zona consideravel de municípios do distrito de Aveiro (a norte) e também é sabido que a sul alguns municipios passaram para a AM Coimbra, embora Aveiro mantenha um histórico "assédio" a Mira.
Mas a questão que levantei é que o Norte e até mesmo o Porto não encontrou ainda (se é que quer, claro) a forma mágica de encantar toda a zona de Aveiro e, no caso concreto de todo o Norte e Norte Transmontano, o mesmo se passa em relação ao Eixo Aveiro-Viseu-Guarda.
E todos teríamos a ganhar. Assim como o Norte teria a ganhar numa regionalização mais do tipo bi-polar do que propriamente com as 5 regiões (?) previstas.

PS: sim. Eu sou o mais "sulista" por ter nascido em Aveiro (até a minha irmã que aqui nasceu já há alguns anos que assentou arraais em Macedo de Cavaleiros). O meu pai é do concelho de Amares (Braga) e a minha mãe é do Concelho de Ribeira de Pena (Vila Real) e toda a familia está espalhada pelo Norte: Porto - Braga - Felgueiras - Régua, etc.
Coincidências...

Salem disse...

Na minha opinião Aveiro, é das cidades com mais potencial..Porto de Mar, eixo Porto Lisboa, capital do eixo IP5, plataforma logistica, universidade de futuro..Aveiro está lá =)

p.s: ah e fundamental, tem a rua de Viana do Castelo =) =) =)

SG disse...

A região norte vai do Minho ao Vouga....

migas (miguel araújo) disse...

Salem
Tem sim senhora.
Pequenina :)) mas tem... e bem no centro!

migas (miguel araújo) disse...

SG
O norte vai do Minho ao Vouga, em teoria e para quem defende, como eu, o Norte.
Mas na prática e com o projecto conhecido de regionalização, Aveiro e o Vouga ficam de fora do "Norte".
Infelizmente...
Cumprimentos

Anónimo disse...

completamente de acordo.
Aveiro tem muito mais a ver com o Norte do que Coimbra.
Aveiro nunca deveria estar na mesma regiao autonoma de Coimbra.
Se não estiver na regiao autonoma do norte que se crie uma para o douro Vouga.
Sempre foi esse o meu desejo.


Ass: Nelson

migas (miguel araújo) disse...

Neson
Por mais "fé" que eu tnho e que o mau caro pelos vistos também deposita nas potencialidades da região de Aveiro, por si só, não tem capacidade de subsistência ou de sustentabilidade.
Ou deveria estar ligada, totalmente ao Norte, ou que a região administrativa do projecto de regionalização fosse o eixo antigo IP5 (agora A25) - Aveiro - Viseu - Guarda.
Nunca com Coimbra que nos tem sugado tudo, quer ao nivel politico e administrativo. Aliás historicamente são conhecidos todos os confrontos com Coimbra: Aveiro foi Diocese, deixou de o seu para Coimbra e só a muito custo reconquistou essa qualidade religiosa - Administrativamente o sector Estado roubou (sem aspas) todas as direcções regionais a Aveiro passando-as a sub-regiões: saúde - segurança social - desporto - agricultura, etc. Mesmo desportivamente é conhecida a rivalidade Beira Mar vs Académica. E a muito custo foi em 1975/76 implantada a Universidade de Aveiro que no campo tecnológico lá vai, meritoriamente, marcando posição.
Cumprimentos

migas (miguel araújo) disse...

Só mais um exemplo.
A Administração do Porto da Figueira da Foz queixava-se publicamente do abandono e menosprezo de Coimbra, sede política e admnistrativa.
Sabendo de tal facto, a Administração do Porto de Aveiro, propôs uma gestão conjunto dos dois portos comerciais.
Veio logo Coimbra de "armas em punho" contrapor todos os argumentos e defender o impensável e o atentado à sua região.
O que até à data era para Coimbra uma questão sem qualquer relevância, passou a ter um impacto vital.

Calaico disse...

Também sou um defensor de Aveiro no Norte ou Aveiro como região com o Douro Sul (Viseu, etc).

Migas, penso que mesmo Aveiro sozinha, teria plena capacidade de subsistencia.
Lembre-se que o tamanho não é tudo. O que interessa é como se gere.
Até um país do tamanho do Luxemburgo ou uma pequena ilha no gelo com muito pouca gente (Islandia) é viavel, mais que viavel.
Tudo depende da capacidade do povo e da capacidade de gestão. Claro que se o povo nativo é africano, não podemos contar que consigam fazer daquilo uma regiao viavel, a menos que façam da regiao uma regiao inteiramente turistica controlada por empresas de fora, mas quanto aos Aveirenses penso que seriam mais que capazes de meter uma região autonoma de Aveiro a ser viável.
Os Aveirenses não são como os Al-Gharbios que não fazem empresas nenhumas e dependem dos empresarios de fora. Os Aveirenses criaram e desenvolveram muita industria e empresas comerciais.

Anónimo disse...

migas,

Coimbra tem sido o maior entrave ao desenvolvimento da Região Centro! É um atraso de vida!
Tanto Aveiro como Leiria estão muito mais evoluídas. Coimbra quis sempre ter protagonismo e estagnou muito do desenvolvimento e prosperidade do distrito.

João Moreira

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