20070722

Fim de tréguas

Um dia destes, o Presidente da República passará por cá: encher-nos-á de elogios, dirá que a cidade é maravilhosa, que tem tudo para ser um caso de sucesso, o que cai sempre bem. Desabafará, com ar paternal, que só é pena que a gente não se entenda. Apelará ao espírito de iniciativa e defenderá que aponta a colaboração entre as empresas e as universidades como a poção mágica para sairmos da nossa crise. Para conter algum eventual protesto, e se lhe faltar a imaginação, poderá sempre imitar os nossos ministros e afirmar que aqui no Porto até se come muito bem. Afinal, essa expressão tem algo de freudiano, porque revela aquilo que eles querem... Que a gente coma e cale. Não haja dúvidas que o discurso resulta. É que continuamos a comer, graças a Deus, enquanto nos vão (e nos vamos) calando.

22.07.2007, Rui Moreira in Público

Este texto de Rui Moreira, escrito no Público de hoje, vem ao encontro daquilo que temos discutido aqui nos últimos tempos. Eu por mim estou pronto. Não tenho a relevância social e política nem, talvez, a preparação necessárias, mas o primeiro que avançar tem aqui um militante empenhado.

Se calhar está na hora de no Norte se pensar em convocar as cortes.

10 comentários:

Anónimo disse...

Isso é tudo muito bonito, mas o que é realmente necessário é um projecto comum para o Norte no qual todos os seus habitantes se revejam e para o qual todos contribuam.

Ora quando há vários empresários a abusar forte e feio dos trabalhadores, expliquem-me que incentivos têm essas pessoas para colaborar com aqueles que abusam delas?

Podia dar mais exemplos, mas a impressão que tenho é que certos arautos do "Norte" têm sobretudo uma agenda própria que procuram identificar com os interesses da região para mais facilmente mobilizarem apoios.

GP

Pedro Menezes Simoes disse...

"Se falar da situação do Porto e do Norte, estará a fazer um discurso miserabilista. Se falar de questões nacionais, estará a meter o nariz onde não é chamado. Se falar de regionalização, estará a precipitar-se e a antecipar todos os antagonismos."

Esta parece-me a questão mais importante. O Porto está a ser censurado e desprezado.

Pedro Menezes Simoes disse...

GP, onde pretende chegar com essas afirmações?

Anónimo disse...

O problema é que em Lisboa e sua região as pessoas sentem e pensam o mesmo: que estão a ser roubadas, desprezadas, mal-tratadas...

Jose Silva disse...

António,

Só vejo uma solução: Ou você avança como lider e todos os restantes o apoiam; Ou contratamos uma recem-licenciada desempregada, arranjamos $ para lhe pagar salário, doutrinamos e colocamo-la como lider. Depende de si.

Anónimo disse...

Pedro Menezes Simoes

O que eu estou a dizer é que os problemas do Norte não são responsabilidade única de Lisboa. Há por cá muito cacique e empresário que usa e abusa das populações. Como é que espera que essas mesmas populações votem depois num partido do Norte, quando irão ver algumas dessas caras à frente dele?

O que eu defendo é que primeiro deve limpar-se a casa. Tem que haver um acordo, um compromisso entre os diversos actores que residem no Norte do País e desejam um melhor futuro para ele, por forma a terem mais força reivindicativa face a Lisboa.

GP

Pedro Menezes Simoes disse...

Não vejo necessidade (e interesse) dos caciques estarem ligados a um "partido do norte". Os caciques já estão nos seus próprios partidos.

Quanto aos empresários, parece-me que não costumam estar dentro dos partidos. (normalmente estão de mão estendida no terreiro do paço ou nos paços do concelho...).

Parece-me ainda que um partido regional não pode senão ter uma matriz ideológica que defenda a redução do peso do estado. De resto, tem sido o Estado a permitir a más empresas manter-se no mercado. O Estado ADORA impedir a livre concorrência.

Anónimo disse...

Pedro Menezes Simoes

Não acha que os caciques e certos empresários que comem do Estado iam fazer de tudo para sabotar as acções de um Partido do Norte? Como é que lidaria com eles? Criando um governo autónomo e reformulando as competências das autarquias?

GP

Pedro Menezes Simoes disse...

GP, tenho de deixar a resposta a essa questão para outros. Eu não tenho claro que um partido regionalista seja a melhor solução (e falo de "partido das regiões" e não "partido do norte" porque este último nem é possível, nem é viável sem uma região norte com poder político-administrativo).

De resto, concordo consigo, o Estado Central, partidos do poder, mass media, empresários "clientes" do estado,..., todos procurariam sabotar esse partido.

Uma organização política não partidária parece-me com mais pernas para andar: ou se ganha o referendo à regionalização (e o partido das regiões perde o seu programa), ou se perde (e o partido das regiões perde o seu espaço político).

Por outro lado, pode ser uma forma interessante de chamar à atenção dos mass media, ganhar tempo de antena.

Não obstante, uma coisa parece-me evidente. Para criar um partido ou não, está na hora do norte convocar as cortes. Isso poderá acontecer em breve. Temos de estar preparados.

Anónimo disse...

Pedro Menezes Simoes

«Eu não tenho claro que um partido regionalista seja a melhor solução (e falo de "partido das regiões" e não "partido do norte" porque este último nem é possível, nem é viável sem uma região norte com poder político-administrativo).»

Parece-me que neste momento um "partido das regiões" não seja viável por causa de todo o veneno que os mass media controlados por Lisboa passam sobre os habitantes que moram fora de Lisboa e no qual, infelizmente, muita gente acredita. Assim, os Nortenhos são pintados como uns rústicos ou os Alentejanos como uns atrasados mentais. Talvez com mais diálogo entre Portugueses residentes fora de Lisboa fosse possível uma melhor compreensão de uns e outros e a formação de um "partido das regiões".



«De resto, concordo consigo, o Estado Central, partidos do poder, mass media, empresários "clientes" do estado,..., todos procurariam sabotar esse partido.»

Daí que eu defenda que está na hora de pensar numa identidade para o Norte, num projecto integrador, que ultrapassasse as diferenças internas actualmente existentes e que levasse os diversos actores aqui residentes a mostrar maior preocupação e interesse uns pelos outros. De qualquer forma, pode ser que a tal plataforma política não partidária que o Pedro Simões defende possa vir a constituir o embrião de uma tal identidade, uma vez que vai obrigar diversos actores a dialogarem uns com os outros e a conhecerem-se melhor.


«Não obstante, uma coisa parece-me evidente. Para criar um partido ou não, está na hora do norte convocar as cortes. Isso poderá acontecer em breve. Temos de estar preparados.»

Talvez para depois do anúncio oficial da construção da Ota?

GP

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