20070704

O Partido do Norte

Como contributo para a discussão que por aqui tem acontecido, republico neste blogue este post que foi por mim publicado no Baixa do Porto em 4-05-07.

Os últimos tempos têm sido prolíferos, muito por causa da campanha que o JN actualmente promove, em notícias e análises sobre a depauperada situação socioeconómica do Norte. A maioria dos opinadores e entrevistados são os mesmos de sempre. Muitos com culpas directas no actual estado das coisas. Uns porque tiveram responsabilidades políticas em governos que promoveram a concentração em Lisboa e nada fizeram para o obstar; outros porque fizeram - e continuam a fazer - incompreensíveis erros de análise (ex: Referendo à Regionalização, Ota, traçado do TGV, etc.). Todos porque continuam a confiar que o actual sistema político-partidário poderá ser veículo da almejada solução. Quando ela chegar já nada haverá para solucionar.


Tenho para mim que a solução só chegará quando o Norte for capaz de fazer emergir um novo partido político que tenha como objectivo principal a união e a autonomia do Norte. Sem esse instrumento, que se quer arrojado e dinâmico, não acredito em soluções satisfatórias. Mesmo que os partidos do sistema venham a promover a sua "regionalização", será uma regionalização feita à medida dos seus interesses e moldada à imagem dos seus comités centrais dominados pelos interesses centralistas. Outros protagonistas são necessários. Protagonistas que não se vendam por um prato de lentilhas.


Entretanto, lá longe, Jardim prepara-se para dar início à sua via catalã sentado naquela que, dizem, poderá ser a sua mais alargada maioria de sempre. Tempos politicamente interessantes se adivinham. (confirma-se que foi uma das mais alargadas maiorias de sempre; confirma-se também que Jardim começa a pedir mais autonomia para a Madeira)


António Alves

P.S. - Para os pressurosos defensores da constituição, que nesta altura fazem sempre questão de nos relembrar que a mesma proibe os partidos regionais, adianto que a constituição muda-se, altera-se, contorna-se ou, em última análise, até não se cumpre. Se for necessário arranjo já uma dúzia de casos em que ela é pura e simplesmente ignorada. E depois há uma verdade que qualquer manual de ciência política confirma: a legalidade é estabelecida pelos vencedores!

9 comentários:

Jose Silva disse...

Pois é. É de facto uma alternativa à Regionalização. Entra-se pela AR e eventualmente num governo, sem se mudar o modelo de organização do Estado. Também dá...

Salem disse...

e basta olhar para o lado e para cima para ver os bons resultados que o Bloco Nacionalista Galego tem feito em alguns municipios galegos, ou o trabalho que os partidos catalães tem feito em prol da região..Era preciso era que esse partido conseguisse lugares na AR.Ca em cima ha gente que ainda é pro-lisboa e confunde norte com o fcp. Alem disso, normalmente os partidos regionais são de esquerda, e na nossa região ainda há muito conservadorismo..Estas são algumas ameaças que o partido teria de enfrentar..

rui disse...

esse tema do partido é interessante.
se se criasse um partido das regiões, que federasse movimentos regionalistas das várias regiões, já não era anticonstitucional.
depois, em cada região formar-se ia uma organização própria. se se evitasse os riscos de debater outros temas em que, ideologicamente, se poderiam cavar fissuras, talvez a coisa tivesse pernas para andar....

Vitor disse...

parabens pelo teu trabalho Antonio Alves.

isso realmente era um passo de gigante para o norte, que bem merece.

"Ca em cima ha gente que ainda é pro-lisboa e confunde norte com o fcp."

E o problema é que ha muitos fanaticos e medrosos amantes de Portugal, que preferem que o Norte continue pobre, colonia e vassalo de Lisboa e que os seus familiares continuem a Emigrar e a empobrecer, preferem isso do que regionalizar porque têm medo que o seu paiseco chamado Portugal possa ficar desmembrado e dividido.

Enfim, o que uma bandeira, uma historia mal contada, deturpaçao da nossa verdadeira identidade, faz ao nosso povo.

Mas sem dúvida que o norte deve caminhar nesse sentido, um verdadeiro partido regional do Norte, que se imponha e defenda os nossos verdadeiros interesses. Nós somos uma nação, não somos uma colonia ou região de Lisboa ou da LisboaGal.

josé manuel faria disse...

E o Partido Democrático do Atlântico (Açores), como é!

Anónimo disse...

penso que ja ha muito tempo que varios nortenhos tem essa opiniao e vontade de fazer um partido ou movimento regional para dar força à regionalizaçao e à regiao.
O problema é que nunca passamos das palavras aos actos.
Falamos que é preciso fazer isto e aquilo mas depois fazer nickles..

Se calhar esse partido ou movimento se bem organizado no futuro contaria com imensa gente, mas por enquanto como só se diz e não se faz, pensamos que somos poucos..

Rui Santos disse...

Apoio incondicionalmente a criação dum partido desses.
Força com isso camaradas

António Alves disse...

Caro José M. Faria,

O Partido Democrático do Atlântico é, por exemplo, uma boa maneira de contornar a norma antidemocrática da constituição. ;-)

Anónimo disse...

"Ca em cima ha gente que ainda é pro-lisboa e confunde norte com o fcp."

E o problema é que ha muitos fanaticos e medrosos amantes de Portugal, que preferem que o Norte continue pobre, colonia e vassalo de Lisboa e que os seus familiares continuem a Emigrar e a empobrecer, preferem isso do que regionalizar porque têm medo que o seu paiseco chamado Portugal possa ficar desmembrado e dividido.

Enfim, o que uma bandeira, uma historia mal contada, deturpaçao da nossa verdadeira identidade, faz ao nosso povo.

Mas sem dúvida que o norte deve caminhar nesse sentido, um verdadeiro partido regional do Norte, que se imponha e defenda os nossos verdadeiros interesses. Nós somos uma nação, não somos uma colonia ou região de Lisboa ou da LisboaGal."


grande verdade camarada, grande verdade

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