20070723

Num consultório médico hipotético qualquer...

14h50m: Doente A chega à consulta, acompanhado por 2 familiares.
15h00m: Hora da consulta. Enfermeira / recepcionista avisa que está um pouco demorado.
17h00m: Entra mais um doente. Doente A protesta com a demora. Enfermeira responde que os outros estavam à frente, não há nada a fazer. Doente A replica que isso deveria ser problema do consultório. O médico sabia à partida que tipo de consultas ia fazer, e tem experiência suficiente para saber quanto tempo demora cada consulta.
18h00m: Doente A é finalmente atendido. Total tempo de espera: 3 horas.
18h:30m: Fim da Consulta

Preço da consulta = 50€
Perda de rendimento pela ida à consulta = 7,5€ x 4h x 2 pessoas * 1,3 (encargos patronais) * 1,2 (margem de lucro do empregador) = 80€
Custo total da consulta: 130€

Podia ser uma história hipotética. Não é. Acontece todos os dias. Às vezes ainda se espera mais. Já aconteceu a mim, à minha família, aos meus amigos. Conheço a quem aconteça isto todos os meses. Nos consultorios médicos raramente há respeito pelo tempo das pessoas. No privado é mau. No público consegue ser pior ("para quem é, bacalhau basta"...). É o preço a pagar pela limitação do número de médicos imposta pela sua "Ordem".

Se os médicos portugueses não estiverem dispostos a mudar isto, o resultado será a entrada en massa de médicos espanhóis e ucrânianos. Com a vantagem de que não morremos enquanto esperamos. Nem ficamos mais pobres.

2 comentários:

Jose Silva disse...

Pedro,

Temos que manter a tal coerência editorial...

Já agora você não tem acesso aos perfis de poupança a Norte ? Em tempos li que os balcões do interior de Portugal aptavam poupanças para os balcões do litoral darem crédito... Isto seria muito interessante apresentar aqui !

Pedro Menezes Simoes disse...

A questão do crédito, é como tudo o resto: os maiores montantes de crédito concedido são em Lisboa. Se eu encontrar dados públicos sobre o assunto faço um post.

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