20070717

Só falta tirar o N e colocar um 3 de RTP3

Começou por ser NTV e assumia-se como uma televisão regional. Diziam até: "do Porto para o Mundo!" . Lembram-se? Tinha piada, não tinha?

Desconfiado e escaldado, preservei (como convém) a lucidez, sem me deixar entusiasmar com a boa-nova, ministrada como uma espécie de pomada-santa-de-jibóia apropriada para acalmar inconformados.

Tinha razão. Pouco tempo decorrido, lá chegou o previsível golpe de teatro. O pano subiu, e para não levantar muitas ondas junto da massa bruta da "opinião pública" nortenha, voltaram a lançar mão da famosa pasta milagrosa em doses q. b., lá conseguindo absorver o "projecto"
NTV , alterando-lhe a sigla e logo a autonomia numa cosmética perfeita gerando de pronto um outro chamado RTPN (o ene de Notícias servia também para Norte), mantendo parte da estrutura humana da empresa e eliminando outra (leia-se: despedindo pessoal).

Paulatinamente, e durante as tardes, lá começaram as emissões a partir da capital , com fóruns e debates, por sinal o tipo de programas de maior interesse público, onde - ao bom estilo TSF - 80% do acesso é concedido à região de Lisboa e arredores... À cautela, deixaram o Telejornal da Noite nos estúdios do Monte da Virgem a ver no que dava. Como ninguém protestou (as pessoas agora estão convencidas que a Net as substitui em tudo), lá foram avançando até à meta pretendida que era aquela a que hoje finalmente chegaram, isto é : esvaziar completamente de tiques nortenhos a RTPN.

E conseguiram-no. O pedacinho de poder mediático que o Porto e parte da região Norte começavam a ter, já estaria a incomodar e porventura mingava em Lisboa. Vai daí, toca a transferir o noticiário da noite da RTPN para os moderníssimos estúdios de Lisboa, que é lá e só lá, que fazem falta.

Como facilmente concluiremos, a televisão pública não está mais do que a fazer juz ao seu nome e a prestar mais um precioso serviço aos cidadãos do Norte que pagam impostos para alimentar a comunicação social lisboeta. Além disso, contempla-nos com uma lição do mais elevado padrão de democracia corporizada na pessoa do Sr. Almerindo Marques, a quem, a partir de agora todos os nortenhos ficam eternamente gratos e...em dívida.



PS-Peço desde já desculpa, se acaso for pura ficção e não realidade o acima postado. Espero bem que a responsabilidade por mais esta ocorrência de combate às assimetrias regionais não seja minha e que ninguém tenha vertido lágrimas com mais este choradinho. A vida é bela em Portugal. Até já temos corridas e tudo.
Ah, e espero não estar a acusar ninguém. São, factos apenas.














4 comentários:

Anónimo disse...

e foi bem esvaziada!

se existia uma rtpN, pq nao exisitia uma rtpL(Lisboa)?

Anónimo disse...

este é apenas mais um contributo para aqueles ingénuos que o poder se partilha. Olhando para a madeira, cada vez percebo melhor o Jardim, e congratulo-me por aquela região ter autonomia. No resto, é sempre assim com N's ou sem N's.
"Eles" até exportam os "cérebros" para fazer a TV. O programa de manhã é um exemplo

Francisco disse...

""Eles" até exportam os "cérebros" para fazer a TV. O programa de manhã é um exemplo"

Como assim?

O norte precisava era de um verdadeiro canal nortenho que não fosse apenas no cabo mas em toda a rede.
Para isso penso que só é possivel com uma regionalizaçao com bastante autonomia. So assim poderiamos ter canais nortenhos disponiveis para todos os nortenhos e nao apenas para quem tem cabo.

Pedro Menezes Simoes disse...

"se existia uma rtpN, pq nao exisitia uma rtpL"
Porque já existem 3 Canais Generalistas Lisboetas...

Leituras recomendadas