20070709

"Paulo Morais na PortoCanal"

Ontem, na PortoCanal assistiu-se a uma entrevista com o ex-vice presidente da CMP, Paulo Morais, e não fora a fraca promoção da mesma bem como o ainda pouco mediatismo da própria estação de TV, decerto arrumaria para um sombrio canto as maiores escandaleiras do país nos últimos 30 anos, incluindo o processo Casa Pia, com todos os "apitos" incluídos.


Tão convincentes e graves foram as acusações (muitas já com processos em tribunal, movidos pelo entrevistado, mas ao que parece sem grande evolução...) nomeadamente as atribuídas ao tecido empresarial ligado à construção civil, ao pelouro camarário do urbanismo e aos próprios partidos portugueses, que não há reformas nem lexívia que cheguem para limpar o país de tamanha nódoa. Para mim, não foi propriamente uma surpresa, mas, quando é Paulo Morais, ex-responsável pelo urbanismo da CMPorto a afirmá-lo de forma tão clara e óbvia, torna-se mais simples compreender quão irrisória e cínica é a propaganda moralista levada a cabo pelos media centralistas lisboetas à volta do ouro e dos apitos do futebol. Além do mais, ficou provado que o verdadeiro rosto da integridade já não mora em Rui Rio, mas mais no seu ex-vereador, a quem virou as costas, talvez quem sabe para não ter de vir, mais cedo ou mais tarde a revelar as suas fraquezas...


Quando Paulo Morais afirma: "mesmo que amanhã se consiga prender dois ou três indivíduos por corrupção pouco valerá, porque é o sistema que está viciado", é porque de facto o país (ao contrário do que muitos "optimistas" pintam) não está menos mal ou apenas adoentado, mas sim já muito perto de colapsar.


Ninguém pode sair imune desta lixeira política e social em que Portugal se está a transformar, a começar pelos dirigentes partidários e a acabar nos grandes tubarões das empresas de construção civil e obras públicas. As violações sucessivas aos PDM para gerar negociatas e fortunas relâmpago, acompanhadas de pressões nesse sentido ao nível de altos dirigentes políticos, de secretários de estado a ministros, sobre as câmaras, dão bem para se ter uma ideia do que realmente se passa por detrás da cortina de seriedade com que a classe política se procura apresentar perante a população.


Não é minimamente credível que Paulo Morais esteja a inventar tudo isto por qualquer ressabiamento. Espero que não queiram transformá-lo numa espécie de
Carolina Salgado da C. Municipal do Porto. Este é um assunto demasiado sério. As suas declarações são demasiado coerentes e graves para se poder dar ao capricho da calúnia gratuita. Eu acredito nele, na proporção directa em que duvido dos que o abandonaram e sobretudo dos que temem dar-lhe a sua solidariedade, incluindo a própria justiça.


Paulo Morais, poderá ser um homem só e a abater, mas tem aquilo que muitos palhacitos politicamente correctos não têm nem sabem ter: coragem.


2 comentários:

Jose Silva disse...

Caro Rui,

Convido-o a ler este: http://norteamos.blogspot.com/2007/05/urbanizao-norte-sapincia-de-portas-e-os_14.html

SUEVO disse...

De facto Paulo Morais tem tido alguma coragem e tem sido politicamente incorrecto, como tal não acredito que tenha futuro como politico.

Resta saber até onde irá a coragem dele, e nem falo só da corrupção, já ouvi intervenções dele acerca do Porto e do "norte" que poucos se atrevem a fazer.

No entanto Paulo Morais que agora critica tanto as gestões autárquicas pertencia a um partido PSD que era contra a regionalização porque defendia uma descentralização a partir do aumento do poder dos municípios !!!!!!!!!!!!!!

SUEVO

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