20070607

A importância do mercado galego

Cara espectadora,

 

1. Na empresa industrial onde trabalho actualmente (sector plásticos) os galegos são concorrentes e os mercados de exportação são Madrid, França, Reino Unido e Alemanha. Na empresa de serviços de TI onde trabalhei até 2006, os clientes estavam 90% em Lisboa. Os restantes eram Porto, Palops e Madrid. Ambas as empresas tem sede a norte. Portanto convém não exagerar a importância do mercado galego;

2. Nós vendemos subcontratação; Os galegos vendem tecnologia automóvel e marcas (Zara ou Pescanova). Isto significa um desnível de capacidade e sofisticação na gestão entre o Norte e Galiza.

3. Os galegos procuram fornecedores e mão de obra baratos e mercado de exportação. Não estão com poesias de aproximação antropológica ao Norte de Portugal. Convém não cairmos na ilusão e substituir um colonizador por outro...

4. A OTA é uma negociata para beneficiar financiadores, construtores civis, imobiliários À volta da Portela e a AMLisboa. O TGV é o mesmo, mas territorialmente mais distríbuido. Portugal efectivamente não precisa de TGV (+300 kmh), mas precisa de investir em ligações a velocidade elevada (+200kmh) e mudança de bitola de ibérica para europeia. Portanto, ter em atenção às petições anti-TGV !

5. O desenvolvimento a Norte passa por equidade da administração central pública, mas também por «upgrade» das actuais empresas privadas. Uma boa gestão é sempre condição essencial.

8 comentários:

Espectadora Atenta disse...

Caro José Silva

Em alguns pontos estou de acordo consigo, noutros nem por isso, mas respeito a sua opinião e sua visão sobre o tema.
Quanto aos galegos quererem maõ de obra barata é verdade, mas não são só os galegos...Por esse motivo muitas fábricas tem fechado em Portugal (e pela elevada contribuição tributária) e tem rumado ao Leste Europeu...A mão de obra é mais especializada e mais barata...O que se começa a verificar é que os galegos procuram quadros especializados a baixo custo (e a meu ver muito bem)e nós temos esse quadros a um custo reduzido (comparado ccom espanha, claro!).
Repare,não sou inocente ao ponto de achar que os galegos nos querem dar a mão sem nada em troca, mas também não sou intransigente porque acho que muito temos desenvolvido a Norte à custa do investimento galego... E a Inditex é um exemplo disso.
Quanto ao TGV, aqui discordo em absoluto de sí, mas respeito a sua opinião. Eu acho que se devem potenciar investimentos mas de acordo com a nossa dimensão... e este não é o momento para TGV e OTA... Este não é o momento! E os bons negócios funcionam sempre quando realizados no momento certo.
Atenciosamente,

Rui disse...

claro que a Galiza se aproveita do Norte, mas isso todos o fazem por o norte se encontrar debilitado, Lisboa faz o mesmo e pior, Lisboa é responsavel por isso.
Já o Porto tem pouco poder, e disseram eles que queriam uma capital da UE em Badajoz que era para o Porto não ganhar mais poder.

Depois, melhor os nossos irmãos Galegos do norte aproveitarem-se de Galegos do Sul, do que Lusitanos colonizadores aproveitarem-se de Galegos do Sul.
A Galiza aproveitar-se do Norte, é o mesmo que o Porto aproveitar-se de Braga, é tudo a mesma nação portanto não ha problema. Há é que desenvolver todas as áreas para que haja mais desenvolvimento e competitividade.

O invasor não é a Galiza, é a Lusitânia, é Lisboa.

Pedro Menezes Simoes disse...

"A Galiza aproveitar-se do Norte, é o mesmo que o Porto aproveitar-se de Braga, é tudo a mesma nação portanto não ha problema."

Pois esse é o tipo de pensamento que a administração central tem em relação às regiões "provincia" (tudo o que não é Lisboa).

Numa nação não podem haver cidadãos de primeira e de segunda. Que a procura do maior benefício colectivo leve, por vezes, a privilegiar umas àreas em detrimento de outras, pode ser aceitável. Desde que isso seja recíproco.

Quando uns se desenvolvem à custa dos outros, então não são a mesma nação - são cidadãos de um lado e colonizados do outro. Simplesmente não é aceitável.

Prefiro que o Porto e Braga se unam para ganhar escala e força para se desenvolverem (win-win), do que o Porto ganhar essa escala à custa de Braga (win-lose).

Jose Silva disse...

Cara espectadora,
O seu 1º paragrafo diz tudo. Os galegos não morrem de amores por nós. Só querem fazer negócio. Acho muito bem. Estou 100% de acordo com este tipo de cooperação/aproximação. Mais do que isso julgo que é total ingenuidade. O norte o que tem que fazer é elevar a auto-estima e ambicionar competir com galegos, Lisboa e Madrid. Sem poesias antropológicas.
Se consultar por peak oil no wikipedia ou ler o artigo sobre a importação de petróleo verificará que Portugal precisa urgentemente de apostar nas ferrovias para transporte de passageiros e mercadorias. É um factor para ~equilibrar a balança comercial. E apostar nas ferrovias não implica de facto TGV. Basta mudar de bitola e preparar para comboios tipo Alfa-Pendular. Estes investimentos são mais baratos do que construir auto-estradas e permitirão no futuro ter a Renfe ou a SNCF a competir com a CP.

Cumprimentos

Anónimo disse...

eu

Corunhes disse...

Eu som galego, creio que as rivalidades sempre van existir entre territorios.

Pero o máis importante, e comprender que somos uma zona de 6 milhões de pessoas, totalmente complementaria, que poden facer um dos grandes polos económicos da Península.

Isso é o importante, que o Norte portugues tenha autonomia, e que colaboremos juntos, para conseguer infraestructuras, investimentos, lobbys, etc... O futuro é nosso.

Corporativismo, como dim por eiqui os médicos.

Nortenho disse...

pela unidade galaica

fora o colonialismo e ligação lusitano

Jose Silva disse...

Espectadora,

Alias, ainda em relação a TGVs, eu defendo a renovação da linha do Douro em vez da construção da linha Aveiro - Salamanca.

De qualquer modo é necessário dotar as principais linhas a norte de bitola europeia e de velocidades acima dos 200 kmh para circularem alfa pendulares. Este investimento é sensato e corresponde ao que os nórdicos tem feito, sem se aventurarem em TGVs de 300 kmh !

É importante que consigamos formar opinião sensata e esclarecida. A modernização das ferrovias promovida pela administração central, sem megalomanias, sem pressas, nem altas comissões para o lobby do betão, deve ser defendido. O peak oil a isso obriga.

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