20070621

Especialista do MIT diz que Ota é um risco para investidores

O projecto do aeroporto da Ota é apontado como um "risco considerável" para os potenciais investidores privados, numa análise sobre o futuro do sector e a sua relação com as companhias de baixo custo (low cost) realizada em Março deste ano por um docente e investigador do MIT (Massachussets Institute of Technology), Richard de Neufville, para um jornal da especialidade.

"As receitas futuras de um investimento num grande aeroporto são imprevisíveis", alerta o especialista, que indica ainda que "o potencial para aeroportos secundários sub-utilizados em Portugal pode ter um crescimento interessante", devido às necessidades das "low cost".

Num artigo científico sobre a mudança de paradigma dos sistemas aeroportuários, divulgado pelo blogue norteamos.blogspot.com, o responsável do MIT chama a atenção para a "incerteza considerável" quanto ao futuro do tráfego aéreo de passageiros em Portugal e recomenda que a estratégia de desenvolvimento do futuro aeroporto inclua duas medidas.

Primeiro, "o adiamento de investimentos até que a respectiva necessidade seja totalmente demonstrada", como a construção de apenas uma pista no aeroporto a inaugurar, deixando a segunda pista para quando o tráfego na área esteja "totalmente justificado". Segundo, "fazer investimentos que permitam o desenvolvimento de diferentes tipos de tráfego", oferecendo infra-estruturas dedicadas ao segmento de baixo custo.

Em causa está a necessidade de investir numa estratégia "flexível" de desenvolvimento do aeroporto - uma das fraquezas apontadas pelos críticos ao modelo da Ota -, de forma a que os recursos financeiros "não sejam comprometidos prematuramente em infra-estruturas que serão inapropriadas para as futuras necessidades de transporte aéreo".

Isto tendo em conta a "difícil situação financeira" da TAP e a relutância das low cost em operarem em aeroportos caros, quando estas transportadoras se tornaram "participantes importantes no transporte aéreo português e precisam de ser tomadas seriamente em consideração". O especialista lembra que essas companhias mostram há muito tempo vontade de disporem de um aeroporto apropriado, o que passa por "serviços baratos e eficientes".

Noticiado hoje no Público

O estudo referido está disponível aqui, e vale a pena ler. O título é elucidativo: "LOW-COST AIRPORTS FOR LOW-COST AIRLINES - FLEXIBLE DESIGN TO MANAGE THE RISKS"

6 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

O post referido no Público pode ser consultado aqui: http://norteamos.blogspot.com/2007/06/professor-do-mit-eua-questiona-sensatez.html

Pedro Menezes Simoes disse...

Consultar ainda, para um resumo um pouco mais alargado do estudo:
http://ablasfemia.blogspot.com/2007/06/ota-um-risco-para-os-investidores.html

RCM disse...

Parece-me evidente e desde o principio que as projecções de passageiros para a Portela carecem de confirmação. Também parece-me evidente que OTA e companhias low-costs não combinam bem. Acho extraordinário que seja um americano a aparecer e ter um olhar que me parece real e evidente. Entristece-me, portanto, a falta de lógica na inteligência portuguesa, ou pelo menos naquela que vale. Alerto para a impossibilidade de se manter a portela se se pensar nas pessoas que veêm os vidros das casas a ranger de « slot em slot» e os pulmões cheios de combustivel qd os ventos n estão de feição. Parece que há sempre interessados em ganhar mais uns cobres mas quase ninguém para promover níveis civilizacionais mais elevados.

Anónimo disse...

Quem ler o estudo perceberá que não discute a localização na OTA ou em qualquer outro sítio.

Pedro Menezes Simoes disse...

Anónimo,

é verdade, não critica a OTA. Critica todas as soluções megalómanas e privilegia o investimento gradual. Ou seja, Portela+1 (o 1 pode ser alcochete ou outro)

Lowcostportugal.net disse...

Felizmente há muitos e bons estudos sobre a temática dos transportes em Portugal.

Melhor ainda são, quando não provêm de forças de pressão.

Venham os estudos todos - Ota, Alcochete, Portela + 1 - e façamos uma análise séria daque a 6 meses.

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