20070626

Portocentrismo II - Perguntas que ficam

Será que o tgv Porto-Vigo, pode e deve parar em Braga?

O volume de tráfego com destino a Braga justifica tal paragem?

Uma viagem tão curta justifica uma paragem a 50 quilómetros do destino final?

O critério duração de viagem, não sairá prejudicado com uma paragem do tgv em Braga?

O aeroporto e o porto de Leixões são as duas estrutras de transportes que "justificam tal investimento" numa óptica do decisor público. Numa lógica de interligação de uma rede de transportes ibéricos, será que a cidade de Braga é um ponto de paragem obrigatório para uma estrutura rápida como o tgv?

O grosso do volume turístico transfronteiriço é montado em estrutras de transportes mais ligeiras (automóvel particular) ? Braga possui más ligações à Galiza?

8 comentários:

Pedro Javier Mazzoni disse...

Boa tarde,
Poderia começar por analisar qual é realmente a única linha com pés e cabeça nesta história toda. A ligação entre Aveiro e Salamanca para mercadorias, beneficiaria toda a região norte, Porto de Leixões e Aveiro incluida, com uma ligação priveligiada entre a América do Sul e a Europa, possibilitando a criação de verdadeiras plataformas logísticas nestas duas zonas. É que não acho que pague impostos para fazer comboios de alta velocidade para transportar moscas. Apesar de aparentemente não haver ninguém interessado em defender a solução entre Aveiro e Slamanca. O que vejo é um conjunto de especialistas que nunca fala no essencial, para que servem estas ligações? Lisboa-Madrid, Galiza-Porto, Porto-Lisboa? Para fazer o PIB crescer à custa de obras públicas sem rentabilidade? Ou pelos empregos temporários na contrucção civil? Talvez ache, nunca vejo ninguém do Porto a criticar o Metro, o a STCP a competir com empresas privadas para transportar passageiros entre cidades... Se não sabem para onde querem ir não interessa exactamente como chegam lá não é?
Cumprimentos

JÚLIO SILVA CUNHA disse...

Por mim, prefiro menos impostos (particulares e empresas), em vez desta fúria de construção pseudo-estratégica de plataformas, linhas e mais linhas de tgv´s e futurologia salvífica!
Liberdade para escolher.
J.

António Alves disse...

Caro Júlio,

Parte duma premissa errada: a que haverá "TGV" entre Porto e Vigo. É mentira, não haverá qualquer "TGV" mas sim uma linha de velocidade elevada (200/250 km/h). Acredite que é apenas o prolongamento do actual serviço de pendulares, que já vai a Braga, até Vigo.
A desinformação acerca deste assunto é enorme. A utilização indevida da sigla TGV presta-se às mais mirabolantes confusões. Se ler com atenção o Expresso deste último fim de semana ficará a saber que se calhar nem sequer a putativa ligação Lisboa-Madrid será em TGV. Os espanhóis pretendem apenas fazer uma ligação em velocidade elevada (200/250 km/h), como aliás será feito em toda a Espanha onde linhas verdadeiramente de Alta Velocidade serão apenas 4. Nenhuma delas liga a Portugal. Qualquer interessado nestes assuntos ferroviários que já tenha lido o Plano Espanhol de Infraestruturas já tinha chegado a essa conclusão há anos. Eles bem lhe chamam (inteligentemente) linhas de altas prestações. Só por cá, incluindo o "engenhêro" de Alijó é que ainda se acredita em TGV's.

A ligação de Braga é importante para colocar esta cidade, em cuja região vive muita gente, mais perto da Galiza. O turismo religioso, por exemplo, é um produto com grande potencial de crescimento nesta região. Uma ligação rápida entre Santiago e Braga será vantajosa para ambas as cidades que assim poderão vender um produto conjunto e partilhar as mais valias.

Pedro Menezes Simoes disse...

"Apesar de aparentemente não haver ninguém interessado em defender a solução entre Aveiro e Slamanca."

Por mim, era a única que se fazia.

"Nunca vejo ninguém do Porto a criticar o Metro"
Isso não é verdade, já criticamos várias vezes no Norteamos. Por exemplo aqui: http://norteamos.blogspot.com/2007/05/investimentos-desnecessrios.html
Ok, o Pedro Morgado é de Braga, mas vários dos membros do Porto estiveram de acordo.

De resto, estou de acordo com as restantes afirmações/questões

Pedro Menezes Simoes disse...

Note-se que o comboio não tem que parar sempre em Braga (tal como não tem que ir sempre até ao Porto). Isso depende da procura, que será menor em Braga, pois muitos passageiros terão como destino final o ASC.

Depois, não se trata de TGV mas alta velocidade. Faz todo o sentido para em Braga. Note-se que o Alfa em Portugal é quase um intercidades... Neste caso, até vai funcionar muito bem...

Pedro Javier Mazzoni disse...

Gostaria de clarificar que a minha afirmação anterior teria várias implicações.
Em primeiro lugar é baseada em tráfego actual de mercadorias e não, tal como em caso de estudos de aeroportos e ligações em TGV entre Lisboa e Madrid com estudos de evolução de tráfego;
Em segundo lugar, traria um novo fôlego aos caminhos de ferro portugueses que vivem em agonia permanente;
Em terceiro, em articulação com o ponto anterior, além do transporte ferroviário ser mais seguro, tiraria uma quantidade significativa de camiões das estradas, tal como a IP5.
Por último, o transporte de mercadorias seria realizado em linha de velocidade elevada, não de alta velocidade.
A questão da ligação entre Porto e Galiza, ser em velocidade elevada, é absolutamente aconselhável, devido à distância do percurso, aos custos de construção da infraestrutura, do custo das composições e dos custos da manutenção.

António Alves disse...

Caro Pedro,


Até tem razão quanto à linha Aveiro Salamanca. O problema é que não existe vontade nenhuma em a construir. É uma falácia para enganar papalvos. Foi rapidamente atirada para as calendas gregas.

Calécia disse...

Enganam-se os que afirmam que uma linha de alta velocidade Aveiro-Salamanca iria beneficiar o Porto de Leixões...

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