20070615

As cidades e a riqueza das nações

Jane Jacobs foi uma das mais originais urbanistas e historiadoras urbanas do século XX. Jacobs rompeu com o paradigma clássico de considerar o estado-nação como a base do desenvolvimento mundial. Jacobs considera que os variados estados tiveram sempre uma determinada cidade onde se deu um "boom" económico e que por consequência desse crescimento repentino, essa cidade liderou todo o processo de acumulação de riqueza nesse país. No fundo, Jacobs queria dizer que a países fortes correspodem quase sempre cidades fortes e vibrantes.

A Inglaterra é o exemplo paradigmático da liderança urbana no desenvolvimento de um específico país (quase todas as sociedades essencialmente rurais só deram o salto quando conseguiram projectar-se através de um "trade center" urbano) - no caso inglês, verificamos que Londres, Liverpool, Bristol, Plymouth disputaram entre si a liderança económica da Inglaterra.

O centro económico de uma nação está na capacidade das suas cidades serem fortes praças/plataformas comerciais.

Portugal tem hoje uma grande capital que tudo asfixia. O centro burocrático conseguiu espalhar um diapasão de cultura económico-administrativa em que o estatismo e o centralismo são a pedra de toque do desenvolvimento do país. Na maioria das cidades do interior, o estado é o maior empregador e toda a actividade económica deriva da sua presença.

A grande derrota portuense centra-se no drama das suas gentes terem absorvido esse diapasão burocrático-estatista e consequentemente estarem constantemente a pedir mais estado e de portanto quase nada as distinguir de Lisboa.

Os vícios da capital espalharam-se pelo país e hoje vemos o Porto transformado numa caricatura do seu passado comercial - quantos rivolições (mais estado), quantas casas da música (mais estado), quantos estádios de futebol (mais estado), serão necessários para acordarmos para a triste realidade de que hoje em dia o Porto e os portuenses estenderem a mão pedindo mais estado central?

O discurso deve passar por verdadeira autonomia - "Laissez nous faire" - em vez de exigirmos mais estado central. Este cria uma rede de preguiça que vai-se instalando por toda a sociedade local.

O desenvolvimento de Portugal está comprometido enquanto pensarmos que será na grande capital que o "boom" surgirá. O nosso modelo de organização estadual e a nossa capital demasiadamente administrativista e burocratizada, jamais será a alavanca que o país precisa para definitivamente dar o salto. Um Portugal forte só poderá passar por mais cidades que tenham um crescimento fundado no trabalho e não no mero "boom" urbanístico típico dos subúrbios.

Tal como qualquer cura de desintoxicação, o processo de libertação da dependência centralista acarreta dor e sacrifício, mas a longo prazo, ganharemos a autonomia necessária para não repetir o doce consolo de sermos uns burocratas regionais, resmungões de um passado comercial cheio de riquezas, mas que tinha por base o risco, a autonomia e "o exercício do trapézio sem rede (estatal)"!

16 comentários:

Jose Silva disse...

Caro Júlio,

Concordo consigo. No entanto, relembro que o principal tema no Norteamos tem sido combater a Drenagem que o a administração central de Lisboa faz ao resto de Portugal (noemadamente onde há mais para drenar, no Norte) ao concentrar na zona de Lisboa o investimento público. Exemplo disso è a contestação à OTA. Ninguém tem pedido OTAs a norte e os eventuais investimentos na linha do Douro são trocos.

Anónimo disse...

júlio,

Li hoje no "DN" (publicidade à parte), uma mini-entrvista o Pres. da Asso. comercial do Porto, para além de umas notícias sobre o desenvolvimento do aeroporto. Por que é que o Porto e o Norte estão à espera para alargar a ligação ferroviária à Galiza? O aeroporto tem capacidade para assegurar masi ligações para o Continete americano fazendo a ligação Brasil-Porto (Barcelona, Madrid) e mesmo como escala para américa latina se for viável e rentável.
Um diário regionalista (o "Diário de Coimbra") traz, na edição de hoje, que um estudo revela que 88% dos passageiros que desmbarcaram na Portela se dirigiram para Norte do Tejo. Onde estão as actividades económicas? O turismo? os utilizadores nacionais do aeroporto? Não é no eixo Braga-Porto-Lisboa que circulam os principais eixos rodoviários e ferroviários? A ligação Braga-Porto-Lisboa, por via ferroviária, ainda se faz pela margem poente do Tejo e quem a planificou fê-la por vários motivos...

Ctos,
João Moreira

Pedro Menezes Simoes disse...

"Por que é que o Porto e o Norte estão à espera para alargar a ligação ferroviária à Galiza?"

Não é o Porto e o Norte que estão à espera. É Lisboa.

Se não fosse o Porto e o Norte a pressionar o Governo Central, a ligação AV a Vigo teria sido eliminada. Assim, "só" temos que esperar por 2015. Fazer um TGV onde já existe AV é, claramente, mais importante (estou a ser irónico).

Anónimo disse...

Ao Pedro Menezes Simões,

Haja uma plano bem fundamentado; um suporte financeiro sustentável; um estudo de rentabilidade social, laboral, económico, cooperativo, de progresso e desenvolvimento viável a curto/médio prazo; quem com, iniciativa, assuma e garanta a responsabilidade do projecto. Quem ousará negar?... Sim!...Sim!... Experimente! ;)
O Porto e o Norte estão a ver passar o tempo. Olham para trás e ...atrasam-se!

Ctos,
João Moreira

Pedro Menezes Simoes disse...

João Moreira,

1. Infelizmente, em Portugal, não existe um mercado liberalizado de operação ferroviária. Em breve existirá. Mas hoje, não é simplesmente possível.

2. A ligação Porto-Vigo já está prevista. Não sei que ferramentas se utilizaram para convencer o Governo da sua necessidade (embora desconfie que foi mais "bla-bla-bla" que números e Plano de Negócios). Talvez agora se pudesse falar na sua antecipação. Parece-me difícil, pouco tempo reduziria ao previsto, e é menos prioritário face a outras batalhas, nomeadamente, a de pensar a sério na trapalhada que é o TGV.

3. A sua questão de iniciativa do Porto/Norte é muito relevante. Não me parece é que no caso em concreto (ligação Porto-Vigo) seja necessária.

4. Por mim, o importante seria no curto prazo assegurar uma ligação decente do Porto a Viana do Castelo, e de Porto a Vigo, tendo em conta as infraestruturas actuais.

"O Porto e o Norte estão a ver passar o tempo. Olham para trás e ...atrasam-se!"
É verdade, por isso - Mãos à Obra!

Cumps,
PMS

Anónimo disse...

Pedro,

Agradeço a atenção. Agora, não tenho disponibilidade para responder. Talvez mais logo ou amanhã.

João Moreira

Anónimo disse...

Ao PMG,

Respondendo: um dos defeitos deste País é o de pensar em grande, não tendo em conta a dimensão geográfica, a populção existente e o valor económico da mesma. a estrutura rodoviária deve transportar um número de passageiros considerável e um serviçode mercadorias e afins em quantidade. Deve ser rentável, eficiente e satisfazer clientes (passageiros, empresas, distribuidores, produtores, no fundo, todos os que recorrem ao serviço). Todas as linhas e ramais que não se justifiquem, pela sua rentabilidad ou funcionalidade, não devem ser conservadas. Os serviços para os quais o transbordo de passageiro e mercadorias seja pequeno deve ser assegurado por via rodoviária. A via ferroviária é para serviço a distância maiores e não serviços "porta-a-porta". Quanto à liberalização do serviço ferroviário não me parece uma solução razoável. A dimensão e volume de transporte a efectuar não o justifica.
Porto-Viana - sim; Porto-Vigo - sim. TGV, não. O TGV é para cobrir grandes distâncias e servir grandes aglomerados urbanos. Exige investimentos próprios. O propalado TGV Porto-Lisboa é fazer "várias viagens" e para ganhar alguns minutos. "Várias viagens" - há assim tanta gente a transportar diariamente? A estrutura do TGV exige traçado próprio e carris próprio. Além disso elimina várias paragens (Espinho, Pombal, Santarém,...). Uma linha paralela Porto-Lisboa continuará a existir. Quantos possíveis passageiros estarão dispostos a pagar + x's euros para ganhar 15 a 20 minutos? Para a ligação Porto-Zona Norte-Vigo é primordial para aproximar as duas regiões. Quanto ao atraso de investimento, é necessário definir prioridades e não colocar outras menos importantes no seu lugar.
A edição do "DN" de Sábado, na sua secção "Cartas", trazia o seguinte (excerto):
"Voos em Alcochete [título]
Um embaixador da Grã-Bretanha em Lisboa- há anos quuando eu era director de um jornal - convidou-me para uma visita ao seu país. No dia da partida disse: "os portugueses não têm petróleo. Mas têm o sol" (...)
Estou em condições de concluir que Portugal só tem um futuro económico: através do turismo.
Sou defensor do futuro aeroporto internacional de Lisboa - Alcochete, que está a passos de Lisboa (com nova ponte) e servirá o novo turismo a desenvolver desde a Caparica até o Algarve e, também, passando pelo Alentejo." (assinado: Nuno Rocha)

Há quem pense que o futuro de um País, o seu desenvolvimento e a sua afirmação passa por ficar de mão estendida, para realizar prestação de serviços e satisfazer clientes? Quem alimenta toda esta estrutura, os seus riscos, a sua instabilidade, etc.?

ctos,
João Moreira

Pedro Menezes Simoes disse...

"Quantos possíveis passageiros estarão dispostos a pagar + x's euros para ganhar 15 a 20 minutos?"

De facto, eu trabalhei durante 3 anos em Lisboa e quase todos os fins de semana vinha ao Porto. A maior parte das vezes vinha de camioneta, porque era muito mais barato. Camioneta eram 12€ vs. 22€ de Alfa (valores arredondados). Eram 30/40 minutos de diferença.

Dificilmente o TGV terá algum interesse.

Quanto à questão do turismo, de facto é uma grande oportunidade para o país, em particular o turismo residencial (casas para os ingleses virem cá gastar o €€€ quando se reformares).

Não considero que seja a única saída para o país. É de facto um recurso com grande potencial. Mas o verdadeiro caminho é "brainpower"!

Não percebi a sua última questão.

Anónimo disse...

Ao Pedro Meneses Simões,

Acho os preços e o tempo demasiado inflaccionados.
O turismo é uma actividade económica important, mas as pessoas não se podem agarrar ao turismo como um maná que tudo resolve. Primeiro: terá muito bom, acessível economicamente, boa oferta e que permita disfrutar de uma satisfação ímpar. 2 - Atendendo à concorrência (Espanha, Grécia, Turquia, Bulgária, Croácia,...) com idênticas ofertas, mais em conta, mais centralizados em muitos mercados, não é possível faze uma estimativa a médio/longo prazo em investimentos. 3 - Os mercados de turismo são muito flutuantes. Falar de "turismo" é falar de 365 dias ano, não de uma época sazonal ou de picos esporádicos. 4 - Turismo, é flar de ofertas de vários tipos: praia, serra, campo, neve, todo o tipo de actividades desportivas, lúdicas, culturais e de eventos. 5 - O verdadeiro turismo é um pequeno nicho. Para manter as estruturas funcionais e atractivas é preciso gente...e gente que possa pagar!
Ainda em relação ao texto: se o futuro aeroporto é para beneficiar o turismo, qual o sentido de ter o aeroporto de Faro? Hoje, chega-se mais facilmente de Lisboa ao Algarve que de Lisboa ao Porto (por via rodoviária).
Quanto ao último ponto: uma país competitivo é um país de turismo? E os outros sectores de actividade? Quantas zonas do país têm possibilidades de viver do turismo? Um país tem de ser um equilíbrio entre sectores e permitir desenvolver aqules para os quais tem mais possibilidades, mais potencialidades, para não se tornar dependente a todos os níveis (agrícola, florestal, energético, sector produtivo e de transformação, serviços,etc.)

Ctos,
João Moreira

Pedro Menezes Simoes disse...

2- Referes-te a Turismo "Sol e Praia". Apenas nesse tipo de turismo esses são concorrentes directos. Não o são no touring city break, turismo de negócios, e vários tipos de turismo de nicho (ex. religioso, golf, gastronomia,...)

3 e 5- A resposta à sazonalidade passa por combinar os vários tipos de turismo que referes no ponto 4, e turismo internacional com turismo interno. Sol e Mar no Verão, City break todo o ano, golf primavera e outono, negócios todo o ano excepto agosto, eventos para aumentar nos períodos baixos...

Por exemplo, Lisboa aposta em Negócios + City break + Golfe, complementado com eventos pontuais.

O futuro aeroporto apenas serve a região de Lisboa, Centro, Margem Sul e Alentejo litoral. Apenas pode beneficiar o turismo destas regiões. O aeroporto de Faro nada tem a ver com o assunto. Parece-me que está a pensar em levar lisboetas em via aérea para o Algarve. O novo aeroporto não tem esse objectivo.

"Uma país competitivo é um país de turismo?"
O turismo pode ser um pólo de competitividade.

"E os outros sectores de actividade?"
São tão importantes quanto o turismo, desde que tenham as mesmas potencialidades. É inequívoco que Portugal tem vantagens competitivas no turismo. Mas não só as tem no turismo.

"Quantas zonas do país têm possibilidades de viver do turismo?"
De "viver" do turismo, nenhuma. De viver sobretudo do turismo, têm o Algarve e a Madeira. Talvez também o litoral alentejano, com o modelo de desenvolvimento correcto.
As outras regiões não poderão viver do turismo, mas podem ganhar bom dinheiro com ele.

"Um país tem de ser um equilíbrio entre sectores e permitir desenvolver aqules para os quais tem mais possibilidades, mais potencialidades, para não se tornar dependente a todos os níveis (agrícola, florestal, energético, sector produtivo e de transformação, serviços,etc.)"
Completamente de acordo. Mas o turismo é um sector para o qual temos grande potencial. Não só pelo clima, mas pela cultura, hospitalidade, e pela diversidade de conteúdos.

Anónimo disse...

ao Pedro Simões,

2 - Refiro-me a esse e aos outros (de Inverno, cultural, de eventos, ...). Estás redondamente enganado! Esses e outros que não referi (que ficaram nas ...)
Quando quiseres, informo pontualmente. Têm, muitos deles, mais soluções que Portugal, excepto num campo:o gastronómico! Aí é que ninguém bate Portugal!

3 e 5- Sim, no plano teórico e idealista. Como realizá-lo e ter sucesso?

"O futuro aeroporto apenas serve a região de Lisboa, Centro, Margem Sul e Alentejo litoral. Apenas pode beneficiar o turismo destas regiões. O aeroporto de Faro nada tem a ver com o assunto. Parece-me que está a pensar em levar lisboetas em via aérea para o Algarve. O novo aeroporto não tem esse objectivo.
Respostas: um aeroporto internacional, com a frequência de voos que se pretende não pode ter restrições desse tipo. Aliás, como lhe disse: onde estão as principais vias de comunicação? onde reside a maioria da população? onde se situam os principais centros de referência (turistico, religioso, universitário, urbano, portuário,...)? onde está a placa giratória e a principal ligação fronteiriça? onde estão as sedes das empresas? os agentes económicos?
O novo aeroporto não pode ser (só!) um aeroporto de turismo. Tem de ser muito mais e como tal, terá de servir o País! E o Norte tem de estar ligado a ele, de modo a permitir estar mais perto de todos os centros de comunicação (rodoviário, ferroviário, marítimo e aéreo); possuir um aeroporto complementar e cooperativo de serviços e passageiros, ser a primeira porta para o mercado primordial que é Espanha (empresarial, negocial, turístico,...); incrementar e desnvolver o eixo Vilar Formoso-Aveiro como fulcral para o denvolvimento do pais (não deixando deslocar para Elvas - Lisboa, com evidentes perdas a nível de região Norte e Centro) e deixar deslocar as sedes das empresas nacionais e multinacionais para a margem sul e, por arrastamento, todo o tecido empresarial e pontos de decisão.
Levar lisboetas para o algarve de avião? 25 minutos... de levantar a aterrar! Essas rotas são dispendiosas e não justificativas. O turismo tem de ser pensado para todos os sectores e articulado. Quem viaja para Portugal (turismo ou negócios) é seduzido pelo mar. A costa e as cidades mais representativas. Ter o aeroporto a uma distância convidadtiva para os centro de referência é meio caminho para poderem ser integrados em circuitos turísticos, viagens de negócios, sugestões de visita, oportunidades de fixação de empresas, ...
O aeroporto serve uma região com características próprias.



"E os outros sectores de actividade?"
São tão importantes quanto o turismo, desde que tenham as mesmas potencialidades. É inequívoco que Portugal tem vantagens competitivas no turismo. Mas não só as tem no turismo.
Respostas: pode ter, mas a oferta é muita. Fazer do turismoum imperativo do desnvolvimento e crescimento económico do país é um risco (diria mesmo: um tiro no pé).

"Quantas zonas do país têm possibilidades de viver do turismo?"
De "viver" do turismo, nenhuma. De viver sobretudo do turismo, têm o Algarve e a Madeira. Talvez também o litoral alentejano, com o modelo de desenvolvimento correcto.
As outras regiões não poderão viver do turismo, mas podem ganhar bom dinheiro com ele.
Completamente de acordo, se bem que o litoral alentejano prefira como está. Para amontoado de caixotes já chega o algarve.

"Um país tem de ser um equilíbrio entre sectores e permitir desenvolver aqules para os quais tem mais possibilidades, mais potencialidades, para não se tornar dependente a todos os níveis (agrícola, florestal, energético, sector produtivo e de transformação, serviços,etc.)"
Completamente de acordo. Mas o turismo é um sector para o qual temos grande potencial. Não só pelo clima, mas pela cultura, hospitalidade, e pela diversidade de conteúdos.
Resposta: sim. Não se pode esquecer que um mercado aberto permite variar de locais com enorme facilidade e que a maioria dos turistas (ou potenciais turistas), se num ano está aqui, no seguinte gostaria de estar noutro local, para conhecer outras culturas, outras terras e outras gentes.

Ctos,
João Moreira

Pedro Menezes Simoes disse...

2 - Portugal tem vantagens competitivas específicas em relação a cada um deles. A gastronomia é de facto inigualável, mas há mais.

Somos um dos países mais seguros do mundo (considerado recentemente o 9º mais seguro do mundo).

Temos a maior "diversidade concentrada" da europa. As manifestações culturais variam em cada 50/100 kms (minho, douro, ribatejo, alentejo...), tal como a paisagem (atlantico, mediterraneo, praia, campo, serra, neve, cidade). Em nenhum outro país do mundo existe tanto conteúdo concentrado num espaço tão pequeno. Espanha necessita de 6x o território para ter a mesma diversidade.

E ainda temos um povo hospitaleiro e que gosta de receber turistas.

Para alguns nichos, temos também optimas soluções (ex. golf: somos dos países com mais horas de sol). Para além disso, cada cultura é única. A nossa, em particular, é alavancável nos descobrimentos. Poucos países tiveram tanta importância historica como o nosso. E isso não é replicável.
Não é por acaso que temos os mesmos racios de turistas/população ou turistas/território que Espanha, França ou Itália. Mas podemos fazer melhor.

3 e 5- Para alguns produtos é necessária a intervenção pública para a construção de infraestruturas (p.e. pavilhao de congressos) e realização de eventos/animação (em particular para o city break e touring). Para outros, é necessária a iniciativa privada. Mas Portugal está neste momento no bom caminho.

"Respostas: pode ter, mas a oferta é muita. Fazer do turismoum imperativo do desnvolvimento e crescimento económico do país é um risco (diria mesmo: um tiro no pé)."
Não é esse o único propósito do novo aeroporto. Infelizmente, o propósito é fazer um hub para levar turistas italianos para o Brasil. Não vejo o valor acrescentado. Só depois vem o interesse nacional - ter um aeroporto que satisfaça as necessidades de viagens de negócios e de lazer da região de lisboa, e dos europeus para lisboa.

Quanto ao fazer do turismo um imperativo para o desenvolvimento do pais, não me parece que seja esse o caso. Neste momento existe um plano (PENT) para captar o potencial turistico do país. É um plano ambicioso, mas não megalómano. Para vivermos só de turismo, tinhamos que ser o país com mais turistas do mundo (i.e. mais turistas que França ou Espanha)...

"Não se pode esquecer que um mercado aberto permite variar de locais com enorme facilidade e que a maioria dos turistas (ou potenciais turistas), se num ano está aqui, no seguinte gostaria de estar noutro local, para conhecer outras culturas, outras terras e outras gentes."
Esse é um aspecto importante para responder ao ponto2. Não é preciso ser o melhor país ou o mais barato. Basta ter conteúdos alternativos e boas condições.

Anónimo disse...

Ao Pedro Menezes Simões,

1 - Tocou três pontos essenciais que o turismo e a a captação de visitantes conta:
- a segurança (ao contrário de mutis outros, a estabilidade politico-social, sem problemas de extremismos, terrorismos e quejandros);
- a afabilidade do povo (hospitaleiro, aberto, sem perseguições sociasi, rácicas, políticas ou religiosas).
- a curiosidade em conhecer um país que muito divulgou, que muito da história marcou e que muito se afirmou... e se continua a afirmar!
Respostas:
2 - Portugal tem vantagens competitivas específicas em relação a cada um deles. A gastronomia é de facto inigualável, mas há mais.

Resposta: tem a ganhar e a perder. Mas a que refere é imbatível!

Somos um dos países mais seguros do mundo (considerado recentemente o 9º mais seguro do mundo).
Resposta: uma enorme vantagem. (refirei mais afrente)

Temos a maior "diversidade concentrada" da europa. As manifestações culturais variam em cada 50/100 kms (minho, douro, ribatejo, alentejo...), tal como a paisagem (atlantico, mediterraneo, praia, campo, serra, neve, cidade). Em nenhum outro país do mundo existe tanto conteúdo concentrado num espaço tão pequeno. Espanha necessita de 6x o território para ter a mesma diversidade.
Resposta: sempre o disse. Não sei é se será o "em nenhum outro país do mundo".
E ainda temos um povo hospitaleiro e que gosta de receber turistas.
Respostas: sem dúvida.

Para alguns nichos, temos também optimas soluções (ex. golf: somos dos países com mais horas de sol). Para além disso, cada cultura é única. A nossa, em particular, é alavancável nos descobrimentos. Poucos países tiveram tanta importância historica como o nosso. E isso não é replicável.
Não é por acaso que temos os mesmos racios de turistas/população ou turistas/território que Espanha, França ou Itália. Mas podemos fazer melhor.
Respostas: sim. Mas como lhe disse há outros concorrentes: Turquia, Croácia, Chipre, Bulgária,....

3 e 5- Para alguns produtos é necessária a intervenção pública para a construção de infraestruturas (p.e. pavilhao de congressos) e realização de eventos/animação (em particular para o city break e touring). Para outros, é necessária a iniciativa privada. Mas Portugal está neste momento no bom caminho.
Respostas: aqui já não estou plenamente de acordo. Um "centro de congressos" exige a realização dos mesmos. Não se pode criar "centros de congressos" em todo o lado e por tudo e por nada. (Digo o mesmo de centros culturais e outros "centros"). A manutenção é dispendiosa. Quem se encarrega da mesma? Os municípios? Não têm dinheiro para mandar cantar um cego... Como mantê-los activos durante 365 dias? Dise bem: um país pequeno, com grande diversidade regional, estendendo-se do interior ao litoral, de norte a sul. Hoje, há uma competição entre municípios para protagonismos e mostrar trabalho (o seu colega publicou um mail sobre o município do Porto sobre isso. Não respondi porque foi uma resposta a outro. Sobre o Rivoli e acontecimentos que se passaram. A situação não é (só) essa. É mais profunda. Adiante.)

"Respostas: pode ter, mas a oferta é muita. Fazer do turismoum imperativo do desnvolvimento e crescimento económico do país é um risco (diria mesmo: um tiro no pé)."
Não é esse o único propósito do novo aeroporto. Infelizmente, o propósito é fazer um hub para levar turistas italianos para o Brasil. Não vejo o valor acrescentado. Só depois vem o interesse nacional - ter um aeroporto que satisfaça as necessidades de viagens de negócios e de lazer da região de lisboa, e dos europeus para lisboa.
Respostas: se for para levar italianos para o Brasil não e mal visto. A comunidade italiana no Brasil é enorme. O aeroporto e o país, sendo periféricos, só se safam se aproveitaarem as rotas que foram asseguradas pela Tap. Não se esqueça das parcereias de companhais. Os voos continentais tenderão a ser de low cost (maior frequência, mais económicos, menores tempos de espera, mais destinos). Os que nos habituámos a ver, transantlânticos. Numa Europa sem fronteiras, o Brasil é para assegurar (e se fosse possível mais umas rotas para o continente americano). Que me interessam se os passageiros são de Itália, da Rússia ou da Manchúria.
Quanto ao fazer do turismo um imperativo para o desenvolvimento do pais, não me parece que seja esse o caso. Neste momento existe um plano (PENT) para captar o potencial turistico do país. É um plano ambicioso, mas não megalómano. Para vivermos só de turismo, tinhamos que ser o país com mais turistas do mundo (i.e. mais turistas que França ou Espanha)...
Resposta: claro. os pezinhos no chão (senão voamos todos....).

"Não se pode esquecer que um mercado aberto permite variar de locais com enorme facilidade e que a maioria dos turistas (ou potenciais turistas), se num ano está aqui, no seguinte gostaria de estar noutro local, para conhecer outras culturas, outras terras e outras gentes."
Esse é um aspecto importante para responder ao ponto2. Não é preciso ser o melhor país ou o mais barato. Basta ter conteúdos alternativos e boas condições
Respostas: exacto. completando: quando do Euro2004, trêss dos aspectos mais marcantes foram o choque que o país provocou e afabilidade do povo e a cultura por descobrir. Quanto ao primeiro, a imagem de Portugal era de um país pobre, pouco desenvolvido, com muitas deficiências. As pessoas encontraram um país desenvolvido culturalmente, com excelentes vias de comunicação, bm apetrechado e... futebolisticamente forte!

Ctos,
João Moreira

Pedro Menezes Simoes disse...

Só para fechar a conversa,

Quanto aos centros de congressos:
Devem ser assegurados por privados, embora o apoio à sua construção (no sentido de ordenamento da envolvente, acessibilidades, etc.) possa ser equacionado do ponto de vista público.

Devem ser mantidos ou por associações empresariais (a AIP tem a FIL, a AEP tem o Europarque) para grandes centros de congressos (>3000 pessoas), ou por unidades hoteleiras (<1000 pessoas).

Nalguns casos, podem ser da propriedade de associações de turismo, mas preferencialmente associações de hoteleiros. O facto é que Algarve e Porto têm espaço e necessidade destas infraestruturas - para congressos de média dimensão.

A ocupação dos centros de congressos seria responsabilidade das associações empresariais ou hoteleiras, ou hotéis individualmente, com o apoio das associações regionais de promoção turística e as vereações de turismo dos municípios.

Para mim, o papel do estado é a envolvente - infraestruturas, formação/qualificação de pessoas, talvez até promoção (global). Negócios, é com os privados. Aqui, o papel do estado é não atrapalhar.

Anónimo disse...

Pedro,
Certo, desde que não sejam sobredimensionados e concorrentes. Têm de ter rentabilidade e estar preparados para mais que um tipo de evento. O investimento exige ocupação e muita manutenção.
Quanto a assegurar o seu auto-financiamento têm de ser privados, associações ou institutos privados. Os municípios não só atrapalham como querem mostrar serviço. Quando os empreendimentos estão falidos colocam-nos em hasta pública ("elefantes brancos"). A sua rentabilidade e funcionalidade tem de ser sempre equacionada.

Ctos,
João Moreira

Pedro Menezes Simoes disse...

Quando me refiro aos municípios, apenas me refiro à necessidade do apoio / colaboração destes para captação de eventos (e não estou a falar de €€€, falo de logística, autorizações, lobbying internacional e apoio puramente institucional - "dar a cara", porque credibiliza)

De resto, o €€€ tem que ser sempre o de quem ganha com isto - os privados.

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