20070619

Breve reflexão

Os recentes posts de Pedro Menezes Simões e de Júlio Silva Cunha, coincidem na constatação de um facto comum, que é este: em Portugal, a democracia representativa é um perfeito embuste. Pessoalmente, já me inteirei dessa constatação há alguns anos, mas sem nunca imaginar que com o decorrer do tempo ela não fosse capaz de se recompor da mediocridade

O que é preocupante, é que à imagem dos "sustos" que a macrocefalia do poder central tem vindo a pregar aos não residentes na capital com o 'monstro' da Regionalização ou com o blá-blá-blá da coesão nacional (quando chega a hora de inverter o discurso pró-regionalista, mal termina a campanha eleitoral), os partidos políticos do poder, tendo como certa a bondade da democracia representativa, acomodam-se e arrebanham-se nas suas própria estruturas, adoptando posturas mais passivas e servis do que o pior dos trabalhadores numa empresa privada perante a entidade patronal. A capacidade de luta e de afirmação representativa dos interesses públicos do eleitorado, é cada vez mais a de um balão cheio de nada, limitando as suas acções a uns simpáticos (e bem remunerados) debates na rádio ou na televisão para dizerem umas coisinhas que as pessoas "querem" ouvir e pouco mais.

A pertinência da questão é esta: serão os partidos políticos capazes de se auto-regenerarem?
Como um dia disse, e bem, Rui Moreira: as ovelhas não se tosquiam a si próprias. Eu também também acho que não.

Rui Moreira, na entrevista que deu à Porto Canal, reconheceu não haver alternativa a este sistema político (e de facto para já, não há), mas foi avançando um grande passo ao revelar-se inconformado com a hipótese de uma mera regionalização administrativa dando, com coragem, o salto para algo mais ambicioso que é também a pretensão de uma regionalização política do território português.

Nunca será demais dizê-lo. Considero que esta atitude tem de ser louvada a todos os níveis, porque nenhuma figura pública regional até hoje foi tão longe e de forma tão directa. Com subtileza, diplomacia e muita inteligência está a dar uma bofetada de luva branca a gente "gorda" do poder com mais responsabilidades públicas e políticas do que ele e que continuam a manter-se mudas e quedas.

Agora, só temos é que fazer votos para que Rui Moreira não perca a embalagem, mantenha sempre a mesma verticalidade, tanto pessoal como intelectual e que não se precipite numa eventual colagem político-partidária que lhe venha a ser proposta. As fidelidades ao aparelho partidário - até prova em contrário - têm-se revelado muito pouco fiáveis para com o eleitorado de onde emanam e ao qual devem prestar serviço. E descurar isso, pode ser um contra senso fatal.

1 comentário:

Pedro Menezes Simoes disse...

1- O que significa exactamente "regionalização política"?

2- Tem que ser a sociedade civil a regenerar o poder político. O tipico portugues chega às caixas de comentários e escreve coisas do estilo "são é todos uns chulos", mas depois não se manifesta na rua, não promove iniciativas, não cria associações, enfim, é passivo. O português é pouco exigente. A atitude dos políticos apenas reflecte essa falta de exigência.

O episódio recente do estudo da CIP e os estudos a promover pela ACP são o exemplo do que deve fazer a sociedade civil - "entalar" o governo com propostas concretas e bem fundamentadas.

Tal não chega, é necessário o envolvimento da comunicação social, para que o "entalanço" tenha visibilidade publica. Este começa a ser forçado pela blogosfera.

Sendo assim, é papel de todos nós incentivar o associativismo e a manifestação pública de opinições.

A verdade é que os partidos gostam do poder. E tendem a ceder sempre que sentem a sua reeleição seriamente posta em causa. Foi o que acabou de suceder na OTA.

Temos que ser mais exigentes.

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