20070611

"Contrastes e banalidades"

Enquanto o jornalista Luís Costa escrevia no "Jornal de Notícias" do último sábado, em clarividente artigo de opinião factos como este:

"Espécie de funcionário permanente do PS (Eduardo Cabrita), para fazer de conta que a estrutura orgânica dos socialistas portugueses quer mesmo descentralizar -embora não querendo - deu um contributo decisivo, nos idos de 1998 para a derrota do "SIM" no referendo da regionalização. Já nessa altura, foi ele a formiguinha que burilou na sombra de A. Guterres, o disparatado edifício regionalista que assentava em 8 regiões contranatura, que acabaria por transformar-se no enorme abismo em que se precipitou a regionalização por muitos e bons anos."


outro "ilustre" portuense, de seu nome Vasco Graça Moura, rendido ao charme discreto da capital, no mesmo jornal e no mesmo dia, não resiste à banalidade com esta frase "previdente":

"Excesso de bairrismo revela complexos de inferioridade". "Acredito na descentralização, mas não na regionalização. Poderíamos correr o risco de ver a coesão nacional diluir-se".

Só esta "máxima" que titulou a entrevista bastou para me desinteressar completamente de a ler totalmente. Pasmou-me tanto ou mais, a rapidez do discurso ao melhor estilo politiqueiro e subserviente, como a brutal amnésia de factos reais e verdadeiramente objectivos como são a mais do que comprovada degradação económica e social da região e da cidade de onde este homem é natural. Pessoas assim, ex-políticos, que não conseguem resistir à vaidade pessoal e que ousam pronunciar-se desta forma tão vulgar e repetitiva sobre "excessos de bairrismo" já não estão cá no Norte e no Porto, mas talvez a interpretar um qualquer papel ficcionista dos seus livros e com o pensamento noutras plateias...

Senhor Vasco Graça Moura:

Como portuense português e patriota, e ao contrário de V. Exa., o meu receio , é que o autismo que denuncia face ao que se tem vindo a passar há décadas na cidade que diz tanto amar se limite a frases feitas e encomendadas como as que proferiu e venham - essas sim - um dia a transformar-se num verdadeiro foco de desintegração nacional. E aí, meu caro, a responsabilidade será toda sua e de todos os que dizem ámen consigo.

Rui Valente

5 comentários:

Jose Silva disse...

Estava a achar estranho a sua ausência Rui ! Benvindo novamente !

JÚLIO SILVA CUNHA disse...

Na mouche!

Vitor disse...

Esta gente da tanta importancia À coesão nacional

mas qual o mal de portugal se dividir e umas regioes ganharem independencia? alguem vai morrer? alias antes pelo contrario, haveria dinheiro para maternidades, hospitais, menos pobreza e não haveriam tantas mortes.

o que interessa é termos melhor qualidade de vida e termos as nossas regiões potencializadas ao máximo.
Se o Norte ou Algarve ou outra regiao for independente pois bem, caso isso a faça melhorar que seja feito. Que mania esta gente tem de querer que o pais fique todo junto e todo coeso.
A Irlanda separou-se do Reino Unido e melhorou muito economicamente de 8 a 80. Os especialistas dizem que se a Escocia for independente acontecerá o mesmo. Temos países pequenos como Luxemburo que estão muito melhor potencializados e aproveitados que todo o Portugal.
O que interessa é melhorarmos economicamente, termos maior qualidade de vida.
A independencia favorece esse processo portanto acho ridicula esta gente querer que o povo fique mais pobre e com pior qualidade de vida so para que o mapinha de Portugal continue o mesmo. Isto é um insulto ao povo.
Hoje em dia nem ha fronteiras, somos todos UE, deixem lá as regiões serem independentes para se desenvolverem.

Um Norte independente seria a melhor coisa que podia acontecer à nossa região.
Nós nem somos Lusitanos, somos Galaicos.

coesao nacional o tanas disse...

tambem concordo com o vitor.

que me interessa a coesao nacional, se vejo a coesao da minha familia destruir-se?
Para mim em primeiro lugar está a minha familia, a minha região e só depois o país.
Eu quero é a coesão da minha familia e que não tenham de estar desempregados, andar a emigrar para outros países europeus e a por em causa a coesão da nossa familia.
Agora metade da nossa familia já nem se vê durante o ano, à excepcção dos natais e mesmo assim não podem vir todos.

Esta treta do nao por em perigo a coesão nacional, portanto vamos todos aguentar viver pior também me enerva. Como você disse é um insulto ao povo.

Além do mais qual o problema em pôr em perigo a coesão nacional do minho ao algarve? O norte não é uma naçom? pois então, deixem-no ser nação e governar-se a ele próprio que bem merece. Deixemos os egoismos e nacionalismos imperialistas bacocos e primários de parte.

Pedro Menezes Simoes disse...

Mas em que é que a regionalização põe em causa a coesão nacional?

Não será mais a centralização que põe em causa a coesão nacional?

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