20070612

Comunicado da UNIHSNOR: O turismo nacional não precisa de um mega aeroporto

O turismo nacional não precisa de uma cidade aeroportuária ou de um mega aeroporto.
Esta é a opinião da Unihsnor Portugal, associação nacional que representa os sectores da Hotelaria, da Restauração e do Turismo no Espaço Rural, para quem a questão central da discussão não passa pela localização do novo aeroporto, mas sim pelas características e dimensões previstas para o projecto da Ota.

A associação considera que a construção de um aeroporto de tal envergadura é injustificada e pode inclusivamente comprometer o desenvolvimento do sector turístico. Isto porque, tendo por base os dados avançados pela ANA relativos ao actual número de passageiros do aeroporto da Portela, e considerando os objectivos anunciados pelo Governo para um crescimento de 5% ao ano no número de turistas, o turismo de Lisboa irá exigir ao aeroporto em 2017 (ano anunciado para o início da operacionalidade da Ota) uma capacidade que não será superior a 8 milhões de passageiros, aos quais corresponderão efectivamente 4 milhões de turistas. Ou seja, num cenário muito optimista de crescimento contínuo durante os próximos 10 anos, o turismo de Lisboa irá necessitar em 2017 de menos de 50% da capacidade máxima da Portela.

Além disso, este crescimento ambicionado pelo Governo para o turismo depende, em grande parte, do fluxo de passageiros transportados pelas denominadas companhias aéreas de low cost, companhias que voam para aeroportos simples, funcionais e com baixas taxas aeroportuárias e que, por esta razão, não usam “cidades aeroportuárias”. Não sendo ainda do conhecimento público a forma como o anunciado aeroporto da Ota irá funcionar com estas companhias, bem como o montante total do investimento para este projecto e os seus futuros custos de exploração, a questão que se coloca ao turismo é imediata: “quem irá subsidiar as taxas aeroportuárias para que as companhias low cost utilizem o novo aeroporto com a frequência desejada?”.
Numa altura em que as taxas aeroportuárias nacionais são já cerca de 50% mais caras do que em Espanha, a existência de um aeroporto competitivo internacionalmente será uma condição fundamental para assegurar o crescimento e a competitividade do país enquanto destino turístico.

Perante todas estas condicionantes, a Unihsnor Portugal entende que a solução geralmente designada de “Portela + 1” é a mais apropriada, defendendo a ideia de que para o desenvolvimento do turismo nacional será indispensável uma rede de aeroportos (Pedras Rubras; Lisboa; Beja e Faro) que cubra, de modo eficaz e equilibrado, todo o território continental.

No que diz respeito à anunciada privatização da ANA, a associação considera que será inevitável os novos accionistas estabelecerem como prioridade a viabilização económica e financeira do novo projecto da Ota, pelo que receia que a construção do novo aeroporto de Lisboa se faça à custa dos outros aeroportos nacionais existentes no continente, prejudicando outros projectos em franco desenvolvimento, tais como o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, cuja zona de influência é a maior do país (mesmo considerando a futura cidade aeroportuária da Ota), cobrindo o norte e parte do centro de Portugal e ainda parte da Galiza.
Neste quadro, a Unihsnor Portugal defende que a decisão de privatização da ANA deverá ser precedida de estudos comparados e independentes, que permitam decidir de acordo com o interesse nacional e seguindo as boas práticas de outros países europeus com exemplos de sucesso nesta matéria.

1 comentário:

Pedro Menezes Simoes disse...

"considerando os objectivos anunciados pelo Governo para um crescimento de 5% ao ano no número de turistas"

Uma pequena correcção - para avaliar os passageiros turísticos deverão apenas ser considerados os objectivos de turistas para as regiões servidas pela Portela: Lisboa (6,7%), Centro (6,2%) e Alentejo (6,4%).

Com estes números, a capacidade necessária não serão os 8 milhões referidos, mas um pouco mais - 9 a 9,5 milhões. Ainda assim, abaixo da capacidade da Portela.

Note-se, no entanto, que a taxa objectivo para Lisboa é completamente dependente da capacidade de atracção de companhias low cost. Sem um aeroporto adequado, as taxas de crescimento serão pouco superiores às definidas para o Algarve, talvez 2-3%, após uma queda inicial. O que significa forte perda de quota de mercado no city break europeu. Da mesma forma, Lisboa perde o seu maior trunfo no MICE (congressos e reuniões).

Ora, as companhias low cost não utilizam as faixas horárias de pico, mas as de vazio - onde a Portela tem uma enorme capacidade livre.

Independentemente do ponto anterior, o PENT sempre pressupôs capacidade no aeroporto actual, e que caso esta não fosse suficiente, a expansão prevista e figo maduro seriam mais que sificientes (embora este aspecto não esteja explícito no PENT).

Nota final: entre os diversos objectivos regionais do PENT, o de Lisboa é claramente o mais ambicioso - não por ser o mais elevado, mas o mais difícil de atingir.

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