20071019

Sobre o Bairrismo Parolo

Pedir a sede da Região de Turismo do Norte Porto para Braga era... «bairrismo parolo». Quem o disse foi Mesquita Machado. A defesa dos interesses da cidade e do município exigiam que o edil bracarense viesse agora a público denunciar o «bairrismo parolo» do Presidente da Região de Turismo do Alto Minho por ter sugerido ao Governo que utilize o Castelo de Santiago da Barra para instalar os serviços da Direcção da Região de Turismo do Norte Porto. Rui Rio, outro «bairrista parolo», «manifestou desagrado pelo facto de a restruturação não contemplar a instalação, na segunda cidade do País, a sede de umas das novas regiões de turismo».

Para não sermos «bairristas parolos», arriscamo-nos ver fugir da terceira cidade do país, a Direcção Regional de Turismo para para Viana ou o Porto, depois de já termos visto sair a Direcção Regional de Agricultura para Mirandela e de se perspectivar a instalação da Direcção Regional de Cultura em Vila Real.

Para não sermos «bairristas parolos», alinhámos na imposição governamental das 5 regiões de turismo, alegando que «há um grande consenso numa futura regionalização desde que ela assente nas cinco regiões». Segundo o que relata o DN, o turismo está a ser «regionalizado à força». Afinal, onde é que está esse grande consenso?

Para não sermos «bairristas parolos», somos «provincianos parolos» e vamos desperdiçando, uma por uma, todas as oportunidades de ainda termos alguma relevância política no novo mapa administrativo nacional. É preciso dizer mais alguma coisa?

Publicado no Avenida Central

8 comentários:

Anónimo disse...

Verdadeiramente parolos sao aqueles que o escolheram para escrever aqui.

Darem tempo de antena a quem risca norte para escrever porto com a intençao que voce o faz, só está ao alcance duns parolinhos.

Os tais regionalistas de aviario é que o devem ter convidado para escrever aqui.

Ventanias disse...

O problema é que o senhor está aqui a falar de desconcentração administrativa, que é de facto uma das maneiras de descentralizar; acontece que, dentro destas, é provavelmente a mais fraca. Desde logo porque é decidida centralmente e não localmente, como deveria acontecer numa verdadeira descentralização.

António Alves disse...

não há apenas bairrismos e provincianismos parolos. também há quadros mentais parolos. e esse é que é o grande obstáculo.

Pedro Menezes Simoes disse...

O governo porpôs uma solução inicial, em Viana, e agora propõe que sejam os membros da RTN(autarquias) a decidir.

O Pedro Morgado prefere uma decisão central que decida Braga. Critica o presidente da camara de braga por não reinvindicar. O que é o seu papel num sistema altamente centralista (quem não chora, não mama).

É legítimo, mas também é um claro apelo ao centralismo e ao Bragacentrismo.

Mas tal como eu já disse anteriormente, o Bragacentrismo é a consequencia natural do centralismo.

http://norteamos.blogspot.com/2007/09/debate-intra-norte-o-portocentrismo.html

Confesso que, embora compreenda o que leva cada um a procurar optimizar o seu benefício individual, preferia procurar soluções e formas de pensar que, se replicadas, permitam maximizar o bem comum. Seguramente os neo-centrismos não estão aqui incluídos.

Jose Silva disse...

Acredito que discutir assuntos inconvenientes é benéfico para todas as partes, porque o conhecimento da argumentação da outra parte reforça ou não as nossas convições. Por isso pediao Pedro Morgado para replicar no Norteamos o seu artigo. Falar do Norte implica conhece-lo. Perceber que existem em Braga ou em TOM ideias, certas ou erradas, sobre o que deve ser o Norte ou reconhecer as rivalidades, certas ou erradas, que existem dentro do Norte só enriquecem todos os participantes e leitores do Norteamos. O Pedro Morgado já sabe que no Porto existem muitas pessoas que não querem centralizar o Norte e portanto estão disponíveis para «ceder poder» para Braga de forma a que deixe de se aliar a Lisboa e «trair» o Norte. Por isso o Pedro escreveu o que escreveu para alertar a audiência de Braga sobre este assunto, não foi Pedro ?

Pedro Menezes Simoes disse...

Algumas reflexões:
- É certo que a busca democrática do bem comum implica a procura de consensos entre muitas partes.

- Nem sempre as soluções que maximizam o bem comum são as melhores. As melhores são aquelas que conseguem satisfazer de forma equilibrada as pretensões de todas as partes.

- Estimular a participação cívica do Minho é fundamental para o Norte. Se o resto do Norte permitir que apenas o Porto reclame pela região, o resultado é menos poder reinvindicativo e a possibilidade de um neo-centralismo (centralismo desconcentrado). Seguramente o Porto prefere um cenário com mais autonomia e menos neocentralismo do que menos autonomia e mais neocentralismo.

- MUITO CUIDADO COM OS ARGUMENTOS DE DIMENSÃO. São os mesmíssimos argumentos com que se justifica no Terreiro do Paço o centralismo e a concentração do melhor investimento em Lisboa. Este é um mau fundamento para escolher localizações, como já deviamos saber.

- Os fundamentos adequados para a escolha desta sede são (do mais para o menos importante):
-- Impulso potencial no desenvolvimento do turismo local pela instalação da sede (i.e., vai a instalação desta sede permitir potenciar o turismo da zona em que está localizada
-- Importância (potencial) do turismo para o distrito.
-- Dimensão (potencial) do turismo no distrito / concelho.
-- Acesso a quadros qualificados (qualquer cidade de média dimensão com turismo cumpre este requisito, embora umas melhor que outras)


- Destes fundamentos parece-me que nem o Porto nem Braga , embora o Porto esteja bem

Ventanias disse...

Meu caro Pedro Menezes Simões, poderia concordar com quase tudo quanto afirma não fosse o pequeno detalhe de que a consideração sistematizada dos fundamentos que aponta implicar, igualmente, uma decisão centralizada.

Proponho uma alternativa: que os potenciais candidatos se apresentem à liça, que ofereçam as melhores condições de que dispõe e que a localização seja no Conselho que ofereça melhores condições. Se possível avaliadas objectivamente; de qualquer forma passíveis de escrutínio público (transparência).

Não sei se asseguro a melhor decisão. Mas garanto uma concorrência saudável na escolha da localização.

Pedro Menezes Simoes disse...

"Destes fundamentos parece-me que nem o Porto nem Braga , embora o Porto esteja bem"

Este texto é uma gralha.

"não fosse o pequeno detalhe de que a consideração sistematizada dos fundamentos que aponta implicar, igualmente, uma decisão centralizada."

Nem por sombras. os municípios do Porto e Braga devem ter uma estratégia própria de turismo.
O primeiro critério afasta Porto e Braga, o segundo critério elege Douro e, mais atrás, o Alto Minho, e o terceiro privilegia o Guimarães, Viana, Porto e Lamego (percepção minha).

Para mim, a escolha seria entre Viana e Vila Real / Lamego.

As minhas escolhas no Centro e Alentejo seriam Guarda e Évora. Tenho mais dificuldade em analisar Lisboa e Algarve, embora Santarém me pareça a pior localização possível.

Quanto à sua proposta de escolha, não será muito diferente da que se prevê, caso a escolha seja feita pelos membros das regiões de turismo. Cada município se pode candidatar, e será votado pelos restantes. O risco é que o "bairrismo" leve a escolher soluções mais consensuais, i.e., menos polémicas, e não as mais adequadas. Tradicionalmente,e por pura estupidez humana, a menos polémica costuma ser a maior. Espero que nao se caia nesse erro.

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