20071015

Para que conste!

Os cronistas, jornalistas, bloguistas e quejandos podem já desistir do chavão "derrapagem da Casa da Música", quando quiserem falar do descontrolo das contas públicas. Encham lá a boca com 134 milhões de euros. É grande não é? E nem sequer é bonito como a Casa da Música, que teve muito de suborçamentação nos polémicos 100 milhões de derrapagem. Este não foram contas mal feitas, foi mesmo asneira da grossa e abre antes do Natal, como prenda no sapatinho dos contribuintes. Chama-se prolongamento do Metropolitano de Lisboa até Santa Apolónia e o grande buraco orçamental aconteceu com a inundação daquela que será a Estação do Terreiro do Paço, em 2000. Com candura, o presidente do metro lisboeta já explicou que para estes 10 anos de atrasos não há culpados, tudo se deveu a causas naturais "os cursos de água mudaram por motivos ainda desconhecidos", explicou. Desconfio que desconhecidos irão ficar.

Os números finais deste descalabro público foram conhecidos na terça-feira. Sentiram alguma comoção? Não, foi como se não existissem. E, no entanto os 134 milhões da derrapagem do Terreiro do Paço dariam para pagar a ligação do Dragão à Venda Nova, servindo Gondomar (85 milhões) e ainda sobravam uns trocos. A empreitada toda da ligação a Santa Apolónia, (299 milhões), é aliás quase tanto quanto custaria a a ligação da Casa da Música a Laborim, uma obra que implicaria a construção de mais uma ponte sobre o rio Douro (323 milhões). Nada disto causa espanto quando se sabe que o metro de Lisboa custa o dobro por quilómetro do metro do Porto e rende metade, ou quando impávido e sereno o metro da Margem Sul continua a circular vazio ao preço de 15 mil euros por dia cobrado aos contribuintes. É obviamente muito mais fácil falar da derrapagem da Casa da Música ou da má gestão dos autarcas do Porto. Isso é que interfere com o conforto das gentes da capital.

David Pontes, Director adjunto do JN

P.S. Foram 1500 euros por centímetro (António Alves)

3 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

"os cursos de água mudaram por motivos ainda desconhecidos", explicou. Desconfio que desconhecidos irão ficar.


O motivo é fácil: Lisboa é riquissima em águas subterrânias. A construção indiscriminada tem desviado de forma significativa os lençõis de água existentes. O que se passou em Sta Apolónia é uma brincadeira em relação ao que pode vir a acontecer (particularmente se não tiverem cuidado nas intervençoes de requalificação na Baixa-Chiado...).

Só para dar um exemplo, há 70 anos, a rotunda do marquês tinha um enorme lago ao lado. A água teve de ser desviada para algum sítio...

Quanto aos motivos directos dos problemas são óbvios. Construção de um túnel numa zona que foi roubada ao rio, abaixo do nível do rio.

Lembram-se daquele parque de estacionamento, no Porto, entre a Foz e Matosinhos, que alagava no Inverno? Por estar ao nível do mar... Em Lisboa fizeram um metro nas mesmas condições.

O ASSUSTADOR NAO É O CUSTO DA LINHA. O ASSUSTADOR É O ELEVADO RISCO DE QUE A LINHA CONTINUE A DAR PROBLEMAS...

Anónimo disse...

Pois, mas nos gostamos deste país.
Continuaremos a ser colonizados, roubados, explorados pelos mouros la de baixo.
Enquanto o norte nao tiver um governo proprio e for totalmente independente nunca iremos a lado nenhum.

Anónimo disse...

Para o Anónimo das 18.14

Força, boa viagem e podem levar o Alberto da Madeira como contrapeso

A Comissão agradece

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