20071006

A primeira machadada no centralismo clientelista

"Os compromissos entre as elites políticas tradicionais criam uma oportunidade para outsiders. Continuam a existir eleitores insatisfeitos e oportunidades inexploradas. Mas quem as pode aproveitar? O compromisso entre elites levou à concentração de poder e riqueza no sector público e na área metropolitana de Lisboa, onde as elites políticas se encontram sedeadas. A maior parte dos descontentes encontra-se fora do sector público e fora da Área Metropolitana de Lisboa.

O político com condições, apoios e motivação suficientes para aproveitar as oportunidades políticas inexploradas tem de ser alguém que esteja fora do compromisso. Alguém de fora de Lisboa. Alguém que tenha a sua principal base de apoio numa região densamente povoada excluída do desenvolvimento económico. Alguém que controle o embrião de um poder político alternativo. Um autarca de uma grande autarquia. Da região mais pobre do País, a região norte. Tem de ser um membro de um partido da oposição, cujas bases se sentem excluídas da partilha do poder. Alguém detestado pelas elites do seu partido. Luís Filipe Menezes." João Miranda


Nota: Luis Filipe Menezes prometeu que a partir de agora seriam os militantes a escolher os candidatos a PR, os deputados europeus e os autarcas. O clientelismo centralista perdeu uma boa parte das benesses que tinha para distribuir. As "elites" do PSD, como esperado, referiam-se a isto como o populismo, e o prometer de tachos a toda a gente. De facto assim era: LFM prometeu retirar os tachos aos políticos profissionais que usurparam o poder nos últimos 20 anos, e devolver a escolha aos militantes.

A isto Vasco Pulido Valente chamava populismo e dizia que poderia conduzir a uma ditadura. Certamente estará confuso. Não é a ditadura o sistema em que uma oligarquia define tudo em nome do povo? Pois foi precisamente com isso que LFM prometeu acabar.

A irritação das "elites" e comunicação social lisboeta é notória, e completamente oposta à blogosfera e cidadãos em geral. Mas as elites e comunicação social lisboeta têm razões para estar chateados. É que estiveram os últimos 30 anos a mandar (e drenar) o país à revelia dos portugueses. E parece que isso vai acabar.

Disclaimer: Contenta-me ver que a oligarquia partidária começa a perder poder. Quanto a LFM, para vir a ter o meu voto, tem muito que me provar.

9 comentários:

Anónimo disse...

excelente, Pedro !

Jsilva

Anónimo disse...

até parece que o LFM é um salvador da pátria.. deve ser o D. Sebastião que vai do nevoeiro do Norte salvar-nos do centralismo e do controlo das "elites".. parece uma especie de comunismo.. excepto que o povo propriamente dito é quem se fode sempre, já que os amigos do LFM arranjam sempre taxinhos

de qualquer modo nem percebo a sua ingenuidade, não percebe que Sócrates vai ganhar em 2009?!

tripeiros do carago.. se trabalhassem mais e chorassem menos estavam bem melhor..

Pedro Menezes Simoes disse...

"até parece que o LFM é um salvador da pátria"

Não percebeu nada do que eu disse. LFM não vem salvar a pátria. Os elogios nada têm a ver com a possibilidade de vir a ser primeiro ministro. Têm a ver com a criação de democracia interna dentro dos partidos, que é o maior mal de que o nosso sistema sofre.

A oligarquia/ditadura partidária começa a ruir, e vemos as "elites" no "salve-se quem puder". É que grande parte dos "taxinhos", pelo menos os do poder local, já não são distribuídos pela clientela lisboeta, sem qualquer controle. Passam a ser decididos pelas bases, pelas estruturas concelhias, e por estas escrutinadas. Se quiser impedir "tachos", é simples: junte-se a um partido. Isto antes não era possível.

Sócrates irá ganhar em 2009. Mas para ter outra maioria absoluta vai ter que mudar a estratégia profundamente.

Anónimo disse...

eu tenho visto muitos tachos distribuidos pela clientela nortenha, sem qq interferencia de Lisboa, como no caso do metro do porto...

António Alves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Menezes Simoes disse...

Tachos continuará a haver. Mas seguramente prefiro larápios de bairro ao grande crime organizado. Quais prefere?

António Alves disse...

Sócrates vai ganhar? Não me digam que a malta já votou e não me disseram...

Pedro Menezes Simoes disse...

Há quem confunda previsões com a análise do momento actual.

As sondagens de hoje não são válidas para daqui a 2 anos. Muita água tem de passar debaixo do moinho. E o governo entrou em trajectoria decrescente. E o pior vai ser quando o povo perceber que o governo está a falhar todos os objectivos em termos de redução de défice excepto um: o do aumento dos impostos e do peso do estado...

Ventanias disse...

Também estou crente que Sócrates vai ganhar em 2009. Sobretudo porque não encontra oposição à altura; em terra de cegos quem tem um olho é rei...

Infelizmente, também não creio que LFM possa alterar este estado de coisas. Não se lhe conhece uma ideia qualquer sobre o País...

O que não invalida que seja positivo criar mecanismos de redução do poder da oligarquia dominante, mesmo que seja só a do PSD!

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