20071009

Quem tem telhados de vidro...

"O prolongamento da linha azul do Metro de Lisboa da Baixa até Santa Apolónia vai custar 299 milhões de euros, quase 30 euros a cada cidadão residente em Portugal. Face aos custos previstos, significa uma derrapagem de 134 milhões de euros.

Tendo em conta que a linha acrescentada tem apenas 2025 metros, o custo da obras ascende a quase 1500 euros por cada centímetro da linha, o que torna o projecto do Terreiro do Paço um sério candidato ao centímetro mais caro do Mundo. Mesmo sem derrapagem a opção por esta obra era discutível. Já havia interligação entre a linha ferroviária do Norte e o Metropolitano na Estação do Oriente. Quem ganhou com a decisão foi o lóbi do betão.

O Governo, em respeito pelo dinheiro dos contribuintes, deveria publicar um relatório sobre esta obra e explicar cada cêntimo da derrapagem. E todos os responsáveis políticos pela obra devem, pelo menos, um pedido de desculpas aos cidadãos. A falta de respeito pelo dinheiro público e pelos contribuintes é o fermento que faz crescer o caldo da corrupção. (...)" Armando Esteves Pereira, no Correio da Manhã.


A Casa da Música teve um atraso de 5,5 anos e uma derrapagem de 100M€. Foi paga por todos nós. Esta linha de metro, que deveria estar pronta para a Expo 98, teve um atraso de 10 anos e uma derrapagem de 134M€. Diga-se ainda que 300M€ é mais do que custaram os tão criticados 10 estádios do Euro 2004.

Grande parte dos lisboetas e portuenses parece gostar deste campeonato: o campeonato de "quem desperdiça mais dinheiros públicos" ou "quem é que faz a obra mais cara". E o resto do país assiste, e também vê no seu território, sempre que pode, o Estado Central a desperdiçar o nosso dinheiro.

Não seria bem mais útil que aqueles se manifestassem sobre estes quatro assuntos?

1. Faz sentido um sistema que incentiva as autarquias a exigirem obras megalómanas ao Estado Central, como já aqui expliquei?

2. Faz sentido um sistema em que obras de carácter local, ou intermunicipal, são pagas com dinheiros nacionais, quando deveriam ser pagos com dinheiros locais ou regionais? Porque motivo hei eu de pagar (no Porto) o Metro de Lisboa ou o Teatro Nacional D. Maria? E um Lisboeta a Casa da Música? E um Alentejano os Transportes de Lisboa e Porto? É mesmo necessário o princípio da solidariedade para com os mais ricos? A alternativa chama-se regionalização...

3. Faz mesmo sentido gastar 300 milhões de euros (0,2% PIB) numa obra com alternativas já existentes, como é referido no artigo? Não havia nada mais prioritário para fazer, mesmo em Lisboa?

4. Faz sentido que o Estado assuma todos os riscos das obras adjudicadas aos construtores? Não deveria ficar o risco de construção do lado dos privados? Por que motivo não acautela o Estado o interesse público? O erro vai-se repetir no TGV, e é intencional ("depois de um investimento de dez mil milhões de euros a fundo perdido, preparam-se para aceitar tranquilamente um défice permanente de exploração") Com tantos maus exemplos, já não é uma questão de incompetência. É uma questão de estupidez ou, mais provavelmente, má fé... ou má...fia.

Posto isto, faz sentido passar a vida a atirar pedras? E faz ou não sentido que TODOS lutem contra o centralismo? Esperam-se comentários...

9 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem !

Esta derrapagem e estas obras não prioritárias existem devido à corrupção. Os políticos são meros funcionários dos lobbies...

Não sei se a Regionalização muda. Estas «obras», em menor escala, também existem nas autarquias.

A solução para pela cidadania na Internet, enquanto esta foir livre...

JSilva

Anónimo disse...

A solução passa...

Pedro Menezes Simoes disse...

A regionalização não mudará muito a questão da corrupção e do clientelismo. Permite duas coisas: desalojar a actual clientela do poder central, e utilizar o Estado Central como fiscalizador do comportamento das regiões.

Mas o mais importante mesmo, foi o que referi no ponto 4. Não podemos aceitar passivamente que o Estado faça negócios que, à partida, são para perder dinheiro desnecessáriamente.

Anónimo disse...

Pois. E também não é justo para o restante Norte que nos investimentos públicos vença o que berra mais alto, mesmo que intrisecamente o projecto não faça sentido...

JSilva

Sérgio Gonçalves disse...

Fico estupfacto que para estes projectos não falta dinheiro, e Braga que já precisa de um hospital á muitos anos nunca mais avança está sempre em estudos.
Uma vergonha.

visitem o meu blog:
http:wwwbragablog.blogspot.com

Anónimo disse...

SOu de Lisboa... e esta obra mete-me nojo e revolta!! quem se fartou de encher foram as empresas de cosntrução!! com esse dinheiro tinham-se cosntruido mais 10 estacoes do metro de Lisboa em locais bem melhores e mais prioritarios!! a estacao d Sta Apolonia ate ja se fala que vai ser desactivada!!! isto é uma vergonha!! e depois nao ha dinheiro para a CRIL!!! que palhacada!

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro anónimo:

E não é só isso. É que não satisfeitos com gastar 300M€, acharam bem gastar mais um dinheirão em obras de arte para a estação. Mas para os hospitais e maternidades no interior não há dinheiro. É claro...

Anónimo disse...

para os hospitais do interior e apra os hospitais de Lisboa!! Nunca mais construem o hospital de todos os Santos!!!

Salem disse...

E continua Trás os Montes sem um unico acesso de jeito..

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