20070927

Debate Intra-Norte: O "Portocentrismo" é a consequência natural do centralismo

A propósito disto, parece-me que há quem tenha uma visão um pouco estranha de qual é o papel dos presidentes de câmara num regime centralista.

Hão de me explicar por que motivo é expectável que os presidentes de câmara da Área Metropolitana do Porto (AMP) venham a pedir investimento público para municípios fora da AMP, seja para o Minho, Douro ou Trás os Montes.

No dia em que um Presidente de Câmara de um município pedir ao Governo para não investir no seu município, mas investir noutro, está na hora de se demitir. Pode até ser muito boa pessoa, pode até ser um acto muito louvável, mas está claramente a ir contra um dos seus deveres mais básicos: o de agir sempre no máximo interesse dos cidadãos que representa.
Os Presidentes de Câmara têm como função defender o interesse dos seus munícipes. Não o interesse da sua região ou país. Para isso existe o Governo da República. E se este não é imparcial e distribui benesses sem defender o interesse global, a responsabilidade é só e apenas deste.
Por isso, antes de virem com mais conversas de "Portocentrismo", façam-me o favor de demonstrar em que é que estou errado neste raciocínio. Nunca confundi Política com Filantropia.

5 comentários:

Anónimo disse...

Penso que é clara a divisão, “por mutuo acordo”, de fundos por esta duas A.M´s.
Daqui só podem sobra migalhas para os restantes e salve-se que puder!
Temos um país que tem dois “buracos negros” em termo de investimento, A.M.Lisboa e A.M.Porto. O resto é paisagem!

Pedro Menezes Simoes disse...

Pois, mas pelos vistos o resto do país adora o modelo.

José Alberto Fernandes disse...

É incrível a facilidade com que as pessoas perdem mesmo quando se estão a debater assuntos sérios.

Estas guerras aquí Porto/Norte revelam uma clara falta de noção do porquê da necessídade da regionalização.

Obviamente que é função das autarquias, competirem entre sí de forma saudável pelo investimento, quer público quer privado.

Obviamente que o Presidente da CM Porto, tem que acima de tudo governar o município do Porto, para isso é que ele foi eleito.

Resultado, anda toda a região em competição entre sí, para ficar com os poucos recursos que se libertam para esta região.

O problema é que falta uma voz de liderança, que pense no melhor para TODA a região e em que se revejam os 3M de habitantes que aquí vivem. Esta liderança, só poderá vir de um governo regional, eleito pelos 3M de pessoas e que governe centrado no Porto mas de forma isenta todo o norte de Portugal.

Fico triste por ver que num estado avançado de consenso em relação à regionalização, ainda se levantem dúvidas e lutas bairristas. Se a regionalização não vingar aquí, de forma alguma vai vingar no referendo, venha ele quando vier.

Pedro Menezes Simoes disse...

"que governe centrado no Porto"
Só não assino por baixo disto. Embora não o veja como crítico, preferia outra solução (e seguramente não é para o Minho e muito menos para Braga que isto é crítico, antes pelo contrário). Mas acho que quanto à sede não há nada a fazer. O mesmo não se pode dizer das diversas direcções regionais.

Jose Silva disse...

JA Fernandes,

Você substima a realidade. O bairrismo/invejas/rivalidades locais existem e julgar que a Regionalização as abafa é pura infantilidade.

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