20070928

Debate Intra-Norte: "Quem não é pelo Porto, é contra o Norte"

O Porto não é Norte nem o Norte se circunscreve ao Porto. Pelos vistos, há muito quem ainda não tenha percebido isto e acuse de desnortear aqueles que, dentro do Norte, chamam a atenção para o advento de um portocentrismo que, se não for travado, será bem mais feroz e deletério do que o centralismo lisboeta.

1. Denunciar uma verba de PIDDAC per capita dez vezes superior no Distrito do Porto do que no Distrito de Braga é desnortear?

2. Denunciar a concentração (quase) absoluta das direcções regionais dos serviços da Administração Central no Porto é desnortear?

3. Denunciar uma estratégia de turismo integrado para o Norte que visa promover (quase em exclusivo) a "marca Porto" e fazer do resto do Norte parque para visitas vespertinas é desnortear?

4. Denunciar a tentativa de ligar o Porto a Vigo sem passar pela terceira maior cidade do País, olhando exclusivamente aos interesses das empresas e das populações do Grande Porto é desnortear?

Para não nos desnortearmos de vez, talvez seja pertinente lembrar que a maior paróquia do Norte é, precisamente, o Porto.

25 comentários:

Jose Silva disse...

OK, Pedro, excelente. O debate Intra-Norte não é Desnortear. Porém, não esquecer o seguinte: Aquilo que Braga se queixa do Porto é o mesmo que Guimarães ou Viana se queixam de Braga. E não esquecer do seguinte: Enquanto o Porto reclama de Lisboa e defende o Norte, o resto do Norte sabota. Por isso o Porto recebe do PIDDAC mais do que o resto do Norte...

Jose Silva disse...

E não esquecer que as decisões do PIDDAC ou das DRegionais são tomadas por Lisboa e não pelo Porto !

Pedro Menezes Simoes disse...

Reparou que os 40M€ gastos na linha do MINHO foram inscritos no Porto, os 3M€ da linha de Guimarães, foram inscritos no Porto, e os 18M€ da linha do Douro foram inscritos no Porto?

E será que o Minho não beneficia dos 30M€ investidos no Porto de Leixões, que serve todo o Norte?

E que Lisboa ter maior investimento per capita que o Norte?

E que 60% do investimento não está inscrito em nenhuma região?

Vou fazer a análise ao PIDDAC e já trago conclusões fresquinhas!

E enquanto o Minho protesta contra o Porto, fica Lisboa com a maior fatia... Pelos vistos, o Minho contenta-se mesmo só com as migalhas.

Rui Valente disse...

Pois é. Eu também já estou a pensar denunciar o meu vizinho por ter um carro melhor que o meu. Além disso, ele é do Porto, cidade cujos poderes superam tudo o que seria até agora imaginável. Deve ser por isso que está de rastos...
Eu só gostava que alguém me indicasse onde é que eu dei a entender que o Porto era o Norte.
Continuem a pensar assim e depois digam-me os resultados.

António Alves disse...

A diferença de PIB percapita é de 6,5 vezes e não de 10. A difrença de Lisboa em relação a Braga e ao resto do país é muito maior e parece que o Pedro não se incomoda. O PIDDAC é um instrumento centralista e obedece à lógica vigente. É contra isso que se luta. Utilizar o PIDDAC como argumento é intelectualmente desonesto.

O vosso modo de actuação já custou a este país pelo menos 10 anos de atraso. Dessa culpa ninguém vos livra.

Pedro Morgado disse...

1. Limitei-me a constatar factos e apresentar dados.

2. Os investimentos inter-distritais estão incluídos noutra rúbrica.

3. Eu sou muito crítico do centralismo de Lisboa e um fervoroso adepto da regionalização. Para isso basta ler o meu blog. O que não me canso de repetir é que é preciso desconcentrar serviços e descentralizar investimentos no Norte.

4. O Minho prefere que o investimento esteja no Porto que em Lisboa, mas não pode calar-se perante a concentração dos investimentos e serviços nortenhos no Porto.

Pedro Morgado disse...

5. Esta discussão nasceu pela vontade expressa do Governo de concentrar o investimento turístico do Norte no Porto e na divulgação da "marca Porto".

6. É triste que confundam a defesa de uma estratégia integrada para o Norte que não esteja centrada no Porto com um ataque ao Porto. Isso demonstra qual é o vosso conceito de Norte.

Anónimo disse...

Com "regionalistas" como o pedro morgado e o jose silva nem precisamos de centralistas.

O Porto é norte, quem é contra o porto é contra o norte, isto é claro como a agua.

Desnorteados parece-me um bom nome para este blogue, gostei da sugestao.

Jose Silva disse...

«O vosso modo de actuação já custou a este país pelo menos 10 anos de atraso. Dessa culpa ninguém vos livra.» É verdade. Braga/Minho e sua inveja contra o Porto é culpada pela não Regionalização. Braga atrasa o Norte.

«É triste que confundam a defesa de uma estratégia integrada para o Norte que não esteja centrada no Porto com um ataque ao Porto.» Também é verdade. O debate Intra-Norte Não desnorteia.

«Com "regionalistas" como o pedro morgado e o jose silva nem precisamos de centralistas.» Este anónimo é um verdadeiro lisboeta. Lá é que se diz que é tudo Portugal e que as reclamações do Norte são bairristas. Lá é que à moda do estalinismo centralista ou do colonialismo, se evita discutir as reclamações, fundadas ou não das regiões. Está convencido que é defensor dos interesses a Norte, mas não passa dum papagaio...

Pedro Menezes Simoes disse...

Pedro Morgado,

1. A discussão entretanto evoluiu por causa de outros comentários. O meu ultimo post é uma reacção ao comentário do César Gomes, e outros comentários, e não se refere à questão do turismo.

2. Quanto à questão do turismo, estou de acordo que a marca do Norte não deverá ser "Porto". Defendo que uma região de turismo única é a melhor solução por questões logísticas e financeiras. Quanto à acusação de Portocentrismo, porque o investimento (100M€) será feito no Porto, há aqui desinformação. O investimento será feito prioritariamente no Douro. Não vejo aqui qualquer Portocentrismo.

3. Não me revejo nos discursos de paroquianismo. Para mim a autocracia implica a liberdade de escolher ser provinciano.

4. Na situação actual, Viana protesta contra o centralismo de Braga, Braga contra o Porto, e Porto contra Lisboa. Só que os protestos são sempre direccionados às entidades erradas. Aos sintomas, e não às causas.

5. Isto deve-se à má compreensão de quem são efectivamente os responsáveis pelas decisões, e qual o papel dos influenciadores. O responsável pela distribuição de investimento é o Governo. Os influenciadores são um conjunto de entidades que privilegiam os seus próprios objectivos, e que são objectivos mais ou menos locais: autarquias (ou associações de autarquias), associações empresariais, empresas...

Em vez de culpar o Governo de parcialidade, prefere-se acusar os influenciadores disso. Mas o papel dos influenciadores é precisamente ser parcial. Estes não são responsáveis regionais. Aliás, o problema é esse: não há influenciadores regionais, que permitam o equilíbrio ao sistema.
Cabe ao governo não se deixar influenciar.

É que as acusações de Portocentrismo atacam a pequena injustiça, enquanto deixam a grande injustiça impune. Basta olhar para o PIDDAC...

6. O poder central irá tentar "calar" quem protesta. "Quem não chora não mama". O resto do Norte é como um bébé que prefer bater no irmão (Porto) do que chorar também. Se o resto do Norte está à espera de mamar graças ao "choro" do Porto, bem que vai morrer de fome. Por culpa própria.

7. É verdade que o Porto tem dupla cara: uma coisa é a opinião pública do Porto, que tem lutado pelo norte. Outra são os responsáveis políticos, que negoceiam beneficios para as suas autarquias. Mas a sua função não é outra. Não se pode ser ingénuo de pensar o contrário.

Nota Final:
O sintoma é a distribuição desigual de investimento e organismos públicos.

As causas são várias:
- desconhecimento da realidade local;
- factor escala como esplicador da prioritização de certos investimentos (i.e. "vão beneficiar mais gente / serão aqui mais rentabilizados);
- confusão do papel do estado com o papel dos privados (o estado deve investir mais onde é menos rentável para os privados investirem, não o contrário), veja-se o caso das maternidades;
-...

O erro de raciocínio centralista de Lisboa leva os responsáveis políticos a replicarem o erro em todas as regiões.

ej disse...

Um dos grandes males do nosso País é o facto que todos querem ter poder e dominar os outros…. Vivemos num país atrasado por culpa da centralização em dois pontos, considerado o resto do país como zonas que não compensa investir, que as pessoas são “atrasadas” que só servem para as reportagens ridículas da TVI e SIC mostrado o pseudo atraso dos provincianos.
A partir do momento que se começou a misturar os interesses pessoais com os interesses da nação, começaram-se a verificar o super investimento nessas áreas metropolitanas (auto-estradas sem portagens, metros, serviços, admiração, etc...) adormecendo letalmente o resto do País com os serviços mínimos e meia dúzia de migalhas e festas na altura dos votos. Agora que estas religiões, que chamam de parolos e provincianos, estão a acordar para a realidade (que lhe “cortaram as pernas” durante anos) dizem, a partir das suas metrópoles, que nós somos os culpados, (por não nos acomodar a uma nova ordem que nos querem impor), de todo atraso que país vive acusando-nos de deslealdade intelectual e de um pensamento de paroquia ou junta de freguesia.
Para estas pessoas relembro que em Portugal existem duas paróquias grandes (Lisboa e Porto) que levam o dinheiro dos impostos de todos os portugueses, enquanto as “capelas” ficam com esmolas. Esta é a realidade que a democracia á portuguesas trouxe ao nosso país, crucificando todas as regiões em deferimento das duas Áreas Metropolitanas.

Jose Silva disse...

Caro EJ,

Os factos estão aí: No Norte em 1998, apenas Porto, Matosinhos e Gondomar votaram a favor da Regionalização. Não são estes so culpados pela não regionalização a Norte...

Sérgio Gonçalves disse...

Respondo ao sr. José silva quando diz que Braga atrasa o norte, será isso ou será que o Porto atrasa o desenvolvimento do norte ao criar centralismos nos investimentos que faz, agora querem uma estação do tgv no aeroporto com um bocado de sorte braga fica sem paragem de tgv em benefício do porto, que mais querem, bragança precisa de dinheiro para fazer melhoramentos no aeroporto que têm e não vejo o porto a fazer força para isto, será pelo facto de o aeroporto francisco sá carneiro poder ficar sem as companhias que fazem voos de baixo custo???Á que disribuir bem os dinheiros públicos, mas o que mais me aborrece é o facto de os presidentes de câmara, de braga, viana, vila real, bragança, guimarães, e outras mais, não fazem nada para mudar a situação, ficam caladinhos na sua secretária, á que mexer, chamar as televisões falar, ou não é assim que as gentes do porto fazem.


visitem o meu blog:
http://wwwbragablog.blogspot.com/

Jose Silva disse...

Sérgio,

Se procurar bem, ja defendi aqui o upgrade do aerodromo de Bragança, a supressão da linha Vermelha do metro do Porto e a anulação da linha verde do mesmo metro para a Trofa. Também defendi que era preferível o investimento ferroviário Barcelos-Braga-Guimarães, no Vouga, em Aveiro e Coimbra por causa do PeakOil, do que mais investimentos no MPorto. O CVE Porto-Minho-Vigo a parar no Aeroporto SC não é capricho portuense. É para captar utilizadores de Vigo e facilitar o transporte de Minhotos. Os portuenses irão de automóvel ou metro para o aeroporto.

Benvindo ao mundo da blogosfera, onde nós andamos há varios anos ! Conselho: O mais difícil em ter um blogue não é a gestão do blogger...

Pedro Menezes Simoes disse...

Sergio,

1. Braga beneficia ou não de ter uma ligação ferroviária directa ao aeroporto? Certamente não é para servir os portuenses. E certamente o aeroporto serve todo o norte do país.

2. É suposto os políticos do Porto pedirem investimentos para Bragança? A propósito de quê? Também não vejo os de Braga a fazê-lo.

E leia o meu comentário lá atrás, tal como este post: http://norteamos.blogspot.com/2007/09/debate-intra-norte-o-portocentrismo.html

António Alves disse...

Uma estação TGV no aeroporto beneficia todo o Norte (pelo menos a partir de Coimbra) e nada acrescenta ao Porto cidade. Afinal as pessoas deixarão de passar pelo Porto e irão directamente para o aeroporto. Só um néscio obcecado com o "portocentrismo" é que poderá afirmar o contrário.

E é mesmo verdade: a culpa da não regionalização cabe ao Minho e particularmente às pseudo-elites de Braga, que um dia obedecem ao cónego e outro ao cacique que elegem há 30 anos.

É necessário começar a chamar os bois pelos nomes. E talvez seja a hora da AM Porto começar apenas a olhar para si, para o seu hinterland natural - o Douro - e para o entre Douro e Vouga, cujos municipios, muito mais dinâmicos que o Cávado, Ave e MInho-Lima, vêm paulatinamente aderindo à AM Porto, apesar de pertencerem ao distrito de Aveiro.

E já agora, hão-de explicar-me como num sistema hipercentralizado, uma cidade tradicionalmente malquista na "corte", e sem instrumentos políticos, que até para uma empresa pública local para aderir a uma associação não lucrativa precisa da autorização dum ignorante que é secretário de estado de qaulquer coisa em Lisboa, consegue exercer qualquer espécie de centralismo?

Anónimo disse...

«Com "regionalistas" como o pedro morgado e o jose silva nem precisamos de centralistas.» Este anónimo é um verdadeiro lisboeta. Lá é que se diz que é tudo Portugal e que as reclamações do Norte são bairristas. Lá é que à moda do estalinismo centralista ou do colonialismo, se evita discutir as reclamações, fundadas ou não das regiões. Está convencido que é defensor dos interesses a Norte, mas não passa dum papagaio...

De facto em lisboa podem acusar-me de querer dividir o estado, assumo, tal como o jose silva deveria assumir que quer dividir o norte, tenha coragem.

Já se torna comico que apareçam uns bracarenses contra o porto neste blogue com o apoio do anti-norte jose silva. Se ainda fossem de tras-os-montes, ainda poderiam ter alguma razao, agora considerarem que braga e porto não são a mesma região demonstra total ignorancia e benfiquismo fanatico, algo a que braga ja nos habituou.

Jose silva quer dividir o norte, assuma-o.

mariana disse...

somos uns tristes. na mesma como a lesma. faz lembrar aqueles cavaleiros pilha galinhas que roubavam as terras uns aos outros cá no norte. normalmente, não era só a lógica do "preciso de desenvolver o meu território". a lógica era "ai ele fez isso? e ele é mais do que eu? também quero o mesmo"

fomos e somos assim. infelizmente no norte mais do que no sul, também sempre fomos mais.

continuamos a ser um povo no noroeste da ibéria que não se governa nem se deixa governar. já era tempo de deixarmos estas quesílias parolas e percebermos que se cada região estiver preparada para cuidar de si, mais governável fica portugal. o que temos que meter na cabeça é que não podemos criar regiões milimétricas, por freguesias, só para não nos aliarmos.

vá, vamos discutir coisas importantes.
portuenses, bracarenses, dai um beijinho e fazei as pazes!

Anónimo disse...

Os bracarenses e os portuenses não estão chateados.

Simplesmente os bracarenses são contra a regionalização, e a nós portuenses só nos resta ...

Pedro Menezes Simoes disse...

"Simplesmente os bracarenses são contra a regionaliza�o, e a n�s portuenses s� nos resta ..."

Isso n�o � verdade. Braga tem � ambi�es de dominar o Minho. Mas o Alto Minho n�o quer Braga a mandar...� o medo do Bragacentrismo...

Anónimo disse...

Isto so prova que o "centralismo" muitas vezes é mais psicológico que verdadeiro...lolol

Pedro Menezes Simoes disse...

N�o. Isso s� prova que as pessoas ainda n�o perceberam o que � o centralismo e defendem a regionaliza�o com argumentos centralistas. O que � engra�ado, porque as criticas feitas � regionaliza�o est�o quase sempre relacionadas com situa�es que s� existem num sistema centralista (p.e. caciquismo, Alberto Jo�o,...)

Anónimo disse...

Qualquer pessoa percebe que existem duas metrópoles em Portugal. E mais importante que regionalizar é criar uma junta metropolitana para essas metropoles com pés e cabeça. Não esquecer que estamos a tratar de praticamente 1/3 da população portuguesa nessas duas "cidades". SO depois de termos duas juntas metropolitanas bem definidas, com poderes bem definidos, é que podemos avançar para a regionalização e sua orgânica. è que as metropoles de Lisboa e Porto são por si, duas regiões praticamente.

Pedro Menezes Simoes disse...

Esse é um modelo alternativo. Que certamente o Porto lutará por ele, caso a regionalização falhe. É o Plano B...

Jose Silva disse...

Anónimo anti-democrático,

Eu quero dividir o norte ?!?!?!

Então dar voz às reclamações legítimas ou não de Braga, TOM ou Douro sobre o Porto é dividir o Norte ?

Qual é o seu conceito de democracia ?

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