20070910

Tratados europeus e centralismo

A única razão porque os tratados europeus tem ficado com nome de cidades, deve-se ao facto de serem assinados na cidade por cujo nome ficam conhecidos. Pretender manipular a atribuição do nome do tratado para dar publicidade a uma qualquer cidade, maior ou menor, litoral ou interior, é de um provincianismo que só pode ser prejudicial a quem queira verdadeiramente defender formas descentralizadas de organizar o País.

É verdade que há muito tempo que se deveria discutir em Portugal, porque razão quase todas as realizações maiores, em termos internacionais, quase sempre acabam em Lisboa. Essa discussão deveria, naturalmente, fazer parte de um debate mais amplo sobre o modelo de organização do País e até sobre o combate ao centralismo.

Agora focalizar um acidente do processo europeu, que aliás não está garantido (não é óbvio que o Tratado venha a ser concluído na Presidência portuguesa e muito menos que será assinado em Lisboa), para reclamar publicidade para seja qual for a cidade portuguesa!!! Francamente, não é com tiros destes que se mata o centralismo.

Acresce que o Tratado provavelmente não será um bom tratado. Será um remedeio, destes a que o processo europeu nos tem habituado, daqueles em que o todo vale alguma coisa porque talvez permita a continuação do aprofundamento da integração e alguns alargamentos, mas em que as partes são altamente criticáveis, quer porque não avançam o suficiente (falta de eleição directa de todas as instituições) quer porque avançam demais (criação de um presidente não eleito para o Conselho Europeu).

Se vier a ser assinado em Lisboa, pois que seja conhecido por Tratado de Lisboa. Se não paciência. O importante é que a Europa possa continuar a avançar, não é saber onde se assina. Aliás, o único caso de um tratado que deu a conhecer uma cidade europeia de que me recordo, é de muito má memória, ou já se esqueceram do Tratado de Maastricht?

Concentremo-nos nas coisas importantes. Por exemplo a privatização da Ana. Isso sim, pode ser decisivo para o desenvolvimento do País, e do Norte, e para o combate ao centralismo.

5 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

Ventanias, de acordo.

Mas como dizes, a assinatura de um tratado é um acidente do processo europeu. É aleatório onde acontece.

Mas, em Portugal, só se deixam ao acaso as coisas que devem ser decididas, e decide-se sobre o que deveria ser deixado ao acaso. É triste que até na escolha do local de um tratado europeu se note tanto o centralismo burocrata e imbecil no nosso país.

O governo está preocupado com os assuntos assessórios. Está convencido que o tratado trará boa publicidade para Portugal. E que deverá ter o nome de Lisboa.

Deveria era estar preocupado com o conteúdo do trabalho e deixar o local ao acaso.

António Alves disse...

caro Pedro

O Sócrates está apenas preocupado em fazer um vistaço. Coisa que é muito típica dele. Ele é euros 2004 e 10 estádios, ele é aeroportos megalómanos, ele é TGV de Lisboa a Madrid quando os próprios estudos da RAVE provam que o canal com mais procura seria um mais a norte, etc.
É um bozo que julga que mediatismo é igual a eficiência governativa e que andar a distribuir computadores portáteis nos vai colocar na linha da frente do desenvolvimento. Alguém se lembra ainda das contas de email para todos os portugueses? É um tintim sempre activo,como lhe chamou o António Barreto; um vai a todas, com o "peidinho" no cabelo a abanar.

Subscrevo, como aliás já tinha afirmado num comentário anterior, a opinião do ventanias.

Ventanias disse...

É verdade, caro António Alves, eu também tinha lido o seu comentário. Achei é que a opinião, que partilhamos, merecia reconhecimento de post.

Fica aqui o reconhecimento do direito de autor.

Cumprimentos

Pedro Menezes Simoes disse...

De acordo. É, de facto, uma iniciativa parva. Há batalhas mais importantes.

Anónimo disse...

Não sei de onde vem a discussão do do nome do Tratado. Mas tem que ser sempre da cidade-capital? Há Maastricht, Chenghen, Nice...
Por que não Viana ou Évora, ou outra?

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