20071031

Paroquialismo bacoco: o maior aliado do centralismo (II)

A questão do paroquialismo bacoco a que António Alves sistematicamente alude causa-me diversas perplexidades, entre as quais importa destacar:

1. Não é mais que o reeditar das bandeiras que os lisboetas centralistas repetidas vezes agitam contra o Porto e o Norte. Além do mais, é uma cópia de argumentos de fraquíssima qualidade. Seria mais interessante que António Alves se concentrasse na discussão das ideias em vez de qualificar sistematicamentes aqueles que, como eu, discordam da sua visão portocêntrica do Norte.

2. Acusar algúem de fazer favores ao centralismo só porque defende um modelo de alternativo de Regionalização é o pior serviço que se pode prestar à causa que todos defendemos. Além do mais, a 'Regionalização a Cinco' não é nenhuma vaca sagrada que não possa (e não deva) ser questionada. Dá ideia que vivemos numa espécie de «se não és pelo que eu digo, és contra o Norte!»

3. Estranha-se que aqueles que mais doentiamente defendem o Norte Único sejam precisamente os mesmos que afirmam que para o centralismo Porto até seria melhor estar sozinho. Mas que estranha beneficiência esta de defenderem o que lhes é mais prejudicial... Se para os portuenses seria melhor estarem sozinhos e se o que eu defendo é a AMP seja uma região, não se percebe tamanha reacção ao que venho defendendo.

Para uma Leitura Complementar:
Norte, Tamanho Único e Pronto a Vestir

21 comentários:

Anónimo disse...

Ó Morgado

cresce e aparece
só dizes mesmo asneiras
vai para o terreiro do paço
que é lá o .teu lugar. Não dizes uma prá caixa

Anónimo disse...

Óh anónimo primeiro!

É verdade. Este gajo so está aqui para fazer confusão. Dá uma no cravo e duas na ferradura. Sabemos lá se o gajo não é mesmo lisboeta.
se não é parece para xúxú. Se fosse pregar no deserto ou para a Mouraria é que fazia bem.

Alberto S.Fonseca
Famalicão

Anónimo disse...

quem sabe os alfacinhas não são vocês caros anónimos concertados!

a opinião é livre... Ou o Norte é apenas o que os portuenses defendem???

josé manuel faria disse...

Os anónimos pouco contam.

Norte: AMP; Minho e trás-os-montes alto douro (3).

Regionalizar o Norte a sério.

migas (miguel araújo) disse...

Para além de que muitos aveirenses gostariam de ver a região Norte alargada até à configuração da A25.
Prefiro Aveiro enquadrada numa região Norte forte e consistente, mesmo com o centralismo do Porto, do que a sombra parasita de Coimbra ou o centralismo bacoco da capital.
Cumprimentos

Anónimo disse...

LOLOL.. o "centralismo" de Coimbra seria "parasita", o da capital imperial é "bacoco", e o do porto é que seria Bom..

é so rir.

António Alves disse...

Caro Pedro Morgado,

Ideias discuto eu há muito. Tenho muitos posts em vários blogues para o provar. Dê-se ao trabalho de os ler e talvez clareie algumas ideias. Discuto tudo o que respeita à regionalização e aceito todas as propostas sérias e honestas, mesmo aquelas que considero totalmente erradas. O que me indigna são posições intelectualmente desonestas como as que vossa senhoria regularmente debita. A conclusão que está indelevelmente plasmada no seu post, e que eu critiquei, é uma coisa tão abstrusa - como Braga não consegue fazer com que o Estado lhe construa um hospital eu sou contra a regionalização que se adivinha porque "é exactamente por isso que me custa ver avançar uma Regionalização em que o Porto vai acabar por fazer ao Norte o que Lisboa tem feito ao país..." - que só pode ter saído duma mente que age de má fé ou então de alguém cujo desenvolvimento mental parou na idade de 15 anos.

Se quer discutir seriamente, pode contar aqui com um parceiro empenhado; se pretende apenas fazer ruído, pelo menos seja mais inteligente e não escreva coisas ridículas que se voltam contra si. Mas sabe uma coisa? Suspeito que vossa excelência não faz a mínima ideia do que seja a regionalização.
Comece por ler a respectiva lei quadro: http://www.cne.pt/dl/
apoio_rn_08_11_lei_quadro.pdf

Pedro Morgado disse...

Caro António Alves,

Quando parte do pressuposto que eu, por denunciar o centralismo do Porto, sou contra a Regionalização está tudo dito.

António Alves disse...

Não caro senhor Morgado, você não denuncia portocentrismo nenhum, isso faço eu (http://www.porto.taf.net/dp/
node/2366) quando noto essas pulsões em alguém com responsabilidades; você faz associações abstrusas e qualquer assunto onde apareça a palavra Porto faz com que pavlovianamente vossa senhoria comece aos berros de portocentrismo. Vossa excelência é ridículo quando assim procede; vossa excelência é ignorante quando por causa dum simples problema técnico de catenária você indaga-se a que ponto chegou o centralismo do Porto. Vossa senhoria tem uma imensa colecção de pérolas do género sobre os mais variados assuntos no seu blogue. O seu problema é falta de espessura nestes assuntos. Leia mais livros e viaje mais. Com o tempo a espessura aparecerá.

koolricky disse...

Será que as pessoas do Porto, que defendem a regionalização a cinco já pararam para pensar porque ninguém mais, à excepção do Porto, quer essa tal regionalização? Acho que por vezes se fala quando se deve estar calado. A reflexão é uma dávida da inteligência. Usem-na!

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro Koolricky, a sua afirmação carece de provas.

Anónimo disse...

so os do porto é que defendem a regionalizaçao porque os outros nao passam de vassalos de lisboa a norte

Quanto ao antonio alves se tivesse vergonha nem escrevia aqui, e com isto estou a elogia-lo, este blogue é um espaço de inimigos do norte camuflados, nao perca tempo aqui com estes inuteis.

Essa do centralismo do porto é de rir, mas qual centralismo do porto se o porto não decide nada do que se passa em guimaraes ou em viana?
E digo guimaraes e viana porque os vimaranenses nao aceitariam de maneira alguma que braga fosse a capital duma regiao onde guimaraes estivesse.

Anónimo disse...

"Essa do centralismo do porto é de rir, mas qual centralismo do porto se o porto não decide nada do que se passa em guimaraes ou em viana?"

O problema é que passaria a decidir, caso fosse capital da região...

Pedro Menezes Simoes disse...

"O problema é que passaria a decidir, caso fosse capital da região..."

Bem, se o raciocínio é esse, então o problema mesmo é a existência de um poder executivo sedeado em algum lugar.

O que propõe então:
A. Anarquismo?
B. Governo regional por internet e videoconferência, sediado numa off shore?


Esta discussão toda só existe porque a maioria das pessoas só consegue raciocinar com conceitos centralistas. E confesso que me preocupa que a alternativa a um centralismo de Lisboa seja um neocentralismo no Porto, e a alternativa a este seja um neocentralismo em Braga...

Falta compreender quais os objectivos e vantagens da regionalização (e os verdadeiros problemas da centralização). Falta compreender a relação entre provincianismo e centralismo (ambos são um fenómeno natural e andam de mãos dadas, a verdadeira questão é como lidar com eles). E falta, enfim, perceber que a regionalização não é uma panaceia para os males de cada região. Não é suposto, com ela, assegurar um nível de desenvolvimento igual a todas as regiões. Isso não é regionalismo, é comunismo.

Jose Silva disse...

Pois Pedro, faz falta muita discussão sobre estas questões. Nem acho que tenha a verdade toda. Acho que é importante debater. Lamento as incompreensões de ambos os lados.

koolricky disse...

Caro Pedro Menezes Simões:
O que disse é baseado nas conversas que tenho tido com amigos de Braga, Guimarães e Famalicão. Obviamente pode existir uma inclinação para pessoas que tenham os mesmos ideiais.
Não sou, no entanto, adversário da regionalização. Sou sim adversário de todos aqueles que acreditam numa verdade absoluta e única, especialmente quando essa verdade é a verdade deles.

Miguel Coelho disse...

Caros Colegas

Eu sou bracarense e contra e regionalização. Mas não tenho duvidas que a regionalização vai acontecer. Assim sendo, defendo um "mapa" diferente (ver em http://forumregioes.blogspot.com/)
Não tem nada a ver de ser contra ou a favor do Porto ou Lisboa. Acho que estas 2 grandes áreas deveriam ser uma região só por si só.

Em relação ao norte acho que área metropolitana do Porto deveria ser uma região sendo a capital (obviamente) o Porto. Para o resto da região, acho que a capital deveria ser por exemplo Vila Real . Ou seja, devia ser a 2,3 ou 4 cidade com mais relevância na região em vez de se centralizar em Braga

Anónimo disse...

Para aqueles que querem impor esta regionalização, fica o desafio:

Tenham coragem, façam um referendo!

Anónimo disse...

O Porto e Lisboa não precisam de regionalização. Estas áreas metropolitanas já são hoje em dia fortemente beneficiadas em relação ao resto do país.

A regionalização justifica-se para reduzir assimetrias neste país.

O que é preciso é uma regionalização sem Lisboa e Porto, para que o resto do país deixe de ser paisagem.

Regionalização a 5 em que Lisboa e Porto não prescindem de ser capitais é o mesmo que ficar tudo igual.

Anónimo disse...

Chamam-lhe paroquialismo bacoco porque é a "provincia" que diz de sua justiça em relação ao Porto.

Se fosse o Porto em relação a Lisboa já era bairrismo perfeitamente justificado!

Paroquialismo bacoco não, democracia participativa!

Pedro Menezes Simoes disse...

"O Porto e Lisboa não precisam de regionalização. Estas áreas metropolitanas já são hoje em dia fortemente beneficiadas em relação ao resto do país.

A regionalização justifica-se para reduzir assimetrias neste país."

Não só. A regionalização justifica-se por outras razões.
- aprofundamento da democracia (decisores próximos das populações), com maior legitimação dos actores publicos, e políticas que reflictam as necessidades regionais
- gestão mais eficiente dos recursos (pela menor burocracia) e melhor prioritização das políticas, pelo maior conhecimento concreto do território
- maior justiça interregional, pela melhor afectação de recursos entre regiões.

Já a proposta de que Porto e Lisboa não tenham regiões é completamente disparatado. Primeiro porque o Estado Central assim mantém a sua estrutura fortemente burocrática. Depois, porque assim o Estado Central não é uma figura neutra: passa a ter uma preocupação institucional no desenvolvimento específico de Lisboa e Porto. O resultado seria simples: gastos muito superiores à média em Lisboa e Porto. E dinheiro muito mal gasto no Porto pela distância dos decisores.

A sua proposta não tem qualquer fundamento.

"Se fosse o Porto em relação a Lisboa já era bairrismo perfeitamente justificado!"
Se fosse de Braga em relação ao poder central era justificado. Acusar o poder local do Porto de defender os seus próprios interesses e não os de Braga, perdoe-me, mas é pura estupidez. É função do Estado Central defender os interesses de todas as regiões. Não é suposto a camara municipal do Porto defender os interesses de Braga.

Atacar o Porto nestes termos é mais do que paroquialismo. É uma manifesta ignorância do ordenamento político português.

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