20071001

Os caminhos de Menezes

Eu, sinceramente, não partilho do entusiasmo de muitos em relação a Menezes. Reconheço-lhe as qualidades como autarca com obra feita; reconheço-lhe as capacidades políticas e de liderança; reconheço-lhe até o "nortismo" saudável que faz parte da identidade de qualquer tripeiro que se preze -- e Menezes, embora tendo nascido um pouca mais a sul, em Ovar, é-o por opção, pois foi esta cidade que escolheu para viver e formar a sua família. As minhas objecções fundamentam-se nas minhas dúvidas sobre a sua capacidade em superar a trilogia dos interesses que bloqueia a democracia portuguesa.

Esta democracia há muito que se encontra refém da tríade financiamento partidário/empregos para os barões - grandes construtoras - bancos, muito bem intermediada pelas lojas maçónicas e pela opus dei do eixo Lisboa/Cascais. Terá Menezes capacidade e vontade para se opor a estas forças, ou será mais um que, caso chegue a primeiro-ministro, rapidamente será transformado em mero executor da lista de pagamentos que lhe será, em devido tempo, apresentada pelas 'forças vivas' do sistema? À partida desconfio que não terá a capacidade. Na sua candidatura existem algumas eminências pardas (Angelo Correia, Martins da Cruz...) que não me inspiram muita confiança. Sou céptico. Vou esperar para ver.

Menezes, se quiser ser credível e ter verdadeiras hipóteses de derrotar Sócrates, terá que começar por transformar o seu próprio PSD num verdadeiro partido do povo e do país real. Terá que passar claramente a mensagem que o baronato dos interesses instalados não voltará a determinar as opções políticas do partido; terá que dizer claramente que o poder deverá ser descentralizado e que as regiões têm direito aos meios políticos, financeiros e orçamentais para elas próprias escolherem e promoveram o seu próprio desenvolvimento, num quadro de coesão e de igualdade de direitos e deveres; terá que dizer claramente que a actual situação de confisco do estado por parte de uns poucos, em seu favor próprio e da sua região, terminará. Menezes não poderá esquecer-se que deve a sua vitória essencialmente, e por esta ordem de importância, aos militantes de duas regiões fundamentais: os distritos do Porto e Braga (O Norte) e o Algarve. Se for capaz de levar a bom termo estas condições não lhe faltarão votantes e militantes para lhe consubstanciar a vitória eleitoral em 2009. Se não for capaz, será apenas mais um; ao primeiro deslize, as 'lojas' atiram com ele borda fora.

Aproximam-se tempos politicamente interessantes. Menezes que não conte com facilidades. O aparelho mediático especializado em assassinatos de carácter em breve entrará em funcionamento e Menezes tem muitos rabos de palha onde será fácil fazer lume. Vai ser necessário inteligência, coragem e olho vivo.

2 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

Menezes ganhou em quase todo o país, mas sobretudo graças a Porto e Braga, e mais a seguir Lisboa, Vila Real e Faro...

Círculos Menezes Mendes
Aveiro 1778 1790
Beja 249 141
Braga 2297 1197
Bragança 644 467
Castelo Branco 162 389
Coimbra 769 816
Évora 125 335
Faro 808 349
Guarda 454 514
Leiria 789 1099
Lisboa 2502 2184
Oeste de Lisboa 182 152
Portalegre 172 104
Porto 5956 2774
Santarém 610 454
Setúbal 511 519
Viana do Castelo 537 492
Vila Real 929 585
Viseu ~700 ~500

António Alves disse...

Caro Pedro,

Em Lisboa foram apenas 318 votos de diferença e percentualmente deve andar à volta dos 53% para Menezes 47 para mendes. No algarve os valores relativos são verdadeiramente expressivos: 70% para Menezes!

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