20071128

Norteamos considera Movimento pró-Ota «irrealista»

Em resposta ao texto Movimento pró-Ota considera Portela + 1 «irrealista» (no Sol).

1- "Tudo o que seja manter a Portela a funcionar é economicamente inviável» porque «Portugal não tem condições para suportar dois aeroportos."

Falso. A única coisa que está provada é que não é viável ter dois aeroportos, quando um deles é a OTA.

2- "Até porque «Lisboa não é Paris que tem dez milhões de pessoas e conta com dois aeroportos»"

Pois, mas a Bélgica é do tamanho da região de Lisboa e tem 5 aeroportos, 2 deles em Bruxelas; a Holanda também é pouco maior que a região de Lisboa e tem 7 aeroportos, Berna( ) tem 2, Estocolmo ( ) tem 2, Glasgow ( ) tem 2. Ah, e Paris tem 4, não 2 aeroportos. Ups... Ver aqui.

3- "Por outro lado, o novo equipamento a construir será sempre uma infra-estrutura de «passagem» para muitos dos utilizados das linhas transatlânticas pelo que «não faz sentido, obrigar os passageiros a saírem de um aeroporto para irem para o outro», recorrendo a outro tipo de transporte."

Revela uma ignorância enorme do fenómeno low cost. O que está previsto é ter um aeroporto específico para as companhias low cost, que fazem voos ponto a ponto, e cujos passageiros têm Lisboa como destino final. Para os passageiros de "passagem" a Portela continua a funcionar.

Além disso, mete o dedo na ferida. Qual o sentido de gastar 5% do PIB português para construir "uma infra-estrutura de passagem". Para que queremos um aeroporto para passageiros que não pretendem visitar Lisboa? Não é demasiado dinheiro por causa de uma só companhia aérea que ainda por cima vai ser privatizada?

4 - "«Não se trata de servir esta região ou aquela mas sim o interesse nacional» e é «necessário um novo e grande aeroporto internacional para servir a Península Ibérica», defendeu."

Lá está a megalomania outra vez. Primeiro, eleva o aeroporto da região de Lisboa a algo de interesse nacional (algo a que, pelos vistos, os aeroportos do Norte e Algarve não têm direito). Depois vai ainda mais longe: tem que ser um aeroporto para servir a Península Ibérica. Lisboa não é Paris, mas necessita de um aeroporto que sirva a península ibérica. Os espanhóis que se cuidem. Ui,ui...

A prova de que a Ota não tem por onde se lhe pegue, é a falta de argumentos dos seus defensores. Não vale a pena insistir, a Ota é a solução mais cara, mais longe de Lisboa, e mais arriscada (não permite o investimento gradual) e mais limitada (não permite expansão), e que tem a pior cobertura do território (pois duplica a cobertura a norte, enquanto fica mais longe do Alentejo).

2 comentários:

Jose Silva disse...

Pedro,

Cá para mim a apresentação hoje do estudo da ACP deveu-se ao facto de saberem que o governo já aceitou a opção Portela+1. Dr Rui Moreira, pode confirmar ? Pode responder com «Nim» que nós perceberemos.

O Sócrates e o Durão sabem que estão na China para evitar recessão europeia no próximo ano. E também sabem que em recessão os passageiros transportado de aviao descem. Sócrates perdia a escassa credebilidade que tem se insistisse na OTA/Alcochete. Agora é tudo uma limitação de danos. É sintomático as declarações do presidente da TAP.

Pedro Menezes Simoes disse...

O governo perdeu a margem de manobra eleitoral que tinha. O governo sabe que aprovar a OTA é garantir a derrota nas legislativas, e porventura uma maioria absoluta ao PSD.

Do lado inverso, aprovar esta solução dará aos nossos governantes uma pose de "estatistas" que poderá valer alguns votos e manter as hipóteses de uma segunda legislatura com maioria absoluta.

Mas confesso que não estou assim tão optimista. Não obstante, a decisão da força aérea se transferir para Beja é sintomática de que esta solução poderá estar a ser considerada seriamente.

Se é preciso alimentar a construção civil, ao menos que se faça isso com muitos e bons projectos. Metro no Minho, linha do Douro, TGV Aveiro-Salamanca (ou pelo Douro, como sugere), melhorar a rede de estradas do interior...

Leituras recomendadas