20071117

Será que o senhor Procurador ainda acha que o importante é investigar a batota no jogo da bola?

"Às primeiras perguntas, as fartas pestanas, como cortinas de um palco em desuso, protegem-lhe a vergonha. Aos poucos solta-se das amarras do medo e rebobina um filme mau. Conta que tudo começou no Verão, ainda tinha 13 anos. Com o irmão Clemente e o amigo deste, Renato, começou a frequentar um ateliê em Lisboa, onde trabalham vários artistas plásticos.

Renato, 16 anos, através de um educador do Lar Cruz Filipe, arranjara ali um gancho. O educador, Paulo R., a quem não compete a orientação profissional dos casapianos, transgredia as regras da casa.

No ateliê, José passa a ser presença frequente a partir das quatro da tarde. Aí vê o primeiro filme porno: «António, o patrão do Renato, tinha filmes num armário. Cheguei a ver um em que homens violavam mulheres e depois matavam-nas. Depois abusavam de homens e faziam-lhes o mesmo».

Foi o colega do lar quem um dia lhe disse: «O António gostava de curtir contigo». Aos poucos, o homem foi avançando. José solta as lágrimas: «Tocava-me na pilinha e dava-me tapas no rabo».

Decidiu comentar o caso com o educador, que assistia, sorrindo: «Respondeu-me que não tinha nada de mal, que ele era sempre assim». Às vezes, era «o mestre» (como também chamam a António) quem aparecia no lar Cruz Filipe.

A seguir ao jantar, enquanto a rapaziada via futebol, o mestre subia para a zona dos quartos com o educador e dirigia-se ao pequeno: «Anda, não queres dar uma quequinha?».

Um dia, foram convidados para uma festa no ateliê. A sorte do rapazito estava nas piores mãos. José tem o ‘selo’ da maioria dos casapianos: foi internado com o irmão no Instituto Jacob com apenas quatro anos. O pai, Alberto, trabalhava nas obras. A mãe, Maria, ganhava uns tostões fazendo limpezas. Ela tinha oito filhos e ele tantos que lhes perdera a conta. Em casa, quando o dinheiro falha, o álcool impera. O pai – que agora está preso por ter violado uma sobrinha de 13 anos da nova companheira – utilizava o cinto e tudo o que lhe viesse à mão para flagelar os garotos. A mãe, sempre em ajustes com a vida, denuncia o caso à polícia e o Tribunal de Menores coloca-os ao abrigo do Estado. Um mal pior."

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4 comentários:

Salem disse...

Olá, depois de uma pequena ausencia, provocada por mudança de cidade e de vida profissional cá estou eu.
Quanto ao post, é realmente uma decandencia o que ainda se passa na casa pia em Lisboa. É, necessário deitar mão a isto e rapidamente, com a maior urgencia possivel. Mas isso, na minha opinião, não impede de continuar a investigar o caso da batota no jogo da bola, no caso do assalto a casa da minha vizinha..Nenhum crime pode ser "abandonado" por causa de outro..

Pedro Menezes Simoes disse...

Para onde se mudou, caro Salem?

Salem disse...

"vendi-me" para Lisboa..arranjei emprego aqui no LNEC, então vim para aqui durante seis meses. Tou aqui há duas semanas e, bem, que saudades do Norte..

António Alves disse...

O que eu critico é a desproporção de meios e a evidente falta de vontade em investigar seriamente este escândalo. Mas todos sabemos porquê: há um certo partido atolado até às orelhas nesta cloaca. É mais fácil entreter o povão da periferia lisboeta, e de uma certa província, analfabeta e alienada, alimentando-lhe o seu ódio de estimação. Muito conveniente. :->

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