20071130

Monopólio Privado nos Aeroportos

Recentemente falei do perigo que representa a existência de um monopólio privado na gestão aeroportuária em Portugal. Sustentei que tal situação levaria inevitavelmente a taxas aeroportuárias mais elevadas (em todos os aeroportos), bem como à deterioração da qualidade de serviço. Por conseguinte, a gestão regional dos aeroportos continentais não é apenas uma questão vital para o norte, mas também uma situação com vantagens para todas as regiões portuguesas.

Para sustentar a minha tese, decidi fazer uma investigação para saber como estão a decorrer os monopólios privados de gestão aeroportuária nos outros países. Em concreto, analisei as notícias sobre a aquisição, pela Ferrovial (empresa de construção espanhola), da BAA - British Airport Authority (equivalente à ANA), que controla 90% do tráfego em Londres (onde controla Heathrow, Gatwick e Stansted) e 63% no Reino Unido. Esta aquisição aconteceu no segundo semestre de 2006, e os problemas não cessaram desde então. As conclusões da análise são inquestionáveis, e vão de encontro, com uma precisão impressionante, às minhas previsões iniciais.

Assim, temos:
- Má gestão: "os aeroportos de Heathrow y Gatwick actuaram contra o interesse público ao mostrar-se incapaces de gerir as filas motivadas pelas medidas de segurança e evitar atrasos inaceitáveis para os passageiros, tripulação, e voos."
- Atrasos nos investimentos e abuso de posição dominante: "A Comissão de Competência británica investiga a gestora de aeroportos BAA pela possivel falta de investimentos e melhorias nos aeroportos de Londres, suportados na sua posição dominante."
- Aumento das reclamações de passageiros: "As queixas dos utilizadores e companhias aéreas não tem cessado de crescer, e a posição monopolística da BAA está cada vez mais comprometida".
- Atrasos nos voos: "Quase 3 em 4 voos de Stansted se atrasam".
- Aumento significativo das tarifas aeroportuárias: "Aumento das taxas nos exercícios seguintes de acordo com a inflação mais 7,5% anual".

Como consequência, a "Comissão de Competência" (entidade reguladora) propôs "incentivar a BAA a realizar os investimentos condenando-a a uma multa mensal pelo atraso de determinados projectos nos aeropuertos", e está a analisar a possibilidade de "obrigar a Ferrovial a vender algum dos seus aeroportos". Isto, porque "a concorrência no transporte aérea é uma parte extremamente importante na economia britânica, com impacto significativo nos consumidores e negócios do Reino Unido."

Entretanto, em Portugal, pretende-se copiar este modelo. Há coisas fantásticas, não há?

2 comentários:

Jose Silva disse...

Há posts fantásticos, não há ?

Pedro Menezes Simoes disse...

Obrigado : )

Acho que este caso pode ser um argumento de peso contra a privatização "por inteiro" da ANA.

Esperemos que algum jornalista pegue neste assunto. Afinal, a "papinha" já está toda feita.

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