20071125

Leituras 20071125

·         Portuense na presidência da RTP

·         UMinho recebe dois prémios European Enterprise Awards

·         Argumentos fracos da RAVE;

·         Empresa de confecções fecha em Penafiel;

·         MOPTC, ANA, Lino, não sabem o que é um rappel ! Por Rui Moreira, hoje no Público.

·         CP Porto, aliás, deveria ser CP Norte, atinge objectivo de passageiros transportados previsto para 2014; Sinal de crise, petroleo caro, Peak Oil, mas também maturidade da sociedade civil, que não tem complexos na utilização de transportes públicos. Também cliente ocasional deste serviço. 

 

 

 

 

9 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro Jose Silva,

infelizmente, o texto do Rui Moreira apenas está disponível para assinantes. Não há alguma forma de dar a volta?

Caro triporto, sei que por vezes passa por aqui, e já publicou alguns textos do Rui Moreira. Consegue um link para este?

Rui Moreira disse...

meu caro pedro menezes simoes,
aqui vai o texto do publico.

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E se forem para Vigo?
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Em Agosto, conheci um investidor irlandês que visitava o Porto para avaliar as oportunidades imobiliárias na cidade. Durante a conversa, vim a saber que era também um dos proprietários do aeroporto de Blackpool, e que tinha uma relação próxima com a Ryanair. A propósito, contou-me que a transportadora estava muito desapontada com a falta de resposta da ANA a várias propostas de expansão das suas actividades no Aeroporto Sá Carneiro (ASC).

Naturalmente, e porque a questão da aeroportuária tem vindo a interessar a Associação Comercial do Porto, pedi-lhe que me apresentasse aos seus responsáveis. Dias depois, fui contactado pelo Vice-Presidente e Chefe de Operações da Ryanair, e convidado a visitar Dublin. Nessa reunião, em meados de Setembro, fui informado que estava desde Maio a tentar negociar com a ANA a instalação, já no próximo ano, de uma nova base de operações no Porto, que era uma das dez localizações pré-seleccionadas. Essa base, que poderia criar 200 empregos qualificados, estaria associada a uma estratégia de crescimento das operações no ASC, que garantiria novos destinos e volumes crescentes de passageiros, de 1,5milhões no primeiro ano até 3,5 milhões no quinto ano, estabilizando em 4milhões no sétimo ano do contrato. Como única contrapartida, a Ryanair propunha uma redução no preço de 4 euros por passageiro embarcado, o que corresponde a 2 euros por passageiro transportado.

Fiquei incrédulo por a ANA estava a marcar passo e por se tratarem de contrapartidas irrisórias para um acréscimo muito significativo de passageiros e novas rotas. A Ryanair não pretendia sequer um desconto, mas apenas um “rappel”, ou seja uma redução de preço que só ocorre se os objectivos contratados forem atingidos. Tudo isso seria confirmado, dias depois, por carta que recebi e que permitiu iniciar as diligências. Tentei ser recebido pelo director do ASC, para tentar perceber quais eram os obstáculos que se colocavam a um negócio que parecia excelente, mas este não se mostrou disponível para receber a ACP. Contactei, também, a Junta Metropolitana, a quem dei conhecimento pormenorizado deste assunto e, mais recentemente, tive ocasião de o referir ao Ministro Mário Lino.

Infelizmente, a vinda do Presidente da companhia a Portugal, esta semana, revela que nada aconteceu e que, provavelmente, a Ryanair irá preterir o ASC, tanto mais que a ANA já repudiou as declarações de O’Leary, numa nota de imprensa em que se escuda na necessidade de oferecer as mesmas condições a todas as companhias. Esse argumento não colhe, porque a Ryanair só propôs que as tarifas sejam ajustadas ao volume, o que é normal em qualquer negócio ou sector da economia.

Não sei se vamos a tempo de agarrar esta oportunidade, mas pergunto-me se a garantia de trazer milhões de turistas a um custo de promoção previamente garantido e fixado não deveria mobilizar os responsáveis pelo nosso turismo, que gastam rios de dinheiro em campanhas publicitárias e na política do croquete…

O que sei é que este é um sintoma de que o ASC, enquanto for público, não pode estar na mão de uma gestão distante, centralizada e burocrática, que não compreende nem recebe ordens para entender o impacto macroeconómico do seu potencial de crescimento na economia regional. O que também sei é que pelas mesmas razões, deveremos continuar a exigir que a privatização do sector aeroportuário, quando ocorrer, não seja feita em bloco, como o Governo decidiu. É que se a ANA ficar na mão de um único investidor, não me admira que este venha a recusar um negócio destes, para manter as suas margens no conjunto dos aeroportos.

Já ouvi dizer que as forças vivas do Norte estão adormecidas. É provável que assim seja, e há sintomas de submissão e de vassalagem. O Ministro das Finanças, desafiou essa inércia ao lembrar que não conhecia interessados no ASC., mas já houve quem correspondesse e, até hoje, ainda não sabe se (e em que condições) o governo admite que o ASC possa vir a ser privatizado separadamente.

Jose Silva disse...

E se forem para Vigo?

25.11.2007, Rui Moreira





A Em Agosto, conheci um investidor irlandês que visitava o Porto para avaliar as oportunidades imobiliárias na cidade. Durante a conversa, vim a saber que era também um dos proprietários do aeroporto de Blackpool e que tinha uma relação próxima com a Ryanair. A propósito, contou-me que a transportadora estava muito desapontada com a falta de resposta da ANA a várias propostas de expansão das suas actividades no Aeroporto Sá Carneiro (ASC).
Naturalmente, e porque a questão da aeroportuária tem vindo a interessar a Associação Comercial do Porto, pedi-lhe que me apresentasse aos seus responsáveis. Dias depois, fui contactado pelo vice-presidente e chefe de operações da Ryanair e convidado a visitar Dublin. Nessa reunião, em meados de Setembro, fui informado que estava desde Maio a tentar negociar com a ANA a instalação, já no próximo ano, de uma nova base de operações no Porto, que era uma das dez localizações pré-seleccionadas. Essa base, que poderia criar 200 empregos qualificados, estaria associada a uma estratégia de crescimento das operações no ASC, que garantiria novos destinos e volumes crescentes de passageiros, de 1,5 milhões no primeiro ano até 3,5 milhões no quinto ano, estabilizando em 4 milhões no sétimo ano do contrato. Como única contrapartida, a Ryanair propunha uma redução no preço de 4 euros por passageiro embarcado, o que corresponde a 2 euros por passageiro transportado.

Fiquei incrédulo por a ANA estar a marcar passo e por se tratarem de contrapartidas irrisórias para um acréscimo muito significativo de passageiros e novas rotas. A Ryanair não pretendia sequer um desconto, mas apenas um rappel, ou seja, uma redução de preço que só ocorre, se os objectivos contratados forem atingidos. Tudo isso seria confirmado, dias depois, por carta que recebi e que permitiu iniciar as diligências. Tentei ser recebido pelo director do ASC, para tentar perceber quais eram os obstáculos que se colocavam a um negócio que parecia excelente, mas este não se mostrou disponível para receber a ACP. Contactei também a junta metropolitana, a quem dei conhecimento pormenorizado deste assunto e, mais recentemente, tive ocasião de o referir ao ministro Mário Lino.
Infelizmente, a vinda do presidente da companhia a Portugal, esta semana, revela que nada aconteceu e que, provavelmente, a Ryanair irá preterir o ASC, tanto mais que a ANA já repudiou as declarações de O"Leary, numa nota de imprensa em que se escuda na necessidade de oferecer as mesmas condições a todas as companhias. Esse argumento não colhe, porque a Ryanair só propôs que as tarifas sejam ajustadas ao volume, o que é normal em qualquer negócio ou sector da economia.
Não sei se vamos a tempo de agarrar esta oportunidade, mas pergunto-me se a garantia de trazer milhões de turistas a um custo de promoção previamente garantido e fixado não deveria mobilizar os responsáveis pelo nosso turismo, que gastam rios de dinheiro em campanhas publicitárias e na política do croquete...
O que sei é que este é um sintoma de que o ASC, enquanto for público, não pode estar na mão de uma gestão distante, centralizada e burocrática, que não compreende nem recebe ordens para entender o impacto macroeconómico do seu potencial de crescimento na economia regional. O que também sei é que, pelas mesmas razões, deveremos continuar a exigir que a privatização do sector aeroportuário, quando ocorrer, não seja feita em bloco, como o Governo decidiu. É que se a ANA ficar na mão de um único investidor, não me admira que este venha a recusar um negócio destes, para manter as suas margens no conjunto dos aeroportos.
Já ouvi dizer que as forças vivas do Norte estão adormecidas. É provável que assim seja, e há sintomas de submissão e de vassalagem. O ministro das Finanças desafiou essa inércia ao lembrar que não conhecia interessados no ASC, mas já houve quem correspondesse e, até hoje, ainda não sabe se (e em que condições) o Governo admite que o ASC possa vir a ser privatizado separadamente.
Presidente da Associação
Comercial do Porto

Jose Silva disse...

Pedro,

eu não assino o Público e tenho acesso. Alguns artigos estão disponíveis a não assinantes, penso eu.

I_miss_my_lung disse...

Isto é real? Não há ninguém que organize uma manifestação, nenhum político que defenda o interesse público? Não sei se hei-de chorar ou ficar zangado ou ambos...

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro Rui Moreira,

Muito obrigado pelo texto.

Pretendo nos próximos dias escrever mais alguns textos acerca deste assunto, até porque já me foram pedidos, no sentido de os enviar para alguns responsáveis políticos.

Mas adianto já um dos mais importantes argumentos:

O turismo de Portugal tem neste momento, um orçamento anual de cerca de 50M€ para promoção do turismo no exterior. Actualmente (2006), temos quase 12,5 Milhões de turistas anuais em Portugal. O objectivo para 2015 é atingir os 20,5 Milhões de turistas. Ou seja, +8 Milhões.

Vamos supor que os gastos em promoção do Turismo de Portugal tem um peso de 50% para a atracção desses turistas (correspondendo os outros 50% a promoção dos privados, e aos fundos próprios das regiões de turismo), o que na verdade me parece um valor bastante optimista, mas adiante. Logo, os fundos do TP vão atrair 4Milhões de Turistas

Isso significa que o Turismo de Portugal vai gastar cerca de 50M€/4Mpax= 12,5€/ turista.

A RyanAir compromete-se a atrair um total de 5Milhões de Turistas por 4€ / pax (mais de 4milhões passageiros adicionais face ao actual). Mais, se não conseguir, e ficar nos 4,999Mpax, não recebe nada.

Daqui se conclui o negócio da China que isto é para o país. A Ryanair compromete-se a fazer o mesmo que o Turismo de Portugal na atracção de turistas, com menos risco, e a menos de 1/3 do custo.

Num cenário de total eficácia do Turismo de Portugal, a 2/3 do custo, e num cenário de baixa eficácia do TP, a 1/10 do custo.


Caro Rui Moreira, porque não interceder junto do turismo de portugal para intercederem junto da ANA e até (porque não) contribuirem com algum €€€ para este rappel? O Dr. Luís Patrão (presidente do TP) é uma pessoa acessível, inteligente, e efectivamente preocupada com o turismo em Portugal. Penso que há boas hipóteses de uma resposta positiva.

Cumprimentos

Rui Moreira disse...

Caro Pedro Menezes Simoes,

Olhe que o Luis Patrão tem tratado o Porto muito, muito mal... E já lhe escrevi mas não obtenho respostas. Calculo que o professor Emidio Gomes, da Junta, até já tenha falado com ele sobre isto.

Falei sobre este tema com Mário Lino sobre isto, há uma semana, antes da vinda de O'Leary. Na sexta-feira, no Palácio da Bolsa, o Primeiro Ministro disse-nos que conhecia o assunto e já tinha dado ordens à ANA.... veremos.

Estou absolutamente de acordo com essas contas... é a tal coisa da politica do croquete, sabe? é que os 4 euros por passageiro não alimenta agencias de publicidade e marketing, nem grandes consultores internacionais, nem vei pela API.

É esse o problema. Olhe, fartei-me de fazer contactos sobre este assunto, com já percebeu, e a gente bate sempre com o nariz na porta. Mas, a culpa tambem é nossa.


Agora, com a intervenção do Primeiro Ministro, espero que se vá a tempo...

Jose Silva disse...

Pedro, Dr Rui Moreira,

«é a tal coisa da politica do croquete, sabe? é que os 4 euros por passageiro não alimenta agencias de publicidade e marketing, nem grandes consultores internacionais, nem vei pela API»

Na prática temos uma promoção turística alternativa que faz o bypass dos intermediários lisboetas. Obviamente que estes ficam assustados.

Novamente a mesma tendência, a oligarquia (termo marxista, mas sem caracter ideológico neste contexto) lisboeta manipula a administração central em proveito próprio.

Pedro PF faça referência a este padrão, também verificável no NAL e Estradas de Portugal, no seu post.

Pedro Menezes Simoes disse...

Estou a ver que já não há muitas mais portas a quem bater...mas sugiro-lhe ainda a ADETURN (agência de promoção turística do norte), que gasta cerca de 1/3 do seu orçamento de promoção externa na promoção de low cost. O orçamento total da ADETURN é pequeno, mas pode disponibilizar algum, e pode tentar falar internamente no TP.

Este problema poderia ser rapidamente ultrapassado se constituíssemos no Norte uma região / associação turística composta essecialmente por agentes privados, associações e agentes públicos. Se não servisse para mais nada, a reunião com a ADETURN poderia lançar as bases para este projecto...

Da minha parte, vou ver o que ainda consigo fazer para mudar o rumo dos acontecimentos...mas nada que se possa comparar com o seu esforço. Obrigado em nome de todos os nortenhos!

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