20080124

Região de Lisboa tem défice comercial externo anual de 11% do PIB Português

Números da economia da região de Lisboa e Vale do Tejo (INE, 2005):

  • PIB regional: 38% do Pib Portugês (pag. 130)
  • Importações: 20.941M€ (pag. 161)
  • Exportações: 6.499M€ (pag. 161)
  • Taxa de cobertura da Balança Comercial (BC): 31% (défice de 69%) (pag. 160)
  • Saldo da BC Lisboa sobre o PIB regional: -29% do PIB regional (PIB - pag. 132)
  • Saldo da BC Lisboa sobre o PIB nacional: -11,1% do PIB nacional (PIB - pag. 132)
  • Saldo da BC portuguesa: -13,8% do PIB (saldo - pag. 163; PIB - pág. 132)
  • Peso da região de Lisboa no défice comercial português: 81% do total do défice
  • Saldo da BC portuguesa, exceptuando Lisboa: -2,7% do PIB nacional.

Em resumo, a região de Lisboa representa sozinha a 4/5 do défice comercial externo (sem Lisboa, Portugal era excedentário). Cerca de 29% do PIB de Lisboa sai todos os anos do país. Se fosse independente, Lisboa seria o país com o maior défice externo do mundo (aliás, Portugal tem o 3º maior défice externo do mundo)...

Refira-se ainda que as exportações da região de Lisboa são maioritariamente explicadas pela Galp e à Autoeuropa. Uma é protegida pelo Estado, a outra subsidiada...

Como sobrevive esta região? Se fosse um país, teria de desvalorizar a moeda (equivalente a reduzir os salários) em 20%-25%. Mas existe uma alternativa: Lisboa paga o seu défice externo com os impostos cobrados às outras regiões...

Nota: As regiões do Norte e Centro são as únicas com balança comercial equilibrada.

Adenda: O link inicial não funcionava, mas já foi substituído. Optei também por utilizar valores exactos, o que levou a algumas correcções (umas abonatórias para Lisboa, outras nem tanto). Para facilitar a consulta, as páginas referem-se à numeração do PDF, e não do documento.

16 comentários:

Jose Silva disse...

Excelente Pedro!

Indique as fontes para o artigo ter mais força.

António Alves disse...

Mande para o "Público", JN e DN como artigo de opinião de leitor.

Alexandre disse...

Bem, a verdadeira bomba.
E quando alguém com tempo e informações validas puder fazer a relação entre investimento estatl+Fundos europeus por regioes nos ultimos 20 anos.......

Pedro Menezes Simoes disse...

Antes desse, gostava de fazer a distribuição regional de funcionários públicos + sector empresarial do estado... mas para é mais dificil encontrar os dados todos, e eu gostava de fazer esse trabalho com rigor.

Jose Silva disse...

Pedro,

Faltam dados sobre a balança de serviços e capital. Provavelmente nestas Lisboa tem superavit.
O ideal seria conseguir dados sobre a balança de transacções correntes.

De qualquer modo a tese mantem-se: LX é responsável pelo deficit nacional, o que é siginificativo.

Este estudo prova também que a ideia de localizar lá plataformas logísticas para tornar competitiva as exportações para a Europa é idiota. Quando muito torna competitiva as importações.

António Alves disse...

Caro Pedro

sobre o funcionalismo público procure a publicação "Caracterização dos Recursos Humanos
da Administração Pública" de setembro de 2006, publicada pelo ministério das finanças.

Pedro Menezes Simoes disse...

Nunca cheguei a encontrar dados regionais sobre serviços ou capital...já estes foi difícil...

Segundo creio, o objectivo deverão ser as reexportações, e não as exportações. E nesse posicionamento Lisboa (tal como todo Portugal) sempre teve uma posição geográfica privilegiada. Está na periferia europeia, mas está na rota entre:
- Norte Europeu e o Mediterrâneo / Africa / ásia / Brail.
- Mediterrâneo e África / Brasil / EUA.

Bem vistas as coisas, Portugal tem uma posição ímpar em termos logísticos: somos o país que está simultaneamente mais próximo (por mar) da europa, américa e áfrica, e estamos no caminho da europa para a ásia... é saber aproveitar.

Não sou especialista, mas reconheço que o vale do Tejo tem condições especiais como porto. Aliás, não é à toa que Lisboa significa em fenício "Porto Seguro" (foram os fenícios a fundar Lisboa - Allis Ubba)

Jose Silva disse...

Também não especialista, mas acho que é par; As mecadorias transportadas por mar são mais baratas do que por ferrovia. O porta-contentores que vem da China, é preferível descarregar em Barcelona ou França ou Roterdão do que em Sines, Lisboa e depois desatar a percorrer os caminhos de Santiago ao contrário. A ideia da «porta de entrada para a Europa» não passa de um clichet lisboeta.

Pedro Menezes Simoes disse...

Sim, mas também existe necessidade de redistribuição de mercadorias. Os barcos trazem contentores com multiplos destinos, sendo necessário dividir por barcos mais pequenos / concentrar mercadorias que vão para o mesmo país.

Digo isto porque recentemente duas das maiores transportadoras mundiais optaram por Sines como plataforma logística, precisamente para entrada da europa.

Pedro Menezes Simoes disse...

António Alves, muito obrigado. O documento é muito esclarecedor, chegando mesmo a ser escandaloso.

E é apenas uma parte da história. Falta todo o sector empresarial do Estado.

António Alves disse...

na realidade a porta, pelo menos de portugal, continua a ser leixões. é o porto que mais carga movimenta. sines sobrevive com o carvão e o petróleo. é também o que está mais perto de todo o norte industrial espanhol (astúrias, país basco, navarra) e europa. mais ainda: tem duas ligações naturais ao hinterland espanhol: a linha do douro e o próprio rio douro que é navegável até barca d'alva. os barcos podem entrar directamente pelo rio acima, vaegar até foz côa, aí transbordarem a mercadoria para os comboios e esta seguir para para salamanca/valladolid. falta é discernimento aos nossos agentes políticos. a aposta logística devia ser nesta região que está muito mais bem posicionada. mas não, continua-se a insistir no elefante branco de sines há décadas.

António Alves disse...

quanto ao sector empresarial do estado: basta procurar os balanços sociais das várias empresas.

Jose Silva disse...

Continuo a achar que os nossos portos são quando muito porta de entrada para o oesta da península ibérica. Para a Europa, não precisam de descarregar cá para depois circular por rodovia ou ferrovia para lá.

Sim, António, o Douro ferroviário ou fluvial poderia ser usado como canal para o interior da península se houvessa estatégia suficiente. O porto de Leixões movimenta mais carga do que o de Vigo. Mas como nós dormimos e eles não, daqui por uns anos será ao conrário. Basta eles apresentarem melhor preço e serviço que compense o transporte por ferrovia para o Norte de Portugal.

A VRI ou lá como se chama, via que liga o porto de Leixões à auto-estrada, está por enaugurar há vários anos. Mercadorias no ramal de Leixões, nem vê-las. Mas não faltam faustas discussões da CCDRN/CCIP/UP sobre a Economia do Mar: http://portocidaderegiao.up.pt/apresentacao.htm

Enfim, Norte de Portugal.

Salem disse...

Caro José Silva

Não entendo como ainda é que Leixões não foi ultrapassado por Vigo.

Pelo menos a nível de acessibilidades, num contexto peninsular, eles estão bem melhores.

Leixões não tem uma via ferroviária em termos para o interior da pensinsula, quando muito tem para o sul do país. Vigo tem..

Leixões tem, só agora, vias rodoviárias para o interior da peninsula: via chaves (A3,A7,A24) e via Aveiro - Vilar Formoso. Vigo tem (e gratuita)

Leixões ainda tem a plataforma logistica no papel, em Vigo já estão a construi-la..

Há que ter também em atenção que em Vigo "não cabe nem mais um contentor", levando a que muitas mercadorias passem para outros portos.

F.M. disse...

Esta imagem esclarece tudo. O Porto de Sines sozinho transporta o dobro do Porto de Leixões.

http://www.portodesines.pt/edoc/publishing/img/home_233/fotos/13000798002958400232.jpg

António Alves disse...

pois, pois...

escolheu mal a imagem. leixões movimenta o triplo de carga contentorizada em relação a sines. devia ter posto um petroleiro a descarregar directamente para a refinaria.

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