20080115

Dupla ética - Metro

Metro Porto: Linha Gondomar ainda sem financiamento garantido.

No passado mês de Dezembro, foi tornado público um empréstimo de 400 milhões de euros que o Estado teve que fazer para prosseguir o plano de expansão do Metro de Lisboa.

A explicação para a dualidade de critérios vem na segunda notícia: "Os portugueses vão poder ir de qualquer ponto do Metropolitano de Lisboa até à estação ferroviária da Reboleira no primeiro trimestre de 2011." Como se sabe, o Metro de Lisboa serve todos os portugueses. O Metro do Porto só serve os portuenses.

Entretanto, ouvi esta manhã na rádio que o "túnel mais seguro do mundo", junto à estação do terreiro do paço, e que derrapou 165M€ (o custo de uma casa da música foi 130M€), já está a ter infiltrações. Mais um buraco para afundar o nosso dinheiro...

É curioso: no Porto é preciso batalhar durante meses, reunir um imenso lobbying, ..., para conseguir aprovar a execução de um conjunto de linhas de metro, e chegamos ao fim, e pagamos bilhetes mais caros que os de Lisboa, o dinheiro chega sempre atrasado, e por vezes nem chega. No Minho, como ainda não se conseguiu fazer barulho suficiente, o Metro é uma miragem: nem sequer está na agenda política do Estado Central. Mesmo que a sua rede "core" custasse tanto como a ligação a Sta. Apolónia. Mas em Lisboa, nunca há ondas. Tudo é rapidamente aprovado, sem complicações. Há portugueses de primeira e de segunda... e também há aqueles que só são cidadãos para o ministério das finanças, no final de cada mês.

Nota: Actualizando as conta do Antiprovinciano, a dívida do Metro de Lisboa deverá neste momento rondar 2,4% do PIB português. O suficiente para fazer o Aeroporto de Alcochete, incluindo derrapagens, e sobra para pagar os hospitais de Trás-os-Montes até 2030.

4 comentários:

Jose Silva disse...

Excelente Pedro.

Nota: Apesar disso, eu tenho algumas reservas ao plano de expansão do Metro do Porto.

Vou pedir ao Pedro Morgado para publicar no Avenida Central.

Pedro Menezes Simoes disse...

1- Não há meio termo: num caso são displicentes, no outro prepotentes.

É preciso exigência e equilíbrio.

2- Há excesso de voluntarismo. Os estudos são superficiais e não estudam todas as alternativas. Não se procuram as opções mais baratas e com maior impacto/ relação custo-benefício. Tudo é "opção política". (também vimos isto na questão do aeroporto).

É preciso profissionalismo e rigor.

Mas não há exigência, equilíbrio, profissionalismo ou rigor, quando tudo é aprovado de cruz, ou quando o único argumento tido em conta é o da força...

Ventanias disse...

Se há uma palavra que explica esta duplicidade gritante ela é a REGIONALIZAÇÃO. Ou melhor, a falta dela.

Mas também, quando os próprios autarcas do grande Porto preferem desbaratar os parcos recursos disponíveis a substituir linhas de comboio suburbanas, razoáveis, por linhas de metro insensatas - como é o caso da ligação à Póvoa - não é para admirar muito que o centrão abuse de nós...

Pedro Menezes Simoes disse...

Pois, mas o centrão em vez de denunciar as propostas disparatadas, aceita-as ou rejeita-as de acordo com a força momentânea da região, a composição política das autarquias, e da arbitrariedade do momento.

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