20080111

Alcochete: Vendo bem as coisas...

... eu até sou brando com «Lisboa»:

«A opção por Alcochete é, alegadamente, a que melhor serve os interesses estratégicos do Norte e, em particular, do aeroporto de Sá Carneiro. Esta é a conclusão a que conseguem chegar figuras da região, como Carlos Lage, Rui Moreira e Marco António Costa, para quem construir tal equipamento não é uma enorme ameaça quer ao crescimento, quer à autonomia do aeroporto internacional do Porto, quer de toda a região Norte, já por si debilitada por anos a fio de concentração de fundos europeus em Lisboa.

Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), depois de ter patrocinado um estudo que apontava, preferencialmente, para a solução "Portela + Montijo" como a mais indicada, em vez de elaborar um estudo para uma solução "Portela + Sá Carneiro", manifestou-se inclusive agora satisfeito com a decisão de construir o novo aeroporto em Alcochete, passando até a estar convicto que o novo funcionará de forma complementar ao da Portela, o que não ficou claro.

Aliás, no que toca ao Sá Carneiro, em vez de frisar a clara desvantagem do novo aeroporto em Alcochete, Rui Moreira até prefere agora falar de "muito boas notícias para o Norte".

Por sua vez, Carlos Lage, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, consegue até dizer que a decisão do Governo é "tranquilizante para a região Norte", porque "deixa respirar o aeroporto de Sá Carneiro" - em vez de o matar por completo? apetece perguntar - que, assim, "pode também ser um grande" equipamento internacional - por esmola de Lisboa? Apetece questionar. O problema é que a ideia subjacente à construção do novo aeroporto da Capital, é a de que este será o centro do país e que asfixiará os outros aeroportos, como o do Porto, que passarão a ser cada vez mais secundários. Mas o responsável pelo desenvolvimento da região Norte ainda consegue afirmar que esta foi a solução "preferível", em vez de transmitir peremptoriamente que "preferível" é não fazer aeroporto nenhum e usar os perto de 5000 milhões de euros, para ajudar a desenvolver as empresas portuguesas, em vez de contribuir para que fechem. Aliás, pelo visto Lisboa não só vai fazer para sí um aeroporto, como ainda vai fazer uma nova ponte. Isto, com o dinheiro de todos.

Até Marco António Costa, líder do PSD/Porto, membro da oposição, consegue aplaudir a decisão e diz que Alcochete é "mais favorável" ao aeroporto de Sá Carneiro.

Todos eles, no entanto, não conseguem reflectir o resultado da sondagem que aqui foi feita durante o passado mês de Dezembro, em que mais de 68% dos votantes demonstraram ser contra a construção de um novo aeroporto, em Lisboa. À clara pergunta: "Portugal precisa dum novo aeroporto em Lisboa?", o "Não!!!" venceu por expressiva maioria. E não se tratava de saber se seria na OTA ou em Alcochete, não, era mesmo sobre não construir o novo aeroporto.

Contudo, perante esta passividade dos representantes das outras regiões, Lisboa permanece autista, qual sanguessuga, aos interesses do resto da população, sugando para si praticamente todos os fundos que chegam da União Europeia. Mas a culpa não é apenas do Governo, diariamente sujeito a grupos de interesses. É também dos representantes nortenhos e não só, como estes três que hoje aqui são citados, que em vez de se insurgirem por mais este devaneio do Governo de Lisboa e assim defenderem os interesses das suas regiões, preferem defender a sua carreira política. E de todos aqueles que nada fazem para que a situação mude.»

In http://jornaloportuense.blogspot.com

10 comentários:

Ventanias disse...

A história da nova ponte Chelas-Barreiro merece ser sublinhada.

Recorde-se que o Ministro Ferreira do Amaral apresentou a ponte Vasco da Gama como sendo uma solução 2 em 1, visto que permitiria não construir uma travessia do Tejo em auto-estrada a norte de Lisboa e ao mesmo tempo não construir Chelas Barreiro.

Afinal, fez-se a Vasco da Gama, fez-se a tal travessia do Tejo a norte, vulgo A10, ainda se fez outra perto de Santarém - A13 se não me engano - e agora, finalmente sempre se volta a decidir fazer Chelas-Barreiro.

Já agora rodo-ferroviária. E para alta velocidade, sff, que os nossos engenheiros precisam de praticar essa nova tecnologia...

Com franqueza, estes gajos não merecem a mínima piedade.

No mínimo, os políticos do Norte haviam de andar a clamar pela aceleração da privatização separada da gestão do Sá Carneiro. Enquanto os gajos se alambazam a estudar o NAL da Canha, podia ser que o Sá Carneiro gerido por privados, Sonae ou outros, tivesse tempo para se afirmar no panorama das viagens de low-cost...

Jose Silva disse...

Pois, pois é.

Entretanto já li que a privatização da Ana vai ser alterada. Penso que foi no negocios.pt

Temos que continuar a pressionar.

O governo cedeu com a OTA, 2 anos após o início da pressão blogosférica. Isto vai servir de medida para pressoões futuras.

victor sousa disse...

"...Na Ota, Alcochete ou em outro sítio qualquer, o importante é que se faça!..."
de um Mota qualquer das Construções.
Mais palavras para quê?

Luis disse...

Só queria chamar a atenção para uma questão. Concordo que foi a pressão da sociedade civil que forçou a mudança da decisão do governo. Sem dúvida. Mas é preciso tomar em consideração que essa pressão foi feita com base em argumentos crediveis, provados e fortissimos.
Parece-me que argumentos do tipo "não é necessário construir um novo aeroporto em Lisboa" em nada credibiliza as propostas que a seguir se façam.
Resumindo, acho que é preciso criticar fundamentadamente e sem hesitações, mas não devemos cair no erro de reclamar de forma não fundamentada, sob pena de ninguém nos ouvir.

Jose Silva disse...

Luis,

Efectivamente, com a recessão que vai começar este ano nos mercados emissores, a procura da Portela vai mesmo diminuir. Durante muitos anos vai-se chegar à conclusão que de facto não é necessário novo aeroporto. Em 2009 falamos outra vez.

Zé de Braga disse...

Ao contrário da montanha, o deserto não pariu um rato, mas sim um aeroporto.
Este volte-face,na minha forma de ver, tem a ver com a baixíssima popularidade que o Governo Sócrates goza perante o povo português. Sócractesé quem manda e, com isto quis mostrar que não é arrogante, prepotente e até gosta de ouvir várias opiniões, bem como fundamentar as suas decisões com base em estudos técnico-científicos (caso contrário o PR puxava-lhe as orelhas.
OTA jamais, ALCOCHETE toujours.

Rui Moreira disse...

espero que o josé silva tenha visto a minha entrevista na sic-noticias, ao mário crespo, sexta-feira às 21.00 horas.
se não viu, lerá pelo menos, na 4a feira que vem, uma posição publica da acp.

Jose Silva disse...

caro Dr RMoreira,

Não vi. Qd cheguei a casa só vi o António Costa.

Vou procurar no Ytube.

De qualquer modo, os meus parabens e agradecimento pela sua intervenção em todo este processo.

Jose Silva disse...

Já agora,

acho que o assunto Alcochete não está acabado. A recessão que se está a iniciar e o PeakOil encarregar-se-ão de se calhar nem se quer haver Alcochete.

Agora o importante mesmo é tratar do traçado Porto-Vigo. É essencial o mesmo tipo de pressão da sociedade civil para que neste tema se tomem as melhores decisões, coisa que neste momento não está a acontece. A ACP devia tomar uma posição pública sobre este tema.

Zé Luís disse...

À excepção deste post, não vi em jornais ou blogs, rádio ou tv's, qualquer menção ao FSC agora que se decidiu por Al Cochete, no deserto.
Se com a Ota a morte do FSC era certa, ao menos com o Al Cochete parece haver esperança de vida. Até se concluir o NAL, o FSC terá hipóteses de se afirmar. Até lá, também, a ligação Porto-Vigo poderá favorecer o FSC. Quando surgir, no deserto, o Al Cochete, sem saber-se a sua dimensão inicial (admite-se a sua expansão futura consoante as necessidades), o FSC estará imposto por si próprio, o FC Porto terá ultrapassado o Benfica em títulos nacionais e estará esgotada a pedinchisse através de sucessivos governos sem maioria absoluta com a regionalização.
Como sempre, o tempo fará assentar a poeira. Mas convém até lá não cruzar os braços e fazer as coisas.

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