20071206

Eficiência vs. Eficácia

Situação - quero matar um mosquito*
Eficácia: Usar um míssil nuclear. Funciona 100% das vezes. Custa 2M€.
Eficiência: Usar um insecticida. Funciona 99,999% das vezes. Custa 0,05€.

João Cravinho não sabe a diferença entre Eficácia e Eficiência. A Ota pode até ser "eficaz"*. Mas muito menos eficiente. João Cravinho quer matar uma mosca com um canhão.


*A Ota não é eficaz. Tendo a construção de um aeroporto o objectivo de potenciar o desenvolvimento económico da região e país, e sendo o desenvolvimento económico uma questão de eficiência na utilização de recursos, temos que a solução mais eficaz é também a que assegura maior eficiência. Daí que a melhor solução ideal é aquela que, dentro das opções que asseguram a resposta à procura (o caso das 3 propostas sobre a mesa), seja também a mais baratinha. Portela+1.

5 comentários:

Diogo disse...

Pedro Menezes Simoes said... «Qualquer pessoa minimamente informada sabe que o seu dinheiro é reemprestado. Há coisas mais importantes para perder o seu tempo. Por exemplo, a aumentar a cultura financeira dos portugueses...»

Caro Pedro Menezes, ultimamente tenho apostado muito no aumento da cultura financeira dos portugueses. Daí muitos dos artigos que tenho postado.

Agora, tenho a sensação que você também está precisado de umas boas aulas de finanças:

Lição nº 1 – Os bancos emprestam dinheiro que não possuem.

O texto seguinte encontra-se no livro de economia «Success in Economics» de Derek Lobley B.A. Foi considerado apropriado para planos de estudos de economia de muitas corporações profissionais tais como o "Institute of Bankers".

Vamos imaginar uma economia na qual existe apenas um banco. Pouco depois de começar a sua actividade constata que indivíduos e empresas colocaram à sua guarda 10.000 Euros. Nesta fase é perfeitamente claro que o banco possui dinheiro suficiente no cofre para fazer face às exigências dos seus clientes.

Na prática os clientes preferem saldar as dívidas entre eles com cheques, dando ordens ao banco para transferir dinheiro de uma conta para outra. Portanto se Adam e Brown depositaram ambos 500 Euros no banco, e Adam deve a Brown 100 Euros, ele pode saldar a sua dívida ordenando ao banco para reduzir a sua conta em 100 Euros e acrescentar à conta do Brown a mesma importância. Nenhum dinheiro mudou de mãos; o banco ainda deve aos seus clientes 10.000 Euros; houve apenas um pequeno ajustamento nas contas.

Se todos os depositantes do banco estivessem preparados para resolver as suas dívidas desta forma o banco poderia esquecer os seus activos em dinheiro. Os clientes, contudo, precisam de levantar uma certa quantia de dinheiro todas as semanas para pequenos pagamentos (não é usual passar cheques para pequenas quantias) e também para pagar às pessoas que não querem utilizar o sistema bancário.

Se o banco descobre que, no máximo, os levantamentos semanais de dinheiro representam cerca de 10% do total dos depósitos, e que aquelas somas são rapidamente depositadas pelos comerciantes que aceitam os pagamentos em dinheiro dos seus clientes, então a máxima quantia de dinheiro que o banco precisa para fazer face aos seus clientes com um total de depósitos de 10.000 Euros é na realidade de 1000 Euros.

ALTERNATIVAMENTE é possível constatar que com 10.000 Euros de dinheiro em caixa, o banco pode permitir-se uma dívida de 100.000 Euros.

Neste caso vamos imaginar um cliente, o Sr. Clark, que vai ao banco pedir um empréstimo de 1000 Euros. O gerente do banco concorda e abre uma conta para ele com um crédito positivo de 1000 Euros. O Sr. Clark pode agora passar cheques até ao montante de 1000 Euros embora não tivesse depositado qualquer dinheiro no banco; ele simplesmente fica obrigado a pagar os 1000 Euros mais os juros, tendo dado provavelmente alguma garantia ao banco.

Não existe agora dinheiro suficiente para acudir a todos os depositantes se eles quisessem levantar os seus depósitos, mas o banco sabe que provavelmente o máximo que será levantado é 1.100 Euros (10 % de 11.000 Euros).

Portanto, o banco irá continuando a fazer empréstimos (ou criando crédito, que é a mesma coisa) até que o dinheiro que tenha em caixa seja equivalente a apenas 10% dos depósitos.

Até agora, no que concerne aos clientes, a sua posição mantém-se constante quer eles tenham depositado dinheiro para abrir uma conta, quer o dinheiro tenha sido criado por um empréstimo. Quando eles gastam o seu dinheiro o receptor desse dinheiro não tem forma de saber se eles o depositaram no banco.

Deste modo, gerando crédito, os bancos aumentam a oferta de dinheiro.

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro Diogo, não neguei nada do que afirmou. Apenas disse que não é qualquer novidade, nem percebo a razão do espanto.

Lição nº2: Os Bancos Centrais obrigam os Bancos Comerciais a fazer reservas por forma a limitar o aumento da oferta de dinheiro.

Lição nº3: Os depositantes recebem remuneração pelo seu dinheiro. Se não quiserem estar nesse sistema, podem fechar o dinheiro numa caixa.

Lição nº4: Se os Bancos não puderem empresar o "dinheiro que não possuem" (mas que lhes é emprestado com o fim de emprestarem a terceiros) acaba-se o negócio do crédito.

Lição nº5: O cliente X deposita 1000€ no Banco A. O Banco A empresa 900€ ao cliente Y. O cliente Y usa para pagar uma casa ao cliente Z que deposita o dinheiro no banco B. O Banco A não tem dinheiro para emprestar a mais ninguém, a não ser que o peça emprestado, por exemplo ao Banco B.
O Banco não "cria dinheiro", o Banco apenas reempresta o que lhe foi emprestado.

É um negócio absolutamente transparente, e não consigo ver nele mais do que uma curiosidade intelectual. Não vejo qual a questão. Onde pretende chegar?

Diogo disse...

Caro Pedro Menezes Simoes,

Pedro: «Lição nº 2: Os Bancos Centrais obrigam os Bancos Comerciais a fazer reservas por forma a limitar o aumento da oferta de dinheiro.»

Diogo: Certo!


Pedro: «Lição nº 3: Os depositantes recebem remuneração pelo seu dinheiro. Se não quiserem estar nesse sistema, podem fechar o dinheiro numa caixa.»

Diogo: Certo!


Pedro: «Lição nº 4: Se os Bancos não puderem empresar o "dinheiro que não possuem" (mas que lhes é emprestado com o fim de emprestarem a terceiros) acaba-se o negócio do crédito.»

Diogo: Falso! Os bancos emprestam “dinheiro” que não têm. Da Lição nº 1, que o Pedro não compreendeu:

ALTERNATIVAMENTE é possível constatar que com 10.000 Euros de dinheiro em caixa, o banco pode permitir-se uma dívida de 100.000 Euros.

Neste caso vamos imaginar um cliente, o Sr. Clark, que vai ao banco pedir um empréstimo de 1000 Euros. O gerente do banco concorda e abre uma conta para ele com um crédito positivo de 1000 Euros. O Sr. Clark pode agora passar cheques até ao montante de 1000 Euros embora não tivesse depositado qualquer dinheiro no banco; ele simplesmente fica obrigado a pagar os 1000 Euros mais os juros, tendo dado provavelmente alguma garantia ao banco.

Não existe agora dinheiro suficiente para acudir a todos os depositantes se eles quisessem levantar os seus depósitos, mas o banco sabe que provavelmente o máximo que será levantado é 1.100 Euros (10 % de 11.000 Euros).

Portanto, o banco irá continuando a fazer empréstimos (ou criando crédito, que é a mesma coisa) até que o dinheiro que tenha em caixa seja equivalente a apenas 10% dos depósitos.


Pedro: «Lição nº 5: O cliente X deposita 1000€ no Banco A. O Banco A empresta 900€ ao cliente Y. O cliente Y usa para pagar uma casa ao cliente Z que deposita o dinheiro no banco B. O Banco A não tem dinheiro para emprestar a mais ninguém, a não ser que o peça emprestado, por exemplo ao Banco B.»


Diogo: Não e sim! Se o cliente X depositar 1000€ em cash ou equivalente, então o banco A (com reservar obrigatórias de 10%) poderá emprestar 9.000 €.

No Wikipedia

How a bank can lend more than it has

Reserves (silver, gold, and U.S. Bonds in past banking eras and U.S Bonds or Credit in the present banking era) are a special form of money which can be held by the commercial banks either in their vaults or on deposit at the central bank. They are generally described as a "high-powered" form of money and are needed to perform fractional reserve banking. When a bank is in possession of bank reserves this means that it is able to lend more currency to others than it has on deposit.

If we imagine a bank which has $100 in reserves, with a 20% reserve ratio the bank would be able to lend up to $400 without breaching the ratio. Hence, through each round of lending a portion is held in reserve until that portion approaches a limit of Zero and the issued credit lent into existence approaches of a limit of $400. Thus begetting a sum total of credit dollars approaching $500 total dollars (The initial seed currency "high-powered money" plus newly issued bank created credit dollars).


Pedro: « O Banco não "cria dinheiro", o Banco apenas reempresta o que lhe foi emprestado. É um negócio absolutamente transparente, e não consigo ver nele mais do que uma curiosidade intelectual. Não vejo qual a questão. Onde pretende chegar?»

Diogo: Você ainda não percebeu onde eu quero chegar porque você ainda não compreendeu o mecanismo do "fractional reserve banking". No Wikipedia está muito explícito. Leia lá outra vez com atenção.

E veja este vídeo:

Money as Debt

Diogo disse...

Pedro - «o Banco empresta dinheiro que não tem em depósitos. Tal, não é simplesmente possível.»

Tal, é a realidade meu caro. Leia o link com atenção, Pedro. E veja o vídeo. Comece pelo vídeo.

Eu sei que você não é estúpido. Eu também só soube disto há relativamente pouco tempo. Faça um favor a si próprio: veja o vídeo:

Money as Debt

Gostava muito que o comentasse comigo.

Pedro Menezes Simoes disse...

Ok, vou tentar fazê-lo. O problema é que estou sem acesso... : )

Leituras recomendadas