20071213

As Regiões também se medem ao Metro

«Custará 1500 milhões de euros, a preços actuais, o conjunto de ligações propostas pela equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), coordenada por Paulo Pinho, que elaborou para a Metro do Porto o estudo sobre a segunda fase da rede de metropolitano.» [Público]

O Metro do Porto prepara-se para absorver metade do custo estimado para o novo aeroporto de Lisboa e, enquanto isso, não serão mais do que migalhas aquilo que chegará ao Minho. Braga e Guimarães serão contentados com o Instituto de Nanotecnologias e a Capital Europeia da Cultura, tostões comparados às magnânimas intervenções que se perspectivam para as duas maiores cidades do país. O resto será o avolumar de uma injustiça que já é bem real, por exemplo, na exclusão da A7 do mapa nacional das SCUT's.

A Área Metropolitana do Porto vai fazendo (e bem) o que lhe compete, captando a atenção e os investimentos do poder central que, alapado nos Ministérios de Lisboa, está longe de conhecer a realidade do país. Mas se não a conhece, em parte, por incompetência própria, também não é desprezível o facto de estarmos entregue a líderes regionais locais incautos que nos mantêm órfãos de políticas de desenvolvimento regional integrado.

1500 milhões de euros. Quantas vezes menos custaria ligar por ferrovia Braga, Famalicão, Barcelos e Guimarães? Quantas vezes menos custaria criar um sistema de mobilidade urbana comum às cidades de Braga e Guimarães? Quantas vezes menos custaria, no imediato, implementar um sistema de tarifas justas que eliminasse a discriminação dos barcelenses? Quantas vezes menos custaria modernizar a Linha do Minho? Quantas vezes?

As respostas são óbvias, mas a política regional local minhota, salvo raríssimas excepções, continua a tecer-se no campo do acessório e do supérfluo. A pomposa Grande Área Metropolitana do Minho mais não faz que avençar administrativamente sucessivas autorizações para polvinhar de centros comerciais o débil comércio minhoto. As autarquias falham no estudo e na proposta de soluções que favoreçam a mobilidade intermunicipal, mas também falham ao ignorar aquele que poderia ser o precioso contributo da Universidade do Minho. As oportunidades desperdiçam-se com uma cadência aberrante e assustadora. Os minhotos vão pagando a factura.

Publicado em simultâneo no Avenida Central.

16 comentários:

Jose Silva disse...

Apesar de a expansão do metro do Porto ter componentes aceitáveis como seja a 2ª linha para Gaia, que aproveita a ponte da Arrábida, é de facto um tremendo disparate porque existem possibilidades mais baratas por explorar (ramal Leixões, tunel Campanhã-Alfandega) e porque se esquece o Vouga e o Minho.

Excelente Pedro !

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro, assino por baixo, sem reservas.

Fica aqui o triplo desafio para o Norteamos:
- reduzir as novas linhas no grande porto, limitando-as ao essencial e aproveitando as linhas já existentes (poupar aqui)
- garantir o início do metro no quadrilátero minhoto (e investir aqui)

Porque não aproveitar a situação para lançar as bases para uma plataforma de entendimento Porto-Minho? As propostas nos blogues nortenhos deveriam passar sempre por isto: poupar no Porto usando a linha de Leixoes, investir no Minho usando também as linhas já existentes (desaproveitadas).

P.S. Está na altura de espicaçar a AIMinho.

Pedro Menezes Simoes disse...

Afinal é um duplo desafio : )

Salem disse...

Concordo com o Pedro Morgado, no entanto tenho reparado que sempre que fala no Minho e nas migalhas do Minho por vezes esuqece-se que os concelhos a norte do de Vila Verde também são Minho, e a avaliar pelo ultimo piddac, esses sim podem falar de migalhas...

Pedro Menezes Simoes disse...

É verdade, Salem, o minho litoral precisa também de ver requalificada a sua linha de comboio.

Mas penso que começamos a construir uma plataforma de entendimento. O importante é perceber qual o papel de cada um. Tal como a AMP que defende o Grande Porto e não o Norte (tal como é a sua função), nós aqui no Norteamos podemos estar mais focalizados no Norte na sua globalidade, ou nas sub-regiões do norte. O importante é manter sempre presente o interesse global do norte (nem que este seja encarado como o somatório dos interesses dos diversos nortenhos).

O Pedro Morgado deu (e bem) a sua achega ao Baixo Minho. Juntemos-lhe agora uma achega de um vianense. E porque não, de outros nortenhos também?

O Norte tem de parar com as guerrilhas internas. Se em vez de pedirmos 4 linhas para o Porto, pedirmos 1 para o Porto, 1 para Braga e outra para o Minho litoral, e ainda outra para o Douro, seremos 3,5 milhões a pedir em conjunto, e não 1milhão cada um para o seu lado (e uns contra os outros). Juntemos a isto soluções que permitem fazer muito de forma baratinha.

Mas...mais do que "pedir", temos que exigir que nos deixem usar o nosso dinheiro. Até porque as soluções que propomos são mesmo essas, as que deveriamos implementar se tivessemos esse poder.

triporto... disse...

O Sr. pedro Morgado esquece-se do Minho Litoral e do resto que fica em redor de braga porque o centralismo está-lhe no sangue, ou seja, é daqueles que o critica mas volta e meia pratica-o...

Engraçado que foi depois de umas visitas ao seu blogue, o famoso "Avenida Central", que comecei a ponderar a criação de uma região a Norte denominada "Grande Porto" pois a idéia com que fiquei é que em Braga preferem o centralismo sediado em lisboa do que um hipotético, repito, hipotético, centralismo de uma cidade nortenha...

Diogo disse...

Caro Menezes,

Aconselho-o a ler com muita atenção este livro de Murray N. Rothbard, um liberal da escola austríaca que você tanto aprecia e que está em PDF aqui:

http://www.mises.org/Books/mysteryofbanking.pdf


The Mystery of Banking

Murray N. Rothbard

Deixo-lhe um parágrafo:

Where did the money come from? It came—and this is the most important single thing to know about modem banking—it came out of thin air. Commercial banks—that is, fractional reserve banks—create money out of thin air. Essentially they do it in the same way as counterfeiters. Counterfeiters, too, create money out of thin air by printing something masquerading as money or as a warehouse receipt for money. In this way, they fraudulently extract resources from the public, from the people who have genuinely earned their money. In the same way, [p. 99] fractional reserve banks counterfeit warehouse receipts for money, which then circulate as equivalent to money among the public. There is one exception to the equivalence: The law fails to treat the receipts as counterfeit

j disse...

Caros Nortenhos,

Julgo que estamos a cometer o erro sempre explorado pelos Lisboetas as guerrilhas no Norte.

Temos de estar preocupados com os 300 milhoes para 2Km de linha do Terreiro do Paço ou o Metro Sul do Tejo sempre às moscas ou o Novo aeroporto de Lisboa ou a 3ª, 4ª e 5ª travessia do Tejo ou os projectos e requalificaçãoes "nacionais" sempre em Lisboa e Setubal, incentivos a multinacionais para instalação na capital, Expos, novas sedes de empresas publicas (RTP) que retiram recursos ao Norte mas guerra internas não.

A nossa reinvidicação é outra os 3,5 milhoes de habitantes do Norte tem de ter um Piddac per capita acima da média nacional visto que o Norte é a região mais pobre

Tenho duvidas acerca do valor 1500 milhoes de euros referente à expansão do metro do Porto, existem linha prioritárias mas não nos podemos esquecer do 1,5 milhoes de nortenhos que vivem na Area Metropolitana e necessitam de transportes publicos não é gente com grandes possibilidades (Gondomar, Valongo, Ermesinde) que sem transportes não pode sequer deslocar-se para o seu emprego.

Braga, Barcelos Guimarães, Famalicão, Viana tem todo interesse numa AMPorto forte porque demograficamente concentra influencia (economia, votos serviços) uteis a todas as outras cidades.

Por isso temos de exigir o PIDDAC per capita acima das outras regiões e aplicação deve seguir criterios demograficos e de aproveitamento do potencial local de cada região do Norte.

Abraço a todos
JMarq

Dario Silva disse...

... então que o Minho se estenda até Aveiro, tão longe quanto chegam os comboios amarelos.

Dario Silva

Jose Silva disse...

Caros participantes e leitores,

O Norte além de se ter que preocupar com a Drenagem/sabotagem económica exercida por Lisboa, também tem que aceitar, debater e consensualizar as rivalidades Intra-Norte. Cada um de nós pode ter razão de queixa, mas tem que ser equilibrado. Neste momento penso que meia-Ota na expansão do Metro do Porto é errado. Daria preferência a Braga-Guimarães ou à modernização da linha do Minho em direcção a Viana. Obviamente que a «traição» que Braga historicamente executa ao aliar-se a Lisboa ou exercendo um certo «Bragacentrismo» sobre o Minho, não pode ser esquecido.

O Norteamos tem que conseguir debater estas questões e contribuir para uma síntese.

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro José Silva,

Parece-me evidente que não houve aqui qualquer ataque ao porto, nem divisão intranorte.
É mais um apelo ao Minho para organizar uma estratégia semelhante à da AMP. Não contra o Porto, mas a favor do Minho.

É um caminho interessante, que permite alinhamento entre Porto e Braga, no qual se pode obter um maior bem comum com repartição dos benefícios por todas as partes.

Quanto aos comentários, acho que há aqui algumas reacções pavlovianas (é normal, às vezes também eu as terei). Confesso que não vi aqui qualquer ataque ao Porto ou divisionismo. Até porque o post é sobre o Minho.

Jose Silva disse...

Pedro,

O meu comentário não teve qualquer destinatário. É apenas a minha posição sobre a questão intra-Norte: Há rivalidades, há queixas, há razões no Porto, Braga, Viana, TM, Douro, Aveiro, mas temos que conseguir encontrar um consenso e impedir que a Adm.Central as use contra nós.

Sem reparar, estou a citar a mensagem inicial do Norteamos.

António Alves disse...

Há gente a confundir sugestões e propostas com projectos aprovados. Tem razão Pedro, há muita reacção pavloviana.

Pedro Menezes Simoes disse...

"O meu comentário não teve qualquer destinatário."

Eu sei. Mas eu respondi a si, para passar a mensagem a outros comentadores (daqui e do Avenida Central).

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro Diogo,

Recorrer crédito não é mais do que trocar consumo futuro por consumo presente.

O dinheiro "criado" tem de ser pago mais cedo ou mais tarde.

E, a não ser que me demonstre que existem externalidades negativas para terceiros (não compensadas por externalidades positivas), não vejo motivo para coartar a liberdade das pessoas a fazer o que entendem, precisamente porque não prejudicam ninguém.

Além disso, a criação de dinheiro é uma ficção. O Dinheiro existente é igual ao valor do numerário x velocidade de circulação. Os bancos limitam-se a aumentar a velocidade (nomeadamente antecipando movimentos futuros, é isso o que o crédito é). O numerário não está todo em utilização ao mesmo tempo.

Desde que respeitem as pessoas, não tenho qualquer problema em que os Bancos ganhem dinheiro. Aliás, não tenho problemas com o facto das empresas ganharem dinheiro, desde que não o façam à custa de criação de externalidades negativas. No caso dos Bancos, têm uma externalidade positiva fantástica, na medida em que ajudam a optimizar a alocação de capital a oportunidades de negócio ou a investimentos alternativos. Nem sempre o fazem de forma óptima, é certo. Mas tornar o crédito gratuito não é seguramente uma forma de melhorar essa alocação.

Pedro Morgado disse...

Lamento a forma equívoca como insistem em ler as minhas palavras. Eu digo que o que a AMP está a fazer o que é o correcto. Os políticos minhotos é que insistem em desperdiçar oportunidades.

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