20080512

A alienação desportiva não norteia !

Tencionava escrever este artigo há vários meses. Mas eis que o post precedente de António Alves me obrigou a antecipar.

Enquadramento do FCP na disputa por negócios lucrativos: A guerra que o Centralismo contra o Porto, cidade ou região, tem a ver com o facto de este ser uma ameaça ao modelo de crescimento económico por Drenagem do mercado interno de que as elites de Lisboa se especializaram desde que perderam o controlo as colonias africanas. Este modelo passa por concentrar-se nos sectores de bens e serviços não transaccionáveis no mercado internacional, abrigados da competição de economias emergentes, e portanto de maiores margens, produtividade e rendimento. Deixam para o resto do país os sectores menos lucrativos, industria, agricultura, PMEs, comercio e de distribuição. Basicamente é a teroria da Dependência aplicada ao território nacional onde o resto de Portugal «Poor nations provide market access to wealthy nations (Lisboa) (e.g., by allowing their people to buy manufactured goods and obsolete or used goods from wealthy nations), permitting the wealthy nations to enjoy a higher standard of living. Wealthy nations actively (though perhaps unconsciously) perpetuate a state of dependence by various means. This influence may be multifaceted, involving economics, media control, politics, banking and finance, education, culture, sport, and all aspects of human resource development (including recruitment and training of workers)». Exemplos dos sectores que Lisboa se dedica são a administração de empresas de mercado doméstico, banca, telecomunicações, energia, trasnportes, serviços públicos a caminho ou já privatizados, delegações de multinacionais, negócios de consultoria, cumunicação, cultura, turismo e lazer: Tudo isto é feito «manipulando» o Estado Central, que devido ao facto de estar sedeado na mesma cidade, se torna cúmplice do modelo, tal como Saldanha Sanches referia há uns tempos atrás. Neste contexto, todos os sectores de serviços, marcas, imagem de marca, cultura, comunicação, publicidade, como a NTV, Serralves, Casa da Música, visitar o Porto ou FCP tornam-se negócios/projectos/empresas/marcas/destinos cuja oferta aos consumidores é necessário eliminar para dar lugar/mercado às SICNotícias, MuseusBerardos, CCBs, visitar Lisboa ou SLBs. O combate contra o FCP só é mediaticamente mais visível porque é mais popular que os outros exemplos. Porém o padrão é o mesmo.

O que motiva so dirigentes do FCP: Pinto da Costa e Reinaldo Teles são profissionais da gestão do seu negócio desportivo. E como quaisquer outros usam mais ou menos moral cinzenta para atingir os seus fins. Alguém da Associação Comerial do Porto disse-me há uns anos que uma vez foi abordado por um congénere de uma cidade da América Latina, referindo que os 2 dirigentes do FCP tinham uma empresa lá sedeada que servia para parquear o lucro de transacções de jogadores entre as 2 margens do Atlântico... Relativamente aos negócios da noite de Reinaldo Teles, a sua génese é simples de entender cá no Norte. Um jovem no pico da forma e da auto-confiança, a ganhar fortunas mensalmente, não se satisfaz com a namorada dos tempos de liceu. O controlo da oferta da diversão sexual nocturna é sobretudo garantia de assiduidade nos treinos diários diurnos... Porém, o mesmo negócio também pode ter outros usos como aparentemente acabou por ter, o que não me choca mesmo nada se comprarmos com as práticas lisboetas em vários níveis...

PGR ao serviço das «máfias» de Lisboa: Caro leitor, se julga que já leu tudo, desengane-se. Ora desde que começou o Apito Dourado e sobretudo desde quando Carolina Salgado entrou em cena desenrolou-se a mais sem vergonha subserviência do Estado Central ao serviço das oligarquias de Lisboa. Estas querem deitar a mão ao mercado da publicidade/merchandising no futebol que o FCP domina. Em tudo isto o poder político socrático também ajuda, porque vender a propaganda à nação suburbana de Lisboa, de vida pendular, sem referências civilazionais e a pagar crédito à habitação até à reforma, resulta melhor se esta estiver motivada com as vitórias do SLB. O ponto mais visível desta circense cruzada protagonizada por MJM foi terem comprado o silêncio contra Carolina do surrado advogado portuense natural de Lisboa, Ricardo Bexiga com um cargo de administrador na CP, como demonstrou o José da GLQL. Há portanto um assalto das oligarquias da capital ao sumarento negócio que o FCP detém, como escreveu António Alves.

A dupla ética habitual: O negócio da «fruta» de LFVieira: Mas se o leitor julga que leu tudo, desengane-se novamente. Entre 2003 e 2006 convivi profissionalmente com vários sócios (benfiquistas, residentes em Lisboa, mas naturais do resto de Portugal) de um dos vice-presidentes de LFVieira. Em várias ocasiões houve possibilidade de conversar abertamente sobre todos estes temas, das minhas suspeitas e interpretações. Numa das últimas conversas soube de uma revelação importante. LFV tentou montar ele próprio um negócio de «fruta». Porém, Pinto da Costa, abortou a iniciativa, porque, «é mais inteligente, anda nisto há mais anos». Afinal de contas, LFV também tentou comprar árbitros com recurso a sexo.

Favores sexuais a árbitros não é Corrupção: Caro leitor, a verdade maior ainda vem a seguir: Imagine que um director de informática de um grande banco nacional tinha 2 propostas em cima da mesa sobre importante fornecimento. Ambos apresentavam boas condições. Mas um deles disponibilizava favores sexuais Elefante Branco (este cenário é baseado em factos verídicos). Seria isto Corrupção ? Não. Tecnicamente Corrupção tem que prejudicar o Estado local regional ou central. Não acredita ? O Wikipedia responde. Como corolário de uma oligarquia lisboeta egoista, que manipula o Estado Central para proveito próprio, que trata Portugal fora de Lisboa como colónia, ainda temos que aceitar uma PGR preocupada com a virginal «Corrupção Desportiva» praticada entre agentes privados, como se não houvesse séria Corrupção nos submarinos ou obras públicas megalomanas em Lisboa... O nosso Estado Central é como o USD... Está em decadência...

O grande equivoco Portuense: Caro Rui Valente, devia perceber que as mamas da Isabel Figueira não entram neste campeonato. O Jogo, o JN, o PortoCanal, as rádios locais, a blogosfera portuense não tem páginas infindáveis a falar sobre das mamas da Luciana Abreu, Marisa Cruz, da Leite Castro, Merche Romero ou da Sónia Araújo. Ninguém sabe de cor as «medidas» destas jovens de alguma forma associadas ao Porto. Mas aposto consigo que grande parte dos residentes sabe o plantel, as estatisticas, os melhores marcadores do FCP. Insinuar que alienação há muita e de muito tipo, branqueando o peso regional que a alienação futeboleira tem, não é muito atento.

Dos 217 territórios listados no relatório anual da CIA, Portugal está no lugar 190 em termos de crescimento do PIB. Agora, caro leitor, imagine em que lugar estaria o Norte recessivo em que vivemos, sabendo que Portugal é um dos primeiros a contar do fim, se o relatório desagregasse por regiões dentro dos estados... Estariamos a competir com desertos, atois e campos de combate no Médio Oriente... Quem tem consciência disto ?  Enquanto Rui Moreira grita e apela para que se forme uma frente de opinião para tratar do nosso futuro no ASC, abundam estes dias no MSM, na blogosfera e nas conversas de café a Norte, repúdio pela condenação do FCP e PdC. O grande equivoco portuense é deixar-se alienar por tudo isto, como se a felicidade individual, auto-estima, realização, dependessem disto, como se fosse a coisa mais grave que se tenha abatido sobre esta parte de Portugal. Há muito que acho que as vitorias do FCP actuam como o Prozac, coincidentemente parece que somos Felizes Como no Prozac (FCP). São uma desforra para a nossa «colonização», inviabilidade, emigração e pobreza. Somos pobres, mas ganhamos o campeonato. Somos prejudicados pelo Estado Central, mas dá uma grande satisfação ver os benfiquistas danados... Pura alienação. É patetico distrair ainda mais as massas, dar mais Pão e Circo e esquecer o que verdadeiramente é importante.

Uma solução de meio termo à Budista: Gostar de futebol mas preocupar-se com o desenvolvimento regional. Longe de mim querer proibir a alienação das massas como em tempos defenderam em tempos maoistas ilustres como este ou esta. A solução é simples: Basta dedicar algum do nosso tempo de antena a Nortear por aí. Gostar de futebol, acompanhar as vicissitudes de 25 homens atrás duma bola todas as semanas é perfeitamente compatível com algum tempo dedicado a perceber a diferença entre TGV e bitola ibérica, perceber porque é que o ASC como está condena a região ao atraso ou perceber porque é que a Regionalização por Fusão de Autarquias é uma alternativa à Regionalização tradicional. Muitos já o fazem. Mas são uma imensa minoria. Caso contrário, não estariamos onde estamos.

17 comentários:

Diogo disse...

Falsos «analistas militares» a soldo do Pentágono

Jon Stewart, do Daily Show, põe a nu a desinformação sobre o Iraque veiculada pelo Pentágono através dos «independentes» meios de comunicação americanos:

Jon Stewart: Olhem para estas adoráveis e bondosas ex-máquinas de matar. Os canais contrataram-nos para dar opiniões de especialistas acerca do esforço bélico do nosso país.

Especialista 1: Estamos a vencer a guerra contra o terrorismo.

Especialista 2: Esta é a força mais bem preparada que já tivemos.

Especialista 3: Esta é a melhor liderança que os militares já tiveram.

Especialista 4: Quando pergunto a amigos meus de longa data do exército, que não vão mentir-me sobre como estamos a sair-nos e se estamos a ganhar ou a perder, eles dizem que estamos a ganhar.

Jon Stewart: Pois parece que muitos destes ex-militares não eram assim tão «ex», trabalhando para empresas de armamento e do Pentágono. Enquanto os canais noticiosos lhes chamam «analistas militares», o Pentágono, em memorandos vindos a público há pouco tempo, referia-se a eles como «multiplicadores de mensagens».

Vídeo legendado em português

triporto... disse...

Li este seu artigo com muita atenção e concordo em parte, ou quase na totalidade com o seu conteudo...

Não vou comentar o asunto FCPorto/Cidade do Porto porque é algo que me toca bastante devido à paixão que sinto por ambos, logo qualquer afirmação que faça pode ser toldada por esse sentimento profundo que subsiste em mim...

Vou apenas comentar a "fusão de autarquias" que é um assunto que me interessa bastante pois sou um defensor da regionalização ou de uma fusão que neste caso constitua uma verdadeira força de bloqueio aos ataques da capital do Império...

Infelizmente é algo que temo nunca venha a suceder enquanto esta espécie de Presidente de Camara da minha cidade continuar a liderar os seus destinos...

Aliás, se ele realmente quisesse combater as mafias centralistas e o agora denominado GQT (Governo Que Temos), bastaria marcar a sua presença no próximo dia 24 na manif de protesto contra mais um ataque deliberado à economia do Norte, sua população e naturalmente à cidade que ele preside...

Resta continuar a "luta" porque aos poucos havemos de lá chegar e esta manifestação dos Aliados poderá ser o inicio de muitas outras contra o centralismo...

Rui Valente disse...

Caro José Silva,

No "Renovar o Porto", explico-lhe o que penso de toda esta trapalhada.

Cumpts.

Antonio Almeida Felizes disse...

Caro Jose Silva,

Apesar de não concordar com tudo o que diz, considero esta uma excelente reflexão.

A minha maior discordância (que já vem de longe...) é com o modelo de Regionalização por Fusão de Autarquias, mas, isso ficará para uma próxima oportunidade.

Cumprimentos,

Asdrúbal Costa disse...

Gostei deste pequeno artigo assim como do blogue que pretendo acompanhar com regularidade.
Convido também os leitores e redactores a ler o meu blogue:

http://gentesdonorte.blogspot.com/

Sou apenas mais uma voz que se levanta contra este centralismo déspota e podem contar comigo para tomar iniciativas que visem proteger a região norte.

Cumprimentos

sguna disse...

Na minha opinião, é mais necessário mudar de administradores que de tipo de administração. E isto é válido para uma possivél regionalização. Se o dirigentes de novas autarquias ou regiões tiverem a mesma origem que os actuais (i.e. a máquina partidária), não vejo o que mudaria em relação ao nivél dos actuais presidentes de câmara, por exemplo. Ou seja continuriam a aparecer os Rui Rios e os Albertos Costas...

chefe disse...

Basicamente o texto resume-se a:

- A culpa é de Lisboa
- A culpa é do Benfica
- Colocaram-nos fruta sem nós pedirmos.

Vina o FQP

Zé Luís disse...

José Alves, acho-a a mais bela de Portugal, mas nem sei as medidas das mamas e menos ainda que a Marisa Cruz é relacionada com o Porto. O assunto é tão relevante (ainda menos do que a bela dona) que desconheço essa relação. Espero que não seja pelo JVP...
Gostei da análise. Ao Resto.
Temos de saber se podemos reagir ou nos conformamos com... isto.

Jorge Borges disse...

É indescritível esta forma de pensar:
- Bom, o Pinto da Costa até podia dar "fruta" aos árbitros, mas como o Luis Filipe Vieira também dava, não há problema, não é crime. Enquanto não perceberem que isto não é uma guerra Porto/Benfica...
- Afinal de contas, quandso se sentem acossados tentam reditar uma guerra norte-sul, que só existe nas vossas cabeças. Ou melhor, quando dá jeito.
- Quanto á questão da regionalização, quero dizer quer também sou nortenho e tão bairrista como vocês. Orgulho-me de ser do distrito do Porto, contudo, acho que regionalizar um país tão pequeno e tão dividido em termos sociais, só vai piorar as coisas

António Alves disse...

"acho que regionalizar um país tão pequeno e tão dividido em termos sociais, só vai piorar as coisas"

Caro Jorge: vc "acha" mas não explica. e aguerra não pode ser também sul-norte? não andará vossa senhoria um bocado distraido? confesso que há coisas que não entendo.

pois eu não sou "bairrista". sou autonomista. e furioso!!

triporto... disse...

O Sr. Jorge Borges deveria não ligar tanto ao futebol ou simpatias futebolisticas e concentrar-se mais noutras questões tais como perceber os reais motivos pelos quais muitos de nós lutamos contra o centralismo da capital do império não apenas em relação ao Porto (leia-se cidade do Porto para não ferir susceptibilidades)mas também à região em que estamos inseridos, ou seja, Norte de Portugal.

Tente informar-se sobre as descriminações que somos alvo, informe-se sobre os níveis de riqueza da nossa região de que o senhor se afirma tão bairrista...já agora fique sabia o senhor que é um dignissimo bairrista de uma das regiões mais pobres da Europa, e esta hein?

Informe-se os milhões e milhões de euros que serão gastos nos próximos anos em infra-estruturas na zona da capital, a maioria delas apenas para beneficio deles mas pagas com o nosso dinheiro (bairrista ou não)...

Informe-se Sr. Jorge Borges, informe-se...vai descobrir que não somos um país assim tão pequeno e que existem assimetrias regionais de bradar aos céus...

Informe-se Sr. jorge Borges para que da próxima vez que afirmar que não concorda com a regionalização apresentar pelo menos um argumento mais válido do que o famoso e já gasto "o país é pequeno demais"...

António Alves disse...

e por falar em "país pequeno demais": se estendermos o rectangulo no norte de espanha cobrimos só 7 autonomias, SETE!!

Nuno Nunes disse...

Caro José Silva,

Excelente artigo e excelente blog.
Ficará nos favoritos.
Um abraço,

Nuno Nunes
reflexaoportista.blogspot.com

Jose Silva disse...

AAF,

A Regionalização é apenas um exemplo de assuntos não alienadores que os mais alienados se podem dedicar.

Já agora você aceita a Regionalização tradicional + Fusão de Autarquias, ou seja, uma cópia do modelo Dinamarquês ? Eu aceito.

Asdrubal,
PF acrescente ao seu perfil a sua residência e profissão.

Pedro Menezes Simoes disse...

Muito bom. Parabéns.

Só uma correcção: confundiu corrupção com peculato.

Harry Lime disse...

Mafias de Lisboa?????? O que?

Estes gajos não vivem no mesmo pais que eu!

Outra passagem gira:

Relativamente aos negócios da noite de Reinaldo Teles, a sua génese é simples de entender cá no Norte. Um jovem no pico da forma e da auto-confiança, a ganhar fortunas mensalmente, não se satisfaz com a namorada dos tempos de liceu. O controlo da oferta da diversão sexual nocturna é sobretudo garantia de assiduidade nos treinos diários diurnos...

E assim se justifica a actividade de um proxeneta... à maneira do Norte, claro! Será que é a isto que se chama relativismo cultural?

Rui Silva

Harry Lime disse...

Mafias de Lisboa?????? O que?

Estes gajos não vivem no mesmo pais que eu!

Outra passagem gira:

Relativamente aos negócios da noite de Reinaldo Teles, a sua génese é simples de entender cá no Norte. Um jovem no pico da forma e da auto-confiança, a ganhar fortunas mensalmente, não se satisfaz com a namorada dos tempos de liceu. O controlo da oferta da diversão sexual nocturna é sobretudo garantia de assiduidade nos treinos diários diurnos...

E assim se justifica a actividade de um proxeneta... à maneira do Norte, claro! Será que é a isto que se chama relativismo cultural?

Rui Silva

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