20070828

Red Bull Air Race

"O presidente da Associação do Turismo do Norte de Portugal, Jorge Osório, revelou hoje à Lusa que os hotéis das cidades do Porto e Gaia estão com taxas de ocupação (...) que rondam hoje os "80 por cento". Essa média irá certamente aumentar, porque se espera uma grande movimentação de pessoas devido à prova, prevendo-se que os poucos espaços disponíveis venham a ser ocupados", sublinhou.

(...) Considerada a competição mais espectacular do desporto aéreo, o responsável da ADETURN acredita que esta corrida irá proporcionar "grandes benefícios" para a região e mesmo para Portugal, não só por atrair gente de vários pontos do mundo, mas sobretudo por ser transmitido por vários canais de televisão internacionais." Alguns desses canais dedicaram já reportagens alargadas sobre a nossa região".

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação Portuguesa dos Entusiastas da Aviação, Luís Gonçalves também classificou a Red Bull Air Race como "um evento único" e sustentou que a realização de uma etapa no Porto "vai projectar o nome da cidade de uma forma incontestável". Luís Gonçalves afirmou que recebeu muitos e-mails de europeus a perguntarem "mais dados sobre a corrida" e sobre os pilotos participantes. "Isto demonstra que o evento tem impacto" junto dos spotters da Europa, frisou.

(...) O Queimódromo, situado no extremo Norte do Parque da Cidade do Porto foi o local escolhido para servir de paddock e aeródromo da etapa do Porto da Red Bull Air Race 2007.A corrida, considerada como a Fórmula 1 do ar, decorrerá sábado sobre o rio Douro, entre as pontes Luís I e da Arrábida. Os treinos e classificativas iniciam-se quarta-feira. A competição está agendada para sexta-feira (eliminatórias) e sábado.

A organização estima que mais de meio milhão de pessoas irão assistir nas ribeiras de Gaia e do Porto a mais uma das dez provas mundiais do festival aéreo Red Bull Air Race 2007. A prova consiste na realização de um "slalon" a uma velocidade máxima de 400 quilómetros/hora, entre os pilares insufláveis e com cerca de 20 metros de altura colocados pela Red Bull no rio Douro."

Noticia disponível, na íntegra, no Sapo.

Eis um excelente exemplo de como promover a região (ainda não é uma estratégia para o Turismo, caro Dr. Rui Rio, mas já é alguma coisa...). Presidentes de Câmaras do Norte e Associações Hoteleiras: ponham os olhos nisto - é assim que se cria riqueza, emprego, e se promove uma região internacionalmente. E quem acha que isto só tem impacto no Turismo, ainda não percebeu nada.

8 comentários:

Espectadora Atenta disse...

Caro pedro~
Como sempre, excelente o seu Post! Parabéns!

António Alves disse...

não querendo ser desmancha prazeres: o Rui Rio dá uma no cravo e outra na ferradura. Por um lado promove eventos de nível internacional e bem organizados - reconheça-se - como as corridas automóveis de a red bull air race; por outro lado tem levado a efeito uma política de recolha de lixos na cidade completamente incompetente: a baixa aos fins de semana encontra-se normalmente um verdadeiro nojo. O espectáculo "turístico" não podia ser pior.

Carlos Guimarães Pinto disse...

O sector do turismo e' dos poucos em Portugal que tem a publicidade, e parte da sua oferta, subsidiada pelo estado. Gostaria de saber qual o ganho liquido deste tipo de eventos, e quais as distorcoes que provoca na economia.

Pedro Menezes Simoes disse...

No caso do evento em concreto, não sei quais as suas fontes de financiamento. As minhas expectativas são que as CMP/CM Gaia fundamentalmente contribuam com a cedência de espaços, e que desenvolvam parte do esforço de relações públicas.

Quanto à questão da publicidade subsidiada pelo estado, já a imaginas. Que existem fortes externalidades (se fosse um privado a promover a região, todos os outros privados beneficiariam), que a marca de uma região não tem impacto apenas no turismo, e que a presença de empresários estrangeiros é uma oportunidade para atrair investimento / negócio para a região.

Mas isto asssenta no pressuposto de que os privados não se auto-organizariam (a tradição associativa em Portugal é péssima, mas isso não é desculpa). As entidades públicas deveriam procurar crescentemente passar a bola para associações hoteleiras e de restauração. Afinal, estas é que têm o maior interesse.

Na situação limite, sendo a marca de uma região um bem público, apenas a promoção global deve ficar no Estado (não a execução, mas a definição de quais os "valores" a promover). A promoção de eventos é claramente uma questão de privados.

Sendo assim, a intervenção do Estado só é justificável na medida em que a promoção não está a ser assegurada pelos privados, mas no pressuposto em que simultaneamente se crie progressivamente condições para que isso aconteça. Caso contrário, a intervenção do Estado, ainda que útil, é ilegítima. (o Estado está a forçar uma situação win/win, mas deve haver condições na sociedade para que essa solução seja abraçada autonomamente pelos agentes individuais).

A publicidade deveria ainda ser paga por taxas (ou parte do IVA) à hotelaria e restauração, pelo menos em Lx, Porto, Algarve, Madeira e Estoril.

Nota: Fiz o meu elogio ao Dr. Rui Rio, mas ele também deverá ser dirigido ao presidente da CMVNGaia, Luis Filipe Menezes.

Carlos Guimarães Pinto disse...

caro, a prova de que os privados se organizam se for caso disso, e' a marca Portugal. Os restaurantes e hoteis estao organizados em associacoes que deveriam ser responsaveis por isso. de resto n vejo porque nao ha-de o estado publicitar os nossos texteis, o papel, as rolhas,.. Todos os argumento que se aplicam ao turismo, aplicam-se a estes sectores.
Isto n e uma situacao de win/win. As pessoas do interior que tem as mesmas taxas de impostos que todos os outros, tem menos acesso a este tipo de iniciativas, mas pagam de forma igual. de resto, quanto estrangeiros pensas que vao estar neste evento?

Pedro Menezes Simoes disse...

"Todos os argumento que se aplicam ao turismo, aplicam-se a estes sectores."

Os turistas "compram" um destino, não um hotel. No caso dos texteis, papel, rolhas,..., compram uma marca, não uma origem. (e se comprassem uma origem, esta está a ser promovida com a promoção turística). Daí a especificidade do turismo na promoção. Terias razão, se o estado promovesse hoteis.

"Isto n e uma situacao de win/win. As pessoas do interior que tem as mesmas taxas de impostos que todos os outros, tem menos acesso a este tipo de iniciativas, mas pagam de forma igual. de resto, quanto estrangeiros pensas que vao estar neste evento?"
Os dinheiros públicos, ou são provenientes da CMP, ou são obtidos através de candidaturas a programas governamentais (PIT - Programa de Intervenção do Turismo), onde todas as regiões estão em pé de igualdade.

Quando falei da situação win/win, referia-me à eterna questão da teoria dos jogos e do free riding. Imagina 3 hotéis numa cidade. Nenhum deles tem vantagem em promover a cidade sozinho, porque os turistas captados iriam também para os outros hoteis. E cada um tem um incentivo em esperar que os outros façam publicidade para beneficiar dos seus turistas. O resultado é que nenhum fará promoção, quando a solução ideal era que todos promovessem a cidade.

A questão é ainda mais evidente quando são 50 hotéis. O Estado resolve o problema promovendo o turismo.

Ainda assim, o turismo deveria ser promovido com os impostos de quem beneficia directamente com ele. (daí taxas, mesmo que coercivas, ou parte do IVA da hotelaria).

Por último, o exemplo do cartel da OPEP é valioso: durante 30 anos não funcionou, mas hoje funciona relativamente bem (será pela alta do petróleo).
O Estado deverá resolver o problema no curto prazo, mas criar condições para que os privados resolvam o problema. (por outro lado, ainda há alguns free riders...).

No caso deste evento em concreto, espero que os bilhetes a 600 euros (que estão todos vendidos) sirvam para pagar a promoção. Os melhores eventos são os que se pagam a si próprios.

sguna disse...

"No caso dos texteis, papel, rolhas,..., compram uma marca, não uma origem. (e se comprassem uma origem, esta está a ser promovida com a promoção turística)"

Se é assim, também aqui falhamos. Somos um país que é um dos destinos de férias para muitos europeus, talvez com a excepção do vinho do Porto, não vejo a nossas exportações a beneficiarem muito disso. Não há equivalente português por exemplo à marca "design italiano", e isto aplica-se muitos outros tipos de produtos em que podíamos competir (vinho, vidro, água, produtos alimentares, etc.). Para o resto da europa, maior parte das vezes somos simplesmente ignorados.

Carlos Guimarães Pinto disse...

"Imagina 3 hotéis numa cidade. Nenhum deles tem vantagem em promover a cidade sozinho, porque os turistas captados iriam também para os outros hoteis. E cada um tem um incentivo em esperar que os outros façam publicidade para beneficiar dos seus turistas."
Isto seria o equilibrio se eles estivessem impedidos de comunicar entre si. Enquanto o estado tomar o papel de paizinho, os privados nunca terao esse incentivo.

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