20070827

Uma visão no "Oeste" sobre o TGV

"Não faz sentido um investimento de tão grande dimensão e risco financeiro, e com tão elevados custos sociais e ambientais, num projecto que visa apenas ganhar alguns minutos aos comboios pendulares já disponíveis na (renovada) Linha do Norte, e que não garante à partida a sua competitividade face ao transporte aéreo, designadamente o de baixo custo.

No actual figurino do TGV para Portugal, e tendo em vista o interesse estratégico do país, apenas uma ligação de alta velocidade para passageiros parece fazer algum sentido no curto prazo: a do Porto a Vigo, com estação em Braga/Barcelos, aumentando o domínio de influência do aeroporto Francisco Sá Carneiro para o transporte de passageiros. Estratégica
seria também a concretização da ligação ferroviária para o transporte de mercadorias entre Sines e Badajoz, rentabilizando deste modo o forte investimento realizado nas últimas décadas no Porto de Sines.

E caso fosse possível juntar num mesmo canal o TGV para passageiros e uma linha convencional para mercadorias, no médio/longo prazo poderia acontecer que a fraca rentabilidade hoje prevista para a ligação Lisboa-Madrid no que concerne ao transporte de passageiros em AV pudesse ser de alguma forma compensada com os ganhos obtidos, incluindo os ganhos estratégicos, com o transporte de mercadorias. Porém sucede que estes projectos parecem seguir em separado, com a inevitável perda das possíveis sinergias entre ambos."

Por Valdemar Rodrigues (Prof. Universitário, Ex-Gestor do Ambiente do Projecto da AVF para Portugal) no Jornal do Oeste

Torna-se óbvio que as críticas não são só a norte. Só não percebi se ele defende a criação de uma ligação TGV Sines-Badajoz para o transporte de produtos petrolíferos a alta velocidade...

7 comentários:

José Alberto Fernandes disse...

É bom ver que a linha Porto-Vigo começa a ganhar estatuto de prioritária.

Anónimo disse...

claro e Lisboa, capital, não ficava ligada à rede europeia de alta velocidade. lolada.

Pedro Menezes Simoes disse...

Essa questão de estar ligado à europa por comboio é falsa. Ninguém vai apanhar o comboio em Lisboa para ir até Barcelona, Paris, ou Munique. Tenho dúvidas que o façam para ir a Madrid, uma vez que os low cost são mais baratos. Sendo assim, o TGV só serve para ligar localidades entre 300 e 600 kms de distância (ou um pouco mais, se não houver ligações aéreas próximas). É por isso que a ligação a Madrid deveria ser por Aveiro (ou Coimbra, se tal fosse viável).

Ter um TGV sem passageiros só para dizer que estamos ligados à rede europeia de alta velocidade é que é uma lolada. Ou motivo para chorar.

sguna disse...

Se os senhores que mandam nesta terra, olhassem para além do seu umbigo, já há muito tempo que havia uma ligação a Vigo. Aqui se vê como não há visão estratégica, ou qualquer tipo de vontade de fazer alguma coisa. Do Porto a Vigo são 150km, de Campanhã a Vigo demora-se 4 horas!!! Não é preciso TGV, basta um serviço como o pendular, mas nem isso! Agora, ao ligar as metrópoles Lisboa-Badajoz-Madrid, o interesse económico é evidente!

António Alves disse...

A ligação lisboa-badajoz-madrid só é evidente para os espanhóis: secundarizam lisboa a badajoz.

Os próprios estudos da Rave provam que a maior procura para a alta velocidade seria a do vector Porto-Madrid e não o de Lisboa-Madrid. Como aliás se constata pela análise de tráfegos das autoestradas: a autoestrada Lisboa-badajoz continua às moscas. Em breve escreverei artigo com dados da própria Rave a provar isso. A opção pelo Lisboa-Badajoz-Madrid é a imposição do interesse espanhol em fazer de Badajoz a capital daquela região da península (podemos considerar toda a área que vai do Mondego ao Algarve ou, no mínimo, tudo o que fique a sul do Tejo) que se aproveita do tradicional provincianismo centralista das elites de Lisboa para conseguirem os seus objectivos. Madrid sabe o que faz.

António Alves disse...

P.S. ao comentário anterior: não há transporte de alta velocidade para mercadorias; isso é uma falácia. ficaria mais barato transportar contentores ou cisternas em camiões que queimassem champanhe em vez de gasóleo

CCz disse...

Quanto ao transporte de mercadorias em alta velocidade aprecio mais a palavra de quem está no negócio, em detrimento da de políticos e jornalistas ignorantes.

No Público de 19 de Agosto:

"Há três anos, em declarações à revista espanhola Via Libré, Emílio Fernandez, presidente da Transfesa - operador pan-europeu de mercadorias -, dizia que "os comboios de mercadorias não precisam de ir a mais de 100 km/hora, mas a velocidade ideal é 60 km/hora", porque, acima disso, as especificações técnicas do material circulante e as exigências de manutenção e revisão cíclicas têm custos muito maiores sem que tal se traduza num aumento da qualidade do serviço."

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