20070807

A TAP já não é deste tempo

Apesar da lufada de ar fresco que representou a entrada dos administradores brasileiros na TAP, esta pouco se modificou. A sua estrutura burocrática, pesada e funcionalista, os seus quadros e chefias intermédias, e a generalidade da sua exagerada (em número) massa laboral, continua a agir da mesma maneira: quadros superiores em luta por tachos e mordomias; pilotos e pessoal de bordo a funcionar como uma casta endogamica apenas preocupada em ganhar o mais possível e trabalhar o menos que puder; trabalhadores maioritariamente preocupados em garantir o emprego, de preferência sem grandes níveis de exigência, e esperar pelo dia da abençoada reforma, esta o mais cedo possível. Todos em conjunto olham o mundo, do alto da torre de marfim de quem se sabe detentor de um mercado protegido, de forma majestática, arrogante e prestam amiúde um serviço incompetente.

Estas empresas - TAP, PT, EDP, CP, etc. - são centralistas, concentradas, burocratizadas e só sobrevivem devido à protecção do Estado que lhes garante um mercado livre de concorrência séria. Além de canais priviligiados de drenagem de massa monetária para o centro - por exempo, a EDP não produz um megawatt de energia no concelho de Lisboa mas é lá que contabiliza todos os seus enormes lucros - servem também para garantir empregos luxuosos aos próceres das oligarquias centralistas e empregos menores para a massa de migrantes que cada vez mais engrossam a área metropolitana da capital.

No caso da TAP, felizmente que o monopólio do mercado europeu já não existe, restando ainda o mercado dos voos intercontinentais. Espera-se que este caia brevemente, pelo menos para a América. Existem outras opções para voar para a Europa. É hora de fazer escolhas e deixar cair o patriotismo parolo e ultrapassado.

O Estado Nação centralizador e concentracionário é uma realidade em morte acelerada. Por muitos estertores, recidivas e demonstrações de força que possa manifestar (caso do português dos nossos dias), é tudo uma questão de tempo - é o canto do cisne. Tal como a Revolução Industrial e o capitalismo, a 3ª vaga civilizacional, o mundo difuso e disperso da sociedade informacional, da rede global, também não deixará nada como dantes. Habituem-se. :-)

2 comentários:

Anónimo disse...

"É hora de fazer escolhas e deixar cair o patriotismo parolo e ultrapassado"

Eu defendo o meu patriotismo, mas o patriotismo nortenho e nao este patriotismo "portugues" luso-mouro.
A minha patria é o Norte, o verdadeiro e unico Portugal. O resto é estrangeiro e por isso não devo nada a essas empresas que nem sao nossas.


E faço o mesmo com empresas nortenhas que sao contra o norte, nunca as irei ajudar.


"Estas empresas - TAP, PT, EDP, CP, etc."

Cimpor também deve ser mais outra.

Já repararam que as grandes empresas lisboetas ou foram feitas pelo estado (TAP, PT, EDP, CP, Cimpor, etc) ou foram feitas por privados no norte que mais tarde se deslocaram para a capital?

Francisco

SG disse...

Francisco:

Eu acrescento. Sempre que existe possibilidade de o Norte (ou alguém por cá) tomar controlo, o Estado central toma a atitude de o dificultar. Foi assim com o BPA, depois com a celulose, mais recentemente com a PT.

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