20070531

Novo aeroporto do norte deverá começar já a ser preparado?

Será pura provocação, ou fará sentido? É preciso fazer as contas...

O Aeroporto da OTA terá (segundo Mário Lino) capacidade para 40M pax por ano. Tem uma área de influência de 4.000.000 pessoas. O Aeroporto Sá Carneiro (ASC) terá, após todas as expansões possíveis, capacidade para 15M pax por ano. Tem uma área de influência de 5.000.000 pessoas (mais 25% que a OTA).

É natural que o aeroporto da capital tenha mais movimento. Mas tendo em conta que a área de influência do ASC tem mais população, e que o Turismo no Norte tem maior potencial de crescimento que o de Lisboa (crescimento das dormidas turisticas no PENT de 8,5% no Norte vs. 6,7% em Lisboa - o turismo na capital está numa fase mais "madura"), não será possível que o Centro/Norte necessite de, por exemplo, 50% da capacidade da OTA - 20 milhões de pax?

Sendo necessária uma nova expansão, ou é possível a utilização dos terrenos actualmente ocupados pela refinaria da Galp (o que tenho algumas duvidas, até porque estão separados por uma autoestrada), ou então é necessário um novo aeroporto para a região.

Será então necessário desde já reservar os terrenos adequados para o efeito. Espero não ser acusado de centralismos, mas parece-me que idealmente o novo aeroporto, vocacionado para as Low Cost, deveria ficar a cerca de 50kms do Porto (70 no máximo). Sendo assim, 2 localizações parecem especialmente adequadas do ponto de vista economico-turistico, havendo outras possíveis:

  • Na zona de Braga, na área do quadrilátero urbano (Braga, Barcelos, Famalicão e Guimarães), onde teria a virtude de potenciar Braga e Guimarães como destinos turísticos de City Break, bem como captar voos e passageiros da Galiza. Particularmente oportuna com a AV até Vigo. A minha favorita, de longe.
  • Na zona de Aveiro. Poderia potenciar o Porto de Aveiro para tráfego de mercadorias, desenvolver algum turismo na cidade, e captar passageiros de Salamanca. Caso o novo aeroporto de Lisboa não fique na OTA, seria particularmente vantajoso para a zona de Coimbra-Aveiro-Viseu, bem como para o Pólo Turístico da Serra da Estrela. Caso fique na OTA, haveria alguma sobreposição de área de abrangência (mas, com o TGV, poderia servir para aliviar 2 aeroportos, ASC e OTA, até porque esta só terá capacidade para 30M pax.) Coimbra é uma solução quase equivalente (caso não haja OTA).
  • Vejo ainda como opções Viana do Castelo / Ponte do Lima (maior captação de Galegos, e potenciação de Viana como cidade turística), Amarante / Vila Real (potenciação do turismo no Douro e desenvolvimento do interior) e Viseu (captação de passageiros a Salamanca, potencia o turismo no Douro e Serra da Estrela, mas seria importante ter uma estrada em condições directa ao Porto).

Nota: O crescimento homólogo do número passageiros internacionais em Fevereiro 2007 foi de 40% no ASC e de 16% na Portela.

Adenda posterior: Não me parece, de facto, que um novo aeroporto para o Centro-Norte seja hoje uma prioridade. O ASC tem neste momento muita capacidade excedentária. Poderá ser relevante, daqui a 5-10 anos, pensar em reservar um espaço para o efeito. A não ser que, como o Governo erradamente afirma, se mantenham as actuais taxas de crescimento nos próximos anos. Sendo assim, este post não é mais do que um exercício teórico que, espero, possa estar presente na mente de quem, em 2015-20, estiver a planear o futuro da estratégia aeroportuária nacional (supondo que nessa altura existirá alguém que o faça), e para que se evite toda a confusão que rodeia hoje o novo aeroporto de Lisboa.

4 comentários:

Carlos disse...

que mania que voces tem de pensar que a forma de crescimento duma regiao é à custa do turismo

Braga e Guimaraes, zonas turisticas? nao obrigado. Braga e Guimarães são zonas de grande actividade empresarial, grande comércio e actividades industriais.
Nao queremos uma regiao como o Algarve, que nao faça nada e so ande a cuidar de turistas, praticamente so vive para o turismo.

Já esta na hora de meterem na cabeça que as regioes devem-se desenvolver economicamente de outras formas que não as do turismo e dependencia de turistas do norte da europa.

Pedro Menezes Simoes disse...

Pelo contrário, o turismo parece-me uma optima forma de promover o desenvolvimento económico.

Permite aumentar o número de consumidores para os produtos da região (tanto consumo no local, como maior conhecimento das marcas locais no estrangeiro).

Permite contactar com consumidores mais exigentes e sofisticados, bem como a chegada de novas ideias e mentalidades, logo favorece a criatividade, a qualidade e a inovação da indústria.

Permite um afluxo monetário que permitirá financiar outras actividades produtivas.

O turismo é também uma componente forte da "marca" de uma região. Sem dúvida que o turismo em Barcelona tem contribuido para o seu desenvolvimento económico.

Já agora, porque deveriamos ter preconceitos quanto a uma fonte de rendimento (legítima) em particular?

Jose Silva disse...

Caro Pedro,

Com todo o respeito, penso que um 2º aeroporto a Norte litoral com dinheiros públicos não faz qualquer sentido. É apenas gerar confusão nas prioridades que temos pela frente. Pedras Rubras está às moscas e tem espaço para crescer!

O cenário de um novo aeroporto, pago por privados com oresposta à OTA só lá para 2020!

Para já a nossa prioridade em matéria de aeroportos tem que ser evitar que Pedras Rubras seja tomado pelos donos da OTA e impedir que esta se concretize.

Se nos dispersamos por assuntos pouco prováveis, acabamos por não ter grande impacto nem formar opiniões.

Cumprimentos

Pedro Menezes Simoes disse...

Caro José,
Tem toda a razão. O objectivo era puramente provocatorio e para ser complementado pelo post que acabei de publicar.

Talvez seja oportuno, daqui a 10 anos, pensar em reservar espaço para o aeroporto.

De resto, projecções de tráfego mirabolantes só podem resultar numa coisa - projectos faraónicos de rentabilidade muito, muito duvidosa...

Leituras recomendadas