20070520

GALIZA E NORTE DE PORTUGAL

Agradeço a oportunidade de poder contribuir neste espaço para um debate sério e frutífero sobre o tema que mais me fascina: O Desenvolvimento da Região Norte de Portugal.
Começo a minha humilde intervenção com o tema que acredito ser o mais viável para tornar a região Norte numa região mais produtiva, empreendedora e capaz de alcançar metas e objectivos económicos que se tornam cada vez mais urgentes para o desenvolvimento da nossa economia. Sem um Norte forte e coerente com fraca capacidade de subsitir por sí e com os seus próprios meios, estaremos condenados ao fracasso.
Urge um movimento independente de cidadania que represente e salvaguarde os interesses do Norte do Pais, perante um poder cada vez mais centralizador e economicamente demolidor dos interesses dos nortenhos.
GALIZA E NORTE DE PORTUGAL, JOGAR NAS COMPLEMENTARIDADES
As disparidades entre os dois lados da fronteira são importantes e têm de ser tomadas em linha de conta nas estratégias dos agentes económicos. Os dados para a reflexão:
Produtividade do Norte de Portugal é 58% da galega. Norte de Portugal representa 46% das exportações galegas. Saldo comercial favorável à Galiza.Empresários galegos são mais sensíveis à geografia de proximidade. Forte expansão e deslocalização de grupos galegos para Portugal
Galiza "exporta" para Sul recursos humanos qualificados e Norte de Portugal "exporta" para o outro lado mão de obra não qualificada.
Um primeiro dado que choca o observador português é o desnível de produtividade entre as duas regiões - em média, a produtividade do Norte de Portugal é 58% da galega, apesar do lado português contar com mais 600 mil activos do que o lado galego (baseado no estudo de Xoán López Facal, para dados de 1997). Cada um dos 900 mil trabalhadores galegos produziam em 1997 um VAB de 27.476 euros, enquanto que cada um do 1 milhão e 600 mil trabalhadores do Norte de Portugal só produziam 16.121 euros. Apesar dos níveis salariais no Norte de Portugal serem 40% mais baixos (6909 euros de salário em média para a indústria transformadora do Norte de Portugal e 17056 euros para a galega) e de se contar com uma mão de obra mais jovem (a taxa de natalidade na Galiza é metade da da Região Norte de Portugal ), convidando à deslocalização dos grupos galegos, há um problema estrutural de produtividade nas regiões minhota e duriense que os executivos do lado de lá da fronteira têm superado com mão de obra qualificada galega e com muita formação dos trabalhadores portugueses. Os empresários galegos, mesmo os das PME, são, também, mais "sensíveis" à vantagem da proximidade geográfica e às potêncialidades logísticas, segundo um inquérito realizado para um estudo conjunto do Centro de Estudos de Gestão e Economia Aplicada do Centro Regional do Porto da Universidade Católica e do Centro de Investigação Económica e Financeira da Fundación Caixa Galicia. Este facto traduz-se neste outro número chocante: o Norte de Portugal representa 46% das exportações galegas e o saldo comercial favorável à Galiza vem-se acentuando desde 1996. Exemplos emblemáticos deste "olhar a sul" são citados regularmente: Zara (do grupo Inditex), Megasa, Finsa, Caixa Galicia e Televés, além dos mais de 7 milhões de contos investidos no Vale do Minho português. Do lado português, refira-se a visão de grupos como a Sonae (que adquiriu a Tafisa), a Cimpor (que comprou o Grupo Corporación do Noroeste) e a CGD (que adquiriu o Banco Simeón). A própria comutação transfronteiriça é simbólica quanto ao desnível de competências na mobilidade da mão de obra - da Galiza vêm diariamente quadros qualificados para empresas e entidades públicas (como é o caso de médicos e enfermeiros) e do Norte de Portugal migra sazonalmente mão-de-obra não qualificada para a construção civil, o comércio e a hotelaria galegas.
Contudo, a região Norte portuguesa pode jogar alguns trunfos, que são abertamente reconhecidos pelos vizinhos galegos - a maior propensão à globalização por parte das empresas portuguesas, mesmo das PME, o cosmopolitanismo e grande qualidade dos quadros superiores, e a mais valia do aeroporto Sá Carneiro (Porto), que já é um íman importante para executivos, empresários e turistas galegos. Os galegos afirmam que o único caminho é jogar nas complementaridades e têm procurado fazê-lo. Um dos projectos de parceria mais interessantes foi o de "sincronizar" os "clusters" automóveis dos dois lados da fronteira, em que estão envolvidos o CEAGA e o CEIIA, do lado português.
A visão estratégica do tecido empresarial Nortenho tem de se focar na cooperação transfronteiriça com a Galiza e saber aproveitar as oportunidades de mercado a fim de tornar a produtividade num dos factores de sucesso e desenvolvimento da região.
A Região Norte de Portugal e a Galiza formam um território de 50 000 quilómetros quadrados onde vivem seis milhões de pessoas unidas por uma cultura comum. É o Noroeste Peninsular.O Noroeste Peninsular é constituído por um sistema urbano de média dimensão, disseminado uniformemente por todo o território. Nove cidades no Norte de Portugal e nove cidades na Galiza que já partilham intimidades que apenas cidades irmãs é costume partilharem.

6 comentários:

Nortenho disse...

acho que nao devia estar tao preocupada por a galiza ser superior a portugal em trocas, exportaçao, etc. Acho que você esta a tratar a Galiza como estrangeira, quando ela não o é, muito pelo contrário, quem é estrangeiro, é o centro e sul de Portugal a partir do Mondego, pois não sao galegos, são mouros, são lusitanos.

Quer sejam a favor da nação Galaica ou não, a verdade é que Galiza e Norte de Portugal formam uma nação em conjunto, são ambos Galegos.

Portanto eu ficaria era preocupado com o Norte ser inferior em trocas, exportação, qualificação, etc em relação ao Sul de Portugal.
Porque eu tenho orgulho e fico contente que a Galiza esteja melhor, afinal é a metade norte da nossa nação. Agora não fico contente é no norte ser inferior por causa do Sul e ser inferior relativamente ao Sul.

Anónimo disse...

Caro nortenho,

Sinto-me mais Lisboeta do que Galego, para ser franco. Sabia que não faltam por ai blogues de extrema direita portuguesa que querem anexar a Galiza a Portugal ? O que diz sobre isso ?Francmente, o vosso discurso de anexação do Norte de Portugal à Galiza erra porque admite que as nossas causas tem a ver com razões identitárias, quando na verdade apenas tem a ver com problemas económicos.

Cara Espectadoratenta,

A aproximação económica à Galiza é inevitável devido à proximidade. Mas como poderá ler nos meus artigos de Abril não sou muito crente na boa fé dos galegos. Posso estar enganado. De qualquer modo, o facto de pensarmos em termos de «sincronização de clusters» significa que não temos posição de impor as nossas condições, isto é, fragilidade económica. Talvez esteja a ser um pouco pessimista. O tempo o dirá.

Cump
José Silva

Espectadora Atenta disse...

caro Nortenho

Tenho pela Galiza o maior apreço e excelentes relações comerciais.
Julgo que temos muito a ganhar não só a nível económico com os galegos, assim como eles connosco.
Para mim os galegos são irmãos e não estrangeiros... Estamos por isso de acordo quando refere que fica preocupado pelo norte ser inferior ao sul e por causa do sul... mas não é inferior... Apenas os políticos nortenhos deveriam ter a mesma fibra de alguns empresários como Belmiro de Azevedo e você veria quem era inferior a quem!

Atenciosamente,

Carlos disse...

concordo com a espectadora atenta

o norte de facto nao é inferior, muito mas muito pelo contrario.
Actualmente esta sub-desenvolvido por estar integrado dentro deste Portugal do Minho ao Algarve.
Se tivesse dentro de Espanha, ao lado da Galiza ou fosse uma região autonoma separada ou ainda se fosse independente e não incluisse territorios para sul do mondego, o norte estaria muito melhor

A espectadora atenta falou no Belmiro, o maior empresario portugues, o unico que figura na lista de mais ricos do mundo da forbes (A nossa Galiza tem 3 e são o mesmo povo, mesmo sangue que nós, portanto nós poderiamos ter tantos ou mais que eles).
E não é so Belmiro. O norte a nivel de empresários ganha de longe ao Sul. Nota-se uma clara diferença entre iniciativa privada, fabricas e empresas privadas entre o norte e sul do Mondego. Já tive opurtunidade de estudar e ver isso com atenção.
Lembram-se daquele pacote para ajudar os 10 ou 15 maiores investimentos de iniciativa privada em Portugal para reavivar a economia? Vi com atenção isso e só 1 empresa era abaixo do Mondego. Era em Lisboa e nem sequer era de empresarios dessa zona mas de empresarios Espanhois.
Os 2 maiores bancos de Portugal BCP e BPI nasceram no Norte por intermedio de empresários nortenhos. Infelizmente também perdemos muitas grandes empresas pois quando ganham certa dimensao mudam a sua sede para o Sul.
A nivel de grandes empresas o Sul tem as grandes empresas que o estado fez (Cimpor, Brisa, Galp, PT, Caixa Geral de Depositos, EDP) e pouco mais. Empresas grandes criadas pelo seu povo são muito mas muito poucas comparadas com o norte.

O povo do Norte tem sem sombra de duvida muito mais capacidade empresarial e se tivessemos um bom governo e fossemos independentes ou pelo menos regiao autonoma seriamos bastante mais desenvolvidos não tenho duvidas.

Espectadora Atenta disse...

Caro carlos

Faço das suas as minhas palavras... se fossemos bem governados teriamos vários Belmiros de Azevedo e mais uma ou duas Sonaes... Os nossos irmãos galegos também tem Inditex emoutros grandes gigantes... Diga lá, se isto com uma bela estratégia empresarial e excelentes parcerias comerciais não corria muito melhor??? E os protocolos universitários que já existem entre a Região Norte e a Galiza?
Assim, conseguimos facilmente "obrigar" o governo a descentralizar... Basta agir, nada mais!
Atenciosamente,

Rede da Lingua Barbanza-Muros-Noia disse...

Como galego chamo a atenção para a nossa língua comum que cá na Galiza está sendo apagada polo Reino de Espanha.
No eixo atlântico há uma variável que interesseiramente passa muito desapercebida que é o facto de partilhar-mos língua (além de cultura, é claro). E a língua Portuguesa (que cá chamamos galego) deve ser o nosso instrumento de comunicação, que para isso é nossa!

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