A apresentar mensagens correspondentes à consulta transaccionáveis ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta transaccionáveis ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

20100528

Algumas considerações sobre Partido Regional (ou Regionalista)

Começar com o pé direito. Um dos problemas do desenvolvimento a Norte é falta de antecipação estratégica por parte da sociedade civil. Se a houvesse não se tinha chegado até aqui. Nós gostamos de ser individualistas e preferimos as vitórias morais do futebol às vitórias materiais no bolso. Desprezamos o conhecimento sobre como realmente funciona o poder em Lisboa ou a geoeconomia e somos depois surpreendidos com a invasão de produtos chineses ou com as manobras da oligarquia da capital para nos «roubar» o desenvolvimento económico. É então decisivo que um partido Regional ou Regionalista, comece com o pé direito.

O Regionalismo já chegou ao Porto há muito tempo. Em Novembro de 2008 escrevia: 2008:
Siga a táctica dos vencedores, por exemplo de Pinto da Costa. Quando em 1995 Pinto da Costa patrocinou o PPR, decidiu ou foi convencido a criar um partido Regionalista e não Regional. Como se explica bem aqui um partido Regionalista não tem qualquer obstáculo legal e esta pequena diferença não afectará em nada o objectivo do partido: Promover o desenvolvimento territorialmente equilibrado de Portugal, que significa necessariamente ser contra o status quo lisboeta. Seria idiota comprar uma guerra apenas por perfeccionismo.


5ª coluna. A opção por partido Regionalista e não por partido Regional reforça o carácter não independentista do mesmo. Este assunto é um pouco tabu em Portugal. Mas não nos podemos esquecer que já houve guerra civil em Portugal, que Pedro Arroja prevê uma em nova em Portugal, que a Espanha é uma forte candidata à implosão em vários estados e que os movimentos desta natureza são muito susceptíveis de infiltrações por parte de potencias estrangeiras, tal como terá havido em Portugal no período posterior ao 25 de Abril. Além do mais eu tenho conhecimento da infiltração de uma seita religiosa de natureza mafiosa em empresas e instituições a Norte de Portugal, difundindo os seus membros mensagens de natureza política. Até com vídeos no Youtube e tudo. Um novo partido não pode correr o risco de ser uma 5ª coluna.


Perceber que Lisboa já está a cair aos trambolhões. A crise actual representa o fim das economias alavancadas com excesso de crédito investido em bens e serviços não transaccionáveis. Lisboa representa isso em Portugal. É que efectivamente a crise financeira actual decorre do modelo económico seguido em Lisboa nos últimos 20 anos, concretamente, imobiliário, importações, serviços não transaccionáveis, patrocínio estatal aos negócios, «crony capitalism», o capitalismo sem capital mas com muita dívida como referia há tempo o ex-banqueiro João Oliveira. A chamada economia dos bens e serviços não transaccionáveis (energia, telecomunicações, infraestrutura, banca, administração pública, consultoria/advogacia ao Estado e grandes empresas, comunicação social, etc). Dai que a região de Lisboa seja responsável por 4/5 do deficit comercial nacional e o distrito de Lisboa represente no final de 2009 cerca de 42% da dívida privada (empresas não financeiras e famílias). A economia de bens e serviços não transaccionáveis, por não ter concorrência permite a manutenção de margens elevadas por muito tempo, muito úteis para alimentar tachos, «over-head» e consumo, mas destruidoras de capital. Daí as OPAs estrangeiras à Cimpor à PT e a eventual falência de bancos nacionais. O mecanismo do «spill-over» no QREN ou o desvio das verbas da alta velocidade a Norte para a TTT é revelador do desespero do modelo económico lisboeta e seus protagonistas. O modelo deles era insustentável, por isso em 2007 disse que não haveria OTAs ou Alcochetes e em Novembro de 2008 disse que o FMI viria cá e que o Norte se salvaria.


O Norte a salvar-se
. O Norte tem um muito menor endividamento e não tem deficit comercial externo. E os casos de sucesso estão cá. Os emigrantes são nossos. As agencias bancárias a Norte lideram os depósitos a prazo. E como começam a provar dos dados empíricos, os próximos anos serão de crescimento do PIB a Norte e de decrescimento do PIB em Lisboa. Portanto, há que aproveitar e potenciar a boleia da força da gravidade que fará com que o PIB regional se contraia em Lisboa nos próximos anos. O Norte está e sempre esteve no caminho certo, uma economia baseada no verdadeiro capitalismo, «shumpetereano», tipo alemão.



O 2º «mapa cor de rosa» gera uma oportunidade. Em 1890 houve um ultimato inglês por causa dum mapa cor de rosa. Hoje há um golpe na soberania de Portugal também motivado pela mesma cor: A Europa evita a bancarrota mas passa a controlar o nosso Orçamento Geral do Estado. É uma excelente oportunidade para o Norte. Como referi anteriomente, nós exportamos e nos não estamos tão endividados. Tal como o FMI em 1983, a UE, a Alemanha, o FMEuropeu quererão ter sucesso nas suas políticas de redução do endividamento e deficit externo. Eles irão apoiar e proteger os territórios mais cumpridores, economicamente sustentáveis, produtores de bens e serviços transaccionáveis. Só precisamos de fazer «lobby», de explicar o que o Norte tem conseguido apesar da sabotagem crónica de Lisboa. Explicar que não queremos ser prejudicados por uma capital drenadora de recursos financeiros e humanos. E para facilitar até há uma delegação do Porto da Câmara de Comércio Luso-Alemã e um consulado no Porto… A nossa capital passa a ser Bruxelas ou Berlim e é para lá que devemos protestar...


O objectivo não pode ser Regionalizar. Ao contrário de muitos, votei duplamente sim no referendo da Regionalização em 1998 e farei o mesmo em próximos referendos. Isto permite-me afirmar que um novo partido ao propor a Regionalização em cenário de redução as administrações públicas pela Europa fora, será uma amadorismo não credibilizador. Além do mais, a Regionalização é apenas um caminho para chegar ao verdadeiro objectivo que é promover um desenvolvimento económico e social menos injusto para o Norte e mais justo e harmonioso em Portugal. A curto prazo dado os anunciados «PEC» em Gaia e no Porto, deveria-se propor corajosamente a fusão das empresas municipais da AMporto. Não depende de Lisboa, e daqui por um ano já teríamos resultados. A Lipor é uma caso de sucesso, não é? Seria uma mini-Regionalização e a aquisição de conhecimento na gestão políticas públicas à escala metropolitana e não concelhia, nas áreas da cultura, turismo, ambiente, águas e saneamento poderia permitir a médio prazo exportar esse know how e consultoria para os PALOPs ou Margreb. Depois deste sucesso seria então oportuno pedir a Regionalização.

Outros objectivos prioritários. Neste momento em que se redefine a política económica europeia, na minha opinião, o mais urgente seria mesmo fazer ver as instâncias comunitárias da injustiça do «spill-over» e da gestão concentrada em Lisboa dos fundos destinados às regiões pobres. Aliás basta fazer ver as autoridades europeias que é no Norte que se exporta, que tem menos linhas de ferrovia por habitante, km2 ou PIB, um dos menores endividamentos per capita (Viana, Braga, Vila Real, Porto e Bragança representam 23% da dívida privada nacional e apenas 54% da dívida de Lisboa) e demografia mais saudável, que as políticas injustas e drenadoras do Terreiro do Paço acabariam de imediato. Outras linhas de intervenção seria preparar as eleições autárquicas de 2013 e impedir infiltração do modelo económico lisboeta a Norte: O projecto «casa da música» no porto de Leixões, o endividamento da CMPorto para construir uma pavilhão de congressos no Palácio de Cristal junto a 2 outros já existentes (Alfandega, Casa de Vilar), expansão demasiado cara do Metro do Porto, etc. Medidas para dar sustentabilidade económica à região e assim permitir o aumento do nível de vida dos residentes.

Só temos que fazer trabalho de casa. Foi o que tentei fazer com este post que me custou algumas horas de trabalho.

20080527

Bens transaccionáveis, that's the question!

Vítor Constâncio considerou ainda ser benéfico para a economia portuguesa que se faça "um esforço adicional" direccionado para a produção de bens transaccionáveis, ou seja, dirigido à exportação.

in Público online

Pois, pois... agora que o fogo lhes chega ao rabo estão aflitos. Podem começar por deixar de proteger a economia 'lisboeta' de serviços não transaccionáveis internacionalmente, distribuí-los pelo resto do país, e investir nas indústrias exportadoras do Norte e Centro, que na hora da desgraça, como sempre, são chamadas a salvar a 'nação'. Podem também começar a mentalizar o povo das avenidas novas que terão que deixar a protecção do estado e dos serviços e voltar às fábricas. Nós por cá deviamos recusar-nos a ajudá-los. Era o que mereciam.

20080727

O apoio aos Bens e Serviços Não Transaccionáveis - O exemplo das energias renováveis.

Esta ideia de subsidiar as energias alternativas com o objectivo de criar um cluster
energético e colocar Portugal na vanguarda da economia das eólicas tem um pequeno problema. O jogo dos subsídios é um jogo de soma nula. Para subsidiar as energias alternativas é necessário cobrar impostos a outras actividades. Talvez valesse a pena escolher duas ou três actividades económicas para penalizar. Eu proponho que se penalize o sector dos têxteis e calçado, os moldes e as indústrias da saúde. Alguém tem mais ideias?
- João Miranda, via Blasfémias

Embora seja defensável do ponto de vista de da segurança que um país tenha um nível de produção interna de energia que cubra as necessidades mais básicas em caso de catástrofe / guerra, nem os governos definiram qual é esse nível, nem alguma vez defenderam os apoios às energias renováveis com base nesse argumento. Pelo que a subsidiação não é, portanto, uma investimento em segurança, mas puro desvio de recursos dos Sectores Transaccionáveis para os Não Transaccionáveis. Mais uma vez, as empresas competitivas têm de suportar as actividades não competitivas.

20080722

Razões da decadência económica do Norte e do País

O artigo de António Borges permite perceber bem as razões para a decadência económica do Norte. Como todos sabem, o Norte, tal como o Centro, é uma região que baseia a sua economia na produção de bens transaccionáveis.

Ora, as políticas dos governos nos últimos 15 anos (pelo menos) foram precisamente as contrárias às necessárias para o reforço da competitividade destas regiões:
  • Por um lado, o investimento público foi todo direccionado para o Sector Não-Transaccionável, desmobilizando recursos para essas actividades, enquanto implicava impostos adicionais para o Sector Transacionável.
  • Depois, uma política de criação de "campeões nacionais", que implica um aumento dos custos de produção para o resto das empresas: comunicações, energia, transporte, em todos eles pagamos um imposto escondido, em resultado da ineficiência protegida a estas empresas (e das margens monopolísticas). E, no caso do transporte aéreo, o proteccionismo existente torna-nos um país mais periférico e menos atractivo do ponto de vista turístico (que também é sector transaccionável).
  • A criação de instrumentos de subsidio-dependência. A subsidiação às empresas, que impede desemprego pontual no curto prazo, significa também que impedimos que as melhores empresas substituam as piores. E sem uma adequada renovação do tecido empresarial, a região perdeu competitividade ao longo do tempo.
  • Um nível de burocracia elevado, que cria elevados custos de contexto, dificilmente suportáveis para quem sofre a concorrência internacional, e com propensão a permitir "vitórias na secretaria". A somar a isto, às dificuldades burocráticas para as empresas nacionais contrapõe-se as facilidades para os projectos de investimento estrangeiro. Ora, as empresas nacionais têm menor propensão para deslocalizar a produção, criam know how local e, porque mais pequenas, criam menor dependência ao nível local* e maior flexibilidade no tecido económico.

O Norte perdeu competitividade internacional e entrou em decadência, tal como o resto do país. Aliás, o Norte, sendo a economia regional mais aberta ao exterior, é um bom barómetro da situação real do país em termos de competitividade internacional.

Apenas a Região de Lisboa conseguiu manter-se relativamente imune... mas o feito foi conseguido graças ao peso dos Não-Transaccionáveis na região. O problema é que só existe competitividade quando baseada nos sectores transaccionáveis. O facto desta região importar o triplo do que exporta* é revelador da sua real competitividade.

Dizia Miguel Cadilhe, no debate sobre a Regionalização da semana passada no Porto, que existe uma tese, nalguns governantes (e não só), que defende que Portugal necessita de uma mega-capital para conseguir ser competitivo no espaço europeu. Se a tese é má (e profundamente antidemocrática), as políticas a ela associadas foram ainda piores: Portugal perdeu competitividade internacional de forma dramática. Incluindo a Capital.

* Quando uma fábrica emprega 20% da população de um concelho, o seu encerramento implica um drama social na região (é impossível que tanta gente encontre alternativas de emprego em pouco tempo), o que propicia situações de "chantagem" para a obtenção de subsídios adicionais. É assim que nasce a subsídio-dependência.

** Apenas considerando bens. Em abono da verdade, Lisboa tem um desempenho relevante ao nível do Turismo.

20110420

Lição de «sociologia económica»: Diferenças Norte-Sul

Não conheço estudos actualizados sobre a actividade rent seeking em Portugal (e confesso-me um bocado preguiçoso para agora ir à procura) mas lembro-me de um, feito por uma instituição financeira internacional, que na altura chegou a haver ecos em Portugal. (Não se se voluntariamente, porque era um documento restrito de uma casa de investimentos, se não me falha a alcoólica memória. E esse apontava as causas da falência a prazo de Portugal (como veio a suceder, curiosamente), pois em Portugal estava-se a promover as actividades rent-seeking em detrimento das actividades produtivas rumo ao mercado. (Isto na altura do consulado guterrista.) Depois surgiu um outro estudo, este público, feito em Portugal, por portugueses, em que mostraram claramente que a generalidade dos lucros gerados em Portugal pelo sector empresarial estava nas actividades rent seeking.

Em Portugal aquele que mais escreveu com visibilidade sobre este tema foi o Abel Mateus que mais tarde viria a influenciar muito a política económica do governo do Durão Barroso e este confiou a este economista a tarefa vital de criação de uma Autoridade da Concorrência em Portugal, com poderes para tentar inverter o declinio económico de Portugal.
.
Vários outros autores tugas escreveram sobre o assunto, um deles conhecido na blogosfera, o Luciano Amaral e outros como a Conceição Castro, que versaram alguns estudos sobre o assunto. Mais tarde voltarei a estes dois autores porque me interessa realçar algumas coisas nos seus trabalhos.

Vamos lá descrever o que é sistema económico parasita de Lisboa. Começo com umas citações de um conhecido banqueiro tuga, tido como o Tio Patinhas de Lisboa e verdadeiro dono de Portugal. Ou pelo menos, um dos seus principais e influentes agentes económicos:

.
“O presidente do BES defende que Portugal deve apostar nos transportes, uma afirmação feita ontem na apresentação dos resultados semestrais que caíram 6,8%.

Na apresentação de resultados, Ricardo Salgado – que já vinha com uns slides preparados – defendeu os projectos de construção da rede de TGV que ligará Portugal a Espanha e do Novo Aeroporto. Portugal, diz, respondendo às questões do jornalistas, Ricardo Salgado, “vai desenvolver-se através da aposta nos serviços e estes estarão inevitavelmente associados aos transportes”. Alertou para o facto de só Madrid ter um PIB maior de que o português e de isso se agravar se não se construir a rede de TGV. Pelo que o Governo deve avançar com a realização, “tão cedo quanto possível”, destas obras.”
.
In http://economico.sapo.pt/noticias/ricardo-salgado-diz-que-tgv-e-aeroporto-devem-avancar_66218.html
.
.

“Presidente do BES defende aposta nas renováveis e exclui opção pelo nuclear”

O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, defendeu hoje que o “desenvolvimento económico equilibrado” do país, em termos energéticos, deve passar pela aposta nas renováveis e excluiu a via do nuclear.”
.
In http://www.apren.pt/noticias/detalhes.php?id=161

Depois destas citações, algumas noticias para enquadrar as actividades económicas deste conhecido banqueiro.

“O presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES) anunciou esta tarde que votou com a maioria pela venda da Vivo à à Telefónica.”
.
In http://www.ionline.pt/interior/index.php?p=news-print&idNota=67199

Num encontro ontem realizado com jornalistas Ricardo Salgado, presidente do BES negou que o grupo Espírito Santo esteja a preparar uma contra OPA em resposta à avançada pela Sonae no início desta semana. O responsável mantém-se porém ao lado do Conselho de Administração da PT na declaração de que esta OPA é hostil e reafirma a convicção de que o valor oferecido por acção é baixo.

Citado por vários meios de comunicação social portugueses, Ricardo Salgado esclareceu que a liderança de uma empresa de telecomunicações não faz parte da vocação do GES, apesar de considerar a posição do Banco na empresa um activo estratégico. ”
.
In http://tek.sapo.pt/noticias/negocios/ricardo_salgado_nega_que_o_bes_esteja_a_prepa_876062.html
.
“O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, disse esta segunda-feira que vê «com muito interesse» a eventual entrada da brasileira Oi no capital da PT, empresa onde o banco é um dos principais accionistas.”
.
In http://www.agenciafinanceira.iol.pt/empresas/portugal-telecom-pt-oi-brasil-ricardo-salgado-agencia-financeira/1208982-1728.html
.
“A Sonaecom defende que o Governo, ao preferir o projecto da Portugal Telecom, tem agora uma “especial responsabilidade”, ficando “publicamente ainda mais comprometido” em assegurar que a PT será competitiva no mercado nacional das telecomunicações.
A operadora de Paulo Azevedo reage assim ao chumbo da desblindagem dos estatutos na assembleia geral, num comunicado divulgado segunda-feira. A Sonaecom frisou que a sua oferta não chegou “verdadeiramente ao mercado”. No entanto, a operadora continua a acreditar que “do ponto de vista de criação de valor para os accionistas da PT, para os consumidores e para o país, a nossa proposta era seguramente melhor”.”
.
In http://mobile.economico.pt/noticias/sonae-aponta-responsabilidade-ao-governo-na-opa-da-pt_47303.html

.
.
Ou seja, Ricardo salgado é apenas um dos rostos das políticas económicas que em Portugal são prosseguidas há anos em Portugal, que está estabelecido em Lisboa. Podemos estender outros rostos que depois surgem ligados a outras actividades rent seeking promovidas em Portugal, via as famosas Parcerias Público privadas, como por exemplo o Grupo Mello ou até mesmo a Teixeira Duarte, por exemplo.
.
.
Que políticas económicas são essas? São políticas rent seeking, cujas actividades geram rendimentos a determinados capitalistas, que fogem às regras de mercado livre, concorrenciais e abertas. São na generalidade actividades fomentadas por políticos influenciados por lobbies fortemente poderosos, tanto licitamente (financiamento de campanhas políticas legais, dispensa de quadros para exercerem actividade política, forte cruzamento entre actividades económicas e políticas, como caso mais evidente em Portugal, figuras como Miguel Frasquilho, o Manuel Pinho ou até mesmo o Noguera de Leite) como ilicitamente, através da corrupção política. (Ver caso dos sobreiros, envolvendo o próprio BES).
.
.
Estas actividades económicas rent seeking podem também ser vulgarmente conhecidas como actividades fora da alçada do mercado aberto, livre, concorrencial e regulado. Vulgarmente também se designam Bens e Serviços NÂO Transaccionáveis em contraponto aos transaccionáveis ou concorrenciais. E são actividades quase sempre assentes em políticas económicas de governos pouco transparentes, como são o caso dos portugueses. Em Portugal as actividades rent seeking estão quase todas sedeadas em Lisboa, mesmo que parasitagem o resto do país. Um exemplo evidente é o da Brisa, uma empresa que declara lucros (e valor acrescentado bruto) em Lisboa mas sobrevive sem cobrar uma única portagem na capital.

As citações e estas noticias servem para mostrar como funciona Lisboa. O líder do BES promove políticas económicas que criam actividades rent sekking e chega a influenciar positivamente os designios estratégicos do Estado, como no caso do TGV ou do novo aeroporto.


Se em Lisboa e arredores predominam as empresas das actividades rent seeking (como a Brisa, o BES, o BCP, Mellos, etc) no Norte e Centro do país predominam as actividades que sobrevivem a produzir e vender bens e serviços em mercados abertos, livres e concorrenciais. Temos como exemplo, as empresas têxteis, de calçado, metalomecánica, etc. Empresas como a Iberomoldes ou até mesmo Sonae Industria concentram aí as suas actividades e estão bastante dependentes dos mercados abertos e livres para sobreviverem. Denotam quase sempre uma rentabilidade dos capitais próprios baixa, custos de financiamento mais altos, em contraponto às actividades rent seeking, que protegidas pelo poder político, pelos monopólios, oligopólios ou pela falta de regulação, acedem a financimentos mais baratos. E rentabilidades mais altas, quase sempre garantidas pelo Estado.

Este sistema económico promovido por Lisboa tem mesmo raízes culturais e sociológicas profundas. As actividades económicas rent seeking são promovidas normalmente por partidos de esquerda (porque gostam de promover o controlo político, o crescimento do Estado e mesmo o controlo económico da sociedade), partido esses que são sempre ou quase sempre maioritários no Sul e em especial em Lisboa. No Norte, ao contrário, como a própria cultura e relações sociais promovem o espirito livre, empreendedor e crente na funcionamento do livre mercado (basta contrapôr as ideias de um Paulo Azevedo ao de um Ricardo Salgado), na iniciativa privada e na concorrência. Por isso, tradicionalmente o Norte é conservador e de direita (ver alguns trabalhos do Villaerde Cabral) ao passo que Lisboa e arredores, é essencialmente de esquerda e estatista. E parasita. E isto não é assim há apenas recente, tem raízes históricas muito profundas, que até há cerca de 140/150 anos atrás levou a um profundo debate em Portugal, sobre as diferenças entre o Norte e o Sul.

Trabalhos académicos como este, Rent-Seeking and Economic Growth: Western Europe and East Asia: the Cases of Portugal and Taiwan, 1950-2007 , do Luciano Amaral são importantes para perceber as razões do declinio e falência de Portugal, depois de terem quase destruído o resto do pais, em especial o Norte, que paga a chulice de Lisboa. (Aceder aqui: http://apebhconference.files.wordpress.com/2009/09/amaral1.pdf )

Esta actividade parasita, corrupta e “progressista” estará na origem de todas as grandes crises portugueses dos últimos 200 anos. Mas o que importanta entender é o seguinte. A esquerda promove as actividades rent seeking, também por corrupção profunda dos partidos políticos, mas também pela ideologia. Segundo alguns seus ideólogos, como é preciso promover o crescimento económico tem-se que usar o Estado. Aliás, o próprio António Guterres chegou a usar o chamado “modelo social de emprego” para justificar a criação de muitos empregos no Estado, de promover vastas obras públicas através das chamadas PPPs, porque, na sua ideia, como o sector privado não conseguia crescer o suficiente para criar empregos altamente remunerados, teria que o Estado fazer um pressing sobre as empresas, promovendo aumentos salariais muito acima dos aumentos da produtividade. escusado será dizer que este governo de Sócrates apenas continua esta ideologia que promove o rent seeking e a corrupção.

Mas o mais triste foi isto. Os governos do PS, apoiando-se até nas teses dos sindicatos da função pública (sindicatos corruptos, bastante corruptos), sempre promoveram fortes aumentos salarais, bem acima do que os sectores de actividade de bens transaccionáveis, crentes que assim em concorrência com os salários do sector privado, subiriam artificialmente os salários dos sectores abertos á concorrência, acabando por eliminar as empresas que “nem sequer conseguem pagar o salário minimo”.
.
Estas políticas idiotas promovidas por Lisboa (e seus partidos dominantes, PS, PCP e BE), ao invés de puxarem pelo tecido produtivo real, apenas o afundaram. Nada como até saber que esta ideologia corrupta e parasita até é tese de autores estrangeiros. Trabalhos como este, How costly is rent-seeking to diversification: an empirical approach (aceder aqui: http://www.cerdi.org/uploads/sfCmsContent/html/333/waldemar.pdf ) até são baseados na experiência portuguesa.
.
Portanto, hoje o Norte de Portugal tem que levantar a voz contra Lisboa. Novamente, como no passado. Porque, Lisboa culturalmente, politicamente,e até sociologicamente sempre foi e sempre será corrupta e parasita. É assim desde pelo menos os Descobrimentos. Por isso é que Lisboa e os seus partidos políticos mais influentes são estatistas e promovem actividades rent seeking. E por isso é que os partidos políticos portugueses são quase 2socialistas”. Por isso é que o CDS e o PSD são bastante semelhantes ao PS, PCP e até BE. Porque são partidos bastante dominados pelo próprio eleitorado tradicional, já de si parasita. E quanto menos parasita o seu eleitorado, menos estatista. O CDS é menos estatista quanto menos o seu eleitorado tradicional depende dos dinheiros públicos. Assim como o PSD. O PSD é o partido mais liberal entre os 5 porque tem no seu eleitorado tradicional uma importante franja do Norte. Senão, até se poderia pintar de rosa, que passava bem pelo PS, fundado pelo Soares. E, por isso, não é de estranhar que o PS acabe por ser poiso de muita gente de direita (tanto de ex-salazaristas, como o Freitas do Amaral ou até mesmo o Veiga Simão) como até o PS goste tanto de parte dos nossos capitalistas tradicionais.
.
Espero que este longo texto tenha servido para perceber melhor o porquê que o Norte só poderá ser rico e livre no dia em que se desembaraçar das gentes de Lisboa, em especial suas élites corruptas, bem patentes na atribuição de casas camarárias, que foram entregues a jornalistas, como B. Bastos ou até a “empresários” como aquele tipo do CDS e da bola, o Duque. E ainda é mais interessante que esta corrupção generalizada se tenha estendido da direita à esquerda, pois se começou com o Abecassis continuou até pelo menos aos tempos do João Soares.
.
Os do Sul pensam que as actividades da bola são representativas do nosso tipo de élite. Mas não o são. E até como prova interessante do quanto são diferentes no Norte, até o Presidente da Càmara do Porto “deu-se ao luxo” de desprezar os mentecaptos da bola para ser eleito duas vezes.

É por isso que o José Silva do Norteamos destaca duas importantes situações interessantes. O euro é a moeda que serve o Norte e não o sul. O euro beneficia os produtores (tanto na Alemanha como no Norte de Portugal) e prejudica os parasitas, seja na Grécia ou em Lisboa. Por isso o Norte deve fazer tudo para se manter no euro, embora eu já sei que os corruptos e os parasitas de Lisboa vão fazer tudo para sairmos do euro. Outra situação que ele bem defende, é o Norte evitar que a escumalha parasita de Lisboa queira centralizar cada vez mais os centros de decisão políticos, eliminado cada vez mais estruturas intermédias de poder.
.
E outro pequeno comentário.
.
Não é por acaso que o BPI do Ulrich até fez estudos para combater as loucuras de Lisboa e o Tio Ricardo fazia slides bonitos de apoio ás loucuras megalómanas do Sócrates. Isto não é apenas simbólico, é todo um comportamento de que tipo de élites predomina no Norte. E quem diz um Ulrich, diz um Paulo Azevedo, por exemplo. Exemplos de gente que quer viver sem ter o Estado e a mão parasita por detrás dos seus ombros.
.
.
Acho que os do sul, que tanto usam o Bimbo da Costa e alguns seus lambe-botas como tentativa de simbolizar o Norte, deviam pôr os olhos num Vale e Azevedo fugido ou num Flipe Vieira que enriquece demasiado fácil para acreditar na lisura de todas as suas actividades empresariais. Meditem e deixem-se de palermices da bola, porque apenas são expressões de primarismo básico.
.
.
Uma coisa é certa. Em Lisboa a inveja por ferraris ainda hoje se nota em muitos comnetários dos “inteligentes do sul”. mas isso, meus amigos, é problema das vossas conscièncias, não dos empresários nortenhos de sucesso. Esses, merecem bem os ferraris que detêm, pois ao contrário da propaganda sulista, quase sempre são adquiridos sem sequer dever um tostão a um trabalhador. Mas isso, claro, que custa aos invejosos do sul admitir.

Só gostaria de complementar os textos com esta ideia. Quanto mais Lisboa se afunda, mais o Norte se levanta, pois quanto menos actividade parasita do Sul é implementada em Portugal, mais espaço sobra para o tecido produtivo do norte, quase todo na produção de bens e serviços transaccionáveis, rumo á exportação. Por isso não me surpreende muito que as exportações estejam a crescer outra vez bastante, pois as políticas de austeridade sobre o Estado e sobre Lisboa, apesar do continuar do arrastão fiscal, acaba por dar espaço á iniciativa privada.

Por «anti-comuna» aqui: http://blasfemias.net/2011/04/20/sintese-da-execucao-orcamental-2/#comment-352560

PS: Este post é essencialmente dedicado aos lideres do MPN. Alguns deles, apesar de economistas, escrevem que o Norte está em crise. Começo a achar que o objectivo de alguns desse lideres não é a política mas sim outro tipo de negócios. Se os objectivos fossem mesmo o sucesso na política não estariam tão errados.

20110512

Argumento para votar no PDA/MPN em vez do PSD

Nogueira Leite (PSD) afirma que o Estado foi capturado por grandes grupos ligados ao sector dos bens e serviços não transaccionáveis sedeados em Lisboa. Tem toda a razão. Porem, como se explica que Nogueira Leite faça parte da administração de um desses mesmos grupos ? Qual a credibilidade deste apoiante de Passos Coelho ao criticar um comportamento que ele próprio beneficia ? Que confiança se pode ter no PSD ? É de facto intrigante.

Também intrigante a ausência do MPN neste tipo de questões, deixando-se arrastar para a populismo anti-centralista.

A crise actual é uma crise da economia dos bens e serviços não transacionáveis e «crony capitalism» lisboeta. O Norte está a salvar-se e vai continuar a salvar-se, se (e um grande se) a elite lisboeta não conseguir engendrar em tempo útil novos esquemas para exercerem a sua actividade secular: explorar colónias ou o resto de Portugal.

Vejamos 2 exemplos:

Reorganização da administração não central - A Troika quer fusão de autarquias e freguesias; «António Costa quer uma "autarquia metropolitana" para gerir a região»; Lisboa prepara-se para ser a 1º região piloto e os míopes Rio e Menezes desdenham a fusão de autarquias. Para quê o MPN insistir na defesa da Regionalização quando se prepara a uma região piloto em Lisboa por via da fusão de autarquias ? Não andaremos a desprezar pássaros na mão para sonhar com um bando a voar ? Não estaremos novamente a perder oportunidades e a ser ultrapassados pelas estratégias lisboetas? Há que ler as entrelinhas, perceber o que se está a passar e «placar» já com contraproposta que nos beneficie e sem possibilidade de rejeição. Seria exactamente propor uma região piloto à volta do Porto via fusão de autarquias (ou apenas a respectiva gestão), fusão de empresas municipais ou subida de certas competências para empresas metropolitanas (com é o caso da Lipor), tal como Lisboa vai avançar após 5 de Junho.

Investimentos ferroviários - O regime lisboeta quer um TGV Lisboa-Madrid inútil: «o sítio das exportações portuguesas esta a norte e quer-se avançar com uma linha de mercadorias que está a sul». O PSD já está a adaptar o discurso, aceitando-o a custo comportável. O MPN ainda está na fase de reclamar um TGV Porto-Vigo, como no tempo da abundância de crédito barato. Ora, em vez de TGV Porto-Vigo, o que o MPN deveria propor eram investimentos ferroviários «low-cost/high-value» (usando a expressão de outro «culto» urbano da nossa praça) como contrapartida à aceitação do TGV Lisboa-Madrid de baixo custo. Fazer «upgardes» nos traçados actuais, minimizando investimentos em novos troços e criando serviços de passgeiros Porto-Aeroporto-Nine-Barcelos-Viana-Vigo ou Braga-Barcelos-Viana-Vigo ou Viana-Barcelos-Braga-Guimarães-Vizela-Felgueiras-Amarante-Régua ou criar intermodalidade da linha de Leixões junto ao hospital de S.João no Porto ou Leixões-Barca d'Alva-Espanha (tursimo e mercadorias) ou Porto-Lisboa (mercadorias) pela linha do Oeste reformulada. Insistir na mega empreitada TGV Porto-Vigo revela desconhecimento das nossas verdadeiras necessidades e é um frete à economia dos bens e serviços não transaccionáveis e ao «crony capitalism» lisboeta.

O problema das elites do Norte é que andam sempre atrás dos acontecimentos. É preciso criatividade para se atingir propostas credíveis e geradoras de confiança e voto.

PS: Ainda não sei se voto no PSD para assegurar o fim de Sócrates ou arrisco no PDA. É que apesar de confiar nos militantes «patsies» do MPN, há muitos militantes interesseiros por lá (os que queriam criaram uma ONG para angriar capital para actividades financeiras e que depois oportunamente se converteram em políticos).




20090820

Distinguir o trigo do milho evita raciocínios em «loop»

Jornal de Negócios Online - O Banco Carregosa (sede no Porto) vai abrir uma sucursal em Madrid até ao final deste ano, revelou ao Negócios Pedro Duarte, presidente executivo da instituição financeira.
JAFerraz afirmava, há dias, em entrevista à RTV, que havia poupança nos balcões bancários do interior Norte que não eram canalizados para projectos locais. Sugeria a criação de um Banco Regional. Ora, o que sacontece na realidade é que um banco de investimento sediado no Porto trata de abrir sucursal em Madrid e internacionalizar-se em vez de rumar ao interior Norte.
O mesmo dilema preocupava há dias, Rui Valente e Rui Farinas relativamente à Sonae. Provavelmente, Belmiro emprega mais lisboetas do que portuenses.
Porquê esta aparente contradição ?
O problema destes amigos bloggers é que não compreendem que a actividade económica pode ser dividida de várias formas e uma delas é a divisão considerando a origem territorial da procura. Nesta caso teriamos os sectores dependentes da procura Local/Regional e sectores dependentes da procura Nacional/Internacional, isto é, fora da região onde está situada a empresa/negócio/organismo. Exemplifiquemos.
Sector de procura Local/Regional:

  • Transportes, públicos e privados, de passageiros e mercadorias , com rede local/regional (taxistas, STCP, TUBraga, Internorte, Metro do Porto, Aeronorte, TransMaia, etc) ;
  • Hospitais clínicas, médicos e afins independentes, públicos ou privados (ex.: Hospital da Trofa);
  • Portos e aeroportos individuais;
  • Comércio local, restauração, farmaceuticos individuais;
  • Ensino (Infantários, Escolas, Universidades, públicos ou privados;
  • Pequenos promotores imobiliários, empresas CCOP, e gabinetes arquitectura/engenharia (grande parte dos leitores da Baixa do Porto);
  • Clubes desportivos locais;
  • RTV, PortoCanal, BragaTV, DouroTV, radios locais, semanário Grande Porto, Diário do minho, impressa local, etc;
  • Proprietários de imóveis (via valorização da propiedade e possibilidade de arrendamento) e empresas gestoras de condomínios;
  • Delegações locais dos fornecedores Bens e Serviços não Transaccionáveis (sucursais de bancos, seguros, energia, telecomunicações, correios, repartições de finanças, e da segurança social, lojas, super e hipermercados individuais, etc);
  • Independentes ou pequenos contabilistas, advogados, auditores;
Sector de procura Nacional/Internacional:
  • Grandes promotores imobiliários e lobby betão (Soares da Costa, Mota Engil);
  • Grandes cadeias de distribuição (Sonae);
  • Hotelaria;
  • Exportadores;
  • Sede dos fornecedores de Bens e Serviços Não Transaccionáveis (Bancos, GALP, EDP, PT, ZON, CTT, BRISA, Administração Central, etc)
  • Grandes contabilistas, advogados, auditores, consultores (PWC, Accenture, A Vieira de Almeida, etc)
  • Sede dos grupos de saùde e administraçâo central da saùde;
  • FCPorto, Sporting, Benfica;
  • TVI, SIC, RTP, Antena 1, Publico, JN, DN, etc
  • Transportes de passageiros públicos e privados, passageiros e mercadorias de ambito nacional (Luis Simões, TAP, CP, etc)
A Blogosfera Regionalista, a Rede Norte, os cidadãos legitimamente interessados e preocupados com o seu futuro no território onde actualmente vivem, tem que perceber de uma vez por todas, que é impossível esperar dos agentes económicos cujo mercado é Nacional/Internacional qualquer sensibilidade para a equidade no desenvolvimento territorial. Para eles, naturalmente, não interessa onde está situada a procura ou a riqueza.
Se querem solidariedade, se querem convencer alguém, se querem apoio, tem que se orientar para todos aqueles que estão no primeiro sector. É este o nosso mercado.
É importante distinguir o trigo do milho para evitar raciocínios em «loop».



20110604

Missões do MPN/PDA no novo cenário politico

Apresento de seguida o inevitável «trabalho de casa» do MPN (ou outros que venham a surgir) no contexto politico, económico, financeiro e social dos próximos anos.

Em primeiro lugar uma declaração de interesses: Sócrates já esta derrotado e o PSD de PPCoelho já ganhou. Ainda bem. Agora o voto útil a Norte e o meu voto amanha e´ no MPN/PDA, apesar de todas as reticencias que coloco a certos militantes e simpatizantes.

Desenganem-se todos os que acreditam que com o PSD de PPC haverá alterações substanciais a Norte. De facto, não haverão.

O PSD tem 2 metades:

  • O PSD de Lisboa que é um instrumento das oligarquias, do PSI20, dos sectores «rent-seeeking», da economia dos bens e serviços não transaccionáveis e dos mercados e negócios protegidos pelo Estado;
  • O PSD distrital, oposto, que se baseia, no capitalismo industrial, regional, shumpeteriano (http://pt.wikipedia.org/wiki/Joseph_Schumpeter), na economia dos bens e serviços transaccionáveis, das PMEs, na concorrência , na exportação.

Não vale a pena falar do PS e CDS pois são partidos da economia mafiosa ligadas ao fornecimento do Estado e a população inactiva ou menos dinâmica. O PCP e BE pois são partidos tribunícios sem aspiração de governar.

Ora historicamente, o PSD inclina-se sempre para os interesses da oligarquia de Lisboa. Como já se pode vislumbrar do curriculum (http://verdadeirolapisazul.blogspot.com/) de PPC, apesar das imposições da Troika contra o sector BSNT, é muito provável que se mantenha o «status quo».

A economia lisboeta que tem uma bolha imobiliária (valor do m2 40% acima da media nacional), que se especializou em deficit comercial externo via delegações de multinacionais la instaladas e em BSNT, que concentra 40 % do endividamento privado não bancário, que tem um PIB per capita artificialmente acima da media da UE, que concentra a imensa maioria das sedes e serviços centrais da administração central, deveria ser aquela que mais iria sofrer com a crise. São eles que estão a viver acima das possibilidades e não o resto de Portugal

Porem como as oligarquias e o Estado de Lisboa vivem há séculos de parasitagem colonial e há décadas de parasitagem regional, sabem bem manobrar a politica e lançar os políticos certos para defender os seus interesses. E portanto encontraram em PPC uma via para manter o «status quo». O apoio a economia dos BSNT, lucrativa porque sem concorrência, parasitadora, alimentada pelos contribuintes, mudara´ de sabor e ate poderá fazer alguma cura de emagrecimento, mas os beneficiários serão os mesmos. Com PPC acabara o beneficio `a oligarquia pela via das obras publicas e fornecimentos intermédios ao Estado Central e começara´ o beneficio `a mesma oligarquia via privatização parcial ou total de serviços públicos da saúde, educação e segurança social, ainda que seja disfarçado de salvação de Estado Social.

Ora em tudo isto, o padrão vai manter-se. A oligarquia lisboeta dos BSNT continuara a explorar a economia do BST, com Vitor Bento denuncia no seu livro «No´ Cego da Economia».

Na pratica, a única constante politica nos últimos 100 anos, com um interregno de alguns anos depois do 25 de Abril, tem sido o domínio dos oligarcas lisboetas da economia BSNT sobre a politica nacional. Desde o condicionamento industrial em que o Norte ficou com o que Lisboa não queria, ate `a aposta na economia de serviços que deslocalizou do Porto para Lisboa sedes de instituições ca´ haviam ate `as recentes propostas para obras por todo o pais financiadas por PPP organizadas por lisboetas apoiantes de PPC.

Enquanto a economia BST, regional, industrial, shumptereana, sustentavel estiver representada politicamente pelo PSD distrital, na hora H, este será sempre preterido pelos interesses do PSD lisboeta. E quando o PSD distrital toma o poder dentro do PSD, a oligarquia lisboeta muda-se para o PS, como aconteceu com Guterres/Nogueira ou como aconteceu com Sócrates/Santana.

Como os resultados de amanha confirmarão, o PSD ganhara´ a Norte, excepto talvez na Lisboa do Norte (Braga) e o PS e CDU ganharão a sul excepto Algarve e Madeira. Ora esta previsão, vai confirmar minha tese.

Onde entra o MPN neste jogo?

O MPN tem sido um partido tribunício de critica ao centralismo e reclamação por investimento publico. Limita-se ao populismo anti-centralista, uma espécie de bloco de esquerda do Norte.

O MPN tem que perceber efectivamente a sociologia politica e económica se quer efectivamente defender o Norte (eu ainda tenho duvidas sobre isso). Tem que perceber como e que as oligarquias lisboetas criam o rotativismo politco-partidário que as beneficia.

O MPN tem que munir-se de intelectualidade para poder formular uma estratégia para desviar os votos, poder politico, simpatizantes e militantes do PSD distrital. Reclamar contra o TGV, aeropostos, ferrovias, falta de regionalizações entre outros, de nada serve dado que são apenas sintomas de um modelo em funcionamento. Se não forem essas as parasitagens serão de certeza outras. O que verdadeiramente se passa e que os votos do Norte são usados para defender os interesses da oligarquia e massas lisboetas. Este é o problema nº 1.

Perante este desafio, de efectiva compreensão dos mecanismos de representação politica da oligarquia lisboeta , apesar de ter subscrito quase todos os feeds do PDA/MPN, desde que Francisco Fialho abandonou o movimento, não tenho ouvido Anacoreta Correia, nem Cristina Barbot, nem iniciativas para ouvir intelectuais independentes a Norte como seja Rio Moreira ou Pedro Arroja ou lisboetas como Vítor Bento, nem propostas baseadas na inteligência online acumulada em blogues como a Baixa do Porto, Regiões, O António Maria, Geoscopio, Desmitos, etc. No MPN há demasiados lutadores das scuts, empreendedorismo social, produtores de vídeo, vendedores de seguros e por muito meritória que sejam as suas acções e reclamações, não conseguem ver o problema em toda a sua profundidade. E portanto nunca encontrarão uma solução ou proposta ganhadora por falta de correcto diagnostico do problema.

O «upgrade» do MPN também é uma urgência. é que de forma inesperada o assunto independência do Norte será um tema a estudar com profundidade nos próximos 5 anos. E terá que ser o MPN a pensar nele.

O cenário é este: O nível de endividamento externo de Portugal é muito grande e os próximos anos serão duros a tentar equilibrar as contas (embora haja soluções que ainda não foram exploradas como seja incentivar a redução da economia informal via redução de impostos). Ora nos percalços que irão existir neste caminho, num mundo e Europa indisponível para compreensões, haverá sempre a tentação da celebre renegociação da divida, sobretudo por quem não esta habituado a sacrifícios, nem a emigrar, nem a fazer pela vida: precisamente a economia e cidadaos lisboetas, beneficiários do status quo actual. Ora os maiores credores do Estado Português são precisamente… os bancos e fundos espanhóis. Ora com o PSEO pró-autonomia em queda e o PP tradicionalmente castelhanista em ascensão é muito provável que em Madrid se aceite uma renegociação da divida a troco de uma federação Ibérica ou afim. Os Migueis de Vasconcelos do sitio do costume irão aceder, porque é esta a lógica secular deles: Mais um esquema para viver acima das possibilidades durante uns anos. Ora neste cenário, altamente provável a 5 anos, mas para o qual ainda não tenho ideias formadas, o MPN e o Norte terá que ter uma proposta concreta.

Pelas razoes que apresentei, independentemente do resultado que obtenha amanha, o MPN tem novas e exigentes missões pela frente.

20090108

Monetaristas, Keynesianistas, Austriacos e Marxistas: A importância destes assuntos para o Norte

Um comentário ao post anterior de PMS, tornou-se, mais uma vez, num artigo.
PMS, há que fazer uma precisão relativamente ao seu 3º parágrafo.
O Keynesianismo falha porque não percebe que o crescimento económico induzido pelo investimento público será pago cedo ou tarde pelos contribuintes. Ainda ontem Pedro Arroja o explicava. Estes deixam de poder usar os impostos noutro tipo de investimentos provavelmente mais reprodutivos.
Quem acredita no crescimento económico a partir de dinheiro criado do nada são os Monetaristas, M Friedman, a corrente neoliberal. Estes pensavam (e se calhar ainda pensam) que a emissão de moeda sem prévia poupança era inócua. Pelos vistos apesar de se ter iniciado nos anos 70, este ciclo acabou. Ainda ontem, como relata e bem o CCZ, o estado alemão não conseguiu colocar dívida pública no mercado. Isto é muito grave. Alguem sabe quando são os próximos leilões de dívida pública portuguesa ?
Na minha opinião, estes acontecimentos dão cada vez mais razão à escola Austríaca de pensamento económico e a aos economistas Marxistas. «The adherents of Marxian economics, particularly in academia, distinguish it from Marxism as a political ideology, arguing that Marx's approach to understanding the economy is intellectually valuable per se, independent of Marx's advocacy for revolutionary socialism or the inevitability of proletarian revolution.» Este é o meu caso.
Deixo aqui artigos recentes sobre as críticas ao desvio ao Capitalismo, quer da escola Austriaca, quer da Marxista:
Tudo isto é importante para o Norte. Novamente, Lisboa vai-nos governar na direcção errada. Passou as últimas décadas a governar segundo o padrão neo-liberal, financiarizando a economia, gerando endividamento externo crescente e apostando nos sectores de bens e serviços não transaccionáveis lá sediados (em vez das PMES exportadoras a Norte). Agora descobriu o Keynesianismo, com as suas encomendas públicas aos fornecedores lisboetas habituais pagas por todos os contribuintes. A Norte é preciso ter opinião sobre estes assuntos:
  • Dr Rui Moreira, não está na altura de organizar um «think tank» ?
  • Que tal imitar a missão do INTELI que se assunme sem complexos como tal ?
  • Caro professor Alberto Castro, que tal parar de fazer fretes propagandisticos ao seu amigo macroeconomista fo governo e começar a analisar estes temas ?

20081119

Bens e Serviços Transaccionáveis, no sítio do costume

Alert ganha maior contrato em TI para medicina privada no Brasil

A Alert Life Sciences Computing assinou com a Unimed BH o maior contrato em tecnologias de informação para medicina privada no Brasil, país onde a tecnológica portuguesa inaugurou esta semana as instalações da sua subsidiária que irá contar com 60 colaboradores. O contrato agora celebrado “é o mais abrangente e importante acordo estabelecido na área da informatização clínica de instituições de saúde privada no Brasil”, garante a Alert em comunicado. Como é prática comum da empresa, não são adiantados valores do negócio.

As soluções a implementar pela Alert na rede Unimed BH “vão permitir eliminar o uso de papel no apoio a episódios clínicos, facilitar a troca de informação entre as várias instituições e os profissionais de saúde e promover uma gestão eficiente da informação clínica centrada no paciente”.

Com 735 mil clientes, a Unimed BH é a maior operadora brasileira de saúde fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo, sendo apontada como líder no sector de saúde suplementar em Minas Gerais e integra a maior rede de assistência média do país, enfatiza a Alert. No ano passado, a Unimed BH realizou 4,6 milhões de consultas médicas, 105 mil internamentos, 15,3 mil atendimentos domiciliares de urgências e emergências, além de 11 milhões de exames e terapias complementares.

Além do Brasil, a Alert opera com subsidiárias em Espanha, Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Singapura, contando ainda com distribuidores em 32 países.

Por causa da Alert, «há falta» de programadores na AMPorto.

A Alert, mudou este de instalações do Porto para Gaia.

Bens e Serviços Transaccionáveis, no sítio do costume, como é de esperar.

20090226

Finórios portuenses

Muito se tem escrito e discutido sobre a renegociação da dívida de Manuel Fino (accionista maioritário da portuense Soares da Costa, representante das FIRE-Finance, Insurance, Real-State, nacionais, caídas em desgraça desde 2007) à CGD. Facilidades inaceitáveis e e de caracter «mafioso».
O leitor mais atento exclamará: Afinal não é só Lisboa !!!
A minha tese é que os fornecedores de bens e serviços não transaccionáveis circulam o Terreiro do Paço para venderem por valores inflaccionados e assim aumentarem a sua carteira de negócios. Estas empresas são maioritariamente de Lisboa (sede, gestão, accionistas) com alguns acréscimos, nomeadamente Soares da Costa e Mota-Engil.

PS: O comentador «Suevo» informa que Manual Fino é natural de Portalegre. Não altera a tese. A Soares da Costa está sediada no Porto, assim como a sua administração. Para todos os efeitos o modelo de negócio desta empresa, da Mota-Engil e do imenso sector dos bens e serviços não transaccionáveis de Lisboa é o mesmo. Traficar influências junto da administração central e empresas públicas para potenciar as próprias carteiras de encomendas, à custa dos contribuintes.

20100303

A verdadeira Ruptura Económica de Paulo Rangel

A verdadeira Ruptura Económica de Paulo Rangel seria Libertar o Futuro dos Monopólios (empresas e territórios), dando lugar à Concorrência entre actores.

Acabar com os monopólios no desenvolvimento do território, devolvendo poder, autonomia, protagonismo, responsabilidade, hipóteses de desenvolvimento às regiões fora de Lisboa:
  • Não é necessário avançar com a Regionalização, atendendo ao risco para as finanças públicas;
  • Fusão da Gestão das Autarquias, imitando a reforma Relvas do tempo de Durão Barroso e reforma semelhante efectuada na Dinamarca em 2007; contribui também para reduzir despesas na administração pública; Paulo Rangel defendeu esta tese em 2006;
  • Desconcentração da administração pública, sedeando fora de Lisboa organismos e institutos do Estado, onde o m2 e o salário médio é mais barato e dando mais qualidade de vida à população de Lisboa; Paulo Rangel defendeu esta tese em 2006;
  • Extinguir Governos Civis;
  • Criar Círculos Uninominais;
  • Extinguir as funções de políticas públicas dos ministérios ligados ao desenvolvimento (economia, cultura, segurnaça social, educação, ordenamento território, agricultura) e passa-las para as autarquias «fundidas»; O Estado Central ficaria apenas com funções de regulação, fiscalização, cadastro, auditoria, rankings, controlo dos actores regionais; Continuaria a ser responsável pelas funções de Estado, nomeadamente Finanças, Justiça, Segurança, Defesa, Negócios Estrangeiros, Saúde. Com menos competências, seria mais eficiente.


Acabar com os monopólios no desenvolvimento económico, nomeadamente o privilégio que os sectores de bens e serviços não transaccionáveis, claramente sobre-dimensionado face à conjuntura, tem tido ao longo dos últimos anos:
  • Estimular concorrência, privatizar ou extinguir «golden shares» nos fornecedoras de serviços de bens e serviços não transaccionáveis, (Edp, PT, CP, TAP, RTP, GALP), mas não as redes/infra-estruturas respectivas (REN, Refer, ANA, Rede de telecomunicações, Lusa, RTP Internacional, RTP África, terminais de refinarias e oleadutos);
  • Suspender e anular PPP/planos de iniciativa governamental previstas e em curso, que não são mais do que impostos dados a privados em troca de projectos de escassa utilidade. Concretamente, Plano Nacional de Barragens (que beneficia a EDP), E-escola (que beneficia a PT), TTT, TGV e Alcochete, (que beneficia Motas-Engis, BES e escritórios de advogados) SCUTS (que beneficia as Brisas);
  • Orientação das obras públicas para o aproveitamento do património/infra-estruturas existentes em vez de construir novo, acabando com o desperdício de impostos que apenas servem para alimentar o sector da Construção Civil e Obras Públicas que em Portugal tem um peso no PIB 50% superior à média da OCDE e que inevitavelmente tem que se reduzir. Exemplos:
  • Reabilitar linhas férreas para bitola europeia, sobretudo na área das mercadorias em vez de avançar com o TGV;
  • Descentralizar, modernizar e orientar para low-cost aeroportos existentes (Bragança, Vila-real/Leiria, Alverca) em vez de Alcochete;
  • Impedir situações como, por exemplo, a intenção de Rui Rio, no Porto construir um novo pavilhão de congressos com fundos públicos a escassos 300 metros de 2 já existentes; Ou então a intenção de em Matosinhos se construir um caríssimo edifício de autor no molhe do porto de Leixões, para lá instalar uma mera residência universitária; Apesar do clima, há mais pavilhões gimno-deportivos per capita em Portugal do que na Escandinávia.
Esta é que seria a verdadeira a Ruptura Económica de Paulo Rangel.

20110409

Breve e casual comentário

Caros Bartolomeu, Douro, Ventanias.

Obviamente que abandonar o euro é um disparate para o Norte de Portugal e uma grande tentação para Lisboa.

Como referi em 2008 (O FMI "já cá está". O Norte salvou-se. http://norteamos.blogspot.com/2008/11/o-fmi-j-c-est-o-norte-salvou-se.html) todos os últimos 2 anos e os próximos 10, foram/são inteiramente previsíveis. A economia dos bens e serviços não transaccionáveis concentrada em Lisboa, o crony capitalism (ver wikipedia) praticado pelo poder político de Lisboa e o artificial nível de vida que esta região beneficia, era e é insustentável e tinha/terá que acabar. E agora todos eles tem que sofrer as consequências do «modelo de negócio» que escolheram ao longo dos últimos 30 anos. Era o que faltava agora o resto de Portugal ir em salvação de Lisboa.

Por outro lado a economia dos bens e serviços transaccionáveis centrada a Norte e Centro que tem sido sugada pelo sector não transaccionável, como demonstrou Vitor Bento no seu livro «Nó cego» tem estado a recuperar, como eu previ em 2088, como o blogue do consultor Carlos P Cruz Balancedscorecard tem relatado e como se atesta com o recorde de exportações do porto de Leixões em Janeiro último.

Sair agora do euro é uma estratégia típica de Lisboa, milenarmente habituada a viver de esquemas. Se o Norte alinhar neste esquema é apenas revelador da nossa incapacidade de perceber as tendências e construir a nossa estratégia vencedora.

Até o Socrates já percebeu que agora o que está a dar são as exportações e as empresas do regime já se estão a adapatar. A Mota Engil já criou a ME Indústria e Inovação... Apenas as supostas elites do Norte é que ainda não perceberam... E andam as seitas infiltradas no partido do Norte a encaminhar os «patsies» para se criarem bancos... ah ah ah. Enfim, não vão lá...

Ignorem a nossa realidade e o que para nós é o melhor, alinhem com os comentadeiros e tudólogos de Lisboa, apoiem outra vez as suas decisões como o não à regionalização de 1998, e depois queixem-se.

20090103

Luz ao fundo do túnel ?

A propósito desta boa análise de António Maria, comecei por escreve um comentário que se transformou neste artigo.
Caro António,
O nosso deficit da BTC de facto já vem de longe, como dizia ontem no Expresso da Meia Noite o portuense Joaquim Aguiar. Imitamos o comportamentos da maioria das economias ocidentais, sendo um pais pobre... Já agora o deficit comercial é sobretudo da região de Lisboa, sabia ? O Norte, Centro e Algarve, praticamente não geram deficit da BTC... Portanto, não os portugueses que vivem acima das possibilidades, são sim os lisboetas... Há a socialização das perdas e privatização dos lucros, mas também há a portuguização das críticas e lisboatização das virtudes...
Quanto ao futuro, cada vez mais acho que a solução passa pela correcta interpretação das críticas que os economistas das correntes de pensamento económico não dominante (marxistas, austriacos) fazem ao capitalismo e ao pensamento económico dominante (keynesianismo e monetarismo). E nesse sentido o rigor financeiro ou a não utopia devem prevalecer. Obviamente que critica bem a «ditadura financeira» que não era mais do que as práticas neoliberais de financiarização da economia ou de privatizações/PPP que não são mais do que entregar a traficantes de influencias (já agora, residentes na sua maioria em Lisboa) sectores públicos abrigados da concorrencia internacional (o tal sector dos bens e serviços não transaccionáveis).
A história do capitalismo demonstra que em cada crise é inventado um novo esquema desvirtuador para manter o status quo dos dominantes. Francamente acho que é o que vai acontecer. Daqui um mês Obama terá no terreno um gigantesco programa de investimento em infra-estruturas/PPP financiado pela entrega da sua propriedade/concessão aos poupadores mundiais, China, OPEC, etc. Depois da bolha do imobiliário teremos a bolha das infra-estreuturas e PPP. E a bolsa começará a subir. Obviamente que quem se vai tramar são as gerações futuras.
Estas ideias de PPP já estão a ser implementadas por G.Brown e brevemente se difundirão pelo mundo ocidental. Não sei se será a solução para Portugal. É que já andamos nesse negócio das PPP há uns anos: Brisas, hospitais, AdP, Alcochete, já estão em PPP. Ao contrário dos EUA, não sei se ainda temos espaço de manobra para mais actividade económica de B&S não transaccionáveis executadas por privados, com alto patrocínio do Estado Central «mafioso» e lisboeta, custeado pelos pobres dos contribuintes e pelas gerações futuras. A minha tese é que não temos condições para isso. O caminho certo para Portugal é seguir o exemplo do desenvolvimento industrial alemão, japonês e chinês, e não o modelo americano ou inglês.
Portanto na minha opinião, já há luz no fundo do túnel. Não significa necessariamente que o pior já tenha passado nem que depois do túnel a paisagem seja a melhor.

20080106

Integração regional entre o Minho e a Galiza: a importância de uma análise regional mais abrangente

Numa economia tão inter-relacionada quanto a actual, a origem e as consequências de alguns fenómenos económicos não podem ser circunscritas ao âmbito territorial da sua manifestação inicial. O incremento da mobilidade de trabalhadores e da velocidade de circulação de mercadorias faz com que os mercados regionais de trabalho e de bens e serviços estejam sujeitos às consequências de certos fenómenos, que afectam esses mercados noutros âmbitos territoriais. A constatação deste tipo de inter-relações em certos mercados é particularmente notória entre o Minho e a Galiza (a situação é extensiva ao conjunto da região Norte).A evolução global da economia da Galiza, as suas dinâmicas sectoriais e as tendências do seu mercado de trabalho são cada vez mais relevantes para entender a situação e evolução de alguns indicadores económicos a Sul do Minho. Esta realidade é cada vez mais evidente no caso de alguns mercados de trabalho, onde os défices de oferta de trabalho num dos lados da fronteira são compensados pelos excessos de oferta que, conjunturalmente, se produzem no outro lado da mesma. A primeira destas situações afectou o mercado dos profissionais de saúde galegos (médicos e enfermeiros) que, desde finais da década de noventa, se incorporaram ao mercado de trabalho Português. A segunda, em sentido contrário, manifestou-se no mercado da construção civil, onde o excesso de trabalhadores, resultante da crise do sector em Portugal, foi parcialmente absorvido pelo mercado da Galiza, muito dinâmico durante os últimos anos e onde a oferta de mão-de-obra em determinado tipo de artes não acompanhou a procura de trabalho induzida pela procura de bens finais.Estas duas vagas “migratórias” tiveram um forte impacte sobre os mercados regionais de emprego. No primeiro caso, o número de médicos espanhóis (maioritariamente galegos) trabalhando na região Norte chegou a ser perto de 800, enquanto que no segundo algumas estimativas, baseadas em fontes de diversa natureza, revelaram que o número de trabalhadores Portugueses no sector da construção civil na Galiza ultrapassou nalgumas alturas os 40.000. Mais recentemente, têm-se observado outros movimentos com alguma relevância em sentido Sul-Norte, sobretudo no sector da construção naval. A grande carteira de encomendas dos estaleiros galegos para os próximos cinco anos está presentemente a atrair um número crescente de trabalhadores Portugueses.A inter-relação entre estas economias é também muito relevante no mercado de bens transaccionáveis. Num número crescente de casos, estas trocas comerciais não podem ser categorizadas como simples transacções, esporádicas ou com um carácter mais ou menos estável, dado que incorporam uma considerável componente organizacional, que deriva do grau de integração e compromisso entre organizações independentes, onde o vínculo de fornecimento é um aspecto chave da competitividade empresarial das organizações envolvidas. Estas relações privilegiadas entre empresas de ambos os lados da fronteira são muito frequentes no sector do vestuário e na indústria automóvel e começam a ter alguma importância no sector da construção naval e na indústria alimentar.Essa crescente inter-relação entre as duas economias regionais é uma fonte de oportunidades e gera uma série de vantagens para a economia, em geral, e para determinados agentes económicos, em particular. No caso do mercado de trabalho, contribui para colmatar a falta de emprego na região de origem e para alargar o mercado de trabalho e evitar, deste modo, as tensões sobre os preços dos factores no mercado da região de destino. No caso dos mercados de bens, por um lado, assegura a viabilidade e promove o crescimento das empresas fornecedoras e, por outro, permite às empresas compradoras garantir o controlo do processo de geração de valor, graças à proximidade geográfico-temporal, adquirir competências que podem não ter à sua disposição de forma imediata e controlar os custos de produção, em resultado do diferencial de preços industriais.Os aspectos aqui focados justificam uma análise mais alargada das economias regionais com a finalidade de identificar oportunidades e ameaças, clarificar tendências e fluxos, escolher instrumentos de política regional e efectuar previsões a médio e longo prazo. A pseudo-integração de alguns mercados torna-se especialmente relevante quando os ciclos económicos não são coincidentes, dado que permite um melhor ajustamento entre a oferta e a procura. Esta é a situação que se tem vivido nos últimos anos, dado que o crescimento tanto no Minho como na região Norte tem sido marginalmente positivo, enquanto que na Galiza se situou nos últimos três anos no intervalo 3,5-4,1%.A desaceleração da economia da Galiza nos próximos anos parece inevitável, o que limitará as oportunidades de emprego para os trabalhadores Portugueses, sobretudo no sector da construção civil, onde, por exemplo, o número de habitações concluídas tem descido nos últimos trimestres a ritmos superiores a 10%, em termos inter-anuais. No caso da procura de bens transaccionáveis o impacte é mais incerto, dado que num número significativo de casos esses bens são posteriormente re-exportados para terceiros mercados. Em todo caso, convém que os agentes com responsabilidade neste tipo de questões estejam atentos à mudança de tendência e à potencial alteração do padrão de crescimento da economia da Galiza, dado que o impacte económico e social a Sul do Minho poderá ser, à luz do anteriormente exposto, bastante significativo, nomeadamente em termos de incremento do desemprego.

Por FRANCISCO CARBALLO CRUZ in Sumplemento de Economia do Diário do Minho

20071019

Centralismo for Dummies

Alguns comentários ingénuos ou distraídos ao meu artigo sobre a Porto Editora, levam-me a publicar um artigo de Rui Moreira muito pedagógico:

«Há dias, ouvi um amigo lisboeta dizer que o declínio do Porto se assemelha ao que ocorreu há décadas em Coimbra, atribuindo esta decadência a uma deficiente estratégia de articulação entre políticos e elites da região. De facto, nos últimos 20 anos, fomos incapazes de agir de forma concertada, os políticos sucumbiram ou renderam-se ao canto das sereias do poder central, as elites ainda se imaginam herdeiras de um Porto liberal e influente que porventura já não existe, mas são outras as razões primordiais. O Porto só teve protagonismo quando teve poder económico, nos finais do século XIX e logo após o 25 de Abril. Este último foi um fenómeno fugaz que coincidiu com a turbulência da revolução, porque, apesar da perda das colónias, Lisboa mantivera a sua cultura de capital do Império e não tardou em descobrir as suas novas especiarias nos fundos que começaram a chegar por via da adesão europeia. Tal como nas eras dos Descobrimentos e do ouro do Brasil, a chegada da riqueza catalisou o ímpeto centralizador e a cobiça dos cortesãos. A súbita abundância reforçou também uma burocracia opulenta, autocrática e despótica, que ora corrompe ora destrói todos os que lhe tentam fazer frente. O Porto foi vítima deste estado de coisas, não só porque o centralismo ajudou a abater a sua pujança económica, mas também porque, enquanto sede de um modelo alternativo e centro do contrapoder, era o alvo a abater.


Para isso contribuiu o facto de termos estado quase sempre em contraciclo político relativamente ao poder central. Terá sido por fatalismo histórico, ou essa divergência é um resíduo da proverbial irreverência tripeira? Certo é que, durante o cavaquismo, em que a cidade foi liderada por Gomes, a hostilidade do Governo foi evidente na privatização do BPA e na sobranceria com que foi visto o projecto do metro. Com Guterres, chegou a haver convergência, mas a regionalização armadilhada foi um primeiro prenúncio de que os principais autarcas e líderes socialistas do Norte não iriam ter tréguas. A queda de Guterres coincidiria com a vitória de Rio e com o domínio metropolitano do PSD, mas essa efémera convergência com os governos PSD/CDS foi desperdiçada em querelas intestinas. Desde então, a derrota do PS nas últimas autárquicas acentuou a divergência. Estará o Porto a pagar o preço dessa insubordinação? Certo é que o ímpeto centralista que já imperava em Lisboa se "portofobizou". A questão do metro, a privatização da ANA, as opções sobre infra-estruturas, são exemplos dessa política, encoberta por operações mediáticas que sustentam a ideia de que somos o poço dos problemas nacionais. "O vosso aeroporto e a Casa da Música custaram o dobro do orçamentado", dizem-nos, como se fossem casos virgens; "o metro é caríssimo e mal gerido", argumentam, esquecendo a comparação com o da capital. O caso dos túneis é o mais evidente: no de Ceuta, acusaram-nos de discutirem a sua saída como se isso fosse uma prova de que "aquela gente não se entende". Em Lisboa, a intervenção cívica para interromper as obras do túnel do Marquês foi de tal maneira louvada que este não está pronto mas o responsável pelo embargo foi elevado a herói e depois a autarca. Se surgem problemas com autarcas do Norte, vende-se a ideia de que são todos caciques e achincalha-se o eleitorado,


mas se há uma crise na Câmara de Lisboa, passamos a estar todos envolvidos porque o caso é visto como uma questão de âmbito nacional. Tem sido assim também o Apito Dourado, que assobia para Sul e ataca para Norte, apesar dos sintomas de que o aliciamento dos árbitros é uma prática corrente, generalizada e nacional, e que serve para passar a ideia de que os sucessos do FC Porto foram alcançados pela trapaça e de que os nortenhos são batoteiros. Passaria pela cabeça de alguém acusar os lisboetas de pedófilos só porque a Casa Pia e os seus arguidos são oriundos da capital? Mesmo no referendo do aborto, houve quem tivesse o desplante de avaliar a disparidade regional do voto para concluir que as gentes cá de cima são retrógradas e incultas.


Quando a intoxicação já não pode ocultar que o país é governado com dois pesos e duas medidas e que a economia do Norte está em frangalhos, eis que surge na mesa a última cartada: para anestesiar o descontentamento, o PS promete referendar a regionalização. Esta seria bem-vinda - e digo "seria" porque duvido de que seja aprovada -, mas será por mero acaso que só possa ocorrer em 2011, quando já não restarem fundos de coesão para podermos corrigir a mira?


Sócrates limita-se a continuar uma velha mas inconfessada política. Desde os governos de Cavaco que há um propósito de impedir que o Noroeste Peninsular possa vir a ser uma região num futuro mais ou menos distante. Será pela melhor razão, para preservar as fronteiras do nosso Estado-nação? Ora, quando se assiste à submissão dos nossos governos aos interesses de Espanha, seja na política económica (que sucumbe às ordens das suas grandes empresas e não resiste às perseguições às portuguesas em solo espanhol), seja nas negociações dos dossiers da energia e da água, seja na construção do TGV em que se aceita a lógica radial de Madrid, é lícito perguntar: não haverá um plano furtivo para garantir que Lisboa sobreviverá, mesmo que apenas como capital de uma futura região (decalcada no nosso mapa e da qual o Norte não se possa vir a destacar) de uma federação ibérica orquestrada na Moncloa?


Pode ser uma visão catastrófica, mas numa altura em que faltam temas à oposição de direita, é sintomático que esta esqueça a questão do centralismo e o abandono do Norte, que poderiam ser o seu estandarte. Dos partidos à esquerda do PS, a necessidade de proteger a sua clientela eleitoral, que se concentra em grande parte em Lisboa e no Vale do Tejo, e tem nos funcionários públicos (a quem o centralismo convém) a sua maior expressão, não se pode exigir essa visão.


O resultado desta política furtiva está à vista: temos um Estado exíguo, centralista e, a prazo, inviável. Quando acabarem os fundos de coesão, não se imagina como o país poderá continuar a sustentar os seus vícios e não se antevê que até lá seja possível alterar o paradigma. Depois da batota com o mapa das NUT em que a região de Lisboa e Vale do Tejo mingou para poder desviar para os arrabaldes da capital mais alguns fundos de coesão, vamos assistir a um último esforço por desenvolver uma só região que, no futuro, o país não poderá pagar? É essa a nova ameaça ao Porto e a toda a província, como ainda se vai chamando secretamente ao país que não cabe entre as densas colinas da Olisipo.


Como disse Elisa Ferreira, por muito que Lisboa progrida, a sua dimensão nunca permitirá compensar a decadência do Norte e do Centro. A economia destas regiões, que produz a maior parte dos bens transaccionáveis, não suporta o empolamento dos factores de produção não transaccionáveis e dos serviços do Estado que se concentram numa cidade em que o PIB per capita é o dobro do seu. Por isso, se adiarmos a descentralização até que se extingam os fundos de coesão, o país estará falido, o regime em perigo e a nação em risco de desagregação.»

20081007

Também por cá

Também por cá, a Norte, temos representantes da economia dos Bens e Serviços Não Transaccionáveis ligadas ao crédito barato e favores do Estado Central. Não tem a dimensão do de Lisboa, mas existe. Ou melhor, existia: «Novo presidente da AEP suspende investimento de 850 milhões de euros - O novo presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José António Barros, que sucedeu a Ludgero Marques em Junho último, prometeu revoluções e já as começou a concretizar ao suspender o Projecto de Interesse Nacional (PIN) Exponor XXI».

20071228

Ainda sobre o BCP e as «Máfias» do Centralismo

O BCP está numa situação de «pré-pré-falência», como estão muitos bancos ocidentais. Os accionistas tem que permitir que o Estado Central tome conta da gestão. Caso contrário perderiam mesmo muito dinheiro. Portanto, aceitam a «OPA» da CGD. Obviamente que as «Máfias» aproveitam a fraqueza para se abastecerem. Quem são elas:

  • Mais lugares para Boys do PS quer na CGD, quer no BCP;
  • Certos empresários de Macau, via Boys do PS, aproveitarão para retalhar a parte africana do BCP;
  • O BPI, BES, aproveitarão tudo isto para aumentar as respectiva quota de mercado nacional;

Conclusão, certos portugueses da zona de Lisboa, aproveitarão para obter lucro/poder fácil. Aliás, a economia de Lisboa sempre foi assim, uma espécie de Marxismo-Yeltsinismo. Este modelo consiste no investimento em sectores de bens e seviços não transaccionáveis internacionalmente, orientados para o mercado interno, abrigados da concorrência, de elevadas margens, com alto patrocínio do Estado Central (condicionamento industrial, regulamentação protectora, etc), pago com impostos de todos os Portugueses e posterior «privatização» dos negócios. Estamos agora na fase do Yeltsinismo, onde as «Máfias» ligadas ao poder central aproveitam as oportunidades para se tornarem «empresários», tal como aconteceu na União Soviética pós-colectivista. Cá a Norte, os empresários não fornecem o Estado, concorrem com a China e exportam. Uma grande diferença. Voltarei a este assunto oportunamente.

Nota: Vara no BCP equivale menos 5% de quota de mercado e menos 5% de eleitores PS; Deixem os homens das sondagens trabalhar e veremos se Vara vai mesmo para o BCP.

Leituras recomendadas