20081102

Propostas contra a crise

Na linha do que deixou aqui o José Silva, também acredito que as obras públicas de que o País precisa para enfrentar e superar a crise económica que aí vem - por via da contracção do consumo - devem ser sobretudo obras de muito valor acrescentado e, sempre que possível, menor custo (e portanto de menor risco) para quem as vai ter de assumir.

Infelizmente, o que se verifica em Portugal é que todos são óptimos a criticar as opções do Governo, nesta matéria como noutras, e ninguém se apresenta capaz de propor alternativas. Neste caso, de outras obras públicas que reunissem as condições que apontei.

No entanto, há duas que tem sido sobejamente abordadas neste "norteamos" e que merecem reflexão aprofundada de quem queira, de facto, contribuir para um Portugal melhor. São elas a privatização da gestão do aeroporto Sá Carneiro e a modernização da linha do Douro.

Esta última, resulta suficientemente justificada no post do José Silva. Falta agora que as empresas, associações empresariais, sindicatos, universidades e forças políticas, assumam as suas responsabilidades de cidadania e promovam o tema na agenda política nacional, sobretudo tendo em conta o ano eleitoral que se aproxima.

O mesmo se diga em relação à privatização da gestão do ASC. Com a urgência de já haver pelo menos um interessado. Pelo impacto que tal poderia ter no desenvolvimento e recuperação do Norte, e também para a afirmação da megalópolis centrada no Porto, no contexto do Nordeste peninsular, creio que este tema reveste indiscutível interesse à escala nacional. Que bom seria se os meios de comunicação social lhe devotassem mais atenção.

Infelizmente, essa atenção só acontecerá se existir suficiente pressão por parte do público, que é como quem diz das forças vivas que atrás referi. Esperemos que estejam atentas.

É possível um Portugal melhor. Basta querer.

5 comentários:

vitorsilva disse...

ainda a propósito do ASC na sexta-feira na bmag o reitor da universidade do porto disse que considerava fundamental a sua gestão autónoma focando inclusive um caso concreto de uma empresa estrangeira que preteriu a cidade do porto pelo facto de não haver voos directos para cá.

Jose Silva disse...

já referi que a questão dos voos directos é essencial para o asc. provavelmente mais importante que a gestão autonoma.

vitorsilva disse...

claro, aqui como na regionalização o resultado (voos directos) é mais importante que a forma (gestão autonomia).

o misturar destes conceitos é normalmente um ponto de fácil ataque já que é sempre possível argumentar que com a forma existente se conseguem no futuro novos resultados diferentes (para melhor) dos obtidos no passado.

No fim fica a subjectividade, eu acho que se deve ir por aqui porque não acredito não forma actual, outro acha que se deve ir por ali porque acredita que a forma actual pode ser melhorada.

Pedro Menezes Simoes disse...

Caros,

Para cada objectivo pretendido, existe um sistema mais adequado.

É um contrasenso pensar que um sistema concebido para determinado resultado é o melhor para atingir outro.

Os estudos são bastante claros. Mostram que o modelo escolhido pelo governo (monopólio privado) é o melhor para potenciar a rentabilidade do operador privado, e o pior para a criação de riqueza e emprego para o país.

Mas alguém tem dúvidas que se tivermos a Ferrovial a gerir o aeroporto de Lisboa e a Dubai Airports a gerir o do Norte, vão sempre haver no total mais voos directos para o país do que se houver apenas um operador?

Há duas questões diferentes´:

- Qual o modelo que traz mais voos directos? O da concorrência. Logo, este é o melhor para o país.
- Qual o modelo que traz mais voos directos para o Norte? Provavelmente o da concorrência (porque há mais voos directos no total, e porque não se concentrará voos no aeroporto maior). Mas o modelo monopolista até pode (hipoteticamente) concentrar voos no aeroporto do Norte. Logo, este é provavelmente o melhor para o Norte (com grande grau de segurança).

Isto não é subjectivo. Subjectivo é achar que as análises e argumentos racionais não devem ser a base para a tomada de decisões. O achar que o cenário mais provável é na verdade o improvável...

Jose Silva disse...

Pedro,

a gestão concorrencial ou variante é tirar lucros certos às máfias de Lisboa.

É uma aposta perdida à partida.

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