20081031

Estas grandes obras levam-nos ao FMI

Tenciono escrever mais detalhadamente sobre o assunto. Mas fica desde já um contributo:

Portugal não pode seguir uma política puramente keynesiana, como alguns defendem, de estimular a economia através de obras públicas e subida do poder de compra, porque o seu endividamento externo não o permite. E a dívida é um problema especialmente perigoso quando se está perante uma crise de crédito.

Efectivamente o keynesianismo sem poupança leva mais rapidamente à falência. A única alternativa é apostar em investimento público de pequeno valor e de máximo impacto na balança de transacções correntes. Exemplo, o pequeno investimento necessário para recuperar a linha do Douro para levar as mercadorias do Norte para a Europa, evitando parte do consumo de petróleo importado e gerador de déficit comercial. Aliás será este tipo de caminho que acabermos por percorrer. A única questão é saber se o faremos antes ou depois do regresso do FMI a Portugal.

3 comentários:

CCz disse...

José,
Esta estória das grandes obras para dar emprego...
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Se se comparar a caracterização da população trabalhadora hoje com a dos anos 30 do século passado, duas coisas saltam à vista:
* gente com mais formação académica (e não propriamente indiferenciados);
* participação importante das mulheres no mercado de trabalho.

Será que o governo está a pensar em sociólogos, economistas e físicos para acarretar massa nas obras?
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Será que as mulheres vão ter de voltar para casa ou começar a passar a semana fora nas barracas dos estaleiros?
.
Bem, hoje em dia tudo é possível... e o burro sou eu!!!

Pedro Menezes Simoes disse...

Na verdade, as grandes obras públicas apenas dão trabalho a imigrantes, neste momento, o que apenas serve a médio prazo para agravar o problema social pois não temos capacidade para lhes dar trabalho quando as obras acabarem.

Quanto ao texto da Helena Garrido, estou 200% de acordo (como aliás tenho vindo a dizer por aqui). Portugal tem margem zero para medidas anticiclicas. O défice orçamental não o permite. O peso do estado não o permite. E sobretudo o défice externo não o permite.

O caminho é:
- Emagrecer o Estado, reduzindo fortemente a ineficiência e libertando recursos para os transaccionáveis.
- Desconcentrar o Estado para o interior, aproveitando as vantagens de custos (porque não estão os call centers todos no interior / regioes industriais em depressão?).
- Focar o investimento público em pequenos investimentos, que deverão ser identificados e propostos a nível intermunicipal / distrital.
- Reforçar a capacidade de diplomacia económica (sugiro seguir as sugestões de Luís Filipe Menezes…)
- Ter uma política fiscal que simultaneamente restrinja o consumo e aumente a competitividade das empresas, em particular nos sectores transaccionáveis (para reflexão, eventualmente aumentar o IVA e reduzir as prestações sociais - é mais importante reduzir as prestações sociais, que são um custo, do que o IRC).
- Finalmente, uma política agressiva de atracção de investimento para o nosso mercado imobiliário, para evitar a sua queda (nomeadamente, através da atracção de turismo residencial, pois tem um impacto positivo no consumo).

Jose Silva disse...

Na prática, são necessárias medidas que aumentem a competitividade das empresas que contribuem para a redução do deficit da balança corrente, basicamente BST situados a norte e Centro. O TGV PT-LX ao reduzir em 20 minutos a viagem, não aumenta a produtividade de ninguem...

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