20081022

O Estado da causa

Cada vez mais estou pessoalmente convencido que a causa da Regionalização/Autonomia do Norte é uma causa perdida e inglória. O Norte não está ainda preparado para este salto em frente. Preocupa-o mais as suas guerras internas de courelas e regos de água do que propriamente o seu progresso material e social. A cultura castreja ainda impera e mata-se mais facilmente à sacholada um vizinho que teve o desplante de retirar uma pequena pedra dos ridículos muros que nos dividem as quintarolas do que se coopera, juntando e integrando recursos, para ganhar massa crítica e fazer economias de escala. Aliás, o mapa dos resultados ao referendo ao aborto é paradigmático quanto ao facto da Área Metropolitana do Porto ser ainda um corpo estranho no conjunto. O Norte é ainda um território socialmente conservador e dum certo modo até reaccionário. Nesta região apenas uma área reúne já condições económicas, sociais e culturais para esse salto em frente: a metapolis que referi no meu post anterior. Qualquer veleidade em separar este corpo é dar fantásticos tiros nos pés.


A causa da Regionalização é também uma causa perdida por outras razões. Porque quando ela vier já não interessa e ninguém lúcido a quererá nesses moldes. Ela virá quando já não existirem fundos europeus para distribuir. Até lá o Estado Central não a promoverá. Depois assistiremos ao paradoxo desse mesmo Estado a impô-la pela força. Durante alguns anos será a glória do paroquialismo bacoco. Assistiremos à proliferação das quintarolas e dos morgadios. Depois a realidade impor-se-á. Certas ‘estruturas’ sociais têm o condão de se imporem independentemente da estupidez de alguns homens. Em volta dessa ‘realidade’ pouco mais haverá que o deserto.


Só mais uma nota final antes de entrar em ‘licença sabática’: eu sou um intolerante!; sou intolerante para com a hipocrisia, a má fé e a mentira.

15 comentários:

Jose Silva disse...

No Norteamos existe liberdade para escrever o que se quiser, dentro do estatuto do blogue. Por isso, António, não há razão nenhuma para entrar em licença sabática.

FJ disse...

A opinião de uma pessoa de Braga é a opinião das pessoas de Braga ? ou do Norte fora o Grande Porto?

Em Braga , "ninguém" conhece o tal de Pedro Morgado nem o blog dele.Nem o vosso.
No Porto também não, nem em Bragança.
Quantas pessoas lêem o vosso blog ou o dele, no Norte? Em percentagem?

As pessoas seguem o que os "opinion-makers" da RTP,SIC ou TVI, dizem, ou o padre da paróquia, nem os colunistas dos jornais conhecem...

É preciso é cair na real...fonix.

Estão a confundir uma árvore com uma floresta.E uma árvore sem expressão nenhuma...

josé manuel faria disse...

O resultado do referendo no Norte era previsível em 98. O PSD ( quase todo)o CDS e as dúvidas do PS levaram a malta a norte do Douro a seguir partidos e não os seus interesses.

Novo referendo daria outro resultado.

A "luta interna" no Norteamos fragiliza a vontade comum.

ps: desculpem pela minha quase nula participação.

Que este blog continue.

E. disse...

Já agora, todas as freguesias que compõem a área urbana de Braga votaram sim no referendo à IVG, como também as que compõem a pequena cidade de Barcelos. A AMP não é um corpo assim tão estranho na região Norte, a única diferença é que é mais urbano que o resto, simplesmente isso. Contudo, não vale a pena exagerar essa pequena diferença, a AMP também não é Amesterdão!!!

Suevo disse...

O António Alves escreveu:

“Aliás, o mapa dos resultados ao referendo ao aborto é paradigmático quanto ao facto da Área Metropolitana do Porto ser ainda um corpo estranho no conjunto. O Norte é ainda um território socialmente conservador e dum certo modo até reaccionário.”

Aqui quem está mal na fotografia é o Porto. Neste caso o Porto esteve parecido com Lisboa e com o Alentejo, e isso não é nada de positivo, neste ponto o António Alves está a dar tiros nos pés e a dar razão aqueles que pretendem separar o Porto do “norte”. Porque de facto se o bloco de esquerda continuar a crescer, se o PCP continuar como está, para além duma população que é cada vez mais multicultural, é perfeitamente normal que muitos no “norte” considerem o Porto como um corpo estranho.

O facto do “norte” ser socialmente conservador e até reaccionário é um ponto a explorar a seu favor, em contraponto com um sul liberal e progressista.

Os partidos que, já no século XIX, configuravam soluções políticas mais conservadoras
concentravam-se no Norte, o problema é que esses partidos hoje em dia (PSD e CDS para dar o nome aos bois) são traidores do “norte”, o problema não está no conservadorismo da população, mas sim nos partidos em que essa população vota.

Esta clivagem estável, marcada por um predomínio dos comunistas sul e uma maior presença da direita a norte, tem-se mantido sempre. As diferenças étnicas, de regime de propriedade e suas implicações sociais e a religiosidade (devido ao contacto da gente desta
região com o Islão) são alguns dos factores mais relevantes para essa dualidade. E se o Porto se “lusitanisa” nesse ponto, algo de muito grave está a acontecer no Porto, estao-se a esbater as diferenças etno-culturais entre o Porto e Lisboa, e isso é catastrófico para qualquer movimento autonomista.

Ainda em relação ao exemplo dado do referendo do Aborto, para alem da religiosidade do Norte ser muito diferente da do sul (e pelos vistos da do Porto olhando para esse referendo), a Norte sempre foi importante uma família extensa, em contraste com o predomínio absoluto da família nuclear no Sul (e pelos vistos no Porto olhando para esse referendo).

António Alves disse...

caro josé silva, apetece-me descansar. é um excelente motivo, e eu tenho muitas outras coisas para fazer.

"É preciso é cair na real...fonix"

este amigo tem toda a razão, isto dos blogues é uma manifestação de elites, embora não seja elitista. logo não farei muita falta. um abraço :-)

Diogo disse...

Jon Stewart dirige-se a Paulson e a Bernanke: querem que vos demos quase um bilião de dólares para o entregarem a bancos falidos?

O secretário do Tesouro, , e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, foram ao Congresso americano pedir um empréstimo de 700 mil milhões de dólares. Jon Stewart, do Daily Show, faz o papel de avaliador de empréstimos, aproveitando as declarações dos distintos financistas:


Stewart: Com os mercados financeiro a transformar os gestores de fundos em criados de mesa, o casal mais poderoso da América, composto pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, e o presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, foram esta semana ao Congresso de mão estendida, para aquele que foi com certeza, o pedido de empréstimo mais embaraçoso de sempre.

Então, meus senhores, Paulson, Bernanke, é um prazer vê-los aqui… novamente.

Paulson: Quero dizer-lhe que esta não é uma posição na qual eu queria estar. Eu não queria estar nesta posição…

Stewart: Descontraia-se, meu caro… sendo avaliador de empréstimos ouço isto todos os dias. Agora passemos a algumas formalidades. Como foi a sua carreira profissional?

Paulson: Fui director executivo da Goldman Sachs desde… Janei… Desde Maio de 1999 até sair, para vir para cá, em meados de 2006.

Bernanke: Nunca trabalhei em Wall Street, não tenho esses interesses nem essas ligações.

Stewart: Não estejam nervosos rapazes. Ambos são brancos, ambos são ricos, logo é claro que isto não é um daqueles empréstimos “sub-prime” com que nós tivemos de lidar. Muito bem, chega de conversa fiada, passemos aos números. Quanto é que estão a pedir?

Paulson: 700 mil milhões de dólares.

Stewart: 700 mil milhões? É que, segundo os meus registos, já cá esteve quatro vezes este ano, a pedir 25 mil milhões para a indústria automóvel, 85 mil milhões para uma companhia de seguros, 200 mil milhões para umas tais de Fannie e Freddie não-sei-quantas…

Paulson: É preciso mais.

Stewart: Pois, bem… Só de aceitares um cheque, ó careca. Aliás, um cheque careca. Um cheque sem cabelo… Digo cobertura… Só mais uma perguntas, minha gente, para quem é que vai esse dinheiro? Para o povo, calculo?

Paulson: Uma vasta gama de instituições… Bancos grandes, bancos pequenos, de depósitos e empréstimos, cooperativas de crédito…

Stewart: Porque é que não disse logo? Eles são de confiança, vão devolver-nos o dinheiro, certo? Barbudo (Bernanke), tens estado para aí calado.

Bernanke: Vai ser recuperada uma percentagem substancial, mas se será o total é difícil saber.

Stewart: É difícil saber… Interessante. Normalmente exijo uma resposta melhor, mas tendo em conta que foram vocês que nos meteram nesta crise, não terei o mesmo grau de exigência. Vamos ver se percebi bem: querem que vos demos quase um bilião de dólares para vocês os entregarem a bancos falidos, geridos por tipos que usam notas para acender os charutos e o melhor que me conseguem dizer é que talvez nos devolvam algum do nosso dinheiro?

Bernanke: Os contribuintes americanos verão o seu dinheiro bem empregue. Não consigo prever o futuro e já me enganei diversas vezes.

Stewart: Sabem que mais? Que se f… levem lá o dinheiro. Mais um empréstimo perdido? Tanto faz.


Vídeo legendado em português - 3:35m

Pedro Menezes Simoes disse...

"As pessoas seguem o que os "opinion-makers" da RTP,SIC ou TVI, dizem, ou o padre da paróquia, nem os colunistas dos jornais conhecem..."

Pois, mas os opinion makers andam a fazer a sua opinião lendo blogues como o Norteamos...

Em todo o caso, não estou preocupado com as pessoas de forma genérica. Estou preocupado com as pessoas que se preocupam e querem fazer alguma coisa. E aí, o nosso market share é bastante bom.

Jose Silva disse...

FJ, O mundo já foi como relata. Hoje as elites lêem Blogosfera. O povo continua a ver TV e consultar o PAdre.

Suevo, você tem alguma razão na análise que faz. O «espartanismo» portuense está a reduzir-se...

António, a porta está sempre aberta.

FJ, o PMS respondeu ainda melhor.

António Alves disse...

"O facto do “norte” ser socialmente conservador e até reaccionário é um ponto a explorar a seu favor, em contraponto com um sul liberal e progressista."

LOL, este ainda sonha com pastorinhos, vaquinhas, aldeias negras carregadas de pobres, e outras reminiscências de tempos felizmente já ultrapassados em parte. Provavelmente vossa senhoria é um 'suevo' urbano, talvez da marechal gomes da costa, que não faz a mínima ideia de como era (é) a vida no norte rural, conservador, reaccionário e MISERÁVEL! Julgará porventura que as nossas aldeias estão cheias de garbosos guerreiros louros com escudo circular e capacete ornado com um dragão??

Suevo disse...

Este Antonio Alves gosta de New York e de Lodres, não gosta do "norte".

Depois espanta-se que os das aldeias o repudiem.
Deve pensar que já não existem aldeias, ou que já estão todas desabitadas como ele parece preferir.

Confesse lá que gosta mais de Lisboa que do povo do norte que prefere ignorar.

Tambem se nota nas depreciativas palavras que utiliza que parece desejar que acabe o minifundio, e que a agricultura seja totalmente abandonada no "norte", por outras palavras pretende uma total lisboetização, quer acabar com as vaquinhas e com as aldeias carregadas de pobres, e substitui-las por cidades cosmopolitas e habitadas por imigrantes miseraveis, mas para si desde que não sejam os parolinhos da aldeia está tudo bem.

Não há duvidas que prefere o espirito semitizado do sul.

Nós no "norte" sempre fomos agricultores, guerreiros e produtivos. Os do Sul sem agricultura digna desse nome,
pois árabes e berberes eram parasitas ociosos apenas interessados na actividade
mercantil, tal como o Antonio Alves.

Com o triunfo dos semitizados ou
semitas do Sul triunfaria a opção pelo comércio, a construção de um império ultramarino a partir do século XVI, o abandono da agricultura pelo
lucro fácil, o êxodo da população, enfim, surigiriam os males com que o "norte"
ainda se debate.

Como já disse anteriormente, o mal das nossas populações é serem à seculos uma comunidade sem cabeça, dada a total ausencia de elites.

A "norte" ainda existem mais pequenos proprietarios do que imagina, apesar de infelizmente serem cada vez menos.
O Antonio Alves tem alma de lisboeta.

António Alves disse...

caro 'suevo'

o seu caso é um caso de mitomania disfuncional e patológica. e eu declaro-me manifestamente incompetente para argumentar consigo. isso é tarefa para outro tipo de profissionais. mas, no entanto, deixo-lhe uma questão: porque raio os seus 'aldeões', garbosos e louros guerreiros suevos de capacete rutilante, de toda a 'Galécia', tradicionalmente preferiram emigrar para o Brasil, América Latina e do Norte e, já nos anos 60 do século xx, mais de um milhão se mudou para as odiosas, semitas e depravadas cidades da Europa continseental? Embora pareça que você não se tenha apercebido, no próximo dia 1 de Janeiro será o ano 2009, século xxi, não os séculos viii ou ix.

Suevo disse...

Mitomania = tendência doentia para a mentira

Onde está a mentira? Trate é dos comboios que é para isso que lhe pagam com o dinheiro dos meus impostos.

Já parece outro psicólogo de trazer por casa, que com a sua desonestidade intelectual, subliminarmente ou descaradamente promove um falso consenso, como se só os atrasados mentais pudessem pensar o contrario.

Deve ser a táctica da mentira dita muitas vezes, talvez seja influência da rádio que ouve quando anda a trabalhar nos comboios.

Como é evidente, não estou para o aturar. Continue a brincar aos comboios.

Suevo disse...

Vejamos a incoerência:

Ele próprio no texto dele diz o seguinte:

“Preocupa-o mais as suas guerras internas de courelas e regos de água do que propriamente o seu progresso material e social. A cultura castreja ainda impera e mata-se mais facilmente à sacholada um vizinho”

Ou seja é o próprio António Alves que escreve neste mesmo tópico sobre o minifúndio, a mentalidade guerreira de matar à sacholada o vizinho, e que escreve que a cultura castreja ainda impera. Foi ele que escreveu isto, foi ele que disse que em 2008 esta cultura castreja ainda impera.

Escreve um texto do Porto contra o Norte, esforçando-se para dar razão aos que o acusam de Portocentrismo, ainda para mais quando os resultados no Porto no mapa do referendo são iguais aos do Alentejo (essa região tão urbanizada).

Para não me armar em psicologo de trazer por casa só me resta dizer:

Quanta incapacidade
Quanta incompetencia

Mas por um lado ainda bem que assim é.

Jose Silva disse...

Caro suevo,

Você consegue efectivamente perceber o padrão antropológico do Norte. Porem a sua insistência nas questões de «raça» ou apelando constantemente para uma realidade milenar, não encaixa no mundo actual nem nas expectativas de ninguem. Se reduzisse 90% as suas fantasias poderia ser muito útil ao Norte. Assim, vai acabar só. E é pena porque você percebe do assunto e poderia ajudar a uma refundação dos valores de certa forma espartanos que o Norte sempre teve. E isto é compatível com liberalização do aborto ou casamento de homosexuais (que em ambos discordo) ou imigração. O que você tem que fazer é despir do seu espartanismo mitológico e perceber que se você tivesse nascido nas aldeias perdidas do Norte, nunca estaria agora a escrever consistentemente sobre este assunto, mas estaria provavelmente em França. A sua condição de esclarecido nunca seria compatível com a sua condição de natural de uma aldeia miserável. E isto prova a sua mitologia.

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