20081112

A organização que falta

Como já referi aqui, os residentes na AMPorto, assim como Norte em geral, tem que rapidamente passar a ter um pensamento estratégico próprio e verdadeiramente independente. Só assim é que os seus verdadeiros interesses serão constantemente defendidos.

Efectivamente, a AMPorto está refém de várias organizações que representam apenas interesses particulares mas nunca coincidentes com os interesses médios dos residentes. Analisemos então a verdadeira fidelidade de várias organizações:

  • Associações empresariais, nomeadamente a ACP: Está frequentemente alinhada com os interesse médios. Aliás, se suiser ser justo, Rui Moreira é a figura mais representativa dos interesses locais. Porém, não me esqueço da posição que a ACP teve há 10 anos no referendo da Regionalização nem do misterioso desinteresse na recuperação da linha do Douro; A maioria das vezes as associações empresariais apoiam, como é natural, o andamento dos seus negócios.
  • Todos os partidos políticos actuais e seus representantes condicionam a sua agenda à definida em Lisboa. Rio construiu a sua carreira no Porto em função do que precisava de fazer para ganhar notoriedade em Lisboa; Menezes preferiu deixar o PSD instável apoiando PPC, do que defender os interesses do Norte apoiando PSLopes. Os restantes autarcas alinham sempre com a sede do partido em Lisboa. Do PS Porto diz-se isto.
  • As tentativas de abertura à sociedade civil, como por exemplo, o Construir Ideias, acabam sempre por derivar para assuntos transversais de carácter nacional. Não há nenhum interesse em detalhar as estratégias de cada região, como se não fosse importante. O debate intra-Portugal, descentralização, desconcetração é cuidadosamente omitido, porque no fundo, não se quer alterar o status quo. Lamento desiludir o TAF, mas este ocultar das questões regionais revela todo o pensamento da geração nova geração centralista que PPC protagoniza. Aliás PPC já não assume a defesa da Regionalização e já renegou o apoio «leproso» do PSD Porto e Marco António Costa...

A minha opinião é reforçada pela notícia da constituição de uma plataforma para repensar o Porto. Nota-se nesta iniciativa muito oportunismo, muita tentativa de arregimentar a constestação latente, laboriosamente construída pela blogosfera regional, para derrubar Rio em 2009.

Vejamos:

  • O MIC ! O que é o MIC ? Qual o pensamento sobre o Porto ou Norte ?
  • O mediático BE que aparece sempre com as suas demagogias quando há que questionar a autoridade; Apesar do BE rejeitar a privatização da Ana, JTLopes terá capacidade de demover a direcção do seu partido da construção de Alcochete ou TGV Lisboa-Madrid ?
  • Os fornecedores de cultura sem procura que querem impingir a sua oferta, aproveitam para atacar quem lhe colocou moderação após o Porto 2001;

Das organizações presentes no manifesto, apenas a Associação Onda Verde, a Associação de Cidadãos do Porto e a Associação Campo Aberto são verdadeiramente independentes da agenda de Lisboa.

O caminho para os residentes na AM Porto terá que ser este: Conseguirem formular pensamentos próprios, defender os seus legítimos interesses de desenvolvimento e eleger políticos fieis a nível local ou para a Assembleia da Républica, sem estarem dependentes de outras agendas. É a organização que falta. Basicamente um partido regional. Ou uma federação de partidos regionais, replicando esta lógica noutras cidades/regiões e  contornando assim o preceito constitucional.

7 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

O que é o MIC?

Pedro Menezes Simoes disse...

Ah, Movimento de Intervenção e Cidadania.

TAF disse...

Duas correcções, sobre a tal "plataforma para repensar o Porto".

1) Os nomes referidos na notícia (entre os quais o meu) apenas assinaram aquele texto em concreto, e nada mais. Não se fizeram sócios de coisa nenhuma nem assumiram compromissos com quem quer que seja sobre esse assunto.

2) As pessoas em causa assinaram individualmente, e não em nome das organizações a que eventualmente pertençam.

Já agora, quanto ao Construir Ideias: sendo uma plataforma aberta, quem achar que pode dar um contributo positivo que avance com ideias. ;-)

TAF disse...

Ainda quanto ao Construir Ideias: há lá um ou outro nome que eu não colocaria a coordenar um dos grupos de trabalho, mas o mais importante são as participações concretas que aparecerem. Se os coordenadores não estiverem à altura, não é difícil serem substituídos... Agora criticar antes sequer de começar a funcionar, parece-me um pouco precipitado!

TAF disse...

Sobre o "partido regional". O José Silva continua a insistir no erro de pensar que os interesses das pessoas do Norte são convergentes. Não são, mesmo que todos defendam o Norte. Mas eu posso ser mais liberal numas coisas e menos noutras que o José, por exemplo. E deixamos de ter uma visão compatível com a existência de um único partido regional, ou uma organização abrangente nortenha. Um exemplo concreto: imaginemos que todos defendemos um aeroporto com gestão autónoma. Mas se calhar uns defendem que seja pública, outros que seja privada, e outros que tanto faz. Outro: fusão de municípios - uns acham que sim, outros que não. Outra: Cultura - uns defendem apoio da autarquia, outros querem deixar isso à sociedade civil. Economia: uns defendem apoios às PMEs, outros preferem estimular o funcionamento do mercado através do capital de risco, deixando morrer as PMEs que tiverem de morrer. E por aí fora. Um partido regional não é sequer uma utopia, é um contrasenso.

Jose Silva disse...

Tiago,

Não acho desinteressada a participação de elementos do BE, MIC, Fitei ou de Rio Fernandes. Já a sua participação é desinteressada.

Eu não crítico coordenadores do Construir Ideias. Crítico sim é a companhia do PPC. Concretamente, PTPinto e afins.

Obviamente que entre um portuense simpatizante do BE e um elemento da paróquia do Porto haverá sempre divergências sobre aborto ou eutanásia. É obvio que entre um sindicalista de um sector fabril do vale do Ave e a direcção da AEP, haverá sempre diferenças sobre salários. O que alerto é para a falta de um denominador comum a todos eles ao nível da gestão do ASC, reforma da administração pública ou expansão do Metro. Todos eles acabam por ficar orfãos e assumir as mesmas posições que as direcções nacionais respectivas. Posições essas que invariavelmente prejudicam o Porto ou Norte.

TAF disse...

Eu não disse que a participação deles é desinteressada. Nem a minha é desinteressada. O que não defendo (nem eu nem várias outras pessoas presentes na reunião) é que aquilo se transforme numa "frente partidária" contra o actual Executivo da CMP. Erraria completamente o alvo.

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