20080211

Um futuro para Braga, Porto e Aveiro: Cidades dormitório

Uma das consequências da ligação ferroviária de velocidade elevada Porto-Minho-Vigo é colocar a população jovem de Braga a escassos minutos do mercado de trabalho em Vigo. Portanto Braga corre o risco de vir a ser um cidade dormitório...

Mas, como refere Ricardo Arroja, com o TGV/CVE/AlfaPendular/«whatever» Porto-Lisboa a reduzir o tempo de viagem e a liberalização do sector a reduzir o seu custo, o Porto, Aveiro e Coimbra podem também se tornar em cidades dormitório da mega-Lisboa que se vai construindo: «Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se na terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.»

Para que tudo isto se concretize é necessário:

·         Que o processo de «Drenagem» de desenvolvimento para Lisboa continue;

·         Que a sociedade civil a Norte continue adormecida;

Acham que estou a ser pessimista ? Então recomendo a análise da demografia de Trás-Os-Montes no útlimo século... Não esquecer quem ganha e quem perde com este processo: Os proprietários de imóveis em Lisboa e arredores ganham. Os restantes proprietários perdem... Por isso o crédito mal parado na AMPorto já é maior do que na capital...

6 comentários:

El Salvador disse...

A área Metropolitana do Porto existirá mesmo? O Concelho de Gaia quase duplica a população do Porto e tem mais gente que o Concelho de Vigo. Onde fica a cabeça da AMP? Não estaremos a falar de um somatório de suburbanidades?

No que toca a Braga, condenada que está a ser dormitório, sê-lo de Vigo é sempre melhor que ser dormitório do seu actual paradigma sócio-económico. O João abre uma chafarrica e paga o salário mínimo. Algum tempo depois tem 2 BMW e paga o mesmo salário. Depois a chafarrica dá o berro e o João fica com 3 BMW. Excepção feita ao cluster das obras públicas esta é a realidade de Braga.

Há ainda um conjunto de falsas questões nestes debates:

Como pode falar-se no quadrilátero urbano do Baixo Minho (Braga/Guimarães/Famalicão/Barcelos) se o único Concelho urbano é Braga?
Dando de barato que este quadrilátero se constituia a prazo numa área metropolitana, porque aparece nos estudos da CCR a referência ao arco urbano atlântico incluindo Aveiro (região centro) e com epicentro no Porto?

E muitas imprecisões:

O Grande Porto só vai ser a segunda área metropolitana em 2015? Actualmente qual é?
Lisboa será a 3.ª área metropolitana da Europa. Moscovo não fica na Europa? Madrid já com 6 milhões de habitantes na Região Autónoma e Capital do País mais pujante da Europa vai acabar, pese o facto de drenar menos que Lisboa?

Já agora, se não se importa, nos tópicos do blogue onde se lê rivalidades Braga /Guimarães corrija por favor para rivalidade de Guimarães / Braga. Essa é a verdade aqui e em todo o lado. Guimarães ñ gosta de Braga q ñ gosta do Porto q ñ gosta de Lisboa. Valência queixa-se do imperialismo de Barcelona que que queixa de Madrid.

Jose Silva disse...

Caro el salvador !

Excelente análise, mesmo que ponha em causa muitos dos meus próprios clichets ! Benvindo ao debate !

Salem disse...

Também podemos ver por um outro ponto de vista: o AV vai facilitar movimentos pendulares entre Vigo/Minho/Porto/Lisboa, e pode impedir assim a migração das pessoas para o Porto Vigo ou Lisboa..

Quem me dera a mim ir e vir todos os dias de casa para Vigo em vez trabalhar em Lisboa e derreter aqui o meu ordenado quase todo.

E não sou o primeiro minhoto a trabalhar em lisboa com serias aspirações de trabalhar na Galiza.

Pedro Menezes Simoes disse...

O crédito mal parado é maior na AMPorto devido ao perfil produtivo.

Sectores de actividade como serviços, comércio e administração pública, i.e., sectores que produzem bens não transaccionáveis são, por norma, de baixo risco (e também de baixo investimento em termos de capital, pois esse investimento resume-se a pouco mais do que imobiliário, equipamento informático, material de escritório e frota automóvel). Na AMPorto há muita indústria, o que tem mais risco. Para além de não haver o "quentinho" da administração pública, que pelo emprego garantido (e respectiva manutenção de capacidade aquisitiva) funciona como almofada a todas as crises.

Isto leva a um segundo ponto: a crise do subprime, mais uma vez, vai sentir-se muito mais no norte e centro que no resto do país. Por via do abrandamento da procura mundial, e por via do encarecimento do crédito para as empresas de médio risco.

É tempo das empresas nortenhas se prepararem. Recomendo às empresas contratarem seguros de crédito da COSEC para proteger contra o crédito mal parado.

http://www.cosec.pt/

Jose Silva disse...

Salem,

Os transportes mais rápidos e baratos facilitam a deslocação das pessoas nas 2 direcções, é certo. Porém, como as oportunidades de emprego/carreira/negócio abundam em Lisboa e Vigo, este factor já não é bidireccional... Dai o meu raciocínio.

Pedro,

O gap de valorização de imóveis entre Lisboa e o resto do país tem vindo a aumentar e acaba por gerar mais crise: Menor valorização, menor garantia, mais risco, maior spread. Se os activos imobiliários dados como garantia pelas empresas na obtenção de crédito valorizassem mais, provavelmente o risco de crédito diminuiria e o spread também...

Gisela Rodrigues disse...

Se é verdade que há o risco de haver migração num sentido, embora acho que não será assim tanto, o mesmo acontece no sentido contrário, o que actualmente já existe e em maior quantidade. Um bom exemplo é o número de visitantes do IKEA Espanhoís ou de visita às ruas de Braga. Claro esses estão só de visita, mas existem também os negócios e aí posso dizer que as trocas acontecem nos dois sentidos, no sector dos móveis por exemplo ou mesmo da maquinaria para a construção e muitos mais ainda....As trocas são geradores de dinamismo e esse é sinónimo de desenvolvimento económico por isso só pode ser benéfico no final?!

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