20080326

Tempos interessantes para os liberais a Norte

6 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

Tendo em conta que a crise deriva da actuação desastrada do FED desde 2001, e que os liberais são contra a intervenção do Estado (e note-se que o FED faz parte do Estado, embora relativamente independente do Governo), os liberais dirão:
1 - foi a intervenção do estado que provocou a bolha e respectiva crise
2 - os liberais são contra a intervenção do estado para salvar os bancos falidos
3 - os banqueiros até podem ser capitalistas, mas não são liberais
4 - a actuação do FED, ao baixar as taxas de juro, pretende impedir a bolha de rebentar, mas faz isso enchendo-a ainda mais, pelo que teremos uma crise pior daqui a uns anos.

E eu concordo com os pontos 1,3 e 4. Não concordo com o 2, pois existe uma expectativa legítima e prévia de que o Estado interviria em caso de crise no sistema financeiro. Pelo que se trata apenas de uma obrigação que o Estado assumiu perante os cidadãos.

Mas digo também que se o comunismo morreu em 1989, o liberalismo puro morreu em 1929. Em 1929 a crise não resultou da actuação do Estado, mas da falta de regulação. Hoje, a crise resulta de uma política de taxas de juro irresponsável e que, pretendendo minorar a crise de 2001, adiou-a até 2007, possívelmente com consequencias muito mais graves.

De resto, parece-me nonsense que sempre que há uma crise alguém diz que o capitalismo está morto e o comunismo renasceu. Os ciclos económicos não são exclusivos do sistema capitalista. São um fenómeno normal em qualquer sociedade pós-agrícola com desenvolvimento baseado na inovação.

P.S. Não sou liberal. Não me consigo identificar com os liberais. Penso que o Estado pode ter um papel relevante para assegurar igualdade de oportunidades e atenuar a desigualdade. Mas não posso deixar de concordar que o Estado hoje é excessivamente omnipresente.

P.S.2: Existe uma razão para a crise na UE ser relativamente reduzida: o Banco Central está menos dependente dos Governos (logo, dos ciclos eleitorais), e tem tido uma política de muito maior estabilidade nas taxas de juro.

Pedro Menezes Simoes disse...

Isto lembra-me o Henrique Granadeiro, que dizia que era liberal, mas não era parvo.

Parvo não será, mas liberal seguramente não é.

Assim se vê a força das convicções dos homens... ser liberal só porque nos convém é a ideologia pessoal mais repugnante que há.

Jose Silva disse...

Pedro:

1. A FED é privada. Tem como accionistas os principais bancos dos EUA;

2. O meu comentário tem a ver com os mitos sobre a economia americana que vagueiam nas mentes dos nossos liberais. Excluir o Pedro Arroja e o CN do Causa Liberal.

3. O que se passa é que os EUA tiveram um crescimento baseado no endividamento. E isto tem limite. Caricato é o crash na auto-confiança. Personagens que lá ou cá estavam cheias de certezas há 1 ano atrás, comportam-se hoje como trabalhadores em processo de resstruturação à apelar à intervenção estatal, tal como os comunistas o fazem. É irónico. Assim como é irónico criticar a China por causa dos conflitos no Tibete e nada referir sobre os milhares de iraquianos mortos numa guerra assente em falsos pretextos. O futuro que se aproxima será bastante estranho.

4. Para alem de um certo prazer que me dá em confrontar as baratas tontas liberais, a única ideologia que me interessa é a social democracia. Não confundir com PSD.

Pedro Menezes Simoes disse...

De acordo: se idolatram os EUA acríticamente (aliás, os EUA seguiram nos últimos 7 anos uma política de total esvaziamento do Estado excepto na componente de controlo dos cidadãos e intervenção externa), deverão responder a essas questões.

É o que dá suportar ideologias com análises de curto prazo.

António Alves disse...

Volta Marx. Estás perdoado! O problema é apenas um: já não há classe operária para tomar o poder.

Luís Aguiar-Conraria disse...

Caro José, escrevo para lhe dizer que a minha não resposta a este desafio e pergunta que coloca não é qualquer tipo de desprezo ou má educação.
Pura e simplesmente nada de relevante tenho a dizer sobre um assunto destes que não é a minha especialidade. Já agora, permito-me perguntar-lhe, onde foi buscar a ideia de que eu era um especialista em economia financeira, particularmente, em economia bancária internacional?
Abraço,
LA-C

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