20080317

Metro de S.Paulo, Luís Costa, «Concessionismo» e Após o Império

Há dias ao fazer «zapping» vi uma pequena reportagem sobre o Metro de S.Paulo, no Brasil. 3 milhões de passageiros transportados por dia, nos seus 60 Km de linhas. Via-se passageiros apinhados nas estações, a disputarem lugares nas carruagens e mesmo assim estavam satisfeitos com o serviço. Reflecti. Se fisicamente, humanamente é possível pressionar o sistema para este nível de produtividade, então, as críticas ao Metro do Porto, nomeadamente a sua rede, estão desde logo justificadas. Nunca via um metro apinhado na zona do Castelo da Maia... Os nossos governantes precisam de um estágio no metro de S.Paulo...

Noutro «zapping televisivo», detectei que Luis Costa começa a actuar na RTP. Sobre os Piercings do PS, foi Renato Sampaio que respondeu. Boa ! Luis Costa estilo inimigo público vai fazer danos... O senhor do PS nem isto percebe...

Cristina Santos detecta bem. O projecto do Bolhão tem características desnecessárias para um projecto de reabilitação. É um projecto comercial e não cultural, para dar lucro. Não me choca. O que choca é a necessidade de ocultar tudo isto. Será este «Concessionismo» uma opção ideológica, que também não me choca ? Se o fosse deveria ter apresentado no seu programa eleitoral. Como não o fez, o motivo será outro. Depois de ser dispensado da CMPorto, Paulo Morais descobriu que na actividade camarária se financia os partidos. Deve ter chegado a esta conclusão após experiência como vareador. Se Rio suspeita que com quotas de 6 euros se «lava» dinheiro então eu também tenho o direito a suspeitar que o súbito «Concessionismo» pode servir para o financiamento partidário...  Caros assessores do Dr Rio: Só é facto político aquilo que o grande público conhece, é verdade. Mas com a Blogosfera, de repente, há portuenses que não vivem em bairros sociais nem consomem lá férias...São poucos mas bons...

Na 6ª feira O Bear Stearns perdeu metade do seu valor. Nada que já não tivesse sido previsto. A crise está para continuar. O pior está para chegar. As mesmas fontes que previram os episódios actuais relatam para o final do ano problemas nos PPRs, fundos de pensões e segurança social. Quem quiser acreditar, que faça desde já as suas jogadas. Quem não quiser não se quiexe depois. Já agora, quem tiver tempo, recomendo o livro «Após o Império» de Emmanuel Todd, um bestseller na Europa em 2003. Este mesmo senhor já tinha previsto o «crash» da União Soviética nos anos 70... A prospectiva é assunto fascinante. Continuemos então a prospectivar no Norteamos e Baixa do Porto.

3 comentários:

Pedro Menezes Simoes disse...

Notas:
1- A taxa de ocupação passageiro no metro do porto é, salvo erro, 16% ou 18%.

2- O bearn stearns foi hoje adquirido por 10% do seu valor... A minha recomendação é passar todos os investimentos para activos sem risco. Depósitos a prazo, certificados de aforro, bilhetes de tesouro. Para quem ainda não se apercebeu, a bolsa portuguesa já caiu 30% este ano. E vai cair mais. Não é "profecia da desgraça". É o ciclo natural dos mercados.

Pedro Menezes Simoes disse...

Aproveito este "cantinho" para fazer este comentário que não vale um post...

Sobre a possibilidade de baixar os impostos, Vitor Constâncio estava contra, uma vez que isso iria resultar em maior poupança, e não maior consumo, logo não teria impacto no PIB

Ora, só alguém que não compreende os principios básicos da economia, é que pode fazer uma destas afirmações.

PIB é uma medida de riqueza. Significa produto interno bruto. Produto. De produção. Logo, a riqueza está na produção. Esta pressupõe investimento, e este pressupõe poupança.

Confesso que nunca conheci um caso de alguém que ficasse rico à custa de consumir desmesuradamente. Vitor Constância pensa que deviamos consumir mais para ficarmos ricos. Eu, pelo contrário, acho que deveriamos produzir mais.

Agora pergunto-me, qual de nós dois deveria ser o presidente do banco de portugal?

Resposta: Aquele que defender que o governo não deve baixar os nossos impostos e gastar esse dinheiro em actividades de consumo.

Dario Silva disse...

Existe uma pequena diferença entre o Metro de São Paulo e o de Lisboa e/ou Porto;

os irrisórios 60 km de metro (acrescidos, é certo) do rede "ferroviária" "clássica" servem uma megapólis que tem quase o dobro da população de Portugal.
É fácil de adivinhar que onde quer que ali se faça um buraco, vão surgir milhões e milhões de passageiros...

Para comparação, o "Tube" de Londres tem cerca de 400 km e 268 estações para uma população muito inferior à de São Paulo. Acresce ainda a rede "ferroviária" clássica e um intensivo serviço de bus.

Nem a rede de Lisboa é comparável à do Porto porque se desenrolam em terrenos com distintos tipos de ocupação; tanto como nenhum eixo suburbano da CP-Lisboa é comparável a nenhum eixo suburbano da CP-Porto
(bem, talvez o troço Ermesinde-Campanhã seja comparável ao troço Benfica-Roma/Areeiro com a diferença insignicante de que em Lisboa são quatro vias e no Norte são apenas duas - excepçâo: troço Contumil-Campanhã, 2km)

Dario Silva.

Leituras recomendadas