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20070924

Presidente do Conselho de Reitores de Coimbra acusa Mariano Gago de favorecer o Instituto Superior Técnico

Já o sabíamos. É o umbiguismo elevado ao extremo do compadrio e amiguismo. Para ler aqui.

20070803

Fiscalizar as esmolas

Carlos Lage (presidente da CCDRN) representa o Governo no Norte do país, mas critica a inexistência de uma "verdadeira política regional". Acredita que é uma questão de tempo até que Lisboa reconheça a necessidade de estratégias específicas para a região, tanto que o "declínio económico do Norte seria, para o país, uma catástrofe".

20070710

Espero que tenha sido pelos Ribatejanos, é que por nós é indiferente.

"Ontem, durante a cerimónia oficial de inauguração, José Sócrates realçou a importância do significado regional da ponte. "Liga as duas partes da Lezíria, aproxima-as, torna o Tejo um factor de união e não de separação", disse o primeiro-ministro, que referiu ainda o impacto a nível nacional desta obra. "Quem quiser ir do Porto para o Algarve já não precisa de passar por Lisboa", exemplificou. A ponte representa o último troço da A10, que interliga a A1 e permite que o tráfego escoe para o Algarve sem atravessar a capital, poupando aos condutores até 25 minutos."

O caso não é muito relevante, mas demonstra o conhecimento que em Lisboa se tem do país real. Convencidos que estão de ser o umbigo do maís, acham que as gentes do Norte passam por Lisboa para ir para Faro...

Muito obrigado, Sr. Primeiro Ministro, mas se era por nós, não era necessário (espero que essa não fosse a principal razão para esta obra, nem que seja a sua obra emblemática para o norte do país). É que, como pode verificar no Via Michelin, continuaremos a fazer o desvio por Santarém, que é muito mais rápido.

20070704

Que pólos de competitividade para Portugal III

"Uma decisão estratégica

A política pública tem a responsabilidade de dar o mote e marcar a agenda. Iniciativas como as "Cidades e Regiões Digitais", "Acções Inovadoras de Base Regional", entre outras, têm tido o incontornável mérito de colocar estas temáticas na agenda e de reforçar os infelizmente nem sempre muito fortes níveis de cooperação e articulação entre actores territoriais (Municípios, Universidades, Centros I&D, entre outros).

Mas engane-se quem pense que serão capazes por si só de alterar o panorama global. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assunção por parte do país dum verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo mais recente de evolução de desenvolvimento e de implementar "Pólos de Competitividade" ao longo do país, fixando dessa forma riqueza e talentos que doutra forma tenderão a concentrar-se unicamente na grande metrópole.

Neste contexto, a questão surge então – que Pólos de Competitividade deverá o país privilegiar e de que forma deverão ser operacionalizados ao longo do território? São conhecidos nesta matéria várias experiências internacionais, que vão da Finlândia ao conhecido modelo francês, passando pelo modelo de organização consolidado nos últimos anos em Espanha, através das Regiões Autónomas. Não há soluções universais e deve ser atenta nesta matéria a particular especificidade do nosso país e as competências centrais de que dispõe. Acima de tudo, há que tomar opções de forma clara e ser muito claro que haverá zonas territoriais preteridas face a outras, mas o bem de uns é o bem de todos. O papel do Investimento Directo Estrangeiro de Inovação, articulado com Universidades e outros Centros de Competência, vai ser decisivo nesta área e ao Estado caberá a inelutável missão de regular com rigor e sentido estratégico.

Seria muito mau para Portugal e para os portugueses que, em 2015, 45,3% da população se concentrasse na Grande Lisboa. Portugal não é nem quer ser um país como o México. Portugal é um país da União Europeia, convicto do seu paradigma de desenvolvimento e apostado em fazer assentar o seu futuro num compromisso que se pretende sustentável entre a tradição duma história única e a inovação dum futuro diferente. É por isso que a urgência operativa do Programa dos "Pólos de Competitividade" se torna um imperativo de reencontro do nosso país com o seu futuro mais próximo."

Por Francisco Jaime Quesado

20070701

Que pólos de competitividade para Portugal II

"Uma metropolização incontrolável

Os dados do estudo "Prospectivas de Urbanização do Mundo", do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, são muito claros. Além dos 45,3% de concentração da população portuguesa na Grande Lisboa (aumentando o número de habitantes de 3,8 milhões em 2000 para 4.5 em 2015), também a Área Metropolitana do Porto vai ter um crescente peso na demografia portuguesa, destacando-se em 2015 claramente como a segunda maior área urbana do país com 23.9% do total da população.

Ainda segundo o mesmo estudo, nas zonas rurais permanecerá apenas 22,5% da população e nas outras áreas urbanas vão viver apenas 8.3% dos portugueses. Ou seja, uma clara secundarização do papel das Cidades Médias, o que contraria todas as tendências internacionais e a prática da política pública dos últimos anos.

Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de Cidades Médias, tendo por base o paradigma da inovação e do conhecimento, com conciliação operativa entre a fixação de estruturas empresariais criadoras de riqueza e talentos humanos indutores de criatividade, é o único caminho possível para controlar este fenómeno da Metropolização da capital que parece não ter fim.

O papel das Universidades e Institutos Politécnicos que nos últimos 20 anos foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, com o aumento da população permanente e a aposta em novos factores de afirmação local, está esgotado. A alternativa desenvolvida nos últimos anos, centrada nas infra-estruturas rodoviárias e na ancoragem de animação local através de "shopings" também não terá grande futuro, pois será muito limitada pela ausência de valor acrescentado gerado e pela incapacidade de manter estáveis níveis de consumo essenciais para manter a actividade local pretendida.

É por isso fundamental que a aposta concreta em projectos de fixação de riqueza e talentos nas cidades médias portuguesas tenha resultado. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas "Novas Plataformas de Competitividade" a verdadeira aposta estratégica colectiva para os próximos anos.

O aumento dos fluxos migratórios do interior para as grandes cidades, por um lado, e para o estrangeiro, por outro, envolvendo tanto talentos como segmentos indiferenciados da população afectados pela onda crescente de desemprego, tem que ter uma resposta cabal. Só assim se conseguirá evitar que Portugal se torne um país "dual", incapaz de consolidar uma coesão territorial e social essencial na estratégica de afirmação colectiva como um país desenvolvido no novo mundo global."

Por
Francisco Jaime Quesado

20070629

Que pólos de competitividade para Portugal I

Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se na terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.

Apesar da tónica colocada no desenvolvimento do interior, o certo é que o tempo passa e as soluções teimam em aparecer. A definição estratégica do Modelo de "Pólos de Competitividade" para o país torna-se mais do que nunca decisiva e compete ao Estado o Papel central de dinamização dum Programa Estratégico para uma maior coesão social e territorial do país.

Numa Europa das Cidades e Regiões, onde a aposta na inovação e conhecimento se configura como a grande plataforma de aumento da competitividade à escala global, os números sobre a coesão territorial e social traduzem uma evolução completamente distinta do paradigma desejado.

A excessiva concentração de activos empresariais e de talentos nas grandes metrópoles, como é o caso da Grande Lisboa, uma aterradora desertificação das zonas mais interiores, na maioria dos casos divergentes nos indicadores acumulados de capital social básico, suscitam muitas questões quanto à verdadeira dimensão estruturante de muitas das apostas feitas em matéria de investimentos destinados a corrigir esta "dualidade" de desenvolvimento do país ao longo dos últimos anos.

Por Francisco Jaime Quesado

20070619

Não é medo de represálias...

A verdadeira razão pela qual os empresários que pagaram o estudo de Alcochete quiseram o anonimato é bastante simples. Não é medo de represálias.

A verdadeira razão é a mesma pela qual todas as grandes empresas deslocaram os seus centros de decisão para Lisboa. Para receberem benefícios do Governo. As empresas em Portugal não vivem sem a protecção, subsídios, ou favorecimento do Estado Central. É contra isso que lutamos aqui no Norteamos. Contra a distribuição de benefícios baseada nas ligações pessoais, na troca de favores (e de cadeiras).

Não é medo de represálias... é medo do fim dos benefícios.

20070613

Estratégia de desenvolvimento regional sui generis II

Qual a semelhança e a diferença entre Alenquer e Azambuja?

Diferença: Alenquer está na região do Centro e a Azambuja na região do Alentejo.
Semelhança 1: Ambas beneficiam dos Fundos da UE definidos para as regiões mais pobres.
Semelhança 2: Ambas pertencem ao distrito de Lisboa.

Guarda, Viseu, Covilhã, Castelo Branco, Coimbra, Beja, Évora, e Portalegre agradecem. Sem dúvida irão beneficiar dos fundos de coesão regional aplicados nesses 2 concelhos.


P.S. O governo está a analisar a hipótese de incluir nos Açores a ilha de Porto Santo e a parte norte da Madeira. Só ainda não decidiu se Chelas pertence ao Alentejo ou ao Centro...

Duas vitórias para o Norte

O ambiente no Norte é depressivo, mais depressivo ainda que no todo nacional. Compreende-se que seja assim: a região, que outrora foi a mais exportadora do país, tem sido a mais atingida pela abertura dos mercados e a reestruturação do tecido industrial deixa atrás de si um lastro de desemprego e de pobreza envergonhada.


O Norte está condenado a ser uma das regiões mais pobres do país? O exercício futurista do jornalista Rui Neves, de antecipar o que pode ser a região no final do novo ciclo de fundos comunitários, diz claramente que não. Que a região pode inverter a tendência e passar a crescer acima da média nacional, que pode recuperar o gigantesco "gap" em matéria de habilitações da sua população activa, que pode voltar a criar emprego e mais qualificado do que aquele que
perdeu.

Para que o exercício futurista não seja apenas isso, é necessário que a região tire o máximo proveito do QREN, substituindo a aposta no "hardware", que foi dominante nos três anteriores quadros comunitários de apoio, pela prioridade ao "software". Mas para que as opções possam ser as que mais interessam à região e para que se acabem as desculpas para os decepcionantes resultados obtidos ao fim de duas décadas de investimentos, que contrastam, por exemplo, com o "milagre" da Madeira, a questão da regionalização volta a estar na ordem do dia. A lógica da desburocratização e da descentralização, que está a ser desenvolvida pelo Governo, tem os seus limites e não é suficiente para uma gestão criteriosa e integrada de projectos com impacto regional. Assim como não se admite que a gestão dos fundos seja ainda mais centralizada do que no passado.

A verdade é que a desconfiança em relação à regionalização, com o argumento de que com as regiões vão multiplicar-se os pequenos caudilhos à imagem e semelhança dos autarcas às voltas com a justiça, sofreu nos últimos tempos um revés. É que o autarca modelo já não vem do Alentejo, mas do Norte. Rui Rio, que nem sequer é particularmente bem amado pelas elites da cidade, que mais facilmente cria um inimigo do que um aliado, em especial no universo da cultura, foi erigido em modelo a seguir quando Saldanha Sanches, disse que "António Costa pode fazer em Lisboa o que Rui Rio fez no Porto".


A segunda vitória do Norte foi conseguida na segunda-feira, com a decisão do Governo de analisar a hipótese de Alcochete como alternativa para o novo aeroporto de Lisboa. O Norte encabeça, desde os primórdios, a oposição à Ota, porque a localização a Norte do Tejo é a mais gravosa para a dinâmica do aeroporto Francisco Sá Carneiro. Porque algumas vozes do Norte têm sido das mais cáusticas no argumento de que o aeroporto na Ota não passa numa análise
custo-benefício. Claro que se a oposição à Ota tivesse ficado circunscrita ao Norte, teria sido mais fácil ao Governo acantoná-la. Os verdadeiros problemas começaram quando às vozes do Norte se somaram as vozes de Lisboa e as reservas dos técnicos. Tornando insustentável manter uma decisão política, na qual a a maioria dos portugueses já não se reviam.

Luisa Bessa, no Jornal de Negócios

Estratégia de desenvolvimento regional sui generis

Há uma razão para o governo querer fazer o aeroporto de Lisboa o mais longe possível de Lisboa. Nos próximos anos haverá dinheiro europeu destinado ao desenvolvimento regional para gastar. Esse dinheiro serve para aproximar as regiões mais pobres da União Europeia das mais ricas e por isso só é atribuído a regiões pobres. Acontece que o rendimento da região de Lisboa e Vale do Tejo já está muito próximo da média europeia. As obras públicas dentro desta região não deviam ter direito a verbas para o desenvolvimento regional.

O governo teve então a brilhante ideia de redistribuir parte da região de Lisboa e Vale do Tejo pela Região Centro e pelo Alentejo. Desta forma, terrinhas a 30 ou a 50 km de Lisboa deixaram de estar numa região rica e passaram a estar numa região pobre. O que é excelente porque o governo poderá continuar a investir fundos que deviam servir para aproximar regiões ricas e pobres numa região que já é de longe a mais rica do país.

Isto também quer dizer que verbas que deviam ser usadas no interior do Alentejo ou no Distrito da Guarda passam a ser usadas enriquecer ainda mais a região de Lisboa. Pode argumentar-se que não é bem assim, que Alcochete e a Ota ainda não foram bafejadas pelo progresso que irradia da capital. É certo que os investimentos públicos se estão a deslocar a cerca de 50 km por década em direcção ao resto do país, mas por este andar só chegarão a Bragança no início do século XXII. Para já, com a construção do aeroporto de Alcochete, o Alentejo fica estatisticamente mais rico.

João Miranda, no Blasfémias

20070605

O país que é uma anedOTA II

  • Nos mesmos 10 minutos, deu ainda para assistir à grande confusão com que foi utilizado o conceito de "Fachada Atlântica".

  • O conceito de Fachada Atlântica é uma forma de ver Portugal. A Fachada Atlântica corresponde a todo o Portugal, em particular o litoral, e vê o nosso país, não como periferico em relação à Europa, mas como a porta de entrada da Europa em relação às Américas e África.

  • Em consequência, a estratégia de desenvolvimento de Portugal, em particular nas áreas de logística e transportes, deveria privilegiar o desenvolvimento de infraestruturas que alavancassem nesse posicionamento de fachada atlântica. Até aqui muito bem.

  • A partir daqui a confusão instalou-se. Como se o novo aeroporto de Lisboa fosse a estratégia para o desenvolvimento da fachada atlântica. Lisboa está na fachada atlântica, mas não é a fachada atlântica. É bastante difícil compreender como é que a subordinação do ASC e Faro à OTA vai desenvolver a fachada atlântica. Pelo contrário, vai reduzir o seu alcance e submeter as periferias ao poder de Madrid. Quanto muito, serviria (alguns) interesses do Vale do Tejo. A OTA NÃO É UM PROJECTO NACIONAL. É UM PROJECTO REGIONAL. Qual foi a parte de "novo aeroporto de LISBOA" que não compreenderam?

  • Depois, ninguém ainda explicou foi em que é que ter um mega-aeroporto para passageiros que só estão de passagem (aterram em Portugal para partir imediatamente para outro sítio) contribui para o desenvolvimento da fachada atlântica (ou para o desenvolvimento de Lisboa).

20070604

Programa de Salvação Regional

"A regionalização não pode esperar, precisa de um horizonte temporal claro", disse o socialista. ". É preciso marcar uma data. Longínqua, mas uma data", reforçou a sua camarada de partido, para quem não deve perder-se tempo com o debate sobre o número de regiões. "São cinco".

Carlos Lage - Presidente da CCDRN; Elisa Ferreira - Eurodeputada

"O primeiro passo é mesmo mudar o centro", sugere Paulo Azevedo, presidente executivo do Grupo Sonae, para quem "há um problema de centralismo absurdo em Portugal, ao ponto de ser difícil equacionar, para quem está no poder, não centralizar tudo em Lisboa". Comprometer é outra palavra-chave usada pelo empresário. Uma vez que o centralismo é tão grande, "que seja minimamente iluminado", defendeu, indo de encontro às palavras de Elisa Ferreira. E que se consiga "responsabilizar o centro por tudo o que não foi feito", além de "exigir do Governo compromissos para a região". Se esta seria uma solução imediata, a prazo defende regiões administrativas. "Uma boa regionalização faz certamente sentido e é mais do que evidente que é um factor de desenvolvimento. O centralismo é causa de subdesenvolvimento", destaca.


Paulo de Azevedo - Presidente da Sonae, SGPS

Ler mais, no Jornal de Notícias, ou na Agência Financeira

A decadência do Norte deve-se à dimensão e clientelismo do Estado Central

O empobrecimento relativo da região Norte em relação ao resto da Europa e à própria região de Lisboa tem um aspecto paradoxal. O Norte continua a ser a região mais exportadora, enquanto que Lisboa importa muito mais do que exporta. A recente recuperação da nossa balança comercial deve-se às empresas do Norte. Assim, temos um país rico em Lisboa, mas que não exporta para o mercado global, e um país pobre no Norte e que, apesar de tudo, vai produzindo para o mercado global.

A explicação para este paradoxo tem muito a ver com o papel do Estado na sociedade portuguesa. Os rendimentos mais elevados na região de Lisboa devem-se, em boa parte, ao facto de estar aí concentrada grande parte do funcionalismo público. Como os salários dos trabalhadores não qualificados e dos quadros médios da função pública são superiores aos do sector privado, não admira que o rendimento médio em Lisboa seja superior.

Por outro lado, assistimos, nos últimos anos, a uma concentração cada vez maior das sedes das empresas em Lisboa. Mesmo aquelas que têm a sua origem no Porto ou no Norte tendem a deslocar as suas administrações e quadros superiores para a capital, se não de direito, pelo menos de facto. Isso deve-se à maior atractividade desta em termos de investimento público e também ao facto de convir às empresas a proximidade com o Terreiro do Paço.

Em Portugal, como noutros países do sul, os negócios privados e públicos fazem-se mais através das ligações pessoais do que mediante o respeito por procedimentos abertos, transparentes e concorrenciais.

A imensidade do Estado e o seu clientelismo estão pois na primeira linha de responsabilidade pela situação a que chegou a região Norte. Mas, enquanto o Norte se afunda na sua crise, o país precisa de descobrir que não pode viver sem ele.

João Cardoso Rosas, no Diário Económico

20070515

A inaceitável discriminação

O governo(?) prepara-se para gastar 100 milhões de euros na promoção do turismo português. Desculpem-me: Errei! Na promoção do turismo do Algarve, Madeira e Lisboa. Para o Porto e o Norte, apesar de todos os especialistas garantirem que o Vale do Douro e a paisagem do Alto Minho têm potencialidades incomensuráveis, e apesar da grave crise socioeconómica que a região atravessa, nem um cêntimo.


É de todos sabido que portugal não tem governo. Existem na realidade 3 governos regionais: o de Lisboa e Vale do Tejo (e ocasionalmente Algarve), o da Madeira e o dos Açores. As outras regiões encontram-se completamente ostracizadas e atiradas para um empobrecimento galopante.


Aqui a Norte é hora de nos governarmos a nós próprios. Mas com gente nova e genuinamente empenhada em defender o seu povo. Os que nos têm representado dificilmente escapam à sentença de incompetentes - a maioria - e traidores - um bom número deles.

Os choramingas

Ciclicamente alguns figurões da nossa praça juntam-se numa qualquer conferência e choram a triste sina em que nos encontramos. Alguns já foram ministros, outros são líderes de instituições importantes. As conclusões são sempre as mesmas: que se trata de "abandono" pelo poder central que egoisticamente só tem olhos para o seu próprio umbigo e enxúndias adjacentes; que precisamos de um "líder forte directamente eleito pelo povo", etc.


Tudo isso já nós sabemos. Não precisamos que nos repitam. O que precisamos - e nisso eu concordo - é mesmo de líderes. Pois bem, candidatem-se! Formem um Movimento pelo Norte e assaltem tudo o que seja lugar elegível. Desde juntas de freguesia a câmaras municipais. O que queremos é gente corajosa que seja capaz de vir para a rua dizer ao povo o mesmo que diz nas conferências, prometer-lhes a mudança, e garantir-lhes que com eles a discriminação e o ostracismo a que a região tem sido sujeita terminará a bem ou a mal. Nós cá estaremos para os eleger. De choramingas estamos fartos!


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