20080515

O Centralismo perdeu a vergonha na cara. Já nem disfarça !

AAFelizes no blogue Regionalização detecta bem. Só visto ! Não sei como é que ainda há a Norte, umas criaturas, que não são nem Belmiros, nem Motas, nem Amorins, nem rigorosamente nada, que em nada beneficiam com a situação actual, mas que defendem o status quo.

Se acertamos, então Norteamos VII: BCP e PIB

A LINHA FERROVIÁRIA DO TUA OU O FUNDAMENTALISMO DO BETÃO

A barragem do Rio Tua pode ser um investimento interessante para a empresa que a vai explorar, a EDP, mas provocará, sem dúvida, uma perda irrecuperável do transporte público, da paisagem e da agricultura de Trás-os-Montes, que se tornará mais pobre e despovoada.

Rui Rodrigues

Clique para ler

20080514

Soluções para o Interior

Folgo em ver que ainda há pessoas que se preocupam com o que verdadeiramente importa no contexto da Regionalização: a problemática da desertificação das regiões interiores do território português.

A problemática da Regionalização não pode mais ficar-se por uma "guerra" entre o Porto e Lisboa que, embora sejam os dois maiores centros urbanos do país, não deixam de representar uma pequena parte do território português. Ao longo destes últimos 30 anos, a Regionalização foi debatida, metida e tirada da gaveta, mapeada, referendada, apoiada e repudiada. Mudaram os políticos, sucederam-se governos, alguns "notáveis" mudaram inclusive diversas vezes de opinião sobre este tema, fazendo com que Portugal ficasse parado a ver, primeiro Lisboa, depois a Estremadura e Ribatejo, depois o restante litoral evoluir (embora numa escala menor).

Entretanto, entre 1960 e 2001, o Interior perdeu praticamente metade da população. Primeiro, foi a emigração, para a França, a Suíça e a Alemanha, principalmente, depois foram as migrações para o litoral: Lisboa e Porto. Os distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja ficaram praticamente vazios. Apenas algumas cidades se afiguram como "oásis" neste "deserto". Só para dar um exemplo:

Entre 1960 e 2001, na Beira Interior:

-O distrito da Guarda perdeu 59 781 habitantes;

-O distrito de Castelo Branco perdeu 108 467 habitantes.

-No total, a Beira Interior perdeu, nestes últimos anos, mais de 150 000 habitantes, o que equivale, por exemplo, à população de cidades como Braga ou Coimbra.

Para além disto, faliram empresas, o desemprego aumentou, não houve investimento, e a população acabou por envelhecer. O índice de marginalidade funcional só é considerado crítico nas regiões do interior. O índice de envelhecimento nas regiões de Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Interior e Alentejo foi superior a 170 %, sem que qualquer concelho fique de fora desta realidade.

Para os sucessivos governos, as soluções pareciam fáceis. Até 1990, nem sequer havia problema, diziam os políticos. A partir de 1990, as soluções pareciam fáceis: a "política do betão" resolveria tudo. Abriram-se vias-rápidas (IP2, IP3, IP4 e IP5), que se revelaram um verdadeiro desastre, ceifando milhares de vidas. Foram o problema em vez da solução. Entretanto, continuaram-se a fechar escolas, serviços de saúde, empresas, linhas de caminho de ferro. Resultado: a população decresceu cada vez mais.

Estamos em 2008. O Interior bateu aparentemente no fundo. Em vez de trazer mais infra-estruturas para o Interior, os governos só se preocupam com auto-estradas. E, claro, em construir megalomanias como o aeroporto de Alcochete, as pontes de Lisboa e o TGV no litoral.

O Interior precisa de verdadeiros incentivos. Os responsáveis políticos, os empresários e a população têm-se acomodado com esta situação de "litoralização", esquecendo as grandes desvantagens que este processo traz, tanto para o Litoral como para o Interior. Já percebemos que, a nível nacional, os responsáveis maiores da nação não estão interessados em mudar de políticas: o centralismo continua a imperar. Por isso, só há uma saída, que é uma inevitabilidade: a REGIONALIZAÇÃO.

Cada vez mais o povo percebe isso, e se começa a mobilizar para estas questões, demonstrando saudável independência dos partidos políticos. Muita gente hoje mostra que não está de acordo com o centralismo, mas também não quer uma Regionalização administrativa sobre as 5 "regiões-plano". Tudo isto porque há grandes fracturas no território nacional.

Apesar de ser mais falada, a fractura Norte-Sul ou Porto-Lisboa é mais cultural do que económica, visto que a área metropolitana do Porto, assim como toda a zona de Entre-Douro e Minho, se tem desenvolvido mais ou menos bem, como é exemplo o crescimento da população, a melhoria dos níveis de vida, o crescimento de cidades como Braga, Viana do Castelo, Guimarães ou Barcelos, a modernização das infra-estruturas e das empresas. Tudo bem que há problemas, não o nego. E problemas graves. A emigração nesta zona é muito forte, há cerca de 100 000 pessoas a trabalhar na Espanha, por exemplo, o que é sinal de que as coisas não vão bem.

Mas a prioridade deve ser outra. A maior fractura no nosso país é entre regiões litorais desenvolvidas, a ganhar população, com menor desemprego, com excelente cobertura em termos de infra-estruturas, e com níveis de vida medianos; e as regiões do Interior, a perderem população galopantemente, e a desertificarem-se, num processo que se pode tornar irreversível.

Por isso, é um erro tornar a Regionalização numa luta centrada no Porto. A Regionalização não pode ter centros, deve ser uma causa mobilizadora do país, de norte a sul, do litoral ao interior. Agora, os habitantes destas regiões esquecidas sentem que a Regionalização é para o Porto, que nada ganham com isso. Actualmente, fala-se na centralização de fundos e recursos em Lisboa: com 5 regiões, vai-se falar daqui a uns anos na centralização de fundos e recursos em Coimbra e no Porto. E o Interior? Vai chegar a um ponto sem retorno!

Precisamos de medidas urgentes para atrair investimento e população para o interior. Concordo com a proposta de Luís Leite Ramos: 5% de IRC. Mais: reduções idênticas em impostos como o IVA e o IRS, e verdadeiros incentivos à natalidade. Para compensar estas descidas, bastaria não construir mais uma auto-estrada, por exemplo o IC2 entre Coimbra e Oliveira de Azeméis, cuja necessidade é duvidosa (bastaria construir variantes á EN1 na Mealhada e em Albergaria).

Não precisamos de mais auto-estradas, em termos viários temos bons acessos: precisamos é que esse dinheiro seja gasto em recuperação de estradas nacionais, regionais e municipais, que desempenham um papel importantíssimo nestas regiões. E, principalmente, precisamos de um transporte ferroviário de qualidade que ligue as cidades médias do Interior (Bragança, Chaves, Vila Real, Bragança, Mirandela, Guarda, Covilhã e Castelo Branco) às maiores cidades do país, com tempos e custos compensatórios. Deveria ser essa a aposta no Interior.

É um pequeníssimo esforço para o Estado, mas uma grande mais-valia para o interior. A vontade política que falta para estas medidas sobra para cortes cegos como o fecho de serviços de educação e saúde, e de linhas de caminho-de-ferro, que condenam ainda mais o interior.

Se estivermos à espera do poder central, podemos esperar sentados. Sentados não, porque nos estamos a afundar cada vez mais. É preciso fazer força para trazer as decisões para as regiões do interior. Para onde elas realmente são precisas. Não para uma cidade em específico, mas para cada região, com serviços distribuídos, com maior autonomia para as regiões do Interior.

Por isso, defendo a única solução para romper o isolamento, a Regionalização a 7 Regiões:

*Entre-Douro e Minho

*Trás-os-Montes e Alto Douro

*Beira Litoral

*Beira Interior

*Estremadura e Ribatejo

*Alentejo

*Algarve

Haja vontade. Pelo Interior, pelo futuro de Portugal.

Por Afonso Miguel.

 

Bucolismo em plena urbe

Trecho da Rua Côrte Real, freguesia de Nevogilde, em plena cidade do Porto

20080513

Para que percebam bem o que está realmente em causa

Receitas dos clubes




"O futebol é talvez a área em que o centralismo se mostra menos eficaz" - Bruno Prata "Olhares Cruzados Sobre o Porto"



Patrocinadores do FC Porto garantem retorno de 100 milhões

O FC Porto recorreu à «super flash» para dar mais visibilidade aos patrocinadores.
Patrocinadores do FC Porto garantem retorno de 100 milhões.

O FC Porto terá garantido cerca de 100 milhões de euros de retorno aos seus patrocinadores no primeiro semestre da época, segundo um estudo da consultora Cision. Paralelamente, o clube assegurou, com esses contratos, 6,5 milhões de euros de receitas.
Os quatro patrocinadores principais do clube - PT, BES, Revigrés e Nike - garantiram um retorno mensal de 2,4 milhões de euros, tendo os patrocinadores «platinum» - Carlsberg, Toyota, Império Bonança, BPI, Dolce Vita, Sacoor e Dragão Mobile - conseguido o valor mensal de 885 mil euros em igual período.

Os equipamentos oficiais são os que proporcionam maior retorno às marcas, seguidos das conferências de imprensa, da publicidade estática, do equipamento de treino e da «super flash», uma mini-conferência de imprensa que tem por objectivo dar visibilidade aos patrocinadores.


As receitas de publicidade e sponsoring do FC Porto na época 2006/2007 atingiram os 11,4 milhões de euros, um aumento de 25,3% em relação ao ano anterior.





O FC Porto foi o clube português que mais receitas de publicidade e patrocínios arrecadou nas últimas três épocas – um total de 31 milhões de euros, superior ao Benfica, que recebeu 29,56 milhões de euros. A distância considerável ficou o Sporting, que obteve uma receita de 12,98 milhões de euros.A vitória portista, também neste campeonato, reflecte um facto incontornável: nos últimos cinco anos, foi campeão quatro vezes, contra uma do Benfica. Não deixa, no entanto, de causar alguma surpresa que a capacidade de angariação de publicidade e patrocínios do FC Porto já ultrapasse a do Benfica, que é o clube com maior massa de adeptos no País, a distância considerável dos seus rivais, e, como tal, um alvo mais atractivo para as principais marcas e “sponsors".


Fonte:JornalRecord






20080512

A alienação desportiva não norteia !

Tencionava escrever este artigo há vários meses. Mas eis que o post precedente de António Alves me obrigou a antecipar.

Enquadramento do FCP na disputa por negócios lucrativos: A guerra que o Centralismo contra o Porto, cidade ou região, tem a ver com o facto de este ser uma ameaça ao modelo de crescimento económico por Drenagem do mercado interno de que as elites de Lisboa se especializaram desde que perderam o controlo as colonias africanas. Este modelo passa por concentrar-se nos sectores de bens e serviços não transaccionáveis no mercado internacional, abrigados da competição de economias emergentes, e portanto de maiores margens, produtividade e rendimento. Deixam para o resto do país os sectores menos lucrativos, industria, agricultura, PMEs, comercio e de distribuição. Basicamente é a teroria da Dependência aplicada ao território nacional onde o resto de Portugal «Poor nations provide market access to wealthy nations (Lisboa) (e.g., by allowing their people to buy manufactured goods and obsolete or used goods from wealthy nations), permitting the wealthy nations to enjoy a higher standard of living. Wealthy nations actively (though perhaps unconsciously) perpetuate a state of dependence by various means. This influence may be multifaceted, involving economics, media control, politics, banking and finance, education, culture, sport, and all aspects of human resource development (including recruitment and training of workers)». Exemplos dos sectores que Lisboa se dedica são a administração de empresas de mercado doméstico, banca, telecomunicações, energia, trasnportes, serviços públicos a caminho ou já privatizados, delegações de multinacionais, negócios de consultoria, cumunicação, cultura, turismo e lazer: Tudo isto é feito «manipulando» o Estado Central, que devido ao facto de estar sedeado na mesma cidade, se torna cúmplice do modelo, tal como Saldanha Sanches referia há uns tempos atrás. Neste contexto, todos os sectores de serviços, marcas, imagem de marca, cultura, comunicação, publicidade, como a NTV, Serralves, Casa da Música, visitar o Porto ou FCP tornam-se negócios/projectos/empresas/marcas/destinos cuja oferta aos consumidores é necessário eliminar para dar lugar/mercado às SICNotícias, MuseusBerardos, CCBs, visitar Lisboa ou SLBs. O combate contra o FCP só é mediaticamente mais visível porque é mais popular que os outros exemplos. Porém o padrão é o mesmo.

O que motiva so dirigentes do FCP: Pinto da Costa e Reinaldo Teles são profissionais da gestão do seu negócio desportivo. E como quaisquer outros usam mais ou menos moral cinzenta para atingir os seus fins. Alguém da Associação Comerial do Porto disse-me há uns anos que uma vez foi abordado por um congénere de uma cidade da América Latina, referindo que os 2 dirigentes do FCP tinham uma empresa lá sedeada que servia para parquear o lucro de transacções de jogadores entre as 2 margens do Atlântico... Relativamente aos negócios da noite de Reinaldo Teles, a sua génese é simples de entender cá no Norte. Um jovem no pico da forma e da auto-confiança, a ganhar fortunas mensalmente, não se satisfaz com a namorada dos tempos de liceu. O controlo da oferta da diversão sexual nocturna é sobretudo garantia de assiduidade nos treinos diários diurnos... Porém, o mesmo negócio também pode ter outros usos como aparentemente acabou por ter, o que não me choca mesmo nada se comprarmos com as práticas lisboetas em vários níveis...

PGR ao serviço das «máfias» de Lisboa: Caro leitor, se julga que já leu tudo, desengane-se. Ora desde que começou o Apito Dourado e sobretudo desde quando Carolina Salgado entrou em cena desenrolou-se a mais sem vergonha subserviência do Estado Central ao serviço das oligarquias de Lisboa. Estas querem deitar a mão ao mercado da publicidade/merchandising no futebol que o FCP domina. Em tudo isto o poder político socrático também ajuda, porque vender a propaganda à nação suburbana de Lisboa, de vida pendular, sem referências civilazionais e a pagar crédito à habitação até à reforma, resulta melhor se esta estiver motivada com as vitórias do SLB. O ponto mais visível desta circense cruzada protagonizada por MJM foi terem comprado o silêncio contra Carolina do surrado advogado portuense natural de Lisboa, Ricardo Bexiga com um cargo de administrador na CP, como demonstrou o José da GLQL. Há portanto um assalto das oligarquias da capital ao sumarento negócio que o FCP detém, como escreveu António Alves.

A dupla ética habitual: O negócio da «fruta» de LFVieira: Mas se o leitor julga que leu tudo, desengane-se novamente. Entre 2003 e 2006 convivi profissionalmente com vários sócios (benfiquistas, residentes em Lisboa, mas naturais do resto de Portugal) de um dos vice-presidentes de LFVieira. Em várias ocasiões houve possibilidade de conversar abertamente sobre todos estes temas, das minhas suspeitas e interpretações. Numa das últimas conversas soube de uma revelação importante. LFV tentou montar ele próprio um negócio de «fruta». Porém, Pinto da Costa, abortou a iniciativa, porque, «é mais inteligente, anda nisto há mais anos». Afinal de contas, LFV também tentou comprar árbitros com recurso a sexo.

Favores sexuais a árbitros não é Corrupção: Caro leitor, a verdade maior ainda vem a seguir: Imagine que um director de informática de um grande banco nacional tinha 2 propostas em cima da mesa sobre importante fornecimento. Ambos apresentavam boas condições. Mas um deles disponibilizava favores sexuais Elefante Branco (este cenário é baseado em factos verídicos). Seria isto Corrupção ? Não. Tecnicamente Corrupção tem que prejudicar o Estado local regional ou central. Não acredita ? O Wikipedia responde. Como corolário de uma oligarquia lisboeta egoista, que manipula o Estado Central para proveito próprio, que trata Portugal fora de Lisboa como colónia, ainda temos que aceitar uma PGR preocupada com a virginal «Corrupção Desportiva» praticada entre agentes privados, como se não houvesse séria Corrupção nos submarinos ou obras públicas megalomanas em Lisboa... O nosso Estado Central é como o USD... Está em decadência...

O grande equivoco Portuense: Caro Rui Valente, devia perceber que as mamas da Isabel Figueira não entram neste campeonato. O Jogo, o JN, o PortoCanal, as rádios locais, a blogosfera portuense não tem páginas infindáveis a falar sobre das mamas da Luciana Abreu, Marisa Cruz, da Leite Castro, Merche Romero ou da Sónia Araújo. Ninguém sabe de cor as «medidas» destas jovens de alguma forma associadas ao Porto. Mas aposto consigo que grande parte dos residentes sabe o plantel, as estatisticas, os melhores marcadores do FCP. Insinuar que alienação há muita e de muito tipo, branqueando o peso regional que a alienação futeboleira tem, não é muito atento.

Dos 217 territórios listados no relatório anual da CIA, Portugal está no lugar 190 em termos de crescimento do PIB. Agora, caro leitor, imagine em que lugar estaria o Norte recessivo em que vivemos, sabendo que Portugal é um dos primeiros a contar do fim, se o relatório desagregasse por regiões dentro dos estados... Estariamos a competir com desertos, atois e campos de combate no Médio Oriente... Quem tem consciência disto ?  Enquanto Rui Moreira grita e apela para que se forme uma frente de opinião para tratar do nosso futuro no ASC, abundam estes dias no MSM, na blogosfera e nas conversas de café a Norte, repúdio pela condenação do FCP e PdC. O grande equivoco portuense é deixar-se alienar por tudo isto, como se a felicidade individual, auto-estima, realização, dependessem disto, como se fosse a coisa mais grave que se tenha abatido sobre esta parte de Portugal. Há muito que acho que as vitorias do FCP actuam como o Prozac, coincidentemente parece que somos Felizes Como no Prozac (FCP). São uma desforra para a nossa «colonização», inviabilidade, emigração e pobreza. Somos pobres, mas ganhamos o campeonato. Somos prejudicados pelo Estado Central, mas dá uma grande satisfação ver os benfiquistas danados... Pura alienação. É patetico distrair ainda mais as massas, dar mais Pão e Circo e esquecer o que verdadeiramente é importante.

Uma solução de meio termo à Budista: Gostar de futebol mas preocupar-se com o desenvolvimento regional. Longe de mim querer proibir a alienação das massas como em tempos defenderam em tempos maoistas ilustres como este ou esta. A solução é simples: Basta dedicar algum do nosso tempo de antena a Nortear por aí. Gostar de futebol, acompanhar as vicissitudes de 25 homens atrás duma bola todas as semanas é perfeitamente compatível com algum tempo dedicado a perceber a diferença entre TGV e bitola ibérica, perceber porque é que o ASC como está condena a região ao atraso ou perceber porque é que a Regionalização por Fusão de Autarquias é uma alternativa à Regionalização tradicional. Muitos já o fazem. Mas são uma imensa minoria. Caso contrário, não estariamos onde estamos.

Do futebol e a sua importancia

A atitude de desvalorização do fenómeno futebol é, na realidade, e sem muitos se aperceberem, uma atitude induzida pelas centrais centralistas de formatação de mentalidades.Há muito que querem fazer passar a ideia que o povo do norte devia de deixar de dar importância ao futebol. Não há nada de inocente nem de bondade nisto. O povo do norte não dá mais importância ao futebol que outro qualquer. O facto é que em regra os seus clubes são melhores que os outros mesmo lutando com armas desiguais.

O que está verdadeiramente em causa é o assalto ao negócio. O futebol é hoje em dia uma indústria poderosíssima e (ainda) está centrado no Porto e a Norte. O que os apoquenta são os milhões de euros que lhes fogem e que por cá ficam. O FC Porto é o clube português que mais receitas publicitárias obtém no seu estádio. Isto apesar de ser um clube, segundo dizem, 'regional'. E é verdade: é um clube dos novos tempos, do pós-pós-modernismo: age localmente e pensa globalmente.

Toda esta sanha persecutória só existe porque existe muito dinheiro em jogo e também porque o FC Porto, e outros clubes vencedores que não sejam da capital, são péssimos exemplos para o centralismo lisboeta: uma organização eficaz, eficiente, poderosa, de nível internacional e ganhadora fora da capital do império é algo de inconcebível para aquelas cabeças. Logo terá que ser para derrubar, sem apelo nem agravo.

Infelizmente este país medíocre chegou a um ponto em que até a justiça e a política se faz segundo a cor clubística: onde, em qualquer lugar decente, um magistrado honesto e competente é impedido de assumir um lugar de liderança num corpo de polícia de investigação apenas porque é adepto de um determinado clube?

Acreditem no que quiserem, mas no dia em que derrubarem definitivamente o Futebol Clube do Porto, cujo poder simbólico é enorme, esta região estará condenada ao mais abjecto ostracismo e subdesenvolvimento crónico. Depois disso só faltará transferir as caves do vinho do Porto para o Barreiro e passar a dizer que as encostas durienses se situam na região administrativa de Lisboa e Vale do Tejo.

Na realidade, quem dá uma importância exagerada ao futebol é Lisboa e não nós. São eles que têm lá o famoso clube de 6 milhões de adeptos e imprimem diariamente dois jornais em que praticamente só falam deles, mesmo quando são desportivamente uma nódoa e nada vencem.

20080511

Mais uma vez, futebol!

Mais uma vez, é o futebol o pretexto para se discutir a da situação que o Norte atravessa. Agora é António Barreto no Público e no seu blog.

Muito se fala por causa do futebol. Será isto um exemplo do nosso atraso? Mas pouco se discute o essencial. Assim será sempre vira o disco e toca o mesmo. À que responsabilizar os nossos dirigentes. É intoleravél continuar com as mesmas caras, que servem sempre os mesmos interesses.

20080510

Histórias de jovens e qualificados emigrantes do Norte 6

Ana, Licenciada em Jornalismo. Barcelona (a caminho de Berlin)
Antes de começar a contar a minha "história", queria apenas referir como fiquei a conhecer este projecto; no primeiro fim-de-semana de Novembro encontrei a referência numa notícia do JN. Depois de espreitar, li, ávida e consecutivamente, todos os testemunhos aqui presentes e como tudo na vida, identifiquei-me mais com uns do que com outros.
E passemos então à minha recente situação, de momento trabalho em Barcelona, estou aqui há quase 7 meses. Cheguei a 6 de Maio de 2007 com armas e bagagens e mal preparada para os muitos degraus das estações de metro (ou a minha mala é que era demasiado grande).
Pelo que li até agora, parece-me que a minha situação é um bocadinho diferente. Não me incluo na categoria de quadros de excelência que está a abandonar o País. Licenciei-me em Jornalismo e Ciências da Comunicação sem grandes atribulações, sou, por isso, uma estudante e uma profissional normal. Desde os primeiros tempos de juventude que queria ter uma experiência fora do País, não sei bem por que sempre existiu isto em mim; não há grandes exemplos na família nem nunca viajei muito nos tempos de meninice. Mesmo assim, esta vontade sempre foi uma certeza, uma certeza de sonho que queria cumprir. Falhei o programa Erasmus por estupidez, na altura não quis arriscar perder um ano da faculdade e os gastos pareciam-me excessivos, especialmente sem a bênção paterna. Terminei o curso sem nenhuma experiência internacional e as viagens realizadas sob os auspícios da família nunca me levaram além do Algarve - a Sul ou de Paris – a Este.
Fruto das aulas que tive no Instituto de Alemão, já que a licenciatura na UP não compreendia a obrigatoriedade de nenhuma Língua Estrangeira, pude concorrer a uma bolsa de uma instituição alemã, DAAD, que ganhei. Consistiu essa bolsa na oferta de um curso de Alemão na Alemanha e, por motivos de saúde, não pude viajar no ano em que me foi atribuída, 2004. Eu acredito muito na sorte ou, por outras palavras, no que podemos fazer com a alteração de planos previamente estabelecidos e, pensamos nós, definitivos. Ter a oportunidade de estar na Alemanha depois de finalizar o curso acabou por permitir outras coisas, encarei toda a experiência como as férias e a recompensa merecidas, não pensei em procurar trabalho ou o que fosse, ia ter a minha aventura e, para não perder nada, lá decidi ficar mais duas semanas a explorar um pouco depois das aulas terminarem.
Podia escrever muito sobre o que se ganha neste tipo de experiências; o perceber que há mundos para além do nosso e que há formas variadas de ver um mesmo mundo; os contactos que ainda mantenho e sobre como ali, em muitos sentidos, me comecei a formar como pessoa. A cidade, Tübingen, também foi um tiro de sorte porque podia ter escolhido qualquer uma, desde que tivesse uma universidade. Gostei da cidade e gostei do curso. E nesse Verão pude acrescentar mais umas quantas paragens ao meu parco currículum, entre elas Berlin e Vienna. Regressada a Portugal, tive de enfrentar todas as preocupações que tentei evitar, as minhas e as dos pais. Encontrar trabalho (ou emprego), fazer alguma coisa. E eu lá enviei uns currículos mas nunca sem exagerada preocupação porque já conhecia o tempo médio de espera e apesar de me interessar por Jornalismo cada vez me via menos capaz de entrar na área, não só pela pouca oferta mas também pelo que era pago. Ao fim de uns dois meses estava a fazer umas traduções numa empresa de um amigo, era a recibos verdes mas sempre me mantinha ocupada e permitia-me respostas menos simpáticas nas entrevistas de emprego que, até hoje, não vejo como falta de humildade.
Devido, mais uma vez, aos conhecimentos de línguas lá arranjei um trabalho na TAP, ou melhor na Groundforce, que é uma participada da TAP. Eu não quero precisar valores, adianto, contudo, que o meu contrato era de 25 horas semanais e ganhava tanto ou mais do que recém-licenciados a trabalhar 40 horas, excluindo as horas extra que eram pagas a peso de ouro. Era uma situação estranhamente vantajosa. Assinei um contrato de 6 meses que depois renovei por mais 12, ao fim de 7 meses fui aumentada em 80 euros quando todo o País falava em crise e o Governo oferecia aumentos de 0.5 por cento à Função Pública.
Encontrava-me no que alguns consideram uma boa posição, a probabilidade de renovar contrato mais uma ou duas vezes e passar aos quadros era elevada. Então porque decidi rescindir o contrato apenas a uns dias de cumprir um ano na empresa e vir para Barcelona?
Mais do que questões financeiras ou profissionais vim por razões pessoais, acho que o Porto é muito pequeno e não me imaginava a iniciar a vida burguesa que me esperava. O trabalho era muito aborrecido e as poucas capacidades que tenho não estavam a ser aproveitadas. A estrutura da empresa em si já dificultava qualquer mudança ou melhoria de posto, por isso ou continuava a fazer o que fazia ou ao fim de uns anos, se tivesse sorte, supervisionava outros tantos como eu. Sendo do Porto, as possibilidades de aceder a postos mais interessantes estavam ainda mais dificultadas. Não se esqueçam que a metrópole é Lisboa, portanto, ou se é de lá ou se está lá ou se vai para lá…
Já andava há uns tempos a dizer que não podia passar ali outro Verão e os meus desejos cumpriram-se. Recusaram-me num estágio em Estugarda mas fui aceite noutro em Barcelona. O que faço continua a não ser muito interessante e está bastante longe da minha área de formação, suponho que o facto de falar diariamente duas línguas que não a minha, Espanhol e Inglês, a empresa é inglesa, torna a rotina do quotidiano mais cosmopolita, pelo menos por agora. E também porque, findo o prazo do estágio, me convidaram para ingressar os quadros da empresa. Apesar disso, não me imagino a ficar nesta cidade muito tempo, aliás o meu "deadline" pessoal é Setembro de 2009 e estou a apontar a mira para Berlin ;)
Gostava também de deixar um testemunho um pouco diferente dos demais, sobretudo porque até agora tudo parece bastante floreado e há dificuldades inerentes ao abandono de Portugal. No meu caso particular os primeiros meses foram complicados do ponto de vista da despesa. Tive a sorte de estar numa empresa decente e que por isso me pagava o estágio. Valor esse que era manifestamente insuficiente para sobreviver em Barcelona, onde a especulação imobiliária tornou o preço dos quartos absolutamente ridículo. Essa fase correu bem e ao fim de umas semanas estava a viver num quarto a sério, ou seja, com luz natural e com mais de 3 metros quadrados e, ainda por cima, no centro da cidade.
Passado este obstáculo pôs-se-me a questão do "Dia de S. Receber" e acabei por encontrar um part-time aos fins-de-semana que me ajudou a não ter de contar os trocos no supermercado. Nesse primeiro mês em terras catalãs andava bastante orgulhosa das minhas conquistas e descobri capacidades que nunca tive oportunidade de testar no Porto.
No entanto, em Barcelna não se vive necessariamente bem e a geração dos "mil euros" – mileuristas, como lhe chamam aqui em Espanha, tem muitas das mesmas dificuldades que nós em Portugal. A diferença, claro está, é o valor pelo qual somos conhecidos; nós somos, só, a geração dos 500 euros. Há custos mais elevados aqui mas eu comparo-os com os do Porto e, pelo que sei, Lisboa tem vindo a conhecer a sua dose de inflação. Na minha actual situação, tão pouco me posso aventurar ou, sequer pensar, em estabelecer-me em Barcelona com casa, carro e afins. As dificuldades seriam, provavelmente, maiores do que em Portugal. Há, obviamente, mais oferta de trabalho por aqui, o que também se explica pela elevada atracção turística que a cidade exerce. Na altura do Verão só não arranja um part-time ou quem não quer ou quem não fala Inglês.
Creio que a minha experiência fora de Portugal está longe da sua recta final, apesar de não querer continuar por aqui, gostava de experimentar outros rumos, e até usufruir da ajuda do programa ICEP – Contacto, ao qual insisto em candidatar-me, apesar de, pelos relatos que ouvi/li, o factor C ser de extrema importância para garantir um "lugar ao sol". (Talvez algum de vocês me possa esclarecer...)
Ao contrário de algumas das pessoas que deixaram aqui o seu testemunho, também não desejo ficar demasiado tempo fora de Portugal. Compreendo que tudo dependerá das ofertas que for encontrando e também do meu limite pessoal para aguentar as saudades. E o factor mais determinante, a realidade que me espera em Portugal. Ainda assim, e sabendo de todos estes obstáculos, o objectivo a longo prazo é o regresso à Pátria.
Sendo do Porto, uma cidade que por agora, e infelizmente, está estagnada, mais necessidade tenho de voltar. Não quero pensar que abandonei a minha cidade, ainda mais quando acredito que tem muita potencialidade. Queria contribuir com algo para o seu desenvolvimento. Mas todos os meus planos dependem de muitos factores que desconheço e que não controlo, de qualquer forma pretendo experimentar mais um pouco e tentar tornar essa experiência adquirida numa mais-valia pessoal e profissional.
Até agora não me arrependo, as saudades suportam-se bem com a ajuda das novas tecnologias e o que custa mais é descobrir que antigas amizades não sobrevivem à distância, ao passo que novos laços, bem fortes, se criam num ápice. Sou portuguesa e cada vez me sinto mais uma cidadã do mundo, mundo esse que começo agora a explorar. E ainda bem que sempre tive curiosidade em aprender outras Línguas!!!
Boa sorte para os que estão fora e para os que estão quase, quase a dar o salto. Difícil é começar. ;)

20080509

Rotundas e Autarcas

De há uns anos para cá, virou moda criticar os autarcas das localidades mais pequenas pela utilização sistemática de rotundas no ordenamento do trânsito, apontando tal situação como um exemplo de desperdício de recursos pelo poder local.

Tal observação resulta da ignorância: "o uso de rotundas na resolução de pontos de conflito, resulta em excelentes soluções do ponto de vista da capacidade e da segurança rodoviária" (EP). Não obstante, é evidente que houve alguma utilização abusiva desta "ferramenta" de ordenamento do trânsito (ex. mini-rotundas em Viseu).

É que a alternativa às rotundas são cruzamentos e semáforos, que obrigam a paragens e maior desgaste dos veículos, e que não têm o mesmo efeito em termos de segurança (redução da velocidade máxima efectiva). Existe também a possibilidade de utilizar túneis, uma solução dispendiosa que se apenas se justifica quando há elevado volume de tráfego envolvido, sendo por isso frequentemente aplicada nas principais áreas urbanas portuguesas, em particular em Lisboa.

Cômputo geral, as rotundas são até uma solução relativamente barata face aos beneficios proporcionados, particularmente tendo em conta que a sua boa utilização permite optimizar a capacidade de utilização da infraestrutura rodoviária existente (isto é, "processar" mais veículos no mesmo espaço de tempo).

Assim, esta crítica aos autarcas "só pode ser o resultado da ignorância ou da inveja pela facilidade de circulação automóvel na grande parte das cidades com rotundas".

Nota: Reescrito após ler os comentários do Bruno Santos, dos quais retirei alguns "ensinamentos".

Não, Nim, Sim: Precisam de um desenho ?

Jorge Coelho, Narciso Miranda, Estado Central, terrenos expropriados, Mota-Engil, etc. Sobretudo o ETC

20080508

Candidata das elites centralistas prefere a tranquilidade do centralismo

"Pessoalmente sou absolutamente contra a regionalização", disse, assegurando que não será sob a sua liderança que o partido seria conduzido "nessa aventura". - Manuela Ferreira Leite

MFL acha que assim evita o tema fracturante da regionalização. Tal simplesmente não é possível. Ou se agrada a quem é contra, ou se agrada a quem é a favor.

A não ser, claro, que se faça como Pedro Passos Coelho e se afirme ser contra a regionalização, mas a favor de uma descentralização de moldes indefinidos*. Nesse caso, consegue-se não agradar a ninguém.

Morte aos traidores!

"O desenvolvimento de um país ou de uma região, ou cidade é ditado precisamente pelas opções políticas tomadas em termos de educação, investigação, saúde, ambiente, urbanismo, infra-estruturas, etc. Nenhuma opção é melhor que aquela que é tomada por nós, e não aquela que tomam por nós.



Sabem qual é a cidade melhor servida por auto-estradas, no mundo? Não é Londres, nem NY, é Lisboa. Sabem porque é que havendo uma Agência para a Inovação (Adi) foi esvaziada de funções e os MM de euros do QREN são geridos por outra estrutura, criada para o efeito? Porque a sede da Adi está no Norte. Sabem onde ficam as SCUT que vão ser portajadas? Ficam no Norte (PIB quase igual a 50% do de Lisboa).



Alguém tem dúvida que o centralismo é cada vez maior em Portugal, onde em 30 anos se acentuaram as assimetrias, com o inchaço da capital … do império? Lisboa é uma ilha de prosperidade num mar de miséria e pobreza. Nunca foi tão apropriado que 'Portugal é Lisboa e o resto é paisagem', com o beneplácito de muitos opinion makers* do Norte que combatem a regionalização com o argumento de caciquismo ou de acréscimo de burocracia e de custos. Tudo falsos argumentos que os centralistas têm alimentado."



Por Mario Russo no Clube dos Pensadores



* Eu prefiro chamar-lhes traidores.



Dia 24 de Maio às 17 horas vai realizar-se uma manifestação contra as portagens na Avenida dos Aliados no Porto. Será também uma manifestação contra o centralismo e a cleptocracia instalada em Lisboa.
Leituras recomendadas