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20080124

Criação da Rede Transmontana de Notícias

O intercâmbio de conteúdos noticiosos e a rentabilização dos recursos humanos é o objectivo da Rede Transmontana de Notícias (RTN), formalizada ontem em Vila Real. A rede inclui os jornais Nordeste (Bragança), Semanário Transmontano (Chaves), Terra Quente (Mirandela), e Lamego Hoje (Lamego), que no seu conjunto integram 18 jornalistas e representam uma tiragem de 20 mil exemplares. Segundo o director do Nordeste, João Campos, citado pela agência Lusa, o objectivo do projecto é "aproveitar os recursos humanos existentes e as notícias e colocá-los ao dispor dos outros títulos".Para breve está ainda a criação de um sistema informático onde serão disponibilizados os trabalhos jornalísticos destinados aos quatro jornais.

De acordo com Joaquim Borges César, representante do Semanário Transmontano, com a RTN pretende-se ainda "disponibilizar às agências de publicidade e aos maiores anunciantes da região um meio de difusão com efectiva divulgação em toda a região".

Retirado do blog MediaXXI

Segundo ouvi na Rádio, esta rede de jornais, no seu conjunto, constitui o "jornal" mais lido da região. Os meus parabéns pela aposta. Trás-os-Montes tem de ter voz.

20070909

Indemnizações compensatórias II

Vejamos:

1. A CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de autêntica falência técnica. (Ainda bem que o Governo decidiu impôr ao Metro do Porto o tão bem sucedido modelo do Metro de Lisboa...)

2. Por algum motivo, o Estado Central acha que é a sua função financiar os transportes locais e suburbanos (na minha opinião, isso deveria ser função das autarquias e das futuras regiões). No entanto, acha que isso só é válido para Lisboa e Porto. O resto do país não interessa. Um caso de drenagem bipolar.

3. Outra função que costuma pertencer ao poder local é o financiamento da cultura. Mas o Governo decidiu manter uma excepção. O Teatro Nacional D.Maria irá receber 5M€. Como é óbvio, Lisboa tem um enorme défice de oferta cultural face ao resto do país...

4. A Air Luxor, que não tem licença para voar há um ano, tem direito a 1,1 milhões de euros. Como é que as companhias aéreas que não voam conseguem prestar um serviço público. Será que ajudam a reduzir o desemprego de boys?

Tendo isto em conta, é óbvio que a notícia mais importante é a quadriplicação das indemnizações ao Metro do Porto. O triste é necessitar da blogosfera para chegar a estas conclusões...

Indemnizações compensatórias

O Diário Económico publicou sexta-feira um artigo sobre as indemnizações compensatórias às empresas públicas. O seu título era simplesmente vergonhoso e claramente persecutório: Metro do Porto recebe quatro vezes mais em compensações estatais.

De facto, é factualmente verdade. É no entanto a informação menos relevante a dizer sobre o assunto. A indemnização passou se 2,5M€ para 10,9M€.

Curiosamente, esta notícia sai no mesmo dia em foi anunciado (apenas no Destak, segundo o Google News) que o Metro de Lisboa perde 3,2% de passageiros e o Metro do Porto ganhou 33,7%.

Note-se também que, segundo o DN, a CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de falência técnica. Mas que valores foram para as empresas de transportes públicos locais / inter-urbanos?:
- Carris (Lisboa): 49M€
- Metropolitano de Lisboa: 24M€
- STCP (Porto): 17,5M€
- Fertagus (Lisboa): 12,6M€
- Metro do Porto: 11M€
- Transtejo (Lisboa): 6,0M€
- Soflusa (Lisboa): 4,2M€
- Rodoviária de Lisboa: 2,2M€
- Vimeca Transportes (Lisboa): 1,4M€
- Transportes do Sul do Tejo: 1,3M€

É o habitual: quando o Estado Central revela o seu enorme esbanjamento de recursos públicos, há sempre alguns jornalistas que tentam chamar as atenções para o Porto. Não acredito em teorias da conspiração, mas isto é um caso nítido de perseguição pública.

Este é só o primeiro post. É que as coisas que a jornalista deixou passar não são menos que escandalosas. É o que dá estar mais preocupada com o ressabiamento futebolístico do costume do que com o rigor das análises (recomenda-se menos futebolíte e mais trabalho). Prossigamos para o próximo post.

20070906

A Imprensa nacional e a Região Norte

O Professor Cândido Oliveira retoma a questão do abandono do Norte, enquanto todo, do mapa informativo do país. A questão ainda é mais séria e grave quando a própria RTP discrimina o terceiro maior distrito e a terceira maior cidade do país. E o exemplo das televisões privadas ainda é pior. Neste âmbito, tal como afirma o Professor de Direito, o Jornal de Notícias é, em termos de imprensa, o único órgão nacional que vai dando alguma atenção ao Norte e, em particular, ao Minho.

A nossa imprensa reflecte bem o país. Os principais jornais diários estão em Lisboa e no Porto. Por sua vez, os principais semanários estão todos em Lisboa. Esta imprensa retrata um país que é, no essencial, Lisboa e, depois, o Porto. O "resto" conta pouco.

O lugar que a Região Norte de Portugal tem na imprensa é bom exemplo disso. É verdade que jornais não faltam. Temos várias dezenas (poderíamos arriscar mais de um centena) de jornais semanais ou quinzenais, quase todos de âmbito municipal, alguns jornais diários de difusão limitada (Braga, por exemplo, tem dois jornais diários), um jornal diário de âmbito nacional e larga difusão (Público), com uma edição "Porto" e outra "Lisboa" (sem indicação de sede na ficha técnica) e um jornal diário também de grande expansão, o Jornal de Notícias (JN), com sede no Porto. A nossa região é, salvo Lisboa, a mais rica do país em notícias. E, no entanto, não há um único jornal que cubra os acontecimentos da região Norte entendida como um todo.

20070905

Migrações

Há pouco passou na RTP um programa que afirmava que Portugal, durante anos, foi um país de emigrantes e agora é um país de imigrantes.

Nada mais errado. Mas como não há centros de notícias no Minho, em Trás os Montes, no Douro, no Centro... os jornalistas voltam a tomar o país por Lisboa. O que se passa na paisagem não existe.

20070725

Guerras Norte Sul

Gémeas abrem guerra Norte-Sul "De repente, surgem no caso de corrupção desportiva "Apito Dourado" duas irmãs gémeas a personalizar uma guerra Norte-Sul"

"Do outro lado, Ana Maria Salgado Curado, acusada pela irmã e pelo pai de, por alegada debilidade mental, apoiar o lobby do Norte envolvido no caso, pela mão de Pinto da Costa."

"(...) transformando-o num confronto Porto-Benfica. Ou Norte-Sul."

In Diário de Notícias

Pergunto-me qual será a ideia de defender que os clubes representam politicamente as regiões do país. Sinceramente, os meus amigos nortenhos dizem não ter nada a ver com esta guerra (mesmo os adeptos do FCP), e o mesmo dizem os meus amigos lisboetas (mesmo os benfiquistas). Não sei se nas redacções de jornais as coisas são diferentes...

Mas este tipo de raciocínio não é inocente. Basta um pouco de matemática para compreender:

Axioma Jornalístico I

Disputa FCP vs. SLB = Guerra Norte vs. Sul

Logo: FCP = Norte; SLB = Sul

Axioma Jornalístico II

Estado Central = Lisboa (nota: não sou eu que faço esta associação; normalmente são os defensores do centralismo ou aqueles que dizem que este não existe)

Logo: Crítica ao Estado Central = Crítica a Lisboa = Inveja / Rivalidade a Lisboa

Juntando os 2 axiomas temos a Lei do Estereótipo do Regionalista

Regionalista = Crítica ao Estado Central = Rivalidade a Lisboa (= Guerra Norte vs. Sul) = Rivalidade ao Benfica = Adepto do FCP (= Nortenho)

Pode-se resumir facilmente por, Regionalista = Portista. Este é o estereótipo que nos tentam colocar todos os dias. O estereótipo simétrico seria dizer que o Centralismo não é mais que Benfiquismo no Poder. Não vamos por aí. No poder político seguramente não é. Já no poder jornalístico...os exemplos falam por si.

Nota 1: Por regionalista entende-se quem defende o desenvolvimento harmonioso do território.

Nota 2: Os nossos adversários farão tudo para reforçar este estereótipo. Aos regionalistas sobram duas opções: ou contrariar o estereótipo (abstendo-se de falar de futebol quando se fala de desenvolvimento regional), ou reforçá-lo (por ter a consciência de não estar a fazer nada de errado ou reprovável). A inclusão do tema futebol num país normal não teria qualquer problema. Na situação em que vivemos, temo que tenha apenas como resultado o fortalecimento dos nossos adversários. Deverá ser feito com especial cuidado e de forma inatacável. E de preferência para denunciar a futebolíte dos outros...

Nota 3: Associar FCPorto e Norte é precisamente o que Pinto da Costa tenta fazer quando se vê acossado. Concerteza não fará isso para proveito da região...

20070705

Será que nos deram a independência e não sabemos...

... ou será lavagem cerebral... ou será a triste constatação da realidade? São tudo notícias diferentes, de vários jornais (Diario Digital, Visão, Sol, Jornal de Negócios, Mundo Português). Todas elas fazem referência ao Governo de Lisboa. Ao que parece, é um novo país... (O Público também tinha ontem uma assim, mas corrigiu-a depois de um comentário de um leitor atento).

A mega-operação dará a Portugal grande visibilidade externa durante seis meses e colocará o Governo de Lisboa no centro de praticamente todas as decisões comunitárias, bem como nos mais importantes palcos de negociações internacionais.

O chefe de governo de Lisboa, que participou hoje, em Bruxelas, numa conferência internacional sobre biocombustíveis.

Uma reunião, no Porto, entre o Governo de Lisboa e a Comissão Europeia preparatório das iniciativas a desenvolver no semestre, marcou a primeira manhã de trabalhos da presidência portuguesa da UE.

O Governo de Lisboa tem uma "agenda externa", que pretende seja "distintiva", para os seis meses da sua próxima presidência da União Europeia contando imprimir uma nova dinâmica ao relacionamento entre a Europa e o Brasil, bem como com África e com os países da bacia sul do Mediterrâneo.

Só pelo facto de se ter realizado, a primeira Cimeira UE- -Brasil é uma vitória para a presidência portuguesa da União Europeia e um motivo de orgulho para Lisboa, que conseguiu convencer os seus parceiros da necessidade de dar ao Brasil um estatuto idêntico ao das outras economias emergentes: China, Índia e Rússia.

Em conferência de imprensa conjunta, após a reunião do Governo de Lisboa com a Comissão Europeia, que assinalou o início da presidência portuguesa da UE.

A referência do primeiro-ministro à assinatura formal do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) entre o Governo de Lisboa e Bruxelas

Para Lula, a parceria estratégica de Lisboa surge numa conjuntura feliz (...) Por Lisboa, na plana da mão governamental a advertência do esperar para ver o que consta dos textos legais, enquanto nas costas da mão do executivo fulgura o “mandato claro”. (...) A Cimeira UE África tem muito para penar se Lisboa aceitar a presença de Robert Mugabe.

O chefe do Governo português lembrou que esta cimeira que trouxe Lula da Silva a Lisboa foi uma proposta portuguesa que Lisboa «ganhou», através da «luta diplomática».

O chefe de governo de Lisboa destacou a »ambição« portuguesa de antecipar para 2010 a meta dos 10% de biocombustíveis, quando a nível da UE a meta se refere a 2020.

Os governo de Lisboa e Brasília vêem com bons olhos a criação deste operador lusófono que concorra com os grandes players mundiais.

A reunião entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, hoje, ao fim da tarde, em São Bento, foi cancelada, disse à agência Lusa fonte do Governo de Lisboa.

Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa, Governo de Lisboa...

ARGH!!!! Isto numa pesquisa que demorou 10 minutos (incluindo fazer o post). Tudo notícias recentes... Não volto a fazer isto tão cedo. Fiquei deprimido...

No Público - Hospitais do Norte incumprem a lei por pressões?

Esta notícia é o exemplo do que é o mau jornalismo. O título é "Uma semana antes do prazo previsto na lei - Hospitais do Norte antecipam realização de abortos por pressão de utentes"

- "Uma semana antes do prazo previsto na lei. Hospitais do Norte antecipam realização de abortos". Pelo contrário - os hospitais começam a realizar abortos dentro do prazo previsto na lei. O prazo previsto na lei é o prazo limite, não a data de entrada em vigor (essa já passou...). Logo, não há qualquer antecipação, apenas cumprimento de prazos. Para a semana, já era tarde de mais.

- "...por pressão dos utentes". Esta é de rir. Houve algumas mulheres a telefonar para saber quando podiam fazer o aborto, os médicos temeram sobrecarga na próxima semana. Responder adequadamente à procura esperada de um serviço é agora considerado "ceder à pressão". Mas que grande pressão. Esses médicos nos hospitais do Norte devem ser umas florzinhas de cheiro...

Do lado esquerdo, tem uma legenda, debaixo da foto, que diz: "Em Lisboa estão já a realizar abortos a Maternidade de Alfredo da Costa (MAC) e o Hospital de Garcia de Orta (Almada)" Depois, no texto, ficamos a saber que, em Lisboa "globalmente, as unidades ainda não estão prontas para começar já a aplicar a lei"
- Então a notícia é sobre os hospitais do Norte e a foto é sobre Lisboa? Está tudo maluco? E em Lisboa "anteciparam" por "pressão" de quem?

Não percebo. Não percebo porque se dá a ideia de incumprimento da lei, não percebo a cedência a pressões (inexistentes) e que iriam contra a e à consequente cedência a pressões ilegítimas (pois o hotel não estaria no cumprimento da lei...), não percebo a comparação com Lisboa numa notícia sobre o Norte.

20070628

Norte no New York Times

Artigos sobre o Porto e Aveiro no New York Times. Falta o Douro, o Minho, Trás os Montes...

20070624

Porto no Prós e Contras

O grande programa de debates da televisão pública portuguesa, o Prós e Contras da RTP1, dedica o tema do seu programa de amanhã ao Porto.


"Porto Sentido" foi o nome escolhido para o debate, que contará com a presença de Rui Rio, Belmiro de Azevedo, Ludgero Marques, Luís Portela e Rui Moreira.


A não perder, pelos que norteiam.

20070521

Braga e Serviço Público de Televisão

A RTP faz do serviço público uma bandeira que, na maior parte das vezes, não passa de marketing. Muito pouco distingue a RTP dos privados em termos de critérios editoriais. Pedro Santos Cardoso, no Dolo Eventual, questiona a falta de alternativas sempre que a RTP transmite os mesmos eventos que os privados. O exemplo escolhido é feliz. A transmissão da homilia de Fátima é uma medida populista e baseada na procura de audiências, afastando-se do conceito de serviço público.Mas a ineficiência da prestação de serviço público vai mais longe. A RTP vive sedeada em Lisboa e no Porto, transformando-se, não raras vezes, numa televisão regional daquelas urbes. Uma prova da não abragência da RTP é o facto de o terceiro maior distrito do país não possuir uma única delegação televisão do Estado, sendo repetidamente relegado para segundo plano da actualidade.
Sendo assim, não espanta que uma morte em Braga tenha menos destaque na televisão do serviço público que uma escoriação em Lisboa ou no Porto. Não espanta que uma vitória europeia de um clube minhoto tenha menos relevância para a televisão do serviço público que a entorse do terceiro guarda-redes do Sporting ou do Porto. Não espanta que uma descoberta digna de science conseguida num dos laboratórios de excelência da Universidade do Minho tenha menos tempo de antena na televisão do serviço público que a verborreia de um Zandinga de Lisboa ou do Porto. É isto mesmo que José Pedro Ribeiro denuncia, no Idolátrica, a propósito da vitória do ABC de Braga na Liga Nacional de Andebol:
Para vermos a notícia na RTP, (dita) televisão estatal, temos que estar atentos ao minúsculo rodapé à espera de uma quase invisível referência ao evento. A verdade é esta: se fosse o Benfica, o Sporting, o Porto e mesmo o Belenenses, seria notícia de abertura e de primeira página.
[A RTP] Tem obrigações que o seu estatuto lhe confere, não sendo uma das menos importantes, com certeza, a de servir todos os cidadão, sem excepção, sem se preocupar exclusivamente com as audiências.
Eu vou mais longe. O critério editorial da RTP não pode, em caso algum, ser o critério das audiências. A RTP deveria privilegiar a qualidade, o pluralismo e a isenção. Deveria dar atenção às modalidades desportivas e às actividades culturais menos comerciais que se desenvolvem por esse país. Deveria ser uma estação de serviço público, ao serviço de todos e não apenas de alguns.Como isto não sucede, nem se perspectiva que vá suceder, Braga e o Minho precisam de uma televisão regional que lhes devolva a importância que merecem. Asfixiados pela proximidade ao Porto, as televisões e demais órgãos de comunicação social teimam em fazer de Braga e das suas gentes uma espécie de apêndice da segunda cidade do país.

Publicado em simultâneo no Avenida Central
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