"Até há pouco tempo não senti que a corrupção fosse investigada. Não havia vontade, ao que penso, principalmente política, para que certas coisas, feitas com o conhecimento de todos, começassem a ser investigadas. Veja-se o caso das
Câmaras. Se calhar não devia haver uma única que não tivesse o chamado "saco azul". No entanto, só meia-dúzia, terão estado em investigação e em tempos recentes. Não se justificaria que todas elas fossem investigadas? Todos nós, no País, ao estarmos passivos, ao ver e aceitar tudo o que estava a acontecer, permitimo-nos chegar ao extremo que chegámos" - Amália Morgado, ex-presidente do Tribunal de
Instrução Criminal do PortoMuitos falam da corrupção no poder local. (Eu acho que é corrupção nos partidos). Tendo em conta a passividade do Estado Central perante essa corrupção, é credível que não sejam os seus membros a dar-lhe cobertura?
20070912
Estado Central dá cobertura à corrupção local
20070911
A crise do crédito imobiliário na América e Portugal
Muito se tem dito sobre a crise do crédito hipotecário na América, as taxas de juro e as perspectivas de crescimento económico. Muito pouco se tem informado sobre esta matéria. Vou tentar explicar o pouco que sei.
Nos últimos anos popularizou-se, sobretudo na América, uma forma de financiamento da compra de casa que se caracterizava pelo seguinte: o crédito era oferecido a pessoas que normalmente não teriam acesso a crédito hipotecário (por serem maus pagadores, por estarem desempregados, ou qualquer outra razão); por isso se fala do mercado 'sub-prime'. Essas pessoas, naturalmente, agarraram a oportunidade sem sequer se aperceberem das reais condições em que estavam a aceitar o crédito (como sempre, preocuparam-se com o valor da prestação mensal sem repararem que estavam isentas de juros por um ano, ou que a taxa do primeiro ano era promocional, sendo revista para cima nos anos seguintes, etc. etc.).
Até aqui, poder-se-ia defender que, mais uma vez, o capitalismo estava a criar riqueza, ao permitir o acesso a compra de casa a pessoas que de outro modo não o poderiam fazer. Mesmo que essas pessoas tivessem de vir a pagar mais do que tinham imaginado, sempre se pode defender que era uma coisa positiva - e, de qualquer modo, a expectativa natural de quem compra casa é que ela se vai valorizar; isto é, em último recurso, não sendo possível pagar a prestação, vende-se a casa).
Porém, este tipo de financiamento assentava ainda noutros pormenores, para além de que a inevitabilidade da permanente valorização das casas não é um dado adquirido (como bem sabemos aqui em Portugal).
Um desses pormenores era o facto de as empresas que ofereciam os créditos se financiarem junto de outros investidores, do seguinte modo: vendiam dívida de curto prazo para financiarem créditos de longo prazo; além disso, sobretudo os bancos, securitizavam os créditos hipotecários concedidos para os venderem a outros investidores - isto é, combinavam vários créditos hipotecários numa série de outros instrumentos, do tipo obrigações, com diferentes características de risco e portanto de retorno; assim as de menor risco (de incuprimento, essencialmente) ofereciam menores taxas de juro, as de maior risco maiores taxas. A vantagem para esses bancos é que mantinham todos os benefícios do serviço do empréstimo (relação comercial com o devedor hipotecário, comissões desse e outros serviços, etc.), sem o custo de manterem a obrigação de garantir o risco do incumprimento dos empréstimos com o seu próprio capital, visto que esses empréstimos deixavam de constar dos seus livros.
Do lado dos investidores, as vantagens vinham de obterem taxas de retorno superiores às oferecidas para investimentos mais seguros, maxime depósitos à ordem ou obrigações do tesouro, as níveis de risco que consideravam aceitáveis.
Outro dos pormenores, é que a avaliação do risco desses instrumentos foi feita por agências de rating, que não tinham conhecimento profundo dos referidos instrumentos, nem verdadeiras bases para "apreçarem" o real risco dos mesmos. Portanto, bastavam-se com as gordas comissões que cobravam e contentavam-se em aceitar os modelos de risco utilizados pelos seus clientes.
O maior pormenor, porém, é o facto de todo este mecanismo de crédito escapar completamente à actividade dos supervisores. Uma vez que não se tratava de crédito bancário, os Bancos centrais não os acompanhavam; como não era financiamento de empresas cotadas, as Autoridades de bolsa não os acompanhavam; nem as dos fundos, nem verdadeiramente ninguém. Consequentemente, o principal mecanismo de autoregulação dos mercados, a informação, não existia.
A pior consequência de tudo isto, foi o facto de muitos bancos terem comprado instrumentos desses, na miragem de obterem maiores retornos, sem verdadeiramente compreenderem o risco que (também) estavam a comprar. Portanto, hoje em dia quando esses bancos se tentam financiar eles próprios, muitos dos seus potenciais financiadores recusam-lhes crédito, porque não sabem qual a real situação dos referidos bancos.
Acresce a tudo isto que o preço do dinheiro, isto é as taxas de juro, tem vindo a aumentar, por causa dos receios de descontrole da inflacção.
O resultado é uma natural falta de liquidez nos mercados de crédito, exactamente por causa desses receios. Daí as intervenções dos bancos centrais a injectar liquidez no sistema, através de financiamentos a bancos com dificuldades. O problema é que ninguém conhece a verdadeira dimensão do problema. A oportunidade é que o custo do risco vai aumentar, ou seja, quem sobreviver vai passar a avaliar melhor o risco associado a este tipo de investimentos e portanto a exigir melhores compensações.
A dificuldade é que as crises de crédito podem com facilidade transformar-se em crises de expectativas, que são o maior acelarador para as crises económicas. E a única coisa que os bancos centrais podem fazer é injectar liquidez para tentar evitar esvaziamento do crédito. O que implica baixar as taxas de referência, mesmo correndo alguns riscos em matéria de inflacção. Ora, se o FED, nos tempos do anterior presidente, já deu provas de muita flexibilidade nesta matéria - e até alguma capacidade de inovação - o BCE ainda não foi testado nestes mesmos temas; e não tem dado grandes sinais de ser uma instituição flexível, para além de ser baseado numa tradição (Bundesbank) claramente anti-inovação...
Quanto a Portugal, parece não haver indícios de muita "contaminação" por via da crise do crédito hipotecário sub-prime americano. Mas pode haver consequências da menor liquidez do mercado de crédito. E há, seguramente, problemas sérios no que respeita ao nosso próprio mercado hipotecário - basta pensarmos no imobilismo do mercado imobiliário e nas prácticas de "renegociação" de créditos hipotecários generalizadas no sistema financeiro nacional (o que significa má avaliação de risco, pouca provimentação para cobertura, e muita "criatividade" para esconder situações de verdadeiro crédito mal parado). E aqui, o Banco de Portugal não é inocente, nem pode alegar falta de competências para acompanhar o que se passa.
Enfim, esperemos que a crise de crédito actual não se converta numa crise económica (recessão). O País não precisa de mais crises, importadas ou não.
Nos últimos anos popularizou-se, sobretudo na América, uma forma de financiamento da compra de casa que se caracterizava pelo seguinte: o crédito era oferecido a pessoas que normalmente não teriam acesso a crédito hipotecário (por serem maus pagadores, por estarem desempregados, ou qualquer outra razão); por isso se fala do mercado 'sub-prime'. Essas pessoas, naturalmente, agarraram a oportunidade sem sequer se aperceberem das reais condições em que estavam a aceitar o crédito (como sempre, preocuparam-se com o valor da prestação mensal sem repararem que estavam isentas de juros por um ano, ou que a taxa do primeiro ano era promocional, sendo revista para cima nos anos seguintes, etc. etc.).
Até aqui, poder-se-ia defender que, mais uma vez, o capitalismo estava a criar riqueza, ao permitir o acesso a compra de casa a pessoas que de outro modo não o poderiam fazer. Mesmo que essas pessoas tivessem de vir a pagar mais do que tinham imaginado, sempre se pode defender que era uma coisa positiva - e, de qualquer modo, a expectativa natural de quem compra casa é que ela se vai valorizar; isto é, em último recurso, não sendo possível pagar a prestação, vende-se a casa).
Porém, este tipo de financiamento assentava ainda noutros pormenores, para além de que a inevitabilidade da permanente valorização das casas não é um dado adquirido (como bem sabemos aqui em Portugal).
Um desses pormenores era o facto de as empresas que ofereciam os créditos se financiarem junto de outros investidores, do seguinte modo: vendiam dívida de curto prazo para financiarem créditos de longo prazo; além disso, sobretudo os bancos, securitizavam os créditos hipotecários concedidos para os venderem a outros investidores - isto é, combinavam vários créditos hipotecários numa série de outros instrumentos, do tipo obrigações, com diferentes características de risco e portanto de retorno; assim as de menor risco (de incuprimento, essencialmente) ofereciam menores taxas de juro, as de maior risco maiores taxas. A vantagem para esses bancos é que mantinham todos os benefícios do serviço do empréstimo (relação comercial com o devedor hipotecário, comissões desse e outros serviços, etc.), sem o custo de manterem a obrigação de garantir o risco do incumprimento dos empréstimos com o seu próprio capital, visto que esses empréstimos deixavam de constar dos seus livros.
Do lado dos investidores, as vantagens vinham de obterem taxas de retorno superiores às oferecidas para investimentos mais seguros, maxime depósitos à ordem ou obrigações do tesouro, as níveis de risco que consideravam aceitáveis.
Outro dos pormenores, é que a avaliação do risco desses instrumentos foi feita por agências de rating, que não tinham conhecimento profundo dos referidos instrumentos, nem verdadeiras bases para "apreçarem" o real risco dos mesmos. Portanto, bastavam-se com as gordas comissões que cobravam e contentavam-se em aceitar os modelos de risco utilizados pelos seus clientes.
O maior pormenor, porém, é o facto de todo este mecanismo de crédito escapar completamente à actividade dos supervisores. Uma vez que não se tratava de crédito bancário, os Bancos centrais não os acompanhavam; como não era financiamento de empresas cotadas, as Autoridades de bolsa não os acompanhavam; nem as dos fundos, nem verdadeiramente ninguém. Consequentemente, o principal mecanismo de autoregulação dos mercados, a informação, não existia.
A pior consequência de tudo isto, foi o facto de muitos bancos terem comprado instrumentos desses, na miragem de obterem maiores retornos, sem verdadeiramente compreenderem o risco que (também) estavam a comprar. Portanto, hoje em dia quando esses bancos se tentam financiar eles próprios, muitos dos seus potenciais financiadores recusam-lhes crédito, porque não sabem qual a real situação dos referidos bancos.
Acresce a tudo isto que o preço do dinheiro, isto é as taxas de juro, tem vindo a aumentar, por causa dos receios de descontrole da inflacção.
O resultado é uma natural falta de liquidez nos mercados de crédito, exactamente por causa desses receios. Daí as intervenções dos bancos centrais a injectar liquidez no sistema, através de financiamentos a bancos com dificuldades. O problema é que ninguém conhece a verdadeira dimensão do problema. A oportunidade é que o custo do risco vai aumentar, ou seja, quem sobreviver vai passar a avaliar melhor o risco associado a este tipo de investimentos e portanto a exigir melhores compensações.
A dificuldade é que as crises de crédito podem com facilidade transformar-se em crises de expectativas, que são o maior acelarador para as crises económicas. E a única coisa que os bancos centrais podem fazer é injectar liquidez para tentar evitar esvaziamento do crédito. O que implica baixar as taxas de referência, mesmo correndo alguns riscos em matéria de inflacção. Ora, se o FED, nos tempos do anterior presidente, já deu provas de muita flexibilidade nesta matéria - e até alguma capacidade de inovação - o BCE ainda não foi testado nestes mesmos temas; e não tem dado grandes sinais de ser uma instituição flexível, para além de ser baseado numa tradição (Bundesbank) claramente anti-inovação...
Quanto a Portugal, parece não haver indícios de muita "contaminação" por via da crise do crédito hipotecário sub-prime americano. Mas pode haver consequências da menor liquidez do mercado de crédito. E há, seguramente, problemas sérios no que respeita ao nosso próprio mercado hipotecário - basta pensarmos no imobilismo do mercado imobiliário e nas prácticas de "renegociação" de créditos hipotecários generalizadas no sistema financeiro nacional (o que significa má avaliação de risco, pouca provimentação para cobertura, e muita "criatividade" para esconder situações de verdadeiro crédito mal parado). E aqui, o Banco de Portugal não é inocente, nem pode alegar falta de competências para acompanhar o que se passa.
Enfim, esperemos que a crise de crédito actual não se converta numa crise económica (recessão). O País não precisa de mais crises, importadas ou não.
Indemnizações Compensatórias IV
Os transportes de Lisboa receberam 100M€ em indemnizações compensatórias. Os transportes do Porto, 28M€. Os tranportes do resto do país receberam 0M€ (zero).
Grande Lisboa: 2 Milhões de habitantes (50€ / habitante)
Grande Porto: 1,5 Milhões de habitantes (19€ / habitante)
Resto do País: 7 Milhões de habitantes (0€ / habitante).
Tendo ainda em conta a actual rede de linha férrea do país e o mapa das autoestradas, é fácil perceber que em Portugal há portugueses de primeira, portugueses de segunda e portugueses de nenhuma.
Grande Lisboa: 2 Milhões de habitantes (50€ / habitante)
Grande Porto: 1,5 Milhões de habitantes (19€ / habitante)
Resto do País: 7 Milhões de habitantes (0€ / habitante).
Tendo ainda em conta a actual rede de linha férrea do país e o mapa das autoestradas, é fácil perceber que em Portugal há portugueses de primeira, portugueses de segunda e portugueses de nenhuma.
20070910
VALE DO AVE

Esta investigação surge no âmbito do projecto europeu CAPRIGHT, integrado no sexto Programa Quadro da União Europeia. Será efectuado por 26 equipas de investigação de 13 países europeus, entre 2007 e 2010.
“O estudo no Vale do Ave foi uma iniciativa da FEP, e escolhemos estudá-lo por diversas razões. É uma região com um fraco índice de escolarização e onde há desafios a nível do mercado de trabalho, devido à estrutura da escolarização e competitividade e a nível dos seus desempregados. Era uma região dependente da indústria têxtil e do calçado, e têm surgido barreiras à reinserção no mercado de trabalho”.
A nível local”, sustenta Sara Cruz, “vamos dedicar estudos a políticas de formação, qualificação e focar a questão da empregabilidade, bem como o nível de dinamismo e cooperação entre instituições locais. Em suma, o que se pode fazer para o bem-estar colectivo, a nível regional”.
Ora aqui está uma excelente notícia! Para desenvolver as regiões é necessário começar desta forma: Estudando, analisando e por fim, implementando!
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Vale do Ave
Galiza mostra o caminho (mais uma vez)
Este projecto, da iniciativa exclusiva do Governo regional e para o qual vai destinar 25 milhões de euros, representa um sinal evidente da prioridade política dos galegos a uma indústria que lhes garante, neste momento, mais de 10 por cento do seu PIB regional. Surge também numa altura em que a Região Norte retirou o sector automóvel da sua prioridade de desenvolvimento estratégico para a próxima década (agora baseada na biotecnologia e as ciências da saúde)."
O CEIIA contou com 10 milhões de euros (públicos e privados). Apesar das dificuldades económicas do nosso país, a diferença do investimento mostra bem o empenho, decisão e estratégia dos dois lados da fronteira. No seguimento da notícia, aprende-se que o sector automovél não é um sector estratégico para a região. Tentei descobrir qual é a estratégia para a região, parte pode ser encontrado aqui e mais concrectamente e com mais detalhe aqui.
Estes "planos" (Portugal agora deve ser a capital dos planos), estão cheios de boas intenções e muito paleio. Primeiro, eu tenho muitas dúvidas acerca da vontade e capacidade dos actuais dirigentes implementarem os seus próprios "planos" (aí a verdadeira vantagem da Galiza ter o governo regional). Segundo, após breve leitura, a mim parece-me que está-se a tentar preparar a região para os desafios de ontem. Ou seja, não há estratégia a longo prazo, ou que se está a tentar fazer é tentar trazer a região para o século XX/XXI e não para o futuro.
Eu propunha aqui um debate, acerca do que devem ser as fontes de riqueza da região, a longo prazo e a sua sustentibilidade.
O CEIIA contou com 10 milhões de euros (públicos e privados). Apesar das dificuldades económicas do nosso país, a diferença do investimento mostra bem o empenho, decisão e estratégia dos dois lados da fronteira. No seguimento da notícia, aprende-se que o sector automovél não é um sector estratégico para a região. Tentei descobrir qual é a estratégia para a região, parte pode ser encontrado aqui e mais concrectamente e com mais detalhe aqui.
Estes "planos" (Portugal agora deve ser a capital dos planos), estão cheios de boas intenções e muito paleio. Primeiro, eu tenho muitas dúvidas acerca da vontade e capacidade dos actuais dirigentes implementarem os seus próprios "planos" (aí a verdadeira vantagem da Galiza ter o governo regional). Segundo, após breve leitura, a mim parece-me que está-se a tentar preparar a região para os desafios de ontem. Ou seja, não há estratégia a longo prazo, ou que se está a tentar fazer é tentar trazer a região para o século XX/XXI e não para o futuro.
Eu propunha aqui um debate, acerca do que devem ser as fontes de riqueza da região, a longo prazo e a sua sustentibilidade.
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Estratégias Turisticas
Depois de ler no Faro de Vigo que a Galiza pretende atrair fluxo turístico japonês surgem algumas questões pertinentes:
a-) Qual é o nosso papel e o que temos a ganhar com uma possível afluência de japoneses à Galiza?
b-) Conseguiremos nós fazer algo do género com as nossas regiões de turismo completamente retalhadas?
Não sei qual seria o nosso papel, mas também não temos de ficar á espera dos espanhóis para obtermos ganhos, e a solução seria termos uma grande região turística à semelhança da Turgalicia, e não a diminuição das regiões turísticas retalhadas, tipo junção do Alto com o Verde Minho. Claro que uma região turística cujas fronteiras coincidissem com as da região Norte, seria a 3a ou 4a marca turística portuguesa, mas, por exemplo, o Verde Minho está em que lugar??Além disso, falo sem conhecer estudos, mas de certeza que a região da Galiza, por mais bonita que seja, não deve estar nos lugares cimeiros em termos de marca turística espanhola, mas mesmo assim ambicionam cativar um sem número de Japoneses.
Por isso, penso que temos tudo a ganhar com uma grande região: Temos o maior aeroporto do noroeste peninsular, temos cidades bonitas, aldeias históricas, paisagens deslumbrantes, patrimonio da humanidade, vinho e gastronomia do melhor, história, capitais da cultura, infra-estruturas para concertos, congressos, cimeiras....
a-) Qual é o nosso papel e o que temos a ganhar com uma possível afluência de japoneses à Galiza?
b-) Conseguiremos nós fazer algo do género com as nossas regiões de turismo completamente retalhadas?
Não sei qual seria o nosso papel, mas também não temos de ficar á espera dos espanhóis para obtermos ganhos, e a solução seria termos uma grande região turística à semelhança da Turgalicia, e não a diminuição das regiões turísticas retalhadas, tipo junção do Alto com o Verde Minho. Claro que uma região turística cujas fronteiras coincidissem com as da região Norte, seria a 3a ou 4a marca turística portuguesa, mas, por exemplo, o Verde Minho está em que lugar??Além disso, falo sem conhecer estudos, mas de certeza que a região da Galiza, por mais bonita que seja, não deve estar nos lugares cimeiros em termos de marca turística espanhola, mas mesmo assim ambicionam cativar um sem número de Japoneses.
Por isso, penso que temos tudo a ganhar com uma grande região: Temos o maior aeroporto do noroeste peninsular, temos cidades bonitas, aldeias históricas, paisagens deslumbrantes, patrimonio da humanidade, vinho e gastronomia do melhor, história, capitais da cultura, infra-estruturas para concertos, congressos, cimeiras....
Tratados europeus e centralismo
A única razão porque os tratados europeus tem ficado com nome de cidades, deve-se ao facto de serem assinados na cidade por cujo nome ficam conhecidos. Pretender manipular a atribuição do nome do tratado para dar publicidade a uma qualquer cidade, maior ou menor, litoral ou interior, é de um provincianismo que só pode ser prejudicial a quem queira verdadeiramente defender formas descentralizadas de organizar o País.
É verdade que há muito tempo que se deveria discutir em Portugal, porque razão quase todas as realizações maiores, em termos internacionais, quase sempre acabam em Lisboa. Essa discussão deveria, naturalmente, fazer parte de um debate mais amplo sobre o modelo de organização do País e até sobre o combate ao centralismo.
Agora focalizar um acidente do processo europeu, que aliás não está garantido (não é óbvio que o Tratado venha a ser concluído na Presidência portuguesa e muito menos que será assinado em Lisboa), para reclamar publicidade para seja qual for a cidade portuguesa!!! Francamente, não é com tiros destes que se mata o centralismo.
Acresce que o Tratado provavelmente não será um bom tratado. Será um remedeio, destes a que o processo europeu nos tem habituado, daqueles em que o todo vale alguma coisa porque talvez permita a continuação do aprofundamento da integração e alguns alargamentos, mas em que as partes são altamente criticáveis, quer porque não avançam o suficiente (falta de eleição directa de todas as instituições) quer porque avançam demais (criação de um presidente não eleito para o Conselho Europeu).
Se vier a ser assinado em Lisboa, pois que seja conhecido por Tratado de Lisboa. Se não paciência. O importante é que a Europa possa continuar a avançar, não é saber onde se assina. Aliás, o único caso de um tratado que deu a conhecer uma cidade europeia de que me recordo, é de muito má memória, ou já se esqueceram do Tratado de Maastricht?
Concentremo-nos nas coisas importantes. Por exemplo a privatização da Ana. Isso sim, pode ser decisivo para o desenvolvimento do País, e do Norte, e para o combate ao centralismo.
É verdade que há muito tempo que se deveria discutir em Portugal, porque razão quase todas as realizações maiores, em termos internacionais, quase sempre acabam em Lisboa. Essa discussão deveria, naturalmente, fazer parte de um debate mais amplo sobre o modelo de organização do País e até sobre o combate ao centralismo.
Agora focalizar um acidente do processo europeu, que aliás não está garantido (não é óbvio que o Tratado venha a ser concluído na Presidência portuguesa e muito menos que será assinado em Lisboa), para reclamar publicidade para seja qual for a cidade portuguesa!!! Francamente, não é com tiros destes que se mata o centralismo.
Acresce que o Tratado provavelmente não será um bom tratado. Será um remedeio, destes a que o processo europeu nos tem habituado, daqueles em que o todo vale alguma coisa porque talvez permita a continuação do aprofundamento da integração e alguns alargamentos, mas em que as partes são altamente criticáveis, quer porque não avançam o suficiente (falta de eleição directa de todas as instituições) quer porque avançam demais (criação de um presidente não eleito para o Conselho Europeu).
Se vier a ser assinado em Lisboa, pois que seja conhecido por Tratado de Lisboa. Se não paciência. O importante é que a Europa possa continuar a avançar, não é saber onde se assina. Aliás, o único caso de um tratado que deu a conhecer uma cidade europeia de que me recordo, é de muito má memória, ou já se esqueceram do Tratado de Maastricht?
Concentremo-nos nas coisas importantes. Por exemplo a privatização da Ana. Isso sim, pode ser decisivo para o desenvolvimento do País, e do Norte, e para o combate ao centralismo.
Vitor Constâncio «consulta» o Norteamos
Isto “Riscos para a economia agravaram-se imenso” é igual a isto «Efeitos a Norte da recessão económica internacional que se aproxima». A diferença é apenas a data de publicação.
20070909
Indemnizações compensatórias III
"A RTP continuará a ser este ano a empresa pública que maior indemnização compensatória recebe do Estado. O valor a pagar relativo a este ano ascende a 152,3 milhões de euros, mais 1,5% face a 2006."
In DN
A RTP, que recebe um financiamento (uma ignóbil exacção) através da taxa de audiovisuais, cobrado na factura de electricidade, e que passa publicidade a preços milionários, ainda recebe mais de 150 milhões de euros - leram bem: 152 300 000 €! - em nome de indemnização compensatória devido a serviço público prestado.
Dando de barato que exista serviço público - coisa que eu tenho dificuldade em descortinar -, este não será assim tão volumoso que justifique uma tal quantia de dinheiro (6 vezes mais do que é atribuido ao Metro de Lisboa e 13 vezes mais do que é atribuido ao Metro do Porto), principalmente quando comparado ao que é atribuido às empresas de transportes, porque essas sim fazem serviço público, e, mais ainda, quando comparado com aquelas que nada recebem e também prestam muitos e relevantes serviços públicos.
Este dinheiro serve para pagar uma coisa que se chama condicionamento das consciências e do pensamento dos cidadãos.
In DN
A RTP, que recebe um financiamento (uma ignóbil exacção) através da taxa de audiovisuais, cobrado na factura de electricidade, e que passa publicidade a preços milionários, ainda recebe mais de 150 milhões de euros - leram bem: 152 300 000 €! - em nome de indemnização compensatória devido a serviço público prestado.
Dando de barato que exista serviço público - coisa que eu tenho dificuldade em descortinar -, este não será assim tão volumoso que justifique uma tal quantia de dinheiro (6 vezes mais do que é atribuido ao Metro de Lisboa e 13 vezes mais do que é atribuido ao Metro do Porto), principalmente quando comparado ao que é atribuido às empresas de transportes, porque essas sim fazem serviço público, e, mais ainda, quando comparado com aquelas que nada recebem e também prestam muitos e relevantes serviços públicos.
Este dinheiro serve para pagar uma coisa que se chama condicionamento das consciências e do pensamento dos cidadãos.
Indemnizações compensatórias II
Vejamos:
1. A CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de autêntica falência técnica. (Ainda bem que o Governo decidiu impôr ao Metro do Porto o tão bem sucedido modelo do Metro de Lisboa...)
2. Por algum motivo, o Estado Central acha que é a sua função financiar os transportes locais e suburbanos (na minha opinião, isso deveria ser função das autarquias e das futuras regiões). No entanto, acha que isso só é válido para Lisboa e Porto. O resto do país não interessa. Um caso de drenagem bipolar.
3. Outra função que costuma pertencer ao poder local é o financiamento da cultura. Mas o Governo decidiu manter uma excepção. O Teatro Nacional D.Maria irá receber 5M€. Como é óbvio, Lisboa tem um enorme défice de oferta cultural face ao resto do país...
4. A Air Luxor, que não tem licença para voar há um ano, tem direito a 1,1 milhões de euros. Como é que as companhias aéreas que não voam conseguem prestar um serviço público. Será que ajudam a reduzir o desemprego de boys?
Tendo isto em conta, é óbvio que a notícia mais importante é a quadriplicação das indemnizações ao Metro do Porto. O triste é necessitar da blogosfera para chegar a estas conclusões...
1. A CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de autêntica falência técnica. (Ainda bem que o Governo decidiu impôr ao Metro do Porto o tão bem sucedido modelo do Metro de Lisboa...)
2. Por algum motivo, o Estado Central acha que é a sua função financiar os transportes locais e suburbanos (na minha opinião, isso deveria ser função das autarquias e das futuras regiões). No entanto, acha que isso só é válido para Lisboa e Porto. O resto do país não interessa. Um caso de drenagem bipolar.
3. Outra função que costuma pertencer ao poder local é o financiamento da cultura. Mas o Governo decidiu manter uma excepção. O Teatro Nacional D.Maria irá receber 5M€. Como é óbvio, Lisboa tem um enorme défice de oferta cultural face ao resto do país...
4. A Air Luxor, que não tem licença para voar há um ano, tem direito a 1,1 milhões de euros. Como é que as companhias aéreas que não voam conseguem prestar um serviço público. Será que ajudam a reduzir o desemprego de boys?
Tendo isto em conta, é óbvio que a notícia mais importante é a quadriplicação das indemnizações ao Metro do Porto. O triste é necessitar da blogosfera para chegar a estas conclusões...
Indemnizações compensatórias
O Diário Económico publicou sexta-feira um artigo sobre as indemnizações compensatórias às empresas públicas. O seu título era simplesmente vergonhoso e claramente persecutório: Metro do Porto recebe quatro vezes mais em compensações estatais.
De facto, é factualmente verdade. É no entanto a informação menos relevante a dizer sobre o assunto. A indemnização passou se 2,5M€ para 10,9M€.
Curiosamente, esta notícia sai no mesmo dia em foi anunciado (apenas no Destak, segundo o Google News) que o Metro de Lisboa perde 3,2% de passageiros e o Metro do Porto ganhou 33,7%.
Note-se também que, segundo o DN, a CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de falência técnica. Mas que valores foram para as empresas de transportes públicos locais / inter-urbanos?:
- Carris (Lisboa): 49M€
- Metropolitano de Lisboa: 24M€
- STCP (Porto): 17,5M€
- Fertagus (Lisboa): 12,6M€
- Metro do Porto: 11M€
- Transtejo (Lisboa): 6,0M€
- Soflusa (Lisboa): 4,2M€
- Rodoviária de Lisboa: 2,2M€
- Vimeca Transportes (Lisboa): 1,4M€
- Transportes do Sul do Tejo: 1,3M€
É o habitual: quando o Estado Central revela o seu enorme esbanjamento de recursos públicos, há sempre alguns jornalistas que tentam chamar as atenções para o Porto. Não acredito em teorias da conspiração, mas isto é um caso nítido de perseguição pública.
Este é só o primeiro post. É que as coisas que a jornalista deixou passar não são menos que escandalosas. É o que dá estar mais preocupada com o ressabiamento futebolístico do costume do que com o rigor das análises (recomenda-se menos futebolíte e mais trabalho). Prossigamos para o próximo post.
De facto, é factualmente verdade. É no entanto a informação menos relevante a dizer sobre o assunto. A indemnização passou se 2,5M€ para 10,9M€.
Curiosamente, esta notícia sai no mesmo dia em foi anunciado (apenas no Destak, segundo o Google News) que o Metro de Lisboa perde 3,2% de passageiros e o Metro do Porto ganhou 33,7%.
Note-se também que, segundo o DN, a CP, o Metropolitano de Lisboa e a Carris, encontram-se numa situação de falência técnica. Mas que valores foram para as empresas de transportes públicos locais / inter-urbanos?:
- Carris (Lisboa): 49M€
- Metropolitano de Lisboa: 24M€
- STCP (Porto): 17,5M€
- Fertagus (Lisboa): 12,6M€
- Metro do Porto: 11M€
- Transtejo (Lisboa): 6,0M€
- Soflusa (Lisboa): 4,2M€
- Rodoviária de Lisboa: 2,2M€
- Vimeca Transportes (Lisboa): 1,4M€
- Transportes do Sul do Tejo: 1,3M€
É o habitual: quando o Estado Central revela o seu enorme esbanjamento de recursos públicos, há sempre alguns jornalistas que tentam chamar as atenções para o Porto. Não acredito em teorias da conspiração, mas isto é um caso nítido de perseguição pública.
Este é só o primeiro post. É que as coisas que a jornalista deixou passar não são menos que escandalosas. É o que dá estar mais preocupada com o ressabiamento futebolístico do costume do que com o rigor das análises (recomenda-se menos futebolíte e mais trabalho). Prossigamos para o próximo post.
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Xenofobia
Pelo Regresso do Eléctrico a Braga

O JN faz notar que «há assinantes de vários concelhos do distrito de Braga agradados com "uma ideia útil e ecológica que daria à cidade de Braga uma mais-valia não só em termos turísticos, mas também a outros níveis"». A notícia adianta ainda que «a Câmara de Braga, para já, remete-se ao silêncio e não quis prestar declarações sobre as intenções explanadas nesta petição».
Para ler e assinar a petição, siga este link.
O Ponto da Situação pode ler-se aqui.
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Transportes
20070908
Selecção avessa à província: ou como a drenagem também se faz na bola
A selecção nacional de futebol parece ser alérgica aos ares da província. Entre 53 jogos oficiais realizados em solo português nos últimos 20 anos, o Portugal-Sérvia da próxima quarta-feira será "só" o 27.º na capital. E o Clube Portugal, assim baptizado nos últimos anos, para celebrar a reconciliação nacional com a "equipa de todos nós", até têm agravado a histórica tendência para a centralização do país futebolístico. O encontro com os sérvios será, também, o décimo desafio oficial, entre os 17 da era Scolari, marcado para Lisboa. Ali foram já disputados todos os jogos mais apelativos do Euro 2004, da fase de qualificação para o Mundial 2006 e para o Euro 2008. A Polónia e a Sérvia seguem a ordem vigente.
Tudo não passaria de uma questão de "ciumeira" se, afinal, não se verificasse que, além do prestígio, outros valores se alevantam: o clube que cede o estádio leva 10% da receita de bilheteira e até pode acumular o gozo supremo de a selecção ser composta, exclusivamente, por jogadores de um rival...
...
Nos últimos 20 anos, o Minho, uma das regiões do país com maior densidade geográfica, só viu a selecção num jogo a sério, em Março de 1999, com o... Azerbaijão. Guimarães, onde mora uma das mais fervorosas falanges de adeptos, a do Vitória, só voltou a ter jogos da selecção num particular de má memória para a equipa de Scolari (0-3, com a Espanha, em Setembro de 2003). E Braga? Nem um joguinho oficial para amostra. Desde 1987, a selecção foi lá seis vezes, mas sempre em jogos a feijões. E Barcelos contentou-se com um amistoso, em Março de 2005 (4-1 ao Canadá)
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Tudo não passaria de uma questão de "ciumeira" se, afinal, não se verificasse que, além do prestígio, outros valores se alevantam: o clube que cede o estádio leva 10% da receita de bilheteira e até pode acumular o gozo supremo de a selecção ser composta, exclusivamente, por jogadores de um rival...
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Nos últimos 20 anos, o Minho, uma das regiões do país com maior densidade geográfica, só viu a selecção num jogo a sério, em Março de 1999, com o... Azerbaijão. Guimarães, onde mora uma das mais fervorosas falanges de adeptos, a do Vitória, só voltou a ter jogos da selecção num particular de má memória para a equipa de Scolari (0-3, com a Espanha, em Setembro de 2003). E Braga? Nem um joguinho oficial para amostra. Desde 1987, a selecção foi lá seis vezes, mas sempre em jogos a feijões. E Barcelos contentou-se com um amistoso, em Março de 2005 (4-1 ao Canadá)
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20070907
Gestores de topo

Dois gestores de topo portugueses participaram num congresso promovido por uma conhecida multinacional europeia que coordena uma popular indústria do entretenimento. Estes gestores, os únicos portugueses entre a escol da indústria europeia, chamam-se José Mourinho e Jesualdo Ferreira. Como sabem, dois ilustres desconhecidos. Talvez por causa disso os nossos media, incluindo os da especialidade, não deram o devido destaque ao mérito destes dois empenhados profissionais. :->
AVENIDA NUN´ÁLVARES III
Para aqueles que tenham interesse em saber o que se passou na reunião de ontem em Nevogilde, sobre o projecto Avenida Nun´Álvares, aqui vai:
" Cheguei agora do debate em Nevogilde. Sem tempo para um relato decente, e na esperança de que algum dos outros presentes o faça ;-) , direi apenas que correu muito bem, sereno e produtivo, e bastante participado, tanto com "notáveis" como com "povo anónimo".
Em resumo, a Junta (em coordenação com os particulares) irá tentar duas vias paralelas e complementares para corrigir a proposta, sempre com o objectivo de que algo sensato realmente se faça para tratar o espaço em causa:
- uma "dura", com recurso à Lei e aos tribunais, e outra "pedagógica", expondo as razões que parecem consensuais, sugerindo alternativas e demonstrando à Câmara a oposição da população ao projecto tal como ele foi proposto."
Em resumo, a Junta (em coordenação com os particulares) irá tentar duas vias paralelas e complementares para corrigir a proposta, sempre com o objectivo de que algo sensato realmente se faça para tratar o espaço em causa:
- uma "dura", com recurso à Lei e aos tribunais, e outra "pedagógica", expondo as razões que parecem consensuais, sugerindo alternativas e demonstrando à Câmara a oposição da população ao projecto tal como ele foi proposto."
Vale a pena participar civicamente, mas de forma serena e civilizada. Parabéns ao Arquitecto Alexandre Burmester!
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Distrito do Porto,
Urbanismo
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